Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




A acusação para censurar

por João André, em 19.01.18

O Pedro dedicou dois posts para acusar os movimentos #metoo e Time's Up de censura. Tenho a certeza que a única coisa que o Pedro está a pensar é que estes movimentos têm que controlar a sanha acusatória e está a procurar colocar água na fervura. Está no entanto a fazê-lo de forma errada.

 

A verdade é que me estou nas tintas para as acusações a Woody Allen. Ele já as sofre há décadas (e com boas razões) e nunca teve reais problemas. Também me estou nas tintas para as acusações às outras figuras do entretenimento. Estas surgem precisamente porque os seus alvos são pessoas que têm uma imagem a defender e, como tal, estão mais expostas e não podem reagir de forma tão agressiva como alguns outros.

 

Quantas acusações ficam por fazer? Quantas mulheres espalhadas por todo o tipo de indústrias não falam do que sofrem por medo? Ou quantas são ameaçadas, chantageadas, ignoradas e - sim!, digamo-lo - censuradas por terem acusado alguém? O The Guardian reportou uma cultura de abusos na ONU e subsequente cultura de encobrimento. Quantos outros locais não são iguais? Quantas mulheres foram abusadas por Weinstein ao longo dos anos porque estas acusações não surhiram mais cedo?

 

A verdade é que se este movimento cometará exageros (qual o movimento que não o faz?, pergunto eu mais uma vez) também estará a ajudar as mulheres a finalmente falar das suas situações com menos medo ou, pelo menos, sabendo que têm outras mulheres que as compreendem, que sofreram o mesmo.

 

Acusar este movimento de censura, quando ainda não tem um ano de existência, quando veio a público de forma mais clara ainda não há um mês, não serve para mais que querer empurrar as mulheres para o buraco onde estiveram enfiadas e dizer-lhes «fica mas é quietinha e tem respeito pela mão que te dá de comer!». Na verdade, mesmo sem essa intenção, acusar o movimento de censura nada mais fará que o censurar. São tácticas trumpianas.

 

Querem que estas mulheres saiam do buraco? Deixem-nas falar. Deixem-nas acusar. Quando as acusações não tiverem fundamento, deixem que isso seja apurado de forma correcta. Quererem que elas se calem é voltar a oprimi-les. Quantas mais mulheres falarem, mais facilmente os casos graves se compreenderão.

 

Até lá, não notei que Allen, Franco ou Ansari tenham perdido contratos. Já as mulheres que os acusaram possivelmente estão hoje a ser riscadas de listas. Não admira que algumas escolham o anonimato*.

 

* - ela não é anónima. Está perfeitamente identificada para o/a jornalista que a entrevistou. Não dar o nome publicamente numa entrevista não é anonimato. Como o Pedro bem o deveria saber.

Autoria e outros dados (tags, etc)


48 comentários

Sem imagem de perfil

De Anónimo a 19.01.2018 às 13:18

Isto, isto, tão isto. E acho curioso quando o recente movimento Weinsteiniano é acusado de só agora ter posto a boca no trombone, quando os acusadores têm plena consciência de que, caso as vítimas falassem na hora, seriam brindadas com: "O que fizeste/bebeste/levavas vestido?"
Brilhante análise. Parabéns.
Cumps
Kat
Imagem de perfil

De João André a 19.01.2018 às 17:29

Esse é um dos "argumentos" mais comuns contra mulheres que decidem apontar o dedo a abusadores.
Sem imagem de perfil

De Vento a 19.01.2018 às 13:44

"Quantas acusações ficam por fazer? Quantas mulheres espalhadas por todo o tipo de indústrias não falam do que sofrem por medo? Ou quantas são ameaçadas, chantageadas, ignoradas e - sim!, digamo-lo - censuradas por terem acusado alguém?"

Meu caro João, transformar-se uma questão de justiça e civilidade numa questão de género nada mais é que a sombra de uma realidade maior. Aquilo que aplica de forma interrogativa às mulheres também acontece com os homens espalhados por todo o tipo de indústrias e não só.
Significa isto que ao transformar-se uma questão de justiça social em símbolos de género nada mais se faz que subverter as naturais relações que se devem estabelecer.

