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Teste Delitoratura - 5

por Teresa Ribeiro, em 28.07.14

Ele não percebia o porquê de tanta consumição por uma mulher que afinal nem fazia o seu género. De que obra falo?

 

Solução da pergunta anterior: ele é Mersault, o protagonista de O Estrangeiro, de Albert Camus.

Vencedor: o nosso leitor Rui Dantas.

Teste Delitoratura - 4

por Teresa Ribeiro, em 26.07.14

Matou-o porque estava muito calor.

 

Solução para a pergunta anterior: falo de O Triunfo dos Porcos, de George Orwell e de A Peste, de Albert Camus. Vencedor: o nosso leitor Xico.

Teste Delitoratura - 3

por Teresa Ribeiro, em 24.07.14

Um escreveu sobre porcos, o outro sobre ratos. Obras tão diferentes no estilo e tão iguais no propósito. Quais são?

 

Solução da pergunta anterior: Trata-se de Benjamin, personagem de O Som e a Fúria, de William Faulkner, baptizado com o nome de Maury. Vencedora (por ter sido a primeira a responder): Maria Dulce Fernandes.

Teste Delitoratura - 2

por Teresa Ribeiro, em 22.07.14

 

Passaram a chamar-lhe Benjy, embora tivesse sido baptizado com o nome do tio.

 

Solução da pergunta anterior: Anna Karenina. Vencedor (por ter sido o primeiro a responder): João Oliveira.

Teste Delitoratura - 1

por Teresa Ribeiro, em 20.07.14

Flirts de praia não esgotam as nossas possibilidades quando queremos aproveitar bem as férias de Verão. Só quem nunca se abandonou a um livro debaixo de um toldo ou numa cama de rede à sombra de pinheiros é que não sabe do que estou a falar. Mas não é para esses que começo hoje este passatempo, em que as perguntas são só um pretexto para partilhar memórias. Segue a primeira de 15:

 

Conheceu num comboio a mãe do homem que a viria a trucidar. Sabe identificá-la?

 

(A resposta sai depois de amanhã, juntamente com a pergunta seguinte. O vencedor deste passatempo será convidado a considerar a hipótese de se juntar à equipa do Delito no próximo almoço convívio)

Como é diferente o país de Agosto

por Pedro Correia, em 13.08.13

 

Zapo pelos canais de notícias, por estes dias, e não encontro nenhum dos comentadores televisivos que ainda há bem pouco prediziam as maiores desgraças neste país assolado pela crise. Onde está a douta eminência que no pretérito Inverno sentenciava que "a crise do sistema político português pode fazer o poder cair na rua até ao Verão"? Onde foi parar aquela alma perturbada que proclamava com solene gravidade há pouco mais de um mês: "Estamos perante a uma crise política de dimensões colossais, a nível de Portugal e da Europa." E o que será daquela voz tremebunda que em Julho assegurava aos assustados compatriotas: "Há uma situação de manifesta irregularidade no funcionamento das instituições"?

A banhos, dizem-me.

Foram todas a banhos - a douta eminência, a alma perturbada, a voz tremebunda estarão neste preciso momento a estender a toalha ao sol enquanto douram as requintadas epidermes. Durante todo o mês de Agosto, o país terá de resignar-se à ausência destas sumidades. Apesar da crise. Apesar do iminente segundo resgate que já anteviam em directo nas pantalhas. Apesar da provável saída de Portugal do euro, que tiveram o desassombro de profetizar. Apesar da possível fragmentação da pobre União Europeia, como não se coibiram de prever em tom caviloso. Apesar dos tumultos nas ruas que consideraram ser tão fatalmente inevitáveis como o Outono suceder ao Verão.

Ligamos as televisões e deparamos com amenidades. A esplanada da moda, a praia ideal, o passeio imperdível, a música mais em voga, as romarias campestres, os artesãos das aldeias, as iguarias inigualáveis. Retalhos de um discurso jornalístico que, à míngua da agenda política e sindical, transmite a ilusão de estarmos num país onde não sucede nada. O país de Agosto, antagónico daquele que as mesmíssimas televisões nos mostraram de Janeiro a Julho.

