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Delito de Opinião

O comentário da semana

Pedro Correia, 19.12.20

«Há uns bons anos, estávamos eu e a Sílvia (que será feito de ti, Sílvia?), bem agarradinhos um ao outro, explorando as delícias da luxúria adolescente, num qualquer esconso vão de um dos pavilhões da escola, quando uma empregada (perdão, Auxiliar de Acção Educativa) nos descobriu e abençoou com santas e vigorosas aspersões de moralidade. Entre outros nostradámicos versículos, veio com a conversa do fim do mundo, logo ali na esquina do terrível 2000 que se aproximava. A relação entre a inevitabilidade do fim do mundo e a doçura dos lábios da Sílvia nunca percebi, mas eu era novo e inconsciente, pelo que não quis saber. Porém, perguntei-lhe se o mundo acabaria primeiro na Austrália ou se esperaria até todos nele entrarmos para acabar connosco. Ela mandou-nos embora, sob difusas ameaças de delação ao Conselho Directivo, dizendo que eu não tinha respeito por ninguém.

Ah... Bons tempos!»

 

Do nosso leitor PN Ferreira. A propósito deste texto do Paulo Sousa.

O comentário da semana

Pedro Correia, 29.11.20

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«Temos uma herança literária riquíssima, disso não há dúvida. Mas o adolescente de hoje não é o mesmo de há 30, 40 ou 50 anos.

Até acho que hoje demoram mais a crescer, são demasiado protegidos e ganham maturidade mais tarde. Antigamente o adolescente tornava-se "homenzinho " mais cedo. Isso fazia com que compreendesse e retirasse dos livros outros valores, que os incorporasse, identificando-se com a obra.

Isto para dizer o quê? Para dizer que o fomento da leitura, que se dá normalmente entre os 14 e os 18 anos, deveria ser progressivo. As obras escolhidas pelos planos nacionais de leitura, apesar da sua riqueza e valor, não são atractivos para os jovens de hoje. Isso acaba por se reflectir no gosto pela leitura. Os jovens criam resistência. A leitura é vista como uma seca.

 

Em 2014, um liceu do Novo México optou por uma estratégia diferente. Alterou os agendamentos das obras literárias curriculares. Começou a fomentar a leitura de forma gradual, com livros e autores que jamais constariam nas listas leccionáveis. Quebrou inclusive a barreira dos autores ingleses e americanos, fazendo constar também obras de autores de língua estrangeira, como Gabriel García Márquez ou Erich Maria Remarque. Sugeriu aos alunos lerem livros de James Bond, Daniel Silva ou Lee Child e o seu Jack Reacher. Depois foram introduzindo obras cada vez mais complexas e mais exigentes. Mas o bichinho já lá estava e os alunos evoluíram naturalmente e ofereceram muito menos resistência. Aos alunos da middle school deram-lhes Enid Blyton e Os Cinco, depois Harry Potter.

Claro que os intelectuais avisparam-se. Nos EUA, além do inglês, existe a disciplina de literatura inglesa e constar dos planos autores do circuito comercial foi [algo] criticado por algumas personalidades. Mas o certo é que trouxe resultados. Os alunos gostaram, melhoraram os seus resultados e ganharam gosto pela leitura, que teve continuidade.

 

Este exemplo foi mais tarde copiado por uma universidade inglesa, também com bons resultados.

Porquê não optar aqui pela mesma estratégia? Por muito que custe a muita gente, as obras dadas a partir do 7.° ano, com excepção de uma outra, são uma seca para as crianças. As crianças não se sentem motivadas para ler. Ao passo que se se começasse por obras atractivas para os jovens e que os seduzissem, poder-se-ia introduzir gradualmente outras de maior valor literário.»

 

Do nosso leitor O Inconveniente. A propósito deste meu texto.

Os comentários da semana

Pedro Correia, 22.11.20

 

«A apetência pelo emprego público é muito anterior e já no século XIX um grande escritor a registou. Antes ainda, no século XVIII, a nobreza portuguesa tinha 12 ou 15 Casas ditas "puristas" que casavam exclusivamente entre si e constituíam a nobreza mais exclusiva da Europa; em compensação tinha uma nobreza de serviços (como o nome indica, serviam o Estado ou seja, tinham empregos públicos) num número sem comparação com qualquer outro país europeu.

Esta situação era tão expressiva que mereceu de um conde (não recordo quem) o desabafo que o aumento do números de nobres era tal que em pouco tempo a única distinção possível era não ser nobre e para isso era necessário não servir o Rei (o Estado) em circunstância alguma..»

 

Do nosso leitor Francisco Almeida. A propósito deste texto do Paulo Sousa.