O que hoje acontece com muitos movimentos ditos feministas nada mais é que colocar a mulher em bicos de pés e transformar os homens em miseráveis e desprezíveis seres. E posso garantir-lhe que isto não acabará bem.
A centralidade da acção política e social é a Humanidade e não o género.
Imagem de perfil

De João André a 19.01.2018 às 18:45

Caro Vento, claro que tem razão que os casos de abuso não são exclusivamente de homens sobre mulheres. No entanto a esmagadora maioria sê-lo-ão. É uma simples questão de poder, como já escrevi múltiplas vezes. Os homens tendem a ter mais poder que as mulheres (quanto mais não seja sob a forma física) e esse poder, que têm desde há séculos, pode levar a abusos mesmo que involuntários.

Alguns casos são de civismo. Outros de justiça. Ambos devem ser denunciados quando são prática comum.
Sem imagem de perfil

De Plinio a 19.01.2018 às 13:44

Eu não me estou nas tintas se alguém é acusado depois de ter sido investigado e se ter concluído pela inexistência das acusações como parece que aconteceu com Woody Allen.
Imagem de perfil

De João André a 19.01.2018 às 18:47

Não há inexistência de acusações. Houve falta de provas e a polícia decidiu-se a não continuar a investigação à denúncia.

E estou-me nas tintas precisamente porque essas acusações têm décadas, passaram pela justiça (que decidiu, bem ou mal, não continuar) e Woody Allen não parece ter sofrido profissionalmente por isso.
Sem imagem de perfil

De Plinio a 20.01.2018 às 12:10

Woody Allen parece não ter sofrido profissionalmente com isso!
E deveria? Apesar de a denúncia ter sido arquivada pela entidade competente para o efeito?
Woody Allen defende-se dizendo que foi a mãe que instruiu a filha! É válida a defesa dele? E no confronto entre a denúncia e a defesa o que escolhemos?
As coisas são sempre mais complicadas de analisar do que meros comentários!
E sim, se uma acusação redunda em nada ela para todos os efeitos é juridicamente inexistente!
Imagem de perfil

De João André a 22.01.2018 às 09:38

Com acusações não. O meu ponto é simples: se o poder dos acusadores fosse assim tão grande, Allen não teria tido a carreira que teve.

Quanto ao resto existe uma realidade que provavelmente nunca saberemos. Acreditamos em Allen ou em Farrow (a filha, não a mãe). Lucas Coelho acredita em Allen. Os actores que decidiram não voltar a trabalhar com Allen acreditam em Farrow (e assim sendo tomam a única decisão possível). Eu não sei no que acreditar porque não tenho dados suficientes. Mas não condeno Farrow por dar a sua versão do caso.
Sem imagem de perfil

De António a 24.01.2018 às 15:11

Parece que o novo filme de Allen não será distribuído. Já está satisfeito?
Sem imagem de perfil

De António a 19.01.2018 às 14:15

O Sr. João André já viu o filme “Guilty Of Suspicion”? É de 91, tem de Niro, Benning, Scorcese, e é muito bom. E infelizmente muito apropriado. Ninguém devia ser culpado de ser suspeito, mas é isso que acontece neste circo #metoo.
Imagem de perfil

De João André a 19.01.2018 às 18:50

Tenho ideia de o ter visto, mas lembro-me mal (depois de consulta ao IMDb vejo que o nome é Guilty by Suspicion).

Li o resumo do filme e vejo que as semelhanças são no sentido oposto das que vemos hoje. Se existisse alguma semelhança às perseguições macarthistas são pelo lado de quem o denunciou. Não vejo onde está o poder das mulheres que estão a acusar. Ainda não vi Ansari ou Allen a perder filmes por causa disto.
Sem imagem de perfil

De António a 19.01.2018 às 22:57

Como é possível não ver o poder das acusadoras? É tão desproporcional que se dão ao luxo de acusar homens de há 30 anos lhes terem colocado a mão na perna e serem levadas a sério. O poder delas é redefinir assédio até caber tudo na definição. Segundo a definição que se tenta impor todos os homens são culpados de assédio. Assédio não é abuso, violação ou chantagem. Assédio é a perseguição indesejada e continuada no tempo para obtenção de favores (não forçosamente sexuais).
Sr. João André, algumas alegações nem fazem sentido para mim. Não me imagino a assistir a actos obscenos quando tenho uma porta aberta para sair do local (caso das alegações contra Louis CK, ou Ansari).
Imagem de perfil

De João André a 22.01.2018 às 09:43

Não misture Louis CK com Ansari. O de Ansari parece ser de má comunicação. Ela não queria mas não soube comunicá-lo claramente. Talvez tenha existido um elemento de receio de algum tipo (especulação minha) mas o essencial parece ser que ela não soube dizer "não quero". Ansari provavelmente poderia ter estado mais atento a sinais, mas nunca escrevi em lado nenhum que considerei o caso assédio ou abuso sexual. Mas é educativo para as pessoas compreenderem que é importante a comunicação (que é onde o debate deste caso deveria recair, emvez de histerias sobre acusações).

Louis CK é um profissional de enorme sucesso, admirado pelo que atingiu na sua indústria e com enorme influência sobre carreiras de outros profissionais. Abusou desse poder (o dado pela admiração e o real) para cometer actos completamente inaceitáveis. As actrizes poderiam obviamente ter-se ido embora, mas são claríssimos o medo e o trauma que tal causaria.
Sem imagem de perfil

De António a 22.01.2018 às 15:57

Tenho que misturar Ansari com CK com Allen porque já está tudo misturado. Não devia. Exposição Indecente não é assédio, e Allen foi investigado em dois estados, pela Justiça, que é o lugar certo, não o Twitter.
Eu compreendo a importância do contexto. Mas e daí? Não se diz não porque é o CK ou o Clooney, ou Bill Clinton?
Creio que muitos de nós já fomos pressionados por superiores ou gente que respeitámos, para tomar drogas, beber, cometer ou encobrir fraudes. Não é exclusivo de Hollywood, e também tem consequências para quem não entra no esquema. E há quem não entre.
Felizmente não me cabe decidir nenhum destes casos, mas na minha opinião é um erro julgar na praça pública com rumores como base. Aliás, uma das coisas que me deixam perplexo é a reacção dos “acusados”. Podiam fazer como Tom Cruise e levar os casos a tribunal - ou provam ou pagam.
Seja como for isto já está fora do razoável, só falta a Pamela des Barres queixar-se para termos tudo e mais a pia da cozinha metido ao barulho.
Imagem de perfil

De João André a 23.01.2018 às 13:08

Nesta discussão há um aspecto fundamental: não podemos julgar os outros pela batuta "se se fôssemos nós?". Isto porque cada pessoa tem reacções diferentes e a lei não está alinhada pela bitola do elo mais forte mas do mais fraco.
Sem imagem de perfil

De António a 23.01.2018 às 14:50

Tenho que misturar Ansari com CK com Allen porque já está tudo misturado. Não devia. Exposição Indecente não é assédio, e Allen foi investigado em dois estados, pela Justiça, que é o lugar certo, não o Twitter.
Eu compreendo a importância do contexto. Mas e daí? Não se diz não porque é o CK ou o Clooney, ou Bill Clinton?
Creio que muitos de nós já fomos pressionados por superiores ou gente que respeitámos, para tomar drogas, beber, cometer ou encobrir fraudes. Não é exclusivo de Hollywood, e também tem consequências para quem não entra no esquema. E há quem não entre.
Felizmente não me cabe decidir nenhum destes casos, mas na minha opinião é um erro julgar na praça pública com rumores como base. Aliás, uma das coisas que me deixam perplexo é a reacção dos “acusados”. Podiam fazer como Tom Cruise e levar os casos a tribunal - ou provam ou pagam.
Seja como for isto já está fora do razoável, só falta a Pamela des Barres queixar-se para termos tudo e mais a pia da cozinha metido ao barulho.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 19.01.2018 às 14:39

Nunca me estou nas tintas para a violação do princípio da presunção da inocência, João.
Nem para condenações à margem dos tribunais.
Nem para apedrejamentos na praça pública. Semelhantes aos do maccartismo na década de 50. Foi em Hollywood, precisamente. O mesmo local onde agora acorre este insano maccartismo sexual.