Em Setembro, vão-se as amenidades e regressam as sumidades. Mais bronzeadas, mais anafadas e ainda mais empenhadas em fazer soar o trovão do apocalipse. Levanta-se a toalha da areia, voltam a ouvir-se de novo frases como estas, ao ritmo de um thriller em sessões contínuas: "Portugal atravessa uma crise da qual muito dificilmente sobreviverá"; "Isto chegou ao fundo dos fundos"; "Assistimos ao apodrecimento das instituições".

Mal posso esperar.

Coisas verdadeiramente importantes

por Pedro Correia, em 17.07.13

 

"Sinto falta de ter um namorado."

Rita Pereira, na Lux

Tavira, Verão de 2013

por Pedro Correia, em 07.07.13

 

Rolas, andorinhas e pardais, à vez, vêm beber à borda da piscina. O calor é tanto que, mesmo antes de a manhã chegar a meio, só conseguimos estar à sombra: à falta de guarda-sóis, servem as palmeiras, substituindo-as com vantagem. Miúdos de várias nacionalidades, esquecidos por momentos dos gadgets electrónicos, brincam como sempre as crianças brincaram: correm, saltam, riam, jogam à bola, ensaiam movimentos ritmados de natação. "Agarra-te aos pelos do peito do pai", diz alguém. E todos riem.

 

Duas senhoras exercitam a antiquíssima arte da conversa, ao recato da sombra: "Então a sua menina como está?"; "Muito bem, por enquanto muito bem." Tão português, tão cauto e previdente, este "por enquanto"...

Mais adiante, uma jovem abre-se em confidências a uma amiga em tom suficientemente elevado para ser escutada nas proximidades: "Ficou chateado por eu estar na boa com ele..."

Eles e elas aparecem cada vez mais tatuados. Não tatuagens discretas, mas tão espampanantes quanto possível, em tentativas de imitação do jogador Raul Meireles e da sua mulher Ivone, presenças constantes nas páginas da imprensa tablóide. Um dia, não muito distante, haveremos de lembrar esta absurda moda como hoje lembramos os longos cabelos frisados e os bigodes à Obélix dos anos 70, paradigmas da breguice tuga.

 

O calor tudo dissolve: obrigações inadiáveis, ponteiros do relógio, preocupações que sobraram dos meses precedentes. Aguardamos por ele todos os anos - mas desta vez já o ansiávamos com alguma impaciência após a maratona de um Inverno que parecia não ter fim.

Como os primeiros figos do ano - as saudades que eu já tinha deles. Logo à noite, na Noélia, virá para a mesa um arroz de limão com corvina e amêijoas: carne não entra nestes menus algarvios.

Muitos franceses, alguns ingleses e alemães, mas desta vez quase não vejo espanhóis: na vizinha Andaluzia o desemprego já se situa nos 37% e há dois terços de jovens sem trabalho.

Apesar da crise - ou por causa dela - a Olá lançou cinco novos sabores do seu Magnum para este Verão. Falta-me só experimentar um. Até ao momento, o meu favorito é o de merengue e frutos silvestres.

 

 

Basta dar uma olhada em redor para se perceber que o livro electrónico vai ganhando terreno acelerado ao formato tradicional - serve, desde logo, para ocupar menos lugar na mala. Conservador, prefiro a leitura em papel: acabo de ler Amantes e Inimigos, um delicioso volume de contos de Rosa Montero.

Quatro estrangeiros em redor de uma mesa no bar junto à piscina: todos em silêncio, cada qual mergulhado no seu iPad. Dizia o resmungão Nelson Rodrigues, numa das mais saborosas frases que conheço em língua portuguesa: "A televisão matou a janela." Parafraseando o mestre, concluo que a vida virtual vai matando a vida real.

Um brinde desta fresquíssima sangria branca às senhoras que vão praticando a arte da conversa. Elas não sabem, mas são já uma espécie em vias de extinção.

De acordo com a edição de 2013, Julho é o mês da ceifa e da debulha (cfr. pág. 9):

 

Saudades de uma noite de verão

por Gui Abreu de Lima, em 22.06.13

Na rua, o alcatrão também reage à lua do clima, e mantendo o seu quinhão de força a meio metro do chão, ei-lo a pairar na atmosfera – bruto e único. Tão só que é o odor do alcatrão. Que beleza têm as coisas sós. Com esta humidade súbita e o calor em grau, Lisboa cheira a todas as plantas que tem. Está tropical a noite e o ar pesado dos aromas em mistura. Não há erva que não emane fragrância. Até as que nunca cheiram a nada se resolvem. De Monsanto, a aragem é de madeira seca e folhas ressequidas. Quase se ouve estalar. Há-de ter sede a floresta, por isso transpira. Das árvores que cá sabemos, de populares aromáticas, nem falar. Atabafam-nos. A sua essência mais pura finda em perfume barato. Que noite quente, que Agosto meloso.

Acabou-se (o Verão) (só) (por enquanto...)

por José Navarro de Andrade, em 21.09.12
Caro Niederer, "Waiting for return", 2007
 

Richard Misrach, "Sem título 1132-04 [flippers], 2004

Bertien van Mannen, "Praia no lago Baikal", 1993

 Lisa Ruyter, 2007

Este fogo que arde

por Teresa Ribeiro, em 22.07.12

Se pudesses assistir mais uma vez às imagens dos incêndios que nos consomem no Verão, novamente te veria a sofrer, preso à televisão, a disparar frases incendiárias contra os que sempre responsabilizaste por estas catástrofes sazonais. Não era de pirómanos que falavas, mas de quem decidiu por razões políticas fazer tábua rasa de toda a organização que existia para o desenvolvimento e protecção do património florestal.

Eras insuspeito, quando defendias convictamente a preservação do antigo sistema instituído por Salazar, pois nunca apoiaste o regime. "O Botas, justiça lhe seja feita, dava muita importância à floresta", admitias.

Nunca foste tão feliz como quando andaste em Trás-os-Montes a orientar equipas de combate aos incêndios, constituídas pelos homens a quem davas formação. Homens que viviam na floresta e a conheciam como a palma da mão. Quando um incêndio deflagrava eram eles, os guardas florestais, que das suas torres de vigia davam o alarme.

Limpa de detritos e com acessos preparados para essas eventualidades, a floresta quando ardia não escapava como agora ao controlo dos homens porque era composta, na sua maioria, por uma multiplicidade de espécies de níveis de combustão diferentes, o que retardava o avanço das labaredas, explicavas-me tu, uma e outra vez, quando vias o país a arder pela televisão. Lideradas por técnicos com formação em silvicultura, que sabiam calcular a velocidade de propagação do fogo, as equipas de combate aos incêndios abriam valas e queimavam o terreno em zonas estratégicas para melhor o circunscrever, recordavas, revivendo algumas batalhas que ganhaste assim . 

Aprendi contigo desde pequena que os incêndios na floresta se combatem sobretudo com um profundo conhecimento da sua flora e uma boa rede de comunicações e postos de vigia, a tal que por razões políticas - e que fúteis são sempre as razões políticas - um dia se desmantelou.

Sabias que o aumento do número de extensões ardidas começou a crescer exponencialmente a partir de 1975, o ano em que todo aquele sistema por que te bateste até ao fim foi destruído? Se calhar sabias. Combativo como eras deves ter esfregado essas estatísticas na cara de muita gente, mas sem sucesso.

Há dias disseram-me que Portugal é o único país da Europa que não tem guardas-florestais. Também sabias disto, pai?     

Marketing Pouletico

por Ana Cláudia Vicente, em 28.08.11

 [Serpa Moura, Agosto de 2011 (Foto:N.Vicente)]


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