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Um meu antigo colega de turma, que cumpriu relevantes funções políticas, referia ontem, no seu mural de FB, a enorme e continuada redução de votantes nas eleições destes últimos 20 anos, apelando a um estudo sociológico do fenómeno - algo que vá para além do mero opinar. Logo alguns dos seus comentadores referiram a falta de atenção mediática sobre a política (o que é factualmente falso) ou a escassez da "oferta" de alternativas políticas (algo rebatível pela proliferação de partidos).

Eu não tenho quaisquer contributos interpretativos que vão para além da minha "história de vida", a de alguém medianamente informado e algo democrata. Avanço-a: um tipo tenta escolher e participar, votando nas propostas que não se afastem do seu quadro intelectual. Às vezes vota nos grandes partidos (antes ditos "arco do poder"), ainda que estafado com as suas derivas patrimonialistas e mesmo cleptocráticas, portanto anti-institucionalistas (e assim anti-democráticas): a "bpnização" do PSD; a "socratização" agora "litiozação" do PS; a impunidade autárquica (lembrai-vos dos cerca de 50 mortos numa enxurrada no desvairado Funchal jardinesco, das décadas do 2M de Braga, por exemplos?).

Outras vezes um tipo irrita-se com o "fartar vilanagem", por isso é dito "populista" pelos amigos mais dados às redes sociais, ou "ressentido"/"ressabiado"/"invejoso" pelos actuais cultores do pensamento bolchevique (que entendeu o "dissidente" como psicótico). E vai à procura, entre a tal "oferta", de alternativas. Se dado a ecologias, e mesmo que encolhendo os ombros, é capaz de botar PAN, mas depois percebe o só que aquilo é. Mas a vida corre e mais tarde vê estes novos liberais, com alguma pertinência discursiva, e bota IL, e gosta de uma nova linha eleita.

Depois, logo logo depois, vê este LP optar por começar a exposição pública da sua nova condição parlamentar no puro entretenimento, até clamando amores pela "namorada de Portugal" (de facto "divorcée de Portugal"). E resmunga, se é para isto antes venha uma "caldeirada de peixe", com mais ou menos galambas no tempero. Amaldiçoa o voto que deu à tal Iniciativa Liberal, que com isto mostra já o "poucochinho" a que vem, afinal apenas mais do mesmo, só um "aparelhista" bem-posto. Nada de novo sob este (medíocre) Sol.

E com este cardápio, mais tarde ou mais cedo, mais cedo do que mais tarde, abstém-se. Depois haverá quem o faça objecto de estudo, membro do "universo abstencionista" ...


16 comentários

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De Luís Lavoura a 22.10.2019 às 11:10

Não entendo. Em que é que o facto de um político / deputado aparecer no programa da Cristina Ferreira, fazendo ou dizendo umas palhaçadas, prejudica o efetivo e eficiente cumprimento das funções políticas / parlamentares dessa pessoa? Em que é que o facto de António Costa cozinhar uma cataplana de peixe em frente às câmaras prejudica o seu desempenho como primeiro-ministro? Em que é que o facto de Cotrim Figueiredo declarar aos microfones televisivos o seu amor por Cristina Ferreira impede que ele defenda eficazmente na Assembleia os ideias liberais?
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De jpt a 22.10.2019 às 12:50

Abaixo respondi a um comentário de CarlosC. Está lá o que lhe poderia responder.
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De marina a 22.10.2019 às 11:13

realmente, é extraordinário como as pessoas conseguem dar o seu aval ao que nos aparece no menu. eu sou incapaz.
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De jpt a 22.10.2019 às 12:49

Marina não é assim tão "extraordinário", metade da população vota.
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De Vento a 22.10.2019 às 11:59

O marketing político foi uma escolha eficaz para induzir comportamentos e votos em particular nos USA, com o seu apogeu também na wwII. Daqui projectou-se com igual eficiência para os países latino-americanos, e até mesmo granjeou apoios com as mais diversas cestas básicas.
A Europa não lhe quis ficar atrás e, em Portugal, nos idos anos 80/90, com particular eficácia na eleição de Cavaco, tendo até mesmo quem lhe escolhesse a roupa certa e a imagem adequada, não obstante um pedação de bolo rei na boca para garantir algum silêncio em períodos mais incómodos, iniciou o seu percurso.