 

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«O mais escandaloso, a meu ver, é que num mundo onde se pede desculpa (e/ou se é demitido) por mariquices como escrever a palavra "mariquices", ninguém, em todo o colossal edifício do Estado Português, se lembrou de dar uma palavrinha à família de um cidadão que foi morto enquanto se entrava à guarda desse Estado.»

 

Do nosso leitor JPT. A propósito deste texto do José Meireles Graça.

O comentário da semana

Pedro Correia, 08.11.20

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«Não visito mortos no cemitério. Não é preciso. Eles caminham comigo, como dizia o poeta José Gomes Ferreira.

Há um delirante filme de Jim Jarmusch em que se brinca com coisas sérias. O cantor country Sturgill Simpson, a interpretar a canção-tema, diz-nos que os mortos são fantasmas dentro de um sonho, uma vida que já não possuímos.

«A pessoa preparar-se para a morte é a grande finalidade da vida», li um dia numa crónica de Victor Cunha Rego.

Morre-se de tanta coisa. Até de amor, como o King Kong, no último andar do Empire State Building, segundo um poema do Eduardo Guerra Carneiro.»

 

Do nosso leitor Orlando Tavares. A propósito deste meu texto.

O comentário da semana

Pedro Correia, 01.11.20

«Acho um enorme egoísmo limitar a vida dos jovens de formas tão radicais e pouco sensatas, com marcas que ficarão para toda a vida, em nome dos mais velhos, que já viveram essa infância de forma mais ou menos feliz e despreocupada. Pertenço a um grupo de apoio de mães, a quantidade recente de pedidos de recomendações de pedopsiquiatras e psicoterapeutas infantis é assustador.

Há um equilíbrio e um bom senso que se perdeu em nome do medo, e esta forma de estar na vida assusta-me muito mais que qualquer vírus, confesso.»

 

Da nossa leitora Patrícia Mira Ferreira. A propósito deste texto da Maria Dulce Fernandes. 

O comentário da semana

Pedro Correia, 25.10.20

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Foto: jornal The Guardian

 

«Meu pai faleceu em Julho de 2011. Logo a seguir ao funeral, minha mãe negou-se a estar uns dias comigo antes de regressar à sua casa na Parede.

"Não filho, vou já para casa, a vida continua."

E assim continuou, em casa, com uma senhora uma vez por semana para limpezas e passar a ferro (hoje não se pode dizer mulher-a-dias), tratando da sua alimentação, de lavar a roupa na máquina nova que lhe comprei, tratando portanto da rotina caseira. [Fui] visitando-a em regra uma vez por semana, altura em que vamos ao supermercado, falando-nos ao telefone diariamente. Nos últimos quatro anos passou a ir sozinha ao supermercado: abriu um Continente a cerca de 40 metros de casa, pelo que me dispensou. Literalmente!

Na segunda-feira a seguir à Páscoa de 2019 teve uma crise de arritmia forte, esteve 11 dias no hospital de Cascais, recuperou, e quando a fui buscar para minha casa, logo nessa noite: "Filho, já não consigo estar sozinha em casa, quero ir para o lar onde estava até há poucos dias a minha prima Lana."

E assim está num lar desde 31 de Maio de 2019. Nesse que queria, em Lisboa, e desde 12 de Maio de 2020 num melhor, a poucos metros de minha casa, visitando-a [eu] até há duas semanas na "Box das emoções", onde estamos separados por um vidro.

Completou 95 anos em 8 de Julho passado. Continua felizmente, muito bem de cabeça, com uma lucidez, discernimento e memória extraordinárias. Mas apesar de ser uma senhora muito forte isto vai deixando mossa, devagarinho.»

 

Do nosso leitor António Cabral. A propósito deste texto do JPT.

O comentário da semana

Pedro Correia, 05.10.20

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«E os nomes compostos?

Mora cá em casa um Deutsche Maria, mais conhecido por Dodi. Até há pouco tempo, acompanhado pela Sasha Manuela Cadela, a Sasá (de registo, um Daktari e uma Fontequebrada - afixo dos canis onde os comprei; mas esses nomes só servem para o registo formal).

Primos do Baltasar Sinatra (um peluche gigante que resgatei no meio de uma movimentada estrada - rafeiro alentejano que foi, felizmente para mim, rapidamente adoptado; precedido, no posto, pela Becki Babalou, raça indeterminada e que dificilmente alguma vez será adoptada).

Mas bom, centrando no essencial, a iniciativa de preceder o nome do cão cá de casa por 'Senhor' partiu do meu pai. Suponho que altamente influenciado pelo facto de ter chegado à sala e constatado a presença do surpreendente Sr. Deutsche... no seu sofá. Aquele sofá de canto, vista privilegiada para todo o espaço, que ser vivo senciente algum ousou ocupar. Diz o pai, ainda fumador à data, que se sentiu observado e que se houvesse um balão por cima da cabeça do animal haveria de lá estar qualquer coisa como:"Isso que traz aí nas mãos, o que é? É a minha latinha de salsichas?". Era o cinzeiro. "Não é a minha latinha de salsichas? Então já sabemos o que fazer, não já? Veja lá que a minha humana deixou-as em cima da bancada, nem as arrumou no armário que estava cheia de pressa. É uma latinha por dia, mas se sentir generoso, faço-lhe o obséquio, claro."

A minha tia, quando em plena clínica veterinária ouviu 'Avó do Billy Beane' (não é o jogador, não senhor, é mesmo o buldogue francês pertença do filho mais novo), hesitou. Diz ela que ouvir 'Billy Bean' ajudou muito (primeira vez que a tia se prestou ao papel, e só porque o primo estava fora de Portugal e ligou para a clínica para explicar quem lá ia, e porquê, e encomendar a graçola).

Graçolas à parte, também conheço a tendência clara para usar os graus de parentesco como se os animais fossem filhos das donos.

Cada vez que chego a casa, vinda de casa do meu pai, e sou sujeita à revista do Sr. Deutsche, sinto que há ali um: "Foi a casa do avô, que eu sei! Onde é que está o presunto, hein!?"

Está em curso uma clara antropomorfização dos animais. Parece-me evidente.»

 
Da nossa leitora CAL. A propósito deste meu texto.

O comentário da semana

Pedro Correia, 06.09.20

«Também andei à boleia no Douro, Alentejo e Beira Interior (entre 1985 e 1991), complementando alguns itinerários com camionetas "a cair de podres". Como disse, a maioria das pessoas são de boa índole e anseiam por companhia.

Sendo mulher (e partilho do sentimento de discriminação mencionado por não ser fácil andar à boleia sozinha) quando viajava à boleia era acompanhada. Nunca tivemos problemas quando viajávamos só mulheres (duas ou três) - às vezes alguns avanços de linguagem, rapidamente extintos por nós. Também ajudei a mudar pneus e até a escolher um vestido, para o condutor dar à namorada, numa feira local.

Havia muitos momentos de espera, de ficar à mercê dos elementos, de estar cheia de fome e de sede e já não termos água ou comida. E de andar muito. Mas havia tempo: sem demoras, sem telemóveis, sem chegadas marcadas.

E muitas histórias engraçadas e condutores variados, totalmente diferentes do meu mundo. Aprendi muito, em especial a aceitar ideias diferentes das minhas, a tentar perceber "o outro", a sair do meu umbigo.»

 

Da nossa leitora Catarina Silva. A propósito deste texto do Paulo Sousa.

O comentário da semana

Pedro Correia, 30.08.20

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Cena do filme The Naked Gun (1988)

 

«Máscara em espaços abertos? Para além de ridículo é ineficaz.

Por isso a Preservita, empresa virtual que até agora fabricava preservativos de lã e cachecóis para os ditos cujos, destinados a resguardar do frio as partes pudendas de namorados machos frequentadores de jardins em pleno Inverno, se propõe agora fabricar preservativos de latex gigantes, quais burqas antivirais dos tempos modernos.

Tendo já efectuado registo provisório de patente, a empresa destaca a total protecção que um verdadeiro meio não-poroso garante quando desenrolado pela cabeça abaixo e estendendo-se até aos pés.

De acordo com os mais recentes estudos de mercado, a empresa espera vender milhões de unidades deste inovador dispositivo de protecção. Inúmeros governos manifestaram já intenção de adquirir quantidades substanciais do produto para uso obrigatório de todos os políticos, jornalistas e otários avulso, afinal os únicos merecedores de tão elevada protecção.»

 

Do nosso leitor Elvimonte. A propósito deste meu texto.

O comentário da semana

Pedro Correia, 23.08.20

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«Aqui há anos levei a minha filha mais nova a conhecer a Berlenga, cumprindo promessa adiada algumas vezes.

Ficámos no já velhinho Mar e Sol, alojamento simples e suficiente, demos as voltas todas necessárias e ao fim da tarde, enquanto se bebia algo na esplanada, vejo encostar um barquito, com canas de pesca aparelhadas e donde sai um sujeito com uma geleira de bom tamanho, que sobe para o restaurante do alojamento; fui atrás e a primeira peça a sair foi uma dourada, dos seus 2,5kgs... ficou logo reservada para o jantar, grelhada, simples, apenas com uns legumes cozidos e sem necessidade de qualquer outro tempero, salvo um punhado de sal.

Juntamente com um pargo cozido, anos antes, no Baleal, um robalo em Santa Cruz e um bodião em Milfontes, este o ano passado, tudo devidamente grelhado, foram as quatro ocasiões em que me lembro de comer os melhores peixes das minha vida.

