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Delito de Opinião

Pensamento da semana

Pedro Correia, 07.01.24

Seja em que ano for, seja em que época estivermos, é sempre possível separar o homem da obra. Direi mais: é até desejável. Se não fosse assim, muitos dos grandes criadores artísticos da história da humanidade estavam eliminados das nossas listas de preferências. Quantos deles, através dos séculos, não defenderam regimes ditatoriais e mesmo sanguinários?

 

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Pensamento da semana

Pedro Correia, 31.12.23

«O Natal nada mais é do que um ponto de luz rodeado de noite», escreveu em 2022 Jorge Bustos, um dos melhores cronistas da imprensa espanhola. Definição exacta do que sinto nesta data, reforçando convicções antigas. Possa esta luz, mesmo frágil e vacilante, iluminar-nos muito para além da quadra natalícia. Conquistando - palmo a palmo, metro a metro, passo a passo - terreno às trevas. E nos permita distinguir o essencial do acessório à medida que se sucedem as folhas do calendário. 

 

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Pensamento da semana

Pedro Correia, 24.12.23

Um pouco por toda a parte, neste mundo de múltiplas indignações plasmadas nas redes ditas sociais, vivemos numa atmosfera de guerra civil de baixa intensidade. Que vê em cada palavra de bondade um sinal de fraqueza. Que faz de cada tribuna uma trincheira de rancor. Que imagina um inimigo oculto em cada divergência. Que transforma cada opinião discordante em casus belli. Que esmaga cada tese contrária com a fúria de um combatente apostado em não recolher prisioneiros nem respeitar convenções de Genebra.

Disto nada há a esperar de bom. Sobretudo para os jovens que se formam neste caldo de cultura marcado pela intolerância mais primária e pelo maniqueísmo mais rasteiro.

 

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Pensamento da semana

Pedro Correia, 15.12.23

Há que tomar cuidado com o que se diz e com o que se escreve. O respeitinho é muito bonito, como se dizia antigamente: eis uma frase agora ressuscitada. A liberdade de expressão está cada vez mais restringida. A lista de interditos aumenta de dia para dia. Sabe-se lá quando e onde terminará.

 

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Pensamento da semana

Pedro Correia, 02.12.23

Quando me perguntam se sou republicano ou monárquico, costumo responder: sou republinárquico, por vezes monarquicano.

Por outras palavras: a questão da forma do Estado não se colocou às pessoas da minha geração. Colocou-se, isso sim, a questão do sistema político. E tanto há democracia em regimes monárquicos como em regimes republicanos. Mas não esqueçamos que quase todos os sistemas totalitários do século XX foram republicanos. Talvez não seja politicamente correcto sublinhar isto, mas é verdade.

 

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Pensamento da semana

Pedro Correia, 26.11.23

Ditaduras são ditaduras, tiranos são tiranos. Distinguir uns e outros, à esquerda ou à direita, pela retórica que empregam ou pelo emblema que usam, não faz sentido: todos lesam o Estado de Direito. Liberdade e democracia, erigidas como valores universais, estão sempre acima das divergências ideológicas. Digam as cartilhas mais sectárias o que disserem. 

 

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Pensamento da semana

Pedro Correia, 19.11.23

Os grupos de interesses - vulgo, lóbis - continuam à margem da lei em Portugal, ao contrário do que sucede (por exemplo) no Parlamento Europeu. É fácil descortinar porquê: isto facilita a vida dos grandes escritórios de advocacia neste doce país que tanto adora cultivar eufemismos, evitando chamar as coisas pelos seus nomes e tornar transparente aquilo que se pratica em discretos gabinetes climatizados.

Será isto alterado, em benefício do escrutínio democrático? Tudo indica que não. «Um advogado com a sua mala pode roubar mais do que cem homens armados», dizia Tom Hagen a Sonny Corleone nesse clássico dos clássicos que é O Padrinho, de Francis Ford Coppola.

Um lóbi sem lei é um lobo à solta. 

 

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Pensamento da semana

Pedro Correia, 05.11.23

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O secretário-geral da ONU desistiu de ser mediador no conflito do Médio Oriente, escolhendo campo. Declarar que o massacre cometido pelo Hamas em 7 de Outubro - a maior matança de judeus num só dia desde a II Guerra Mundial - «não surgiu do nada» tem algo de obsceno. Como reagiria António Guterres se alguém dissesse que a barbárie nazi e os campos de extermínio na URSS estalinista também não surgiram do nada, podendo assim justificar-se

 

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Pensamento da semana

Pedro Correia, 29.10.23

Alguns entram hoje em êxtase com o eixo Moscovo-Minsk-Teerão-Pequim-Pyongyang. Eu olho para Putin-Lukachenko-Khamenei-Xi-Kim e vejo Hitler-Mussolini-Al Husseini-Pétain-Tojo-Hirohito. Ao novo eixo, tal como acontecia com o outro, não faltam colaboracionistas. 