Estou com a Margaret Atwood, a quem ninguém dá lições de feminismo:
https://www.theglobeandmail.com/opinion/am-i-a-bad-feminist/article37591823/

Quanto ao movimento #metoo - que nunca mencionei e portanto me acusas erradamente de criticar - está mais dividido que nunca, como aliás seria de esperar:
https://www.vox.com/culture/2018/1/17/16897440/aziz-ansari-allegations-babe-me-too
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 19.01.2018 às 16:39

Nunca me estou nas tintas [...] para condenações à margem dos tribunais.

Tal como expliquei ao Pedro noutro comentário, atualmente na justiça norte-americana (e crescentemente em muitos países europeus, incluindo aqui mesmo ao lado em Espanha) a maior parte das "condenações" são à margem dos tribunais. Pessoas são condenadas a pagar multas ou a passar temporadas na prisão sem nunca terem ido a tribunal. São incitadas a "confessar" os crimes de que são acusadas e depois são condenadas sem nunca terem ido a tribunal.

Espero que o Pedro nunca se esteja nas tintas para isto.
Imagem de perfil

De João André a 19.01.2018 às 19:00

Tem exemplos disso? Nunca de tal ouvi falar.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 20.01.2018 às 15:21

Leia a The Economist de uma das últimas semanas (foi um artigo de fundo, há não mais de três meses). Tem lá exemplos chocantes, inclusivé tirados de Espanha.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 20.01.2018 às 15:43

Veja

https://www.economist.com/news/international/21731159-tool-making-justice-swifter-too-often-snares-innocent-troubling-spread

The Economist, edição de 11 de novembro de 2017, secção "International".
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 20.01.2018 às 23:30

"Tem exemplos disso? Nunca de tal ouvi falar."

Nunca ouviu falar!?

https://www.washingtonpost.com/opinions/why-innocent-people-plead-guilty/2018/01/12/e05d262c-b805-11e7-a908-a3470754bbb9_story.html


https://www.washingtonpost.com/news/in-theory/wp/2016/04/06/prosecutors-have-too-much-power-juries-should-rein-them-in/

Ham Sandwich Nation: Due Process When Everything is a Crime
https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=2203713
Imagem de perfil

De João André a 22.01.2018 às 09:44

Não fiz o comentário como um desafio, antes como pedido de esclarecimento. Perdi esse artigo do The Economist. Obrigado pela referência.
Sem imagem de perfil

De Vlad, o Emborcador a 19.01.2018 às 20:14

Isso é porque a justiça americana é caríssima. Qual o espanto? Qualquer dia torna-se moda por cá também. Sai mais barato ir dentro.
Imagem de perfil

De João André a 19.01.2018 às 18:55

A referência ao maccartismo é errada: McCarthy tinha poder: as mulheres que estão a fazer as denúncias não têm qualquer poder além do da sua voz. McCarthy e os seus grunhos conseguiram arruinar múltiplas vidas ao impedir de forma muito directa e concreta os seus alvos de exercer profissões e de lhes retirar outras liberdades.

Onde estão as consequências a Ansari, Franco, Allen? Allen é acusado há décadas e não foi impedido de realizar filmes. E vai continuar a não ser impedido. Só porque alguns actores decidem não trabalhar com ele, isso impede-o de fazer filmes?

O movimento #metoo baseia-se na denúncia pública de abusos. Ao apontares essas denúcias estás a referir-te ao movimento. Não assobies para o lado.

E Margaret Atwood seria provavelmente a primeira a dizer que tem sempre algo a aprender, seja sobre o que for. Pessoalmente detesto esse pensamento de "não recebo lições de X de ninguém...".
Sem imagem de perfil

De Vlad, o Emborcador a 19.01.2018 às 19:22

João , a alusão a McCarthy é apropriada, porque o homem tinha razão :

WAS MCCARTHY RIGHT ABOUT THE LEFT?