O robalo em Santa Cruz, com bem perto de 3,5 kgs, foi apanhado por mim em caça submarina, há muitos anos, junto à velha pedra conhecida por Perceveira, depois de muito esperar a melhor ocasião para o "tiro", tendo saído da água enregelado mas eufórico.»

 

Do nosso leitor Fernando Antolin. A propósito deste meu texto.

O comentário da semana

Pedro Correia, 02.08.20

«Depositar uma dezena ou mais de livros sobre uma mesa, e elaborar sobre eles como leitura da semana, não é coisa que mereça, creio, especial credibilidade. Desde logo considerando um mundo de pessoas normais e considerando-nos parte delas: pessoas que trabalham e/ou estudam (e terão possivelmente documentação profissional ou académica a ler), que se deslocam (por vezes penosamente), fazem compras, convivem e necessitam, ainda que não podendo ser as oito "de lei", de um aceitável punhado de horas de sono diário e contínuo.

Mas ainda assim um tipo comum - isto é: um contribuinte, na gíria administrativa portuguesa - há-de conseguir, querendo (querendo; sentido-lhe a falta, uma bizarria para muito boa gente) e podendo (isto é, sobrando-lhe para isso, depois de consumar esse seu estatuto administrativo), ter em mãos, com verdadeiro proveito, mais do que um livro em simultâneo. Não vejo, desde logo, por que se não poderá conciliar a leitura simultânea (digamos paralela) de uma obra de ficção e outra que o não seja. Não afasto isso sem mais e taxativamente.

Em todo o caso, quem dera se tivesse um só e como hábito regular. Teríamos provavelmente outro país, ligeiramente diferente. Para melhor.»

 

Do nosso leitor Costa. A propósito deste meu postal.

O comentário da semana

Pedro Correia, 19.07.20

«Recordo que em Portugal é exigido a pessoas com deficiência a exibição de prova documental da sua condição para que exerçam o direito ao voto com ajuda de outrem, ainda que a deficiência seja patente. E salvo se o presidente da mesa tiver juízo e for uma pessoa decente, claro. O que não é certo que aconteça, dando azo a confusões no acto eleitoral e à frustração destes eleitores que se vêem ainda mais discriminados e com menos vontade de participar na vida cívica.

É frustrante, neste quadro, a zoeira habitual da propaganda do Governo e da comunicação social ao anunciar, como aconteceu numa das últimas eleições, a novidade do voto em Braille (num tempo em que a maioria dos cegos em Portugal supre as carências através dos meios digitais), abstraindo da realidade e do grosso das situações penalizadoras para as pessoas com deficiência ou temporariamente impossibilitadas de exercer o direito a voto de modo autónomo.

Estas são também formas de alimentar o populismo por dupla via: dando mais peso aos tradicionais eleitores militantes e radicais e trazendo para o extremo novos eleitores cansados de ser desconsiderados.

 

Da nossa leitora Isabel Paulos. A propósito deste meu texto.

O comentário da semana

Pedro Correia, 12.07.20

«As universidades podiam (deviam) ter optado por exames presenciais. A maioria não o fez ou coloca tantas barreiras aos professores que os querem fazer que estes desistem (as instituições poupam no equipamento de protecção, na higienização dos espaços, etc.). Na minha instituição foram distribuídas máscaras a todos os funcionários, excepto aos docentes.

E sim, bastantes colegas meus, a pretexto do vírus, estão fora da universidade desde Março. Porém, há que ser justo, pois muitos deles raramente apareciam no local de trabalho antes da Covid-19 - agora têm um pretexto. Alguns funcionários recusam-se a vir, alegando pertencer aos grupos de risco. Muitos já não faziam nada, mas outros eram essenciais em alguns serviços (agora parados).»

 

Da nossa leitora Catarina Silva. A propósito deste texto do Sérgio de Almeida Correia.

O comentário da semana

Pedro Correia, 05.07.20

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«De facto Rui Rio parece “lutar pela sua servidão como se fosse pela sua liberdade”, luta pela próxima bancarrota de Portugal como se fosse uma classificação de rating AAA. Mas até Mr. Stevens ao fim de vinte anos apercebe-se que a sua inquestionável fé e dedicação à sua causa (trabalho), foram mal aplicadas e tiveram um forte impacto na sua vida, apercebe-se que o prazer de desfrutar o fugaz momento do remanescente da luz do dia, apesar de belo, levou-o à sufocação dos seus afectos, ao desconhecimento das causas das suas acções, e tenta recuperar o tempo perdido tentando resgatar o amor de Miss Kenton.

