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Os meus amigos liberais

por Teresa Ribeiro, em 31.10.12

"A saúde é um estado transitório que não augura nada de bom." Esta frase, que ouvi uma vez a um médico, lembra-nos que por mais saudáveis que sejamos um dia fatalmente o nosso sistema baixará a guarda e precisaremos de ser assistidos. O aumento da esperança de vida só contribui ainda mais para essa certeza, por isso é normal que a atrofia progressiva do SNS provoque a maior preocupação nas pessoas que como eu consideram que um sistema de saúde universal tendencialmente gratuito e de qualidade é o modelo por que todos devíamos lutar. O princípio que lhe subjaz não poderia ser mais justo: financiamo-lo com os nossos impostos para que possamos em devido tempo obter retorno sob a forma de cuidados de saúde.

Quando refiro este princípio, os meus amigos liberais desdenham. Invariavelmente argumentam que não temos, nem nunca tivemos, um retorno justo dos nossos impostos, que esse dinheiro que nos é tirado só serviu para alimentar, no que respeita à saúde, o monstro corrrupto e ineficiente que é o SNS. Para a Saúde defendem a redução do papel do Estado através do estabelecimento de parcerias com unidades de saúde privadas e o investimento em seguros. Quando respondo a estes meus amigos, gente de classe média, sem fortuna pessoal que, por exemplo, nos casos de doença prolongada que impliquem tratamentos caros os seguros descartam responsabilidades com a maior facilidade e que por isso mesmo, se num dia se encontrarem nessa situação estarão lixados, viram a agulha e começam a falar da crise e de demografia: que não temos dinheiro para esses luxos e além disso estamos a envelhecer e a população activa a diminuir e portanto o SNS é insustentável. Não procuro iludir essas questões e parece-me óbvio que por dificuldades de financiamento terá que haver um retrocesso na quantidade e qualidade de prestação desses serviços, mas não deixa de me arrepiar a ligeireza com que os meus amigos liberais celebram o fim do sistema que mais os defende. Quando um dia sentirem as tendências demográficas materializarem-se nas suas artríticas articulações, talvez o fim do Estado Social que agora preconizam não lhes pareça tão higiénico.

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Magister dixit

por José Navarro de Andrade, em 03.10.12

Bem sei que a questão já vem a despropósito (sobretudo hoje!) e que vou ser – se calhar desnecessariamente – massudo. Mas deu-me para ler o famigerado parecer do inefável Conselho Nacional para a Ética e para as Ciências da Vida (CNECV) que tanta celeuma provocou. É um documento exemplar do estado pouco menos que miserável de alguma intelligentzia portuguesa, de índole conservadora.

Baseio-me para este juízo na seguinte e escabrosa passagem:

“Vivemos num mundo não-imaginário, onde pode já não existir lugar para a teoria de John Rawls (Rawls, 1971). A teoria desenvolvida no contexto de uma sociedade quase utópica que preconiza a harmonia entre a racionalidade e razoabilidade não permite a aplicação integral em qualquer sociedade democrática e imperfeita. Teremos, assim, de reformular, ao nível profissional, social e político, a utopia de Rawls do “maior bem” para o maior número, por uma visão eticamente mais comprometida do “maior bem possível” para o maior número. Deste modo, o compromisso de aumentar os níveis de saúde de toda a população pode, nesta fase, resultar num aumento eticamente inaceitável das desigualdades na distribuição dos recursos existentes.”

Deste trecho decorre necessariamente que:

1) É ilimitada a petulância de certos magistri lusitanos.

2) O documento está eivado de uma forte componente ideológica, (não verifiquei se recorre às penetrantes, embora polémicas, objeções de Nozik a Rawls, mas aposto que não) o que anula a sua pretensão objectivante.

3) O autor (ou relator) não percebe um caracol do princípio “maximin” de Rawls:

“(1) Each person is to have an equal right to the most extensive total system of equal basic liberties compatible with a similar system of liberty for all.

(2) Social and economic inequalities are to be arranged so that they are both:

               (a) to the greatest benefit of the least advantaged, consistent with the just savings principle, and

               (b) attached to offices and positions open to all under conditions of fair equality of opportunity.”

Objectar a estes claríssimos postulados substituindo a ideia de “maior bem” por “maior bem possível” é tão lógico como dizer, por exemplo, “chuva possivelmente molhada” no lugar de “chuva molhada”.  

O resultado desta funesta especulação é patético, pois o metafísico de meia-tijela, dada a posição em que se colocou, fica incapacitado para lucubrar qualquer conceito pragmático, muito menos utilitário. Afinal tratava-se de um documento capaz de fornecer guidelines à prática clínica e o melhor que consegue proferir é:

“Existe fundamento ético para que o Serviço Nacional de Saúde promova medidas para conter custos com medicamentos.” E “as opções fundamentais serão entre os “mais baratos dos melhores” (fármacos de comprovada efectividade) e não sobre os “melhores dos mais baratos”.

Com menos verborreia: “Eh pá, gastem lá menos comprimidos…”

Depois, quando foi preciso explicitar estas abstracções o que saiu foi: “Será que mais dois meses de vida, independentemente dessa qualidade de vida, justifica uma terapêutica de 50 mil, 100 mil ou 200 mil euros? Tudo isso tem de ser muito transparente e muito claro, envolvendo todos os interessados.”

É o que dá…

Mas que cambalhota!!

por Fernando Sousa, em 28.09.12

“A palavra racionamento, no jargão da política da Saúde, Economia da Saúde e Bioética é um termo absolutamente benigno, e significa otimizar os recursos racionalmente, não desperdiçar e não haver ineficiência”, ou seja, não significa cortar no essencial. Extraordinário! Mas que cambalhota! Miguel Oliveira da Silva é bem um artista português! Palmas! Quando sair do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida tem emprego assegurado.

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N de nada

por Teresa Ribeiro, em 27.09.12

É preciso manter o foco. N sabe-o, mas os dedinhos dos neurónios estão sempre a puxá-la para baixo. Tempos houve em que se via como uma mulher de sucesso, eficiente no trabalho e despachada na cama. Agora envergonha-se das baixas sucessivas e para escapar a indagações isola-se. Já correu metade dos psiquiatras da praça, mas para aquela tristeza funda não há cura.

A escassez de serotonina no sistema nervoso central está para o seu humor, como uma fractura num pé para uma bailarina. Ambas as situações são incapacitantes, mas ao contrário da bailarina que contará com a simpatia e compreensão dos outros, no seu caso o padecimento será fonte de desconfiança até para si própria. 

Às vezes N repete os sintomas da depressão como um mantra em que se embala para combater a insónia, noutras ocasiões parte-se em duas e cita-os de si para si para apaziguar a sua permanente sensação de culpa. Esta actual cultura do faça-se você mesmo dificulta-lhe ainda mais as possibilidades de recuperação.O paleio dos gurus da psicologia positiva, as entrevistas das figuras públicas nas revistas, fotografadas em shorts proactivos e decotes desafiantes a dizer em Ariel "A felicidade constrói-se", confirmam-na como uma inútil, incapaz de reagir.

Quando se pode atribuir à depressão uma causa concreta é mais fácil combatê-la, mas a tristeza dela é endógena. Aprendeu-a em pequena ou até antes. Provavelmente já lhe vem no sangue, um orh tristíssimo que um dia expurgou a N colorida e bem sucedida.

Na vida ficcional de todos os dias N não tem lugar. No emprego hostilizam-na. A família e até alguns médicos olham-na de esguelha, os amigos desmobilizaram. Só nas estatísticas e nas notícias de jornal N faz sentido.

Cama 306

por Fernando Sousa, em 27.09.12

… não estou aqui, imagino que não estou aqui, estou numa cama de um hospital, a cama 306, já não tenho a inteligência ligada à saúde, tenho só o corpo ligado a tubos e a esperança ligada à vida, imagino que os médicos se enganaram, ou que não previram tudo, que tenho mais do que dois meses de vida, imagino um milagre, eu, finalmente entre a morte e a fé, imagino o meu neto que nascerá dentro de três meses, aquele abraço que devo, o muro que não acabei de mandar abaixo, a novela a que só me falta um capítulo e mais umas coisas que o meu sentimento de eternidade foi adiando; imagino que me vieram perguntar, um senhor muito gentil, muito, muito compreensivo, do economato, se não me importava de morrer no prazo certo, ou se possível mais cedo, pois gastam comigo fortunas devidas à dívida soberana. Não estou aqui, estou numa cama de um hospital, público, português, corre Setembro de 2012, já não tenho a inteligência ligada à saúde, apenas rezo, eu, que sempre achei a oração como um desperdício da razão, para que os médicos se tenham enganado, o que às vezes acontece, ou haja um milagre, o que também não é raro, ou então para que me apague como uma pessoa e não uma rubrica do Orçamento de Estado. 

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Boas notícias

por Ana Vidal, em 14.09.12

 

Eu sei, as boas notícias são quase impossíveis de descobrir no meio desta maré negra que nos invade. Mas, teimosa que sou, consegui encontrar uma para vos dar. E é daquelas que interessam a todos nós.

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A igualdade vai dar-nos muito trabalho

por Rui Rocha, em 09.07.12

Parece que os médicos convocaram uma greve para quarta e quinta-feira. A justificação que apresentam relaciona-se com um conjunto de reivindicações que incluem o novo regime de trabalho das quarenta horas semanais e a respectiva grelha salarial. Mais tarde ou mais cedo, as partes vão acabar por sentar-se à mesa das negociações. Em nome do princípio da igualdade, e atendendo às matérias em causa, imagino que os trabalhadores do sector privado  serão chamados para participar na discussão. Pela minha parte, confesso que não me dá grande jeito. Mas, por amor à Constituição, estou disponível para fazer um sacrifício. Só peço que não marquem nada para 5ª feira (já tenho reuniões agendadas) e para 6ª à tarde (tenho uma consulta marcada e da última vez demorei quatro horas a ser atendido). 

Ainda sobre o Hospital de Viseu

por Rui Rocha, em 06.07.12

No passado Domingo, publiquei um post em que manifestei a minha indignação na sequência de uma notícia do Jornal de Notícias relativa ao Hospital de Viseu. Entretanto, a Administração do Hospital, em comunicado,  desmentiu a notícia. Não tenho meios para apurar qual a versão que retrata correctamente os factos, mas espero sinceramente que seja a da Administração do Hospital. Nesse caso, tudo se reduziria a péssimo jornalismo o que, sendo grave, sempre seria melhor do que a alternativa de ver doentes com a vida posta em risco. Em qualquer caso, não seria correcto negar à posição do Hospital de Viseu destaque idêntico ao que dei à notícia do Jornal de Notícias. Assim, aqui fica o comunicado em causa que me chegou através do nosso leitor Artur Mendes:

 

Urgências

por José António Abreu, em 05.07.12

É um contra-senso: as urgências de um centro de saúde ou de um hospital, em especial durante a noite, em especial no interior do país, são locais não de movimento e urgência mas de espera, monotonia e burocracia atrozes; de desamparo, resignação e indiferença. O objectivo de quem ali trabalha – em particular do pessoal clínico, quase todo «desterrado» contra vontade – parece ser despachar quem ali chega tão depressa quanto possível, após realização dos testes mais básicos, ainda que isso signifique combater apenas os sintomas e não as causas, ainda que isso signifique abrir a porta a nova visita do mesmo paciente dias – ou horas – mais tarde. Não por maldade – pelo, menos não explícita (de resto, na maioria das vezes o que é a maldade senão uma lógica inflexível?) – mas por uma inércia muito característica, por um cansaço desconfiado feito de desilusão e agressividade, e também por regras que a crise, para além de impor, ajuda a utilizar como desculpa. E nas feias salas de espera, a que cartazes ensinando a lavar as mãos ou a espirrar para o braço acrescentam um enjoativo toque de boas intenções, acompanhantes (quase sempre familiares) arrancados à normalidade por um grito, pelo ruído de uma queda ou por um telefonema e metidos à força no enredo de O Castelo, de Kafka (num mundo de mil e uma regras com uma lógica difícil de contestar, regras que dão ideia de terem sido elaboradas para que ninguém fora do sistema as possa usar a seu favor: a burocracia – e recordemos o pormenor de Kafka a conhecer bem, funcionário que era de uma Companhia de Seguros – é a mais subtil representação e também a melhor forma de preservação do totalitarismo, seja ele evidente e sanguinário, seja na versão bufa, assente na diferença de poder e de conhecimento – no respeitinho, em suma – que impera nos mais variados sítios), nas tais salas de espera esses acompanhantes imaginam cartas de reclamação que são levadas a sério e acabam em castigos ou despedimentos e processos legais (como os que se vêem nos filmes e nas séries de televisão norte-americanas) que acabam em pesadas indemnizações, apenas para esbarrarem, até mesmo dentro da fantasia, nas realidades não menos kafkianas de como as castas se auto-protegem e de como a Justiça portuguesa não funciona. E então pensam em denúncias à TVI, que as coisas só se resolvem quando aparecem na televisão, mas rapidamente percebem que apenas se o familiar morrer o caso terá interesse para as televisões e acabam por limitar-se a levá-lo para casa (de resto, é o que ele, humilhado e a transbordar de analgésicos, deseja) e a tentar dormir umas horas. Até o grito ou o ruído da queda ou o telefonema os retirar novamente da rotina e todo o processo se repetir.

 

Adenda: Se puderem, evitem as urgências do hospital da Guarda.

Certo burro teimava, como é próprio das asininas bestas, em comer. Uma burrice, já se vê. Sendo que esta, dirão mentes despertas, só se pode combater com inteligência. Foi o que o dono do burro fez. Convocando não mais de dois neurónios que lhe sobravam ociosos de todos os seus permanentes e elevados raciocínios, decidiu cortar à ração lentamente. E a cada dia, o burro passou a comer um pouco menos. A vida faz-se de pequenos nadas. E um nadinha menos de ração a cada dia representa, ao fim de algum tempo, uma poupança considerável. Exactamente nisto devem ter pensado os génios que gerem o hospital de Viseu. Pelo visto, e vendo a história ao preço a que a comprei ao Jornal de Notícias, decidiram que os doentes diabéticos podem passar muito bem sem o leite e a meia-dúzia de bolachas de água e sal que lhes eram servidas pelas 23h00. Os doentes, ao que parece, vão resistindo à prova e sobrevivem cerca de 12 horas sem comer. É certo que um ou outro já terão amanhecido descompensados. Mas, o que é isso perante a poupança que o corte de um copo de leite e meia-dúzia de bolachas já não deve ter gerado... É claro que na história do burro, a coisa acabou por não correr exactamente como o seu genial proprietário previra. Então não é que o bicho, no preciso momento em que se habituara a não comer, não dando já qualquer despesa, acabou por morrer? Em todo o caso, nada temamos. A analogia entre a história do burro e a dos doentes diabéticos do Hospital de Viseu não é perfeita. É que, se por acaso, algum deles, um dia destes morrer por hipoglicemia, até isso poderá ter as suas vantagens. Afinal de contas, os mortos não consomem medicamentos, não tomam pequeno-almoço, nem almoçam, nem jantam. Imagine-se só a poupança. Por outro lado, e se virmos bem, na história do burro temos a besta asinina e o seu dono que é também uma boa besta. No caso do Hospital de Viseu, as bestas são os génios da gestão. Deviam premiá-los em conformidade. Pagando-lhes o salário apenas em leite e bolachas de água e sal. Na exacta quantidade que pouparem cortando-as aos doentes diabéticos. Nem mais, nem menos. Com um bocadinho de sorte, pode ser que consigam sobreviver.

 

Adenda em 2 de Julho: chamo em todo o caso a atenção para os comentários da Isabel e do Artur Mendes. Espero que os factos que aqui nos trazem se confirmem, caso em que a minha indignação terá de voltar-se, naturalmente, para a peça jornalística.

Em nome da MAC, talvez... fazer

por Rui Rocha, em 13.04.12

Tal como acontece com 99,78% dos portugueses que já se pronunciaram, não percebo um caraças do assunto. Isto dito, constato que têm sido produzidos abundantes argumentos e até alguns não-argumentos para defender a continuidade da MAC. No que diz aos não-argumentos, eles foram apresentados pelo Daniel Oliveira, com razoável poder de síntese, neste post. Quanto aos argumentos, agrupei-os em categorias e atrevo-me a fazer na tabela que se segue alguns comentários tão ignorantes como bem intencionados (sublinho que, em geral, as observações de outros comentadores podem ser catalogadas como ignorantes e mal intencionadas ou conhecedoras mas mal intencionados, dispensando-me neste preciso momento de tecer quaisquer considerações sobre o efeito da utilização de uma adversativa):

Isto é, se querem defender a MAC deviam perder mais tempo a estruturar argumentos para que não fosse possível a um tipo que não percebe do assunto rebatê-los com uma tabela mal amanhada. Da mesma maneira, não me parece grande trunfo comparar a situação da MAC com encerramento de maternidades em outros pontos do país. É que, no caso da MAC, a alternativa não está  a mais de 50 km de distância. Significa isto que não vejo solução para a MAC? Nada mais falso. O que é preciso é dar utilidade à capacidade instalada por via do aumento da natalidade. E, basicamente, só há uma forma de chegar a esse resultado, embora nem toda a gente goste de praticar a modalidade homologada para o efeito. Mas o activismo consiste precisamente na disponibilidade para colocar a causa acima dos interesses pessoais. Por isso, rapaziada, em nome da sobrevivência da MAC (e até do SNS) o que é que deviam fazer? Pois, talvez... fazer. 

Maternidade Alfredo da Costa

por José António Abreu, em 11.04.12

A posição do PS: fechar centros de saúde no interior do país era um acto de boa gestão; fechar uma maternidade em Lisboa é um crime de lesa-majestade.

 

A posição de muita gente que protesta: sim, o governo deve cortar nos gastos; não, não deve fechar uma estrutura redundante. 

"A" maternidade desde 1932

por Ana Lima, em 06.04.12

Na noite em que eu nasci os vizinhos que levaram a minha mãe para o hospital resolveram virar à direita na marginal e não à esquerda. Foi assim que eu fui nascer a Oeiras e não a Lisboa. Durante muitos anos eu era um caso raro entre os meus amigos e conhecidos, cuja naturalidade era, invariavelmente, São Sebastião da Pedreira. Esta era, de longe, a freguesia que mais constava no bilhete de identidade daqueles cujos pais residiam em Lisboa e arredores. Depois passou a poder apresentar-se como naturalidade a localidade de residência da mãe. E aí tudo começou a mudar. Felizmente para todos nós outros hospitais começaram a ter as necessárias condições à realização de partos seguros. Mas a Maternidade Alfredo da Costa nunca deixou de ser uma referência, sobretudo para as situações mais complexas. E, para tal, contribuíram, sobretudo, os profissionais, as equipas, constituídas por elementos de várias áreas, