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A violência só pode aumentar

por Fernando Sousa, em 27.11.13
"É impossível sossegar indefinidamente os cidadãos”, disse esta manhã, em entrevista à Antena 1, o sociólogo Moisés Martins, director do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho. Sem uma mudança das políticas que são contestadas, a violência dos protestos deverá aumentar nos próximos tempos. O investigador argumenta que a classe política em geral – com a condescendência dos média – descolou do país real e dos cidadãos reais, ou seja, do sofrimento da população. Refere ainda que é difícil para os cidadãos terem voz, visto que o espaço público foi tomado de assalto pela classe política, com os profissionais da informação a desistirem de informar e formar os cidadãos cercando-se de analistas comprometidos com os partidos, pelos banqueiros e financeiros. O poder político, que feitas as contas ao pormenor representará uma minoria do eleitorado, espera dos cidadãos um desespero, um sofrimento, um protesto "cordato", isto é, que não incomode. A raíz do problema é o sistema político e económico em que vivemos. E não atacando a raíz do problema, a violência só pode aumentar. Uma entrevista a ouvir aqui

E as crianças, Senhor?

por Ana Vidal, em 27.10.13

Ainda a propósito da deplorável novela nacional do momento, sugiro esta sábia reflexão de Rosa Montero no El País. E destaco este parágrafo, que resume o principal:

"Demasiadas veces los progenitores feroces y abusivos son personas aparentemente normalísimas, ricas, asentadas socialmente y exitosas, como Bretón o como serían los padres de Asunta si se demuestra su culpabilidad. De modo que soy sincera cuando digo que, paradójicamente, tal vez Bourdin sea un padre maravilloso. Pero esa frase final del documental me hizo pensar una vez más en la incoherencia de nuestra sociedad. Necesitamos hacer test psicotécnicos para sacar el carnet de conducir, y también, como es lógico, para adquirir un arma. Pero, ¿para tener hijos no se pide nada? ¿Para esa responsabilidad tan colosal, para dejar a una criatura totalmente indefensa sometida a lo que puede ser el horror más completo, no hay que hacer ni una prueba? Todos esos combatientes antiabortistas tan activos deberían trasladar sus energías en defender a los niños, en vez de a los fetos. Que no sacralicen tanto a la familia, que puede ser estupenda, desde luego, pero que también puede ser un entorno peor que Auschwitz. Algo habría que hacer para defender a los críos."

 

 

Sem palavras

por Ana Vidal, em 14.12.12

 

Sem palavras para classificar o massacre americano de hoje.

Provavelmente, nunca as terei.

Quem vai à guerra dá e leva

por José Navarro de Andrade, em 15.11.12

Dedicado aos mirones que só lá foram ver a bola e estavam ali apenas pelo convívio e durante duas horas assistiram, "uns metros atrás", ao militantes jogando pedras aos bófias e acabaram por alombar umas chanfalhadas desses mesmos chuis e a seguir se indignaram por a polícia não as ter distribuído com parcimónia e critério, vai-se a ver com o devido respeito pelo estatuto imparcial de mirone, eventualmente protestante de boca:

 

Não te candidates nem te demitas. Assiste.

Mas não penses que vais rir impunemente a sessão inteira.

Em todo o caso fica perto da coxia.

 

Alexandre O'Neill

Os EUA são um país violento. E Portugal?

por Rui Rocha, em 22.07.12

Na sequência do ataque de Colorado, Kieran Healy actualizou o seguinte gráfico que compara a evolução da taxa de mortalidade por homicídio (por 100.000 habitantes) nos EUA com a registada em outros países da OCDE:

Interessante é também a desagregação por países que inclui os dados sobre Portugal e que pode encontrar-se no mesmo link.

