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Delito de Opinião

À custa de todos nós

Pedro Correia, 26.06.15

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O Metropolitano de Lisboa está hoje todo o dia parado, devido a mais uma "greve dos trabalhadores". É a oitava que se realiza este ano, que ainda nem vai a meio - atingimos portanto uma média superior a mais de uma por mês.

Oito dias de greve, que paralisam este imprescindível serviço de transportes públicos da capital, porquê? Não por questões de carácter laboral: os funcionários do Metro têm um nível salarial muito acima da média nacional, regalias de que nenhum outro trabalhador dispõe, vínculos contratuais sólidos, estabilidade profissional e uma carreira bem definida.

O motivo destas greves é protestar contra a subconcessão do Metro a entidades privadas - uma decisão já assumida pelo Governo, com plena legitimidade, tanto mais que constava do seu programa eleitoral, sufragado em 2011.

Dizem os sindicatos do sector que as paralisações se destinam a "defender o serviço público". Mas, por amarga ironia, cada greve constitui um argumento suplementar contra a estatização dos transportes urbanos junto das centenas de milhares de portugueses que os utilizam. Porque são eles - em larga medida pertencentes aos segmentos mais desfavorecidos da população - os principais afectados por estas paralisações.

Direi mesmo mais: são os únicos. As direcções das empresas até beneficiam, pois poupam em custos de energia e pagamentos de salários. E o Governo vê o seu argumentário reforçado: nas empresas privadas de transportes não existem greves. Essas sim, defendem os desfavorecidos.

 

Só na Área Metropolitana de Lisboa, 43% dos residentes utiliza regularmente os transportes públicos. Mas, em vez de servirem a população, empresas como o Metro servem interesses políticos - em estreita convergência com o Partido Comunista, que encontra hoje no segmento dos transportes urbanos o seu principal reduto de apoio sindical. Hipocritamente, dizem defender os mais pobres enquanto lhes negam o direito constitucional ao transporte. Roubando-lhes dias que foram antecipadamente pagos no momento da aquisição dos passes sociais. Abusando da posição dominante, num arremedo de darwinismo social.

Hoje todos nós - e somos, só os utentes do Metro, quase meio milhão por dia - tivemos de inventar meios alternativos para nos deslocarmos rumo ao local de trabalho, ao centro de emprego ou ao centro de saúde. Sem carro ou sem gasolina para o pagar. Sem dinheiro para gastar em táxis. Com passes tornados inúteis pelo oitava vez em 2015.

 

Em 2014, as três empresas públicas de transportes que servem a capital (Metro, Transtejo e Carris) apresentaram um défice de natureza operacional superior a 110 milhões de euros - quantia paga pelo Orçamento do Estado, ou seja pelos contribuintes. Muitos deles pagam três vezes estes prejuízos: através dos impostos, dos títulos de transporte adquiridos por antecipação e dos meios alternativos que têm de inventar para deslocações nos dias como hoje.

Indiferente a tudo isto, a casta sindical já planeia novas paralisações. Aniquilando o transporte público enquanto proclama defendê-lo. À custa de todos nós.

A suspensão da UBER

Helena Sacadura Cabral, 30.04.15

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A Uber é uma empresa tecnológica, com sede nos Estados Unidos da América e que entrou em Portugal em Julho de 2014.

Actualmente disponibilizava dois serviços: o UberBlack e o UberX. O primeiro era considerado o segmento de luxo, porque só funcionava com carros de gama alta, como Audi A6, BMW série 5 ou Mercedes Benz Classe E.

A tarifa base deste serviço era de dois euros, a que se somava 30 cêntimos por minuto e 1,10 euros por quilómetro. No mínimo, uma viagem custava oito euros. Quem quisesse cancelar este serviço, pagava a tarifa mínima do serviço.

O UberX era o serviço low-cost da empresa, que começava com uma tarifa base de um euro, em carros Volkswagen Golf, Opel Astra ou Seat Leon. À tarifa base, acresciam 10 cêntimos por minuto e 65 cêntimos por quilómetro. No mínimo, teria de pagar 2,50 euros pela viagem. Se quisesse cancelar o serviço, pagava a mesma tarifa mínima.

A empresa foi proibida de operar em Portugal e, em menos de 24 horas, milhares de pessoas manifestaram-se contra a decisão.

Pessoalmente gostava de perceber quais as razões que levaram a tal decisão e que grupos de pressão nela estarão interessados, já que só recorria a este serviço quem queria e a qualidade do mesmo era inquestionável. Sobretudo num país onde o grau de sujidade dos táxis é lamentável, e não sofre a fiscalização por parte das autoridades sanitárias que o seu estado e funcionando em continuo justificaria. Nomeadamente face aos preços praticados...

Das copiosas greves dos transportes

Teresa Ribeiro, 11.12.13

Não posso respeitar os grevistas cujo poder negocial depende essencialmente dos transtornos que provocam na vida dos outros e que não hesitam em jogar por sistema com esse factor de pressão. Isso já não é o exercício de um direito, é falta de civismo e de solidariedade para com os outros trabalhadores. Dia 19 há mais uma greve a somar a um rol impressionante

A casta está outra vez em greve

Teresa Ribeiro, 21.02.12

Há anos que me perguntava por que diabo não se divulgavam os privilégios e as tabelas salariais dos trabalhadores das empresas de transportes públicos. É que ao fim de décadas de reivindicações constantes eu desconfiava que há muito a luta destes trabalhadores tinha deixado de ser justa e que as suas sucessivas greves eram sobretudo manifestações abusivas de poder, tanto por parte das centrais sindicais, que só no sector público o têm, como por parte dos trabalhadores, que sabem que cada uma das suas paralisações paralisa também o país.

Há muito que adivinhava que o impacto público da divulgação das tabelas salariais e regalias desta casta, que de cada vez que entra em greve lixa a vida aos outros trabalhadores, seria enorme. Custou esta informação chegar aos jornais (ver hoje manchete do DN), talvez porque discutir os direitos dos trabalhadores é tabu. Fizeram mal. Se há reivindicações que devem ser bem escrutinadas são as dos sectores que podem, como este, chantagear as empresas que lhes pagam com o dinheiro dos contribuintes.

Começassem estas informações a constar mais cedo e talvez se tivesse evitado o descalabro. Mas faltou tudo nesta história: ética, competência e coragem. Agora bem podem limpar as mãos à parede. Está a acabar-se a mama. Pelo menos assim o espero.

Transportes públicos? (56)

João Carvalho, 16.02.12

 

Não. Parece que não. Esta pré-rotunda desnivelada para melhor circulação dos transportes nos arredores de Viseu não está para avançar. O ministro Miguel Relvas apelou ontem aos autarcas para que parem com as obras de fachada e para que se centrem nos dramas da crise. Portanto, a pré-rotunda vai aguardar por melhores dias e o engarrafamento permanente no entroncamento da foto continuará a impedir o desenvolvimento nacional por tempo indeterminado...