É neste ponto que discordo da sua analogia. Rui Rio faz-me lembrar outro mordomo famoso, o de Glória Swanson em O Crepúsculo dos Deuses. Imagino Antonio Costa caído em desgraça a preparar-se para descer a escadaria da Assembleia da República a virar-se para Rui Rio e afirmar: “Sou a maior estrela política que Portugal alguma vez teve e não tenho culpa de nada”. Rio olha para Costa com amor incondicional e vira-se para as televisões presentes: “Objectivas, luz, acção...”.»

 

Do nosso leitor Manuel do Ó Pereira. A propósito deste meu texto.

O comentário da semana

Pedro Correia, 22.06.20

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«Bem, as coisas começam com o 25 de Abril (o de 2020) e a teoria de que uns poderiam fazer tudo e outros não. Depois o 1.° de Maio e a teoria de que uns poderiam fazer tudo e outros não. E o Avante! faz-se e pouco barulho. E morreu o Floyd. E, no fundo, os “outros” perceberam que os “uns” perderam a muito ligeira autoridade moral. Três mil e quinhentos polícias em Fátima, zero no 1.° de Maio? Só podem estar a brincar.

E agora? Festas de mil em Carcavelos, com outra ali ao lado, hoje já em Bragança, na praça principal, pois então, mais a outra em Lagos - e muitas mais, por todo o país. E a polícia ainda lá vai, mas como há por aí cartazes partidários “polícia bom é polícia morto”, e também porque já tiveram que passar a vergonha de se armarem até aos dentes para confrontar velhotes de cruz ao peito e vela na mão, que nem apareceram, e deixar à vontade vigorosos esquerdistas escavacar tudo, já não têm a mesma convicção.

Era de esperar que houvesse uma ligeira subida no número de infectados nesta fase do desconfinamento, não esperava o governo, que claramente não tem a mínima ideia do significado da palavra governar, tanta estupidez deste “povo exemplar”. Os números vão explodir de novo, só que não será já possível confinar nada. As pessoas não aceitarão e a economia termina. A que resta. E é aí que isto tudo tem a ver comigo, é que não sou reformado nem funcionário público, e já levei um tombo. Se a loja fechar vou ao chão - é que já disse tantas do PS que ninguém me vai arranjar um tachito.

Ora, graças aos políticos em geral, com distinção para o BE, como é que explico a um grupo de idiotas com os copos que me estão a tirar o ganha-pão? Serei apodado de fascista, reaccionário, xenófobo, machista, racista, e se calhar sovado e infectado.

Se morressem só os idiotas ainda vá, mas isto é como aqueles que andam na autoestrada em contramão e embriagados - geralmente morrem os outros.»

 

Do nosso leitor António. A propósito deste texto do JPT.

Os comentários da semana

Pedro Correia, 14.06.20

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«Vieira era mestiço por parte de mãe, descendente de africanos.

A também defesa do povo indígena na época era para garantir a legitimidade destes e de sua cultura em seu território.

Não admira que os ignorantes que se atrevem a vandalizar a estátua de Vieira o façam por ignorância.

 

No Sermão do Bom Ladrão, Vieira alude a um facto histórico transversal e que importa reavivar:

"O roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza; o roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar com muito, os Alexandres. Mas Séneca, que sabia bem distinguir as qualidades e interpretar as significações, a uns e outros definiu com o mesmo nome: Eodem loco pone latronem et piratam, quo regem animum latronis et piratae habentem. Se o rei da Macedónia, ou qualquer outro, fizer o que faz o ladrão e o pirata, o ladrão, o pirata e o rei, todos têm o mesmo lugar, e merecem o mesmo nome.

Quando li isto em Séneca, não me admirei tanto que um filósofo estóico se atrevesse a escrever uma tal sentença em Roma, reinando nela Nero;..."

 

Tudo isto para dizer que também se assemelham nesta categoria os ladrões da história e vândalos da cultura.»

 

Do nosso leitor Vento. A propósito deste texto do Luís Naves.

 

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«Confesso que me faz imensa confusão a incapacidade actual de diferenciar o nível intelectual, humano, ético ou moral do indivíduo do século XXI com a do indivíduo dos séculos XVI, XVIII ou XIX.

Questiono quem será mais incapaz, aquele que pouco acesso teve à educação, que cresceu manietado e limitado no acesso ao conhecimento, ou aquele que a tudo tem acesso, que tem incontáveis fontes de informação e que tem ao seu dispor uma panóplia enorme de informação.

Questiono a diferença entre o homem do Renascimento, que por exemplo efectuava a queima de livros, por estes irem contra a ideologia reinante, fundamentalmente religiosa, como aconteceu em Granada, mesmo aqui ao lado, em 1499 e onde foram queimados mais de 5000 livros e manuscritos, na sua maioria árabes e que se tornaram insubstituíveis; em contraposição com o homem actual, que em vez de estar grato pelo conhecimento que lhe é disponibilizado, prefere destruir património histórico, como se tal acto corrigisse o passado.

Vi com espanto o presidente da Câmara de Londres assumir que as estátuas destruídas não serão recolocadas no seu lugar. Não serão reconstruídas e serão substituídas por outras mais de acordo com os ideais actuais.


Imaginemos no nosso país, mais concretamente na cidade do Porto, o edil da invicta aceitar a destruição da estátua do Infante D. Henrique, ou até alterar o nome da Praça do Infante.

É que, caso isto pegue moda no nosso Portugal, esta será uma estátua que terá os dias contados, pois foi sob a supervisão do Infante que se deu a primeira partilha de escravos documentada no nosso país, ocorrida em Lagos, no Algarve, nos idos de 1444.

O mesmo poderá acontecer em Lisboa com a estátua de Fernando Pessoa, que tem sido alvo de acusações de racismo por parte de uma facção da sociedade angolana, que o acusa de ser um escravopata racista, que terá justificado a escravatura e diminuído o africano como ser inferior.

 

Isto não assusta?

Não estaremos nós a contribuir para a limitação de conhecimentos das gerações futuras?

Será que é com o silêncio e ignorando o passado que construímos um futuro melhor?

Como poderemos formar as crianças para o bem, ou para melhor, se não lhes permitimos ter conhecimento sobre o pior? Como ter um termo de comparação?

 

Como o autor descreveu, teremos de riscar da história todo e qualquer autor, pintor, escultor, poeta, nascido e vivido antes do século XXI, pois todos teriam comportamentos racistas, xenófobos, machistas e misóginos. E teriam porque era uma ideia social, era o senso comum da época.

Li nestes dias artigos que defendem que Machado de Assis e principalmente Eça de Queirós diminuíam a mulher e sempre escreveram de um ponto de vista machista. Chega-se ao cúmulo de aconselharem as mulheres de hoje a evitarem ler as obras de Eça... Que incitamento à ignorância, diria eu.

Ora o homem evoluiu, tornou-se melhor, com melhores ideais e uma dessas evoluções deveria ser a capacidade de interpretar as épocas, mediante as próprias épocas e o statu quo vigente.

Estas atitudes que temos visto actualmente mais não são do que ignorância, fracos valores intelectuais e humanos, apesar de tentarem fazer crer que são precisamente o contrário.»

 

Do nosso leitor Guarda Serôdio. A propósito deste texto do JPT.

O comentário da semana

Pedro Correia, 24.05.20

«Hoje passei por uma das nossas capitais de distrito. Visitei uma boa livraria que lá tem, com muitas edições de editoras alternativas. Ia eu todo contente pela porta adentro quando uma menina me disse que o atendimento era feito à porta. Como à porta? - perguntei. A menina sabe como se compram livros? Os livros têm de ser manuseados, folheados, parcialmente lidos ou consultados. Isso é uma coisa que não se faz à porta da livraria. Se eu não posso entrar para procurar livros, então, por mim, podem manter a livraria fechada. E vim embora.»

 

Do nosso leitor Vítor Augusto. A proposito deste postal.

Os comentários da semana

Pedro Correia, 11.05.20

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«Como criar um país decente e mais rico se quase ninguém está disposto a cumprir? Quando os candidatos a emprego começam por pesar o número de faltas que podem dar e uma vez a trabalhar ficam completamente alheados do seu real peso na estrutura. E a ridícula ascensão das chefias não por mérito – por saberem do ofício – mas por serem detentoras do que chamam perfil de liderança, que como sabemos entre nós se traduz numa de duas coisas: cunha ou parlapiê inconsequente. Patrões a ver os funcionários apenas como encargo, não os reconhecendo como aliados, nem considerando o rendimento que dão às empresas. E a pagar mal, muito mal. Um Estado que esmaga a possibilidade de crescimento sadio das empresas com impostos e burocracias excessivas. Camadas e camadas de funcionários públicos com baixas médicas fraudulentas e outros benefícios a enviesar completamente os dados sobre as reais necessidades do sector público. E, a propósito, uma comunicação social – bacoca e ideologicamente comprometida - que raramente fala escorreito e a direito. Um sindicalismo caduco. E, mais do que tudo, injusto e virado somente para o seu eleitorado. Protegendo apenas a função pública e um punhado de gente na grande indústria.

Enfim, está tudo mal. Mas se não fosse a maldita epidemia podíamos ir para a praia espairecer. Como diz o outro, o que é preciso é saber como se melhora. E só vejo uma maneira. Sendo mais honesto. Resta saber se o País está para aí virado.»

 

Da nossa leitora Isabel Paulos. A propósito deste meu texto.

