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Delito de Opinião

A alienação

Paulo Sousa, 03.06.22

Ouvimos diariamente os auto-elogios vomitados pelos nossos governantes sobre as maravilhas do estado do SNS, seguidos dos hossanas em pagamento pela comunicação social. Ao mesmo tempo todos os dias tropeçamos na evidência da sua incapacidade em acudir às necessidades dos portugueses. São os atrasos nas consultas, nas cirurgias, nos diagnósticos e nos tratamentos. A mortalidade não-Covid tem sido estoicamente ignorada por todos os que defendem a situação.

À minha volta, são vários os casos que confirmam a miséria a que nos deixamos chegar. Estados oncológicos tardiamente diagnosticados, radioterapias consecutivamente adiadas ao longo de vários meses, falta de médicos e de consultas que acabam por alimentar idas recorrentes à medicina privada, e cada vez mais, a contratação de seguros de saúde.

Soube ontem também que pela primeira vez em 40 anos morreram mais de 10.000 portugueses durante o mês de Maio.

Também ontem foi o Hospital de S. João que suspendeu as ecografias do segundo trimestre a grávidas, devido à diminuição do número de médicos. Os exemplos nunca mais acabam.

Na educação, ouvi há dias um aluno do 12º que teve a classificação de 4,5 em 20, em dois testes consecutivos a Física, a garantir que irá ter 10 no final do ano. Aqui perto há uma escola pública com 17 funcionários administrativos, vizinha de uma outra, de contrato de associação, que para um universo escolar quase idêntico, consegue funcionar com 3. A mais que avisada falta de professores em curso já está a acontecer e irá agravar-se.

Entretanto o Ministro da Educação anuncia, feliz, que o número de alunos que chumbaram de ano, que na novilíngua se diz “foram retidos”, foi dos mais baixos de sempre, assumindo na entrelinhas que a redução de conhecimentos adquiridos na escola é uma das consequências das políticas da governação socialista.

A dívida pública em 2015, ano em que António se tornou PM, era de 235 mil milhões e em 2022, mesmo com todos os sucessos que a Comunicação Social replica dos spins socialistas, esse valor ultrapassará os 270 mil milhões.

Nada de bom pode resultar desta combinação de factos.

O país vive desligado da realidade. A vitória do PS nas últimas legislativas, e por maioria absoluta, foi mais uma manifestação dessa alienação. Votou-se no PS com a convicção de quem quer calar os alertas, as recomendações e os críticos. Isto podia estar bem pior e o que temos, mesmo não sendo nosso, chega-nos bem. Quem vier depois que feche a porta.

Um dia, no futuro, os nossos descendentes irão ficar incrédulos como é que o país se deixou enredar nesta armadilha.

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