Só à cabeçada

por Rui Rocha, em 25.05.12
A Amnistia Internacional divulgou ontem o seu 50º relatório anual. Aí se declara que a violência doméstica continua a ser um problema grave em Portugal. De acordo com o relatório, entre Janeiro e Agosto de 2011, a PSP e a GNR receberam 14.508 queixas de violência doméstica. Por seu lado, a UMAR tinha registado até Novembro de 2011 23 mortes e 39 tentativas de homícidio como resultado de violência doméstica. Tal como refere Vítor Nogueira, Presidente da AI, os números visíveis são extremamente preocupantes, mas constituem apenas a ponta de um icebergue de medo, dor e desespero.  Os autores e protagonistas do anúncio de promoção da plataforma Vai Bater entendem que esta é uma situação que pode ser levada na brincadeira. O humor que dizem estar presente no spot é, convenhamos, de morte. E, tal como os próprios reconhecem, não recorrem ao dito (se existisse) para denunciar a situação das vítimas ou para lhes prestar solidariedade. Trata-se, apenas e só, de pedirem emprestado o sofrimento para passar uma imagem perturbante que lhes assegure notoriedade. Perante tais desígnios, confesso que tudo o que lamento é que não partam a cabeça:

A brincar ou a sério?

por José Navarro de Andrade, em 28.03.12

Portugal sempre foi um país extraordinariamente violento.

Para não ir mais atrás, em 1807 participámos com brio na Guerra Peninsular, sendo que não houve por cá um pintor à altura de Goya para desenhar a carvão o que fazíamos aos franceses que se atrasavam da coluna. Seguiu-se uma assanhadíssima guerra civil que demorou a extinguir. Mesmo depois de assinado Évora-Monte, continuava o país a ser uma charneca fora de portas das cidades, com Brandões, Remexidos e outos bandoleiros que tais a ditar a lei do punhal onde lhes aprouvesse.

A coisa pareceu acalmar no último quartel do séc. XIX, mas foi só para tomar balanço. No curto período de 13 anos, entre 1908 e 1921 foram assassinados um Rei, um Presidente, um Primeiro-Ministro (António Granjo), um herói nacional (Machado Santos) e 2 Ministros, os 4 últimos na Noite Sangrenta. Fora alguns ajustes de contas avulsos, como o caso do Senador José João de Freitas que em Maio de 1915 tentou matar a tiro num comboio o Primeiro-Ministro indigitado João Chagas, mas acabou linchado pelos populares no Entroncamento. Um palmarés destes, nem nos famigerados Balcãs.

Seguiu-se o Estado Novo, que até foi levezinho em crimes de Estado, se o medirmos com os seus congéneres ditatoriais: Espanha e Grécia, por exemplo, para não falar dos pequenos fascismos que medraram à sombra de Hitler e Mussolini, como a Hungria, a Roménia, a Bulgária, Vichy, a Croácia dos Ustase ou a Sérvia de Nedic.

Manhoso como só ele, Salazar trocou os fusilamentos políticos e o derrame de sangue nas ruas, à maneira do Chile, da Argentina ou do Uruguai, por safanões num vão de escada. E fez pior, muito pior: destilou a ideia de sermos um povo de brandos costumes. Uma falácia que foi ganhando raízes ao mesmo tempo que durante mais de 10 anos, os mancebos de Portugal passavam os primeiros anos de adultos em África, a praticar brandas e discretas sevícias nos autóctones.

Desculpem o meu francês, mas brandos costumes my ass. Por isso não deixo de ficar estupefacto quando vejo umas correrias no Chiado, com uma polícia aparvalhada, uns rapazolas a menearem-se diante dela em danças tribais, um par de esplanadas de pernas para o ar a dar cabo do turismo e – agora é que não percebo mesmo – uns esganiçados a berrar “fascistas” – a sério?

Querem fazer isto como deve ser, à antiga portuguesa? Ponham então os olhos nos coreanos ilustrados abaixo. Senão será melhor ficarem em casa. Agora assim, com esta mariquices, só demonstram a póstuma e perene vitória do espírito salazarista.

 

Não esqueçam.

por André Couto, em 23.03.12

Do deplorável caso de ontem, que conhece impressionante ilustração no El País, mais do que as palavras de quem acusa, valem as imagens de uma fotojornalista a ser selvaticamente agredida e de manifestantes a serem barbaramente golpeados pelas costas.

 

Ainda que provocada, o que não parece ter sido o caso, a Polícia não se pode comportar como um puto na idade do armário, a rebentar de testosterona, e ver cada impropério ou palavra de ordem como uma luta de galos. É para o evitar que é investida da possibilidade de uso da força e demais poderes que a lei lhe confere. Assim começará a importação do caos das ruas gregas para as portuguesas, não pelo lado do indignado Povo mas pelas mãos da Autoridade, a que agride de gravata e a que decide de bastão.

 

(Por lapso não fiz o upload da fotografia que faz prova do que afirmo, fica agora o acrescento.)


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