 

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«Convém não esquecer que a velha Europa é mais velha para uns do que para outros. Em termos de mentalidade proteccionista do sistema social, os países do sul são-no em maior dose. Quando digo dose, refiro-me ao facto de exercer o dever de protecção, exigindo pouco ou nada em troca. Não se admite na Noruega que um cidadão que usufrui de um subsídio de desemprego rejeite uma proposta para trabalhar, sem consequências. Não se admite que um cidadão na Holanda resida numa habitação social, sem a obrigação de cuidar da mesma, de cumprir as regras de higiene comunitária, higiene dos filhos, obrigatoriedade de os mandar para a escola. Ou seja, na Europa menos velha, os direitos equilibram-se com os deveres. Na Europa mais velha, dá-se gratuitamente, sem tão pouco se preocuparem com a importância pedagógica da vida em sociedade. E lá estamos nós a bater na mentalidade. Porque esta mentalidade de dar sem exigir é transversal em todas as áreas: habitação, educação e trabalho.

Nas sociedades novas não se nota tanto, tiveram a possibilidade de começar do zero. Cansados do que levaram do velho continente. Não quero com isto que é melhor, ou pior, mas é diferente.

E a grande diferença está nos costumes e na valorização.

Com a evolução da mentalidade sindicalista, verificou-se que, 20 anos depois, havia mais gente a acabar o liceu, a entrar para as universidades, que se multiplicaram na década de 70, fruto da capacidade financeira das famílias. Aumentou a criação de emprego próprio, o operário passou a ter formação e dinheiro para se lançar no mercado. Isto criou emprego, riqueza. O mérito passou a ser reconhecido e recompensado. O patrão passou a valorizar o empregado e o empregado passou a empenhar-se mais. O emprego deixou de ser um lugar cativo, foi necessário justificá-lo.

O pobre passou a ter a oportunidade de enriquecer, fruto do seu trabalho e da sua capacidade.

Por cá, o rico já nasce rico, raramente se torna rico. Primeiro porque não se valoriza, depois porque não vale a pena valorizar-se, pois mesmo que tenha valor, ninguém o vai reconhecer.»

 

Do nosso leitor Chuck Norris. A propósito deste meu texto.

O comentário da semana

Pedro Correia, 03.05.20

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«Então vamos lá a ver a coisa de modo racional e mais prático.

Tudo bem, a economia tem de funcionar, há que deixar viver e trabalhar.

Em que é que o dito "pânico" que se vende contraria a realidade factual de um vírus altamente contagioso cujos efeitos nem estão previstos antes de o apanhar?

Dou apenas uns poucos exemplos que não sei como conseguem equacionar:

1 - Transportes públicos. Há muita gente em crise de sobrevivência para a qual se vai colocar o dilema - arriscar ou não arriscar usar transporte público, não tendo carro nem outra forma de se deslocar para o trabalho.

2 - Que fazer no caso de quem vivia a cuidar de idosos ou a fazer limpezas e pura e simplesmente foi dispensada por real receio de quem precisava e preferiu duas coisas - ser a própria família a tratar dos parentes; serem os próprios a fazerem a limpeza? Neste caso conheço várias pessoas e nem contrato têm. Dou guarida gratuita a uma delas e, eu própria, fui dispensada de um trabalho que fazia para o Estado, a recibos verdes.

3 - Como se pode afirmar que o contágio depende apenas de higiene ou cuidados pessoais e nem vai piorar, se, por exemplo, mesmo com o confinamento, ainda ontem o presidente do BCP informou que nos seus balcões de atendimento ao público (restrito em confinamento) tiveram 24 casos de covid nos seus funcionários? Podia repetir casos de supermercados e por aí fora.

4 - Posso também fazer a pergunta ao que se apresenta como alternativo: as infinitas doenças e tratamentos protelados nos hospitais e centros de saúde.

Pelo simples motivo - o coronavírus continua. Contamina. Contamina muitíssimo em ambiente hospitalar. Tal como sempre contaminaram e mataram as próprias bactérias hospitalares.

Como se imagina que, em deixando de haver confinamento, este perigo real desapareça por efeito de doutrinação (ou pura mentira às pessoas)

Eu vejo o caso como paradoxo e de forma muito pessimista. Não é negando a perigosidade que se vai conseguir vencer o que se está a viver.

Como também não é ficando fechado em casa que se pode sobreviver, excepto se for funcionário público ou reformado.»

 

Da nossa leitora Zazie. A propósito deste texto da Teresa Ribeiro.

Os comentários da semana

Pedro Correia, 26.04.20

«O vírus mata todos os que puder levar, independentemente do credo político, religioso, da raça e do sexo, não estando eu bem certo quanto a estes últimos dois, existindo estatísticas que mostram o contrário. Mas adiante.

O vírus é essencialmente democrático. Não discrimina os que contagia e mata aqueles que tiver oportunidade. Tal como aconteceu com a gripe espanhola, a peste bubónica, a peste negra e tantas outras pestes e pandemias. É o pleno da democracia, unicamente ofuscado pela diversidade genética e pelo facto de nós sermos nós e as nossas circunstâncias.

O vírus mata comunistas, fascistas, ditadores, republicanos, democratas, monárquicos, muçulmanos, cristãos, budistas, judeus, nacionalistas, revolucionários, negros, brancos, vermelhos, amarelos, xenófobos, islamofóbicos, misandríacos, misóginos, ateus, agnósticos, sensatos, irascíveis, simpáticos, inteligentes, estúpidos, figuras conhecidas, pessoas anónimas, ricos, pobres e remediados. E de todos os géneros da "construção social" sistematicamente arrasada pela Biologia.

Mata os que pode e, quanto mais mata, com menor probabilidade de "sobreviver" e de infectar fica. Por isso o vírus, para além de democrata, é estúpido.

Assim como são estúpidas todas as reacções motivadas pelo pânico, pelo medo do desconhecido, pelo stress a que toda a mudança de paradigma obriga, desde que não fundamentada em sólidas bases científicas. Mas esta é a condição humana, espelhada com o destaque habitual nos meios de comunicação e na actuação da generalidade dos governos europeus. Nada de novo, portanto.

Que a "cura" que nos foi imposta se pode vir a revelar pior do que a doença, disso não tenho dúvidas. Que há que aplanar a curva de infectados em função do tempo, para evitar o colapso dos sistemas de saúde, também não me restam dúvidas. Que não se pode parar a actividade económica sem que haja consequências, não há quaisquer dúvidas, basta olhar para o aumento da taxa de mortalidade entre 2009 e 2015.

Entre outros factos ridículos, destaco a inexistência de estimativas, mesmo que grosseiras, do número de vítimas indirectas que a crise económica já instalada irá provocar, por contraposição à multitude de modelos epidemiológicos existente. Até parece que as crises económicas não conduzem a aumentos da taxa de mortalidade.

E não me venham dizer que estou a pretender trocar vidas por euros. Não é verdade. Apenas gostava de poder equacionar óbitos com óbitos, sem ter em conta os custos. Para depois poder equacionar óbitos com óbitos e respectivos custos.



PS - Pelo que tenho conhecimento, já há pessoas a passar fome, devido à paragem forçada da economia que as levou a ficarem sem receita mensal. Entretanto, do outro lado do mundo, em Taiwan e na Coreia do Sul, a vida tem decorrido com a normalidade possível, os restaurantes têm estado sempre abertos e não houve necessidade de quarentenas cegas investidas na qualidade de comissões liquidatárias da economia que nos resta. Ridículo.»

 

Do nosso leitor Elvimonte. A propósito deste texto do José Meireles Graça.

 

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«Muito antes da pandemia já trabalhava a partir de casa (três dias em casa e dois dias no escritório). Tenho a sorte de trabalhar numa empresa que não vê o trabalho a partir de casa como um bicho de sete cabeças e que até me incentivou quando propus este modelo por razões pessoais (passei de uma cidade a 50 quilómetros de Lisboa para uma aldeia a 140 quilómetros). A minha vida melhorou substancialmente, com muito mais tempo para os miúdos.

No meu círculo de amigos tenho alguns que se queixavam (isto antes do Covid) que não tinham tempo para os filhos, por causa do trabalho. Que os deixavam na escola às 7h e iam busca-los às 19h.

Trabalham todos em Lisboa, mas são naturais de várias zonas do país (Alentejo, Oeste, Beira Alta, entre outras), o que me levou a dizer-lhes muitas vezes para voltarem para as terras, mantendo os mesmos trabalhos, propondo à empresa para trabalharem a partir de casa (todos temos trabalhos que podemos trabalhar a partir de casa, basta um computador). As respostas eram "Achas que a minha empresa concordaria?", "Passada uma semana despediam-me", entre outras. Agora todos estão em casa a trabalhar remotamente e a produtividade não diminuiu.

Agora já pensam de maneira diferente e alguns ponderam mesmo abordar os responsáveis para trabalharem remotamente.

Obviamente que esta situação é crítica e anormal, mas não deixa de ser oportuna para se pensar em como podemos melhorar a nossa vida no pós-Covid. E o trabalho a partir de casa irá com certeza tornar-se uma realidade. Os gestores das empresas julgo não terem desculpas para não aceitarem este modelo como uma mais-valia garantindo assim o equilíbrio trabalho-vida pessoal que tanta gente apregoa.»

 

Do nosso leitor Trigueiros. A propósito deste meu postal.