No caso português, fazia parte do imaginário colectivo a personalidade bem posta, bem vestida e bem falante. Certamente nos lembraremos que qualquer vigarista para ter sucesso devia cumprir estes requisitos. E muita gente nas mais diversas esferas foi enganada com tal perfil. Era cultural, e se pudesse ser chamado de doutor(a) a coisa assentava como ouro sobre azul. Aliás, a regra era de que a imagem conta e determina: "conforme te vêm assim te tratam".

Não obstante, as vestimentas mudaram mas o princípio dos marketteers mantêm-se.
Hoje o foco está nas mariquices. Quanto mais sensiveizinhos nos mostrarmos mais arrecadaremos.

Ainda ontem disse a uma feminista que se me tratasse como se eu fosse uma foca do ártico seria macho para a vida toda; é necessário preservar a espécie custe o que custar. Nada como o marketing para mudar comportamentos.
Sejam felizes e deixem-se de merdas.
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De jpt a 22.10.2019 às 12:49

A "comercialização" do político, a sua mercantilização, é um facto. Os tipos do IL poderiam ter tentado uma outra via, de produto de prestígio por exemplo. Escolheram ser "anunciado na tv", como se dizia nos péssimos anúncios aos péssimos produtos nos anos 80 ou 90. Trata-se disso.
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De Ricardo Abreu a 22.10.2019 às 14:54

Permita-me a intromissão, o marketing politico em Portugal continua nos anos 80-90, as arruadas, as bandeirinhas, os tempos de antena, pouco ou nada evoluíram. A IL trouxe algumas coisas novas (outdoors sem fotos do candidato e sem chavões ocos), mas na generalidade seguiu a mesma linha dos partidos tradicionais portugueses.
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De jpt a 22.10.2019 às 19:54

sim, e agora mostra que opta mesmo pelos piores exemplos
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De Anónimo a 22.10.2019 às 12:02

Mas se por acaso do destino o Cotrim Figueiredo "viesse" aqui ao Delito dar uma de intelectual e comentar uns "postais" já era o maior mas como foi num programa dito " de peixeirada" já é um caso perdido.

Obs : não defendo o programa nem a sua apresentadora em questão.

CarlosC.
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De jpt a 22.10.2019 às 12:45