By Nicholas von Hoffman
April 14, 1996

THE AMERICAN left has an unexamined past. Like the French conservatives, who went into deep denial about their collaboration with the Nazis a half century ago, American leftists and some of their liberal allies have refused to sort out their own intimate connections with Marxist-Leninism in the 1930s, 1940s and 1950s.

https://www.washingtonpost.com/archive/opinions/1996/04/14/was-mccarthy-right-about-the-left/a0dc6726-e2fd-4a31-bcdd-5f352acbf5de/?utm_term=.11425c80b0d6
Imagem de perfil

De João André a 19.01.2018 às 19:29

No sentido de haver muitos americanos a frequentar reuniões de comunistas? Não preciso de McCarthy para o saber. Havia uns 150 milhões de americanos nessa altura (isto sou eu a atirar um número) e seria normal que alguns deles se interessassem pelas ideias. Além disso, havia naturalmente tentativas de propaganda comunista no país, da mesma forma que havia propaganda democrática e capitalista na União Soviética.

A diferença é que nos EUA havia liberdade de expressão (pelo menos relativa nos tempos do mccartismo) e como tal era possível tais ideias espalharem-se. Na União Soviética as ideias de liberdade eram espalhadas juntamente com os miolos à força de 8 milímetros.

Mas mesmo que McCarthy tivesse razão em relação à existência desses movimentos, isos não desculpa a caça às bruxas de então e de depois.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 19.01.2018 às 20:13

"Macartismo sexual" é uma expressão já antiga - remonta pelo menos aos anos 80 - e que pouco tem a ver com poder.
Tem a ver com mentira.
Com acusações não provadas.
Com ausência de contraditório.
Com assassinatos de carácter.
Com lapidações na praça pública.

https://www.washingtonpost.com/archive/politics/1986/03/18/sexual-mccarthyism/d8eb28bb-59be-4171-9d89-9939a0433d43/?utm_term=.07a8b5e5553d
https://www.villagevoice.com/1998/09/29/sexual-mccarthyism/
Sem imagem de perfil

De Vlad, o Emborcador a 19.01.2018 às 20:21

Como o Processo Casa Pia?
Quantos foram dentro....um embaixador, um apresentador de TV, um médico, o Abrantes e o Bibi....para um rede Internacional é muito pouca gente...mas se o tribunal decidiu assim foi feita justiça :

Rede internacional de pedofilia» com casapianos está activa, garante testemunha-chave

https://www.tsf.pt/portugal/justica/interior/rede-internacional-de-pedofilia-com-casapianos-esta-activa-garante-testemunha-chave-1717367.html
Imagem de perfil

De João André a 22.01.2018 às 10:01

Ainda bem que citas esses dois artigos. O mccartismo sexual que citas (e ignorando directamente o mccartismo original) tem uma enorme diferença em relação ao que acusas agora de mccartismo sexual: a maior parte das denúncias/acusações referem-se a actos que são ilegais ou, no mínimo, perto disso.

Há sempre exageros nas acusações, o caso de Ansari é um deles. O de Allen poderá ser, mas é diferente (a acusação é de um acto ilegal).

As acusações do passado eram em relação a actos legais (independentemente de serem repreensíveis de acordo com a moral de cada um). Estas não são. Outro aspecto importante: as acusações referidas no teu comentário eram motivadas politicamente, eram uma cortina de fumo para outras acções (desacreditar os objectos da mesmas). Estas acusações não têm outro motivo que a própria acusação. Ninguém está a acusar Ansari por ele ser de esquerda ou direita (poderá vir a acontecer, mas até agora não foi o caso). Está a ser acusado porque uma pessoa considerou que ele cometeu algo de errado (exageradamente do meu ponto de vista). Essa é uma enorme diferença.
Sem imagem de perfil

De Vlad, o Emborcador a 19.01.2018 às 18:57

Cuidado! Muito Cuidado:

Of the 110 names that McCarthy gave to the Tydings Committee to be investigated, 62 of them were employed by the State Department at the time of the hearings. The committee cleared everyone on McCarthy's list, but within a year the State Department started proceedings against 49 of the 62. By the end of 1954, 81 of those on McCarthy's list had left the government either by dismissal or resignation.

https://www.thenewamerican.com/culture/history/item/15223-the-real-mccarthy-record
Imagem de perfil

De João André a 19.01.2018 às 19:19

Principal característica da história? Tinham poder para agir.
Sem imagem de perfil

De Vlad, o Emborcador a 19.01.2018 às 19:33

Tinham poder para decidir quanto e quando agir!