Estou na margem oposta. Detesto ditadores, desprezo tiranos, abomino genocidas.

 

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Pensamento da semana

Pedro Correia, 22.10.23

É inaceitável a equiparação moral do grupo terrorista Hamas ao Estado de Israel, reconhecido (e aliás fundado) pela ONU. Mais inaceitável ainda por ter ocorrido quando nem estavam sepultados os cadáveres da carnificina de 7 de Outubro, que terá provocado 1500 vítimas - o maior massacre de judeus desde a II Guerra Mundial, talvez até «o mais brutal acto isolado cometido de qualquer lado deste conflito secular», como escreve Hussein Ibish num ensaio na revista The Atlantic.

Vítimas indefesas da barbárie anti-semita, em glorificação póstuma da camarilha nazi. Barbárie que aliás prossegue com a tomada de "reféns" de 34 nacionalidades, não apenas israelitas. Em Gaza, território também sequestrado pelo próprio Hamas, que ali instaura a lei do terror - desde logo contra mulheres e homossexuais.

Esta equiparação define quem a pratica. Da mesma forma que definiu todos aqueles que têm justificado e até defendido os crimes de guerra cometidos por Putin na Ucrânia. O relativismo moral, que invoca a história, a geopolítica e as identidades étnicas para "compreender" e tolerar holocaustos, é simplesmente obsceno.

 

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Pensamento da semana

Pedro Correia, 15.10.23

Três guerras em simultâneo. A que decorre da invasão russa da Ucrânia. O conflito aceso entre a Arménia (pró-russa) e o Azerbaijão (pró-turco) a pretexto de um enclave. A carnificina mais recente entre Israel e o Irão (via Hamas), hoje o principal fornecedor de armamento a Moscovo.

O mundo está perigoso. Num palácio de vidro em Nova Iorque, Miss Universo - que deseja muito a paz em todo o planeta - mostra-se preocupada.

 

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Pensamento da semana

Pedro Correia, 01.10.23

Pelo menos 95% da nossa actividade cerebral é inconsciente. Só entre 3% e 5% é pensamento lógico. E a mente inconsciente é cem mil vezes mais veloz do que a consciente, como a neurociência já demonstrou. Isto explica muito dos nossos atavismos, da nossa suposta irracionalidade, enfim da própria natureza humana.

 

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Pensamento da semana

Pedro Correia, 24.09.23

 

Tudo chega ao fim: o Verão também. Aliás, se virmos bem, em termos mediáticos o Verão já terminou há vários anos. Passou a ser designado como «onda de calor» - designação da moda. Três palavras em vez de uma para significar o mesmo. Complicar tornou-se lema dominante no discurso jornalístico. Nada refrescante, convenhamos.

 

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Pensamento da semana

Pedro Correia, 10.09.23

Numa carta lida aos microfones da France Inter a 4 de Maio de 2020, quando a pandemia paralisava o mundo e virava as nossas vidas do avesso, o escritor Michel Houellebecq vaticinou isto: «Nós não vamos acordar, depois do confinamento, num mundo novo; será o mesmo, só que um pouco pior.»

Acertou em cheio. 

 

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Pensamento da semana

Pedro Correia, 03.09.23

Vivemos empurrados pela pressa, pela necessidade de «acelerar o passo», de «encurtar prazos», de «intensificar o ritmo». Há quem chame progresso a isto - em oposição absoluta às ditas trevas medievais. 

Nesse suposto tempo de trevas, as magnificentes catedrais de Chartres (1230), Reims (1345), Paris (1345) e Estrasburgo (1439) levaram 36, 134, 182 e 263 anos a ser construídas, respectivamente.

Nesta nossa era, iluminada por potentíssimos holofotes, a Torre Trump, em Nova Iorque, foi desenhada e construída em apenas dois anos, entre 1981 e 1983. 

As primeiras, edificadas em louvor de Deus, são marcos de uma civilização. Da torre, erguida para glória espúria de um indivíduo, não rezará a História.

 

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