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Delito de Opinião

Um dos melhores textos que tenho lido desde que isto começou

Pedro Correia, 21.04.20

 

«Acabei de ler mais um daqueles textos virais nas redes sociais que juntam na mesma frase palavras como “covid-19” e “gratidão” e confesso que estou, neste exacto momento, a martelar em fúria as teclas do computador. Já dei dezenas de voltas à cabeça e continuo sem conseguir perceber como é que alguém pode achar que devemos estar gratos por estar a viver uma situação de pandemia que nos obriga a medidas de isolamento social extremas.»

 

«A infecção por covid-19, para a esmagadora maioria da população, é uma experiência essencialmente de medo e há milhares de pessoas a braços com uma terrível e angustiante ansiedade. E não, o mundo não está a meter nada no lugar quando há cidades italianas onde os mortos são tantos que os caixões têm de ser recolhidos em camiões do exército. É verdade que a poluição atmosférica diminuiu e que os canais de Veneza estão mais limpos mas, pergunto eu, a que custo?»

 

«Depois lemos que devemos agarrar esta oportunidade para olhar para dentro e crescer… Como é que se olha para dentro numa altura destas é coisa que não faço ideia, confesso desde já. Pessoalmente só tenho olhado para fora, para lá dos muros do meu quintal, para lá das fronteiras do meu país. E tenho medo do que vejo e daquilo que ainda vou ver. Mesmo sem perceber nada de economia tenho medo do que aí vem, tenho medo do aumento do número de desempregados, tenho medo dos pequenos empresários que vão levar a estocada final com esta pandemia que outros parecem querer fazer-nos acreditar que chegou para bem da humanidade.»

 

Carmen Garcia, Podem parar de romantizar a pandemia? (excertos) 

Público, 21 de Março

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Pedro Correia, 11.01.20

 

Números imaginários. Da Cristina Nobre Soares, no Em Linha Recta.

Música. De Sofia Loureiro dos Santos, no Defender o Quadrado.

Carta aberta aos coitadinhos dos sofridos. De Rita Monteiro, no Talvez Outro Dia.

Joker. Da Maria João Caetano, n' A Gata Christie.

Viver à pressa. De Joana Rita, n' All About Little Lady Bug.

Nova Iorque em família. Da Sónia Morais Santos, no Cocó na Fralda.

 

Leitura recomendada

Pedro Correia, 21.09.19

«Senhor Reitor, tenho a agradecer-lhe chamar a atenção para a importância dos mercados públicos para as políticas ambientais e de gestão do território, mas tenho pena, francamente pena, que a vontade de surfar a onda de tanta gente mal informada o tenha levado a pôr a Universidade de Coimbra na posição de um agente pouco sofisticado e ignorante, ignorando, por exemplo, o bom exemplo do Instituto Politécnico de Bragança, que nas suas cantinas apenas serve carne de vaca mirandesa com Denominação de Origem Protegida.»

 

Fraca carne. De Henrique Pereira dos Santos, no Observador.

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Pedro Correia, 10.05.19

Ricardo Arroja, n'O Insurgente«Não há coerência. Não há rectidão. Apenas manha, aldrabice e muita falta de vergonha. Mais do que novos poderes, faltam em Portugal novos contra-poderes que limitem e contrariem aqueles que usurpam a democracia desta maneira. Que disciplinem aqueles para quem literalmente vale tudo. Caso contrário, a “filosofia” instalada levará a que sejam uns atrás dos outros, cada qual à espera da sua oportunidade para sacar e aldrabar.»

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Pedro Correia, 31.03.19

Ética republicana. De Vital Moreira, na Causa Nossa.

Memória de uma entrevista. De João Rodrigues, no Ladrões de Bicicletas.

Feminino plural. De Maria do Rosário Pedreira, no Horas Extraordinárias.

Covil de fêmeas. Do Carlos Natálio, no Ordet.

Isto não é um prato de búzios. Do Manuel S. Fonseca, n' A Página Negra.

Lendas do Sul. Do José Meireles Graça, no Gremlin Literário.

 

O populismo e os partidos

Pedro Correia, 03.01.19

«O populismo vencerá os grandes partidos por dentro, dispensando o País da maçada de criar novos partidos. Como diria Zeca Afonso, "já se ouvem os tambores". O instinto de sobrevivência será tudo o que ficará de longos anos de corrosão do carácter, em organizações partidárias confinadas ao rito e à obediência. O espectáculo não será bonito de ver. Cada um à sua maneira, todos declararão guerra "às elites" num país praticamente desprovido delas e farão causa comum com os instintos, preconceitos e ilusões da turba das redes sociais, dos tablóides e de um número crescente de pessoas respeitáveis.»

Sérgio Sousa Pinto, deputado do PS, em artigo de opinião no Expresso

(29 de Dezembro)

Leitura recomendada

Pedro Correia, 30.11.18

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A peça de capa da edição desta semana da revista Sábado, que nos traz uma surpreendente revelação pela pena de Maria Henrique Espada: os milhões gastos pelo Governo de Salazar para promover a imagem de Portugal nos EUA, nas décadas de 50 e 60. Vários jornais aceitaram de bom grado este bónus financeiro, começando pelo New York Times

 

A excelente entrevista do nosso Adolfo - apresentado como "carismático vice-presidente do CDS" - ao diário espanhol El Mundo. Começando pelo título: «No podemos ceder ante proyectos que mitigan la libertad». Eis outra frase que merece destaque: «Não gosto do identitarismo da esquerda populista nem do contra-identitarismo da direita populista.»

Leitura recomendada

Pedro Correia, 07.11.18

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«As fakes news  não começaram nem acabam nas redes sociais. A comunicação social tradicional dorme com elas há séculos e inventou as maiores falsidades que se contaram no século XX.»

 

«Sobre regimes instalados com fake news basta recordar como chegou ao poder a ditadura dos ayatollahs do Irão. Uma imensa e longa campanha de notícias falsas, orquestrada na comunicação social ocidental contra o autoritarismo selvagem do Xá e a favor da democracia islâmica. Bastaram uns meses, em 1979, para perceber que afinal se tratava de um regime religioso, fundamentalista, terrorista, feudal, violador dos mais básicos direitos humanos, opressor das mulheres. Khomeini nunca escondeu isso.»

 

«Em democracia, proibir fake news é apenas mais um mecanismo para criar castas superiores, que se dedicam a vigiar o cidadão comum – os guardiões dos costumes.»

 

«Não foram Trump ou Bolsonaro que criaram as fake news. Nem foram as fake news que criaram Trump ou Bolsonaro. Foi o desgaste da democracia enquanto sistema de governo que criou Trump ou Bolsonaro e as fakes news não são mais que um dos reflexos que acompanham esse desgaste.»

 

«Depois da Idade das Trevas tivemos a Idade da Razão. Agora temos a Idade da Emoção. E com ela a crise da democracia liberal.»

 

 

"Fake news" sempre houve, de Nuno Garoupa.

No novíssimo Polígrafo, com votos de longa vida.