Vou-lhe dar outro exemplo , numa área diferente, mas numa lógica semelhante (do quando e como agir):

Repórter TVI - Os Abutres
Caos nas empresas do Estado

O Inspector Rui Barreiros apresenta passados quatro dias (a 14 de Julho) um relatório surpreendente, lê-se a certa altura:

"Antes de mais, importa referir que o contacto de telemóvel em referência no Exame Forense, que imediatamente antecede, não acusa qualquer identificação junto dos serviços públicos de informações telefónicas da operadora."

No entanto os repórteres da TVI telefonam para as informações da Vodafone e imediatamente obtém o subscritor do número de telefone que enviou os SMS

O problema do assédio é gigantesco. Todos conhecemos alguém. ....contudo galhofamos.....

Sem imagem de perfil

De Anónimo a 19.01.2018 às 15:13

Sou a favor da correcção, pelo Estado, da desigualdade de oportunidades, sou a favor da redistribuição de rendimentos por via fiscal, sou a favor da educação, da saúde, da investigação científica e das infraestruturas básicas asseguradas pelo Estado e da supervisão apertada do funcionamente dos mercados. Sou a favor da defesa dos direitos dos trabalhadores contra o arbitrio e a ganância das empresas. Mas basta-me ler este post para me recordar porque não sou de esquerda. Há um grave problema com o ordenamento entre os meios e os fins, que, conjugado, com a profunda convicção no acerto desses fins, é a "marca de Caim" do pensamento dito de esquerda. E, neste post está lá tudo: uma versão para o Século XXI do brocardo de Amalrico: "Caedite eos. Novit enim Dominus qui sunt eius."
Imagem de perfil

De João André a 19.01.2018 às 18:58

Engraçado, as coisas que defende tornam-no mais de esquerda que muita gente que se considera como tal.

Independentemente disso, a frase falha completamente o alvo. As mulheres, neste caso, são os massacrados no castelo. O máximo que estão a fazer é acusar quem as quer "massacrar". O poder continua a estar nas mãos de outros. No caso: dos homens que sempre o tiveram e as abusaram.
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 19.01.2018 às 16:35

O Pedro dedicou dois posts para acusar os movimentos #metoo e Time's Up de censura.

O Pedro não tem muita legitimidade para acusar outrém de censura, porque ele também ocasionalmente (embora infrequentemente) censura. Pelo menos, deixa de publicar comentários meus - comentários educados, perfeitamente civilizados e que não correm o risco de violar qualquer lei.
Sem imagem de perfil

De Maria Dulce Fernandes a 19.01.2018 às 17:59

"Mas também ninguém pode negar que há uma necessidade imperiosa, para a espécie humana, de que os homens assediem as mulheres. Se nunca os homens assediassem as mulheres, nunca eles se uniriam sexualmente e não haveria reprodução! O assédio é portanto fundamental. E mulher que nunca seja assediada por nenhum homem certamente que ficará profundamente infeliz!"

Legitimemos, pois, o assédio!
Imagem de perfil

De João André a 19.01.2018 às 19:20

Esse comentário não me sai da cabeça, de facto.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 20.01.2018 às 15:28

O assédio não precisa de ser legitimado - ele é legítimo desde que não assuma formas ilegítimas (coação, ameaça, chantagem). Os homens passam a vida a - com a melhor das intenções - assediar mulheres. Qualquer namoro começa, em geral, com um assédio.

Quantas vezes não está uma mulher, digamos, sentada num banco de jardim a ler, sossegada, compenetrada, e vem um homem e senta-se ao lado dela e começa a conversar... Isso é assédio. Mas é legítimo. E pode acabar bem.
Imagem de perfil

De João André a 22.01.2018 às 10:05

Luís (penso que seja o Luís, o SAPO anda pouco simpático para nos identificar): já lhe expliquei que há diferença entre assédio e sedução. Mude lá a palavra e entendemo-nos.

Seja como for, como referi múltiplas vezes (e é referido por qualquer especialista), a diferença está no poder de quem seduz/assedia e de quem é o objecto de tal. A sedução em si pode deixar uma ameaça implícita do exercício desse poder (não promoção, violência, rumores, etc) mesmo quando não desejada.

Quem tem poder tem a obrigação, numa sociedade livre, de ter cuidado a exercê-lo. Isto é válido também numa sedução, independentemente do sexo de quem está envolvido.
Imagem de perfil

De João André a 19.01.2018 às 18:59

Luís, essa é uma acusação algo grave. Não me diz respeito, mas seria bom que tal fosse sustentado por factos concretos.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 20.01.2018 às 15:25

Não posso sustentar a acusação em factos concretos, uma vez que, a partir do momento em que clico "Publicar comentário", o comentário desaparece e só volta a aparecer quando é publicado.

Mas digo-lhe que é verdade. O Pedro Correia já deixou de publicar uma meia dúzia de comentários meus (repito, perfeitamente educados e não difamadores). Se quiser a confirmação, pergunte-lhe.
Imagem de perfil

De João André a 22.01.2018 às 10:06

Olhe Luís, posso dizer-lhe que eu pessoalmente nunca me lembro de lhe censurar comentário (embora nesta discussão, noutro post, tenha censurado dois comentários com insultos que lhe eram dirigidos a si).

Tewm que ser o Pedro a responder a isso.
Sem imagem de perfil

De Vlad, o Emborcador a 19.01.2018 às 20:04

Eu tenho vergonha de que em Portugal os camponeses ainda tenham este aspeto, tão diferente do dos camponeses franceses ou alemães.

"Este camponês vivia numa casa de pedra, provavelmente frígida no inverno, com telhado apoiado sobre vigas de madeira. Quando veio o incêndio, a madeira na qual as telhas se apoiavam pegou fogo, o telhado desabou e todos os móveis da casa pegaram fogo também. O camponês da Ventosa vai ter que repensar seriamente os materiais com que constrói a casa."
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 19.01.2018 às 18:04

Obrigada pela série de posts sobre o tema e por não estarem todos de acordo uns com os outros.

O #metoo e o time's up assustam-me: não consigo estar-me nas tintas para a presunção de inocência, para um processo justo e - na medida em que um processo também serve para isso - para o apuramento dos factos. Perder esses dois princípios é mandar umas centenas de anos de civilização para o galheiro. Prefiro levar uns apalpões e ouvir umas bocas - e ter de responder à altura - do que saber que eu ou qualquer outra pessoa pode acusada e condenada sem provas.

Dizer isto não é querer que as mulheres se calem, antes pelo contrário: quero que denunciem e que tenham meios para recorrer à justiça e que processem seja lá como for os abusadores.E que se mude a legislação, se for caso disso.

Esta catadupa de denúncias ainda pode ter o efeito Pedro e o Lobo e a pior coisa que pode acontecer é que as denúncias deixem de ser levadas a sério. E o clima actual fecha os olhos aos abusos perpetrados por mulheres que existem e são igualmente destrutivos.

Transformar o tema do assédio/abuso numa questão de género é meio caminho caminho andado para o tema acabar mal.

maria
Imagem de perfil

De João André a 19.01.2018 às 19:21

E se depois de responder à altura o homem decidir que pode ir mais longe?

Aquilo que está a defender é uma lei do faroeste. Excelente prática.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 20.01.2018 às 01:56

O Pedro acusa movimentos feministas de "censura" ao mesmo tempo que ele próprio censura comentários que não lhe agradam.
Imagem de perfil

De João André a 22.01.2018 às 10:08

Tenha atenção que alguns comentários podem não ser censurados pelo Pedro. Ele habitualmente não aprova nem rejeita comentários nos posts de outros autores. Eu também apenas censuro ou aprovo comentários nos meus posts.

Comentar post



O nosso livro





Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2017
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2016
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2015
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2014
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2013
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2012
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2011
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2010
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2009
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D