CarlosC. V. veio comentar um postal que está assinado. É evidente que comentar um postal meu não o obriga - era o que faltava - a conhecer-me ou a conhecer o que vou botando (e a lembrar-se dessa tralha). Mas como o seu comentário não se restringe ao que escrevi, ao que está explícito (avaliando-o, criticando-o, repudiando-o, aplaudindo-o), mas opta pela mais fácil especulação sobre aquilo que eu penso, presumindo uma reacção minha a uma hipotética bloguice do deputado, então isso perde pertinência, e convoca o que dessa tralha de anos blogais que tenho pode referir-se à sua presumida presunção. Porque, de facto, assim como V. chega aqui é apenas um "amandar bocas":
a) eu nunca ataquei o programa referido, nem esse tipo de programas, um específico e até salutar entretenimento para o público matinal (sociologicamente heterogéneo mas com traços comuns, etários, culturais, económicos). Em anos de botadura apenas critiquei uma triste figura de Goucha a gozar de modo muito ordinário com peculiares nomes de vilas e aldeias portuguesas, que achei demais para a televisão, questão de bom gosto, apenas.
b) eu nunca disse que blogar é algo passível de "dar uma de intelectual". Inúmeras vezes disse que blogar é uma "irresponsabilidade", e é por isso que tanto gosto de o fazer. Blogar (e comentar) não é um trabalho intelectual nem é uma "atitude intelectual" ("dar uma de ...", como V. disse, deixando entender uma desvalorização do "intelectual"). Claro que cada um escreve (bloga ou comenta) consoante o tipo de "capital educacional" que tem (eu não percebo nada de ciências naturais ou de economia, leio blogs que disso falam e calo-me, nem comento) mas isso não é ser "intelectual", escrever não é "dar uma de intelectual" - eu escrevo (e muito) sobre futebol, às vezes sobre pataniscas, outras sobre memórias, até amoroso-sexuais, sobre o trânsito do meu bairro, etc. Isto é tudo menos "dar uma de intelectual", escrevo irresponsavelmente (como hóbi) sobre o que me apetece consoante quero e, acima de tudo, posso (o tal "engenho e arte", como diria se quisesse "dar uma de intelectual" - mesmo que Camões se ensine a todos os que cumprem o 9º de escolaridade obrigatória num país que erradicou o analfabetismo e universalizou o ensino secundário, ainda há quem ache "intelectual" citar uma nesga das mais conhecidas do poeta nacional).
c) se o novo deputado fosse bloguista ou comentador (como alguns políticos o são ou foram) e aqui aparecesse, seria uma continuidade. Se aparecesse como neófito julgo que seria bem-vindo, normalmente os comentadores são-no aqui. Se aparecesse a dizer ao Pedro Correia (o Camarada Coordenador) que o ama (ou a outro qualquer de nós) seria descabido, e eu pensaria que o homem estava a tentar conquistar a simpatia dos poucos milhares de visitantes e que não teria escolhido a melhor maneira de o fazer (a não ser que declarasse amor ao comentador Luís Lavoura, que isso eu posso compreender).
d) Cotrim de Figueiredo é livre de fazer o que quiser, legal ou ilegal, e os seus apoiantes são livres de gostar do que ele faz. O que também me é permitido, isso do gostar ou não gostar, sem que isso seja "dar uma de intelectual" - o que o deputado do IL mostra (assim associando o IL à sua opção) é que é mais do mesmo, o saracotear televisivo no afã de conquistar a "simpatia" generalizada. Que a deputada Moreira venha dizer que "Cristina" é solar não me surpreende, julgo o LIVRE um estribilho demagógico. Que o deputado Figueiredo suba a parada e nos comunique (ainda que por interposta pessoa) que a ama é, ainda assim, uma desilusão. Pois não há paciência para este tal "mais do mesmo", ainda por cima tão pouco tempo de parecer que não era isto.
Cumprimentos
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De Anónimo a 23.10.2019 às 07:55

Uma resposta intelectual. E esse "cumprimentos" a arrematar foi uma cereja no topo do bolo.
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De Anonimus a 22.10.2019 às 12:58

1. sou ignorante. Não sei de 99% do que se passa na TV generalista ou nas redes sociais.

2. votar, sempre. Até na treta do aborto, mais de 400km para um "inútil" branco.
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De António a 22.10.2019 às 13:08

Eu já não sei se há alguma maneira “certa” de aparecer na televisão. A D. Cristina está é com um clube de fãs absolutamente notável. Creio que se resolvesse candidatar-se à presidência da república vencia. E talvez não fosse pior.
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De jpt a 22.10.2019 às 13:31

Entre a D. Cristina e o Prof. Sousa? Votaria Humberto Delgado.
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De Anónimo a 22.10.2019 às 15:13

Ensimesmadamente : a gaita é que temos de votar em portugueses ( compatriotas nossos, muito nossos...).


JSP
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De Justiniano a 22.10.2019 às 17:00

Não vi, sinceramente! A ver se percebi! O Cotrim, em directo, declarou-se à Cristina!?? À séria?
Sem ensaio!? Com genuína e autentica pulsão (de tesão)!?
Se sim, digo-lhe que muito me surpreendeu! Pela positiva! Tinha a ideia, errada evidentemente, que estes liberais eram imunes à estultícia da paixão, incapazes de perder o chão, e com isso o bom crédito. Enfim, que haviam já abjurado toda a fantasia e o feitichismo mais elementar da vida!!
Dito isto, não seria por isso que votaria ou deixaria de votar no IL!! Acho, sinceramente, mais demente e degenerado participar numa tertúlia a estrelar ovos com a D. Fátima ou a regatear peixe com a D. Flor Pedroso, o que, todavia, ainda ficaria aquém do pináculo da demência degenerativa que seria participar num debate rigoroso, científico, sério, sobre alterações climáticas com a D. Greta e o Chefe André Silva, ou sobre a independência da Catalunha com o treinador F. Rosas e o ardina JPP!

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