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O último álbum dos suecos The Knife (os irmãos Karin e Olof Dreijer, até há poucos anos avessos a entrevistas, fotografias e espectáculos ao vivo) é assustador. Não em resultado de qualquer subtexto político (que possui; para que não restem dúvidas sobre o seu posicionamento, no site oficial os The Knife exigem End Extreme Wealth em vez de, por exemplo, End Extreme Poverty) nem deste vídeo (que inquieta). É assustador por causa da música que contém. Estamos mais habituados a (e predispostos para) música que relaxa ou anima do que a música que perturba. Mas, de quando em vez, citando um político nacional que provavelmente apreciaria tanto a música dos The Knife como estes apreciariam as suas políticas, necessitamos de abandonar a nossa zona de conforto.

Atendendo aos frequentes diferendos entre Joy Williams e John Paul White, que culminaram numa separação quiçá definitiva em meados do ano passado, The Civil Wars pode constituir um dos nomes mais apropriados de sempre para uma banda. Com ou sem desentendimentos, o álbum homónimo do duo é excelente e, muito embora Williams e White sempre tenham garantido que a sua relação nunca ultrapassou o plano profissional, a polémica apenas acrescenta a canções como a deste vídeo, onde se afirma: I miss the way you wanted me when I was staying just out of your reach (não nos acontece a todos?) e, no refrão, Oh, I wish I'd never ever seen your face, I wish you were the one, wish you were the one that got away.

P.S.: É só a mim que, pelo menos de certos ângulos, ele lembra o Johnny Depp?

P.P.S.: Escrever «álbum homónimo» não teve metade da piada que julguei que iria ter.

Como admiti neste post sobre o álbum mais recente de Cristina Branco, a minha relação com o fado está longe de ser de admiração incondicional. Incomoda-me o seu lado lamentoso, de desgraça constante contra a qual se é impotente. (Por alguma razão reflecte tão bem os portugueses.) Devo todavia reconhecer que, apesar de não passar incólume a estas características (nem poderia; são intrínsecas) e dos riscos assumidos serem elevados (cantar temas imortalizados por Amália logo ao primeiro disco só pode denotar coragem ou inconsciência), o álbum de estreia de Gisela João é um exemplo de variedade na escolha de temas, contenção no registo e bom gosto geral.

Ainda 2013 nuns quantos discos. 2: Aventine, de Agnes Obel.

por José António Abreu, em 09.01.14

Philarmonics, o primeiro álbum da dinamarquesa residente em Berlim, continha momentos de relativa expansividade mas, no cômputo geral, era uma obra de delicadeza e intimismo desarmantes. Em entrevistas recentes, Obel declarou que o plano era tornar o segundo mais alegre. Como o criador nem sempre controla a criatura, saiu-lhe um trabalho ainda mais suave e melancólico. De tal forma que, se ouvido com a disposição inadequada, pode revelar-se um nadinha monocórdico. Com a disposição certa, é sublime.

Ainda 2013 nuns quantos discos. 1: Pure Heroine, de Lorde.

por José António Abreu, em 08.01.14

Sim, houve os Arcade Fire, os Arctic Monkeys e os Vampire Weekend. Houve os The National, Kanye West e os Daft Punk. Houve uma mão-cheia de álbuns folk e uma mão pouco cheia de álbuns rock (…Like Clockwork, dos Queens of the Stone Age, sobressaiu). Houve um excelente álbum dos Nine Inch Nails. Mas isto não vai ser uma lista dos melhores discos do ano: gosto pouco de listas hierarquizadas e, assim como assim, essas listas surgem em Dezembro. Isto é apenas uma vintena de álbuns de nomes quase sempre menos conhecidos que os anteriores que, por uma razão ou outra, me cativaram em 2013 e que não mencionara no blogue. A ordem só não é aleatória porque não tirei papelinhos de um boné. Seis são portugueses, catorze estrangeiros. Dezassete têm como lead singer uma mulher. (Mais pareceria esquisito.)

 

  

Despachemos já o mais óbvio. A neozelandesa de 17 anos (16 quando o álbum saiu) que conseguiu exprimir a confusão de ser teenager num mundo materialista e obcecado pela fama em canções simples de três minutos, sem se deixar cair em clichés de diário de adolescente. Começando num ponto muito mais maduro do que aquele de onde partiram Miley Cyrus e Britney Spears, fica a questão de saber para onde evoluirá Ella Maria Lani Yelich-O'Connor.

(O estilo em palco já suscitou muitos comentários. A explicação dela pode ser encontrada aqui.)


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