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1914: tão longe e tão perto

por Pedro Correia, em 25.01.14

       

 

Entre os nomes mais obscuros que marcaram o século XX inclui-se o de Gavrilo Princip. Poucos se lembrarão hoje de quem se trata. Era um jovem sérvio residente em Sarajevo, capital da Bósnia ocupada pelo Império Austro-Húngaro. De saúde frágil e pequena estatura, pertencia a uma sociedade secreta eslava denominada Mão Negra. A 28 de Junho de 1914, durante uma visita a Sarajevo do herdeiro da coroa austro-húngara, Francisco Fernando, um capricho do destino colocou o jovem no trajecto do príncipe: Princip disparou vários tiros do seu revólver Browning, matando-o.

Eram os primeiros disparos da I Guerra Mundial -- o mais sangrento conflito de que houve registo até então. Prolongou-se até 1918 -- ano em que Gavrilo Princip morreu de tuberculose numa prisão da Boémia. Para trás ficava um macabro cortejo de 20 milhões de mortos.

Vai fazer cem anos: tão longe e tão perto. Quase nada, numa perspectiva histórica.

Previsões para 2014

por Teresa Ribeiro, em 31.12.13

Amor: vejo muitos casamentos e muitos divórcios... adiados. Filhos estão fora de questão pelo menos até ao fim do próximo decénio, quando o sol começar a sair da casa das PPP.

 

Saúde: ao longo do ano poderá sofrer de frequentes crises de enxaquecas. Se já está a viver debaixo da ponte, evite expor-se às correntes de demagogia governamental que sopram do arquipélago de S.Bento, que são fonte de tensão muscular, azia e subida dos níveis de açúcar no sangue. A menos que se conte entre os indigentes que são considerados pobrezinhos pelo Estado, procure por todos os meios não adoecer, mas se o não conseguir evitar, peça à avó que lhe ensine uma mezinha, pois não vai ter dinheiro para pagar as taxas moderadoras da assistência hospitalar.

 

Vida profissional: para este ano os astros favorecem todas as actividades ligadas à economia paralela. Se tiver um mba, pire-se. O que é que está cá a fazer?

 

Finanças: não confie na banca, no governo e muito menos nos mercados. Guarde o dinheiro que lhe resta debaixo do colchão. Se tem dívidas ao fisco não as pague, aumente-as até um montante que seja considerado incobrável, que o Estado perdoa-lhe tudo.  

Para 2014...

por João André, em 30.12.13

Os desejos habituais de um bom ano. Deixo a minha prenda: uma fotografia do ano passado tirada no castelo de Lisboa. É uma recordação de casa no ano em que passei o meu primeiro Natal fora de Portugal.

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E a todos...

por Helena Sacadura Cabral, em 29.12.13

E a todos - autores e comentadores - um 2014 cheio de saúde, são os meus votos pessoais!

O grão de ervilha e a bola de neve

por Pedro Correia, em 05.12.13

Há muitas incertezas no horizonte. Mas de uma coisa podemos ter a certeza desde já: o próximo ano político vai decorrer em ritmo muito acelerado. Pouco propício, portanto, àqueles políticos que adoram colher benefícios máximos da gestão do silêncio enquanto permanecem mergulhados em dúvidas dignas do príncipe Hamlet, convictos de que os jornais "amigos" não deixarão de desbravar caminho por eles com uma sucessão de não-notícias, capazes de transformar um grão de ervilha numa descomunal bola de neve.

Na não-notícia, como se infere, o não é palavra fundamental. "Beltrano de Tal não desmente que possa avançar para o cargo X, informação que nos foi transmitida por fontes próximas. Beltrano, ao que sabemos, não se tem revisto nas opções políticas de Fulano Y embora opte por não entrar em ruptura com o dito cujo. Os seus mais destacados apoiantes não excluem uma candidatura ao posto de comando embora não haja ainda a certeza de quando e onde e como isso possa suceder."

Fica aceso o rastilho.

O curso habitual destas não-notícias é aquele que todos sabemos: com três canais informativos a emitir durante 24 horas e à míngua de matéria para preencher antena nos intervalos dos desafios de futebol, qualquer pequeno ruído mediático, amplificado por incessantes ecos de hora a hora, ganha os contornos de uma Cavalgada das Valquírias. O grão de ervilha numa coluna matutina de jornal transforma-se na bola de neve a rolar em horário nobre das pantalhas nessa noite.

Este processo, que poderia colher frutos noutros tempos, torna-se inconsequente em anos de acelerado calendário político, como 2014 sem dúvida será. Um ano pouco propício às dúvidas hamletianas de gente sempre tolhida nas teias do seu próprio tacticismo. Quem quiser ir a jogo terá de assumir-se como tal, à esquerda e à direita, sem subterfúgios. Caso contrário, o xadrez político jogar-se-á com as peças que estão no tabuleiro.

As que não estão, estivessem.

 

Imagem: Laurence Olivier em Hamlet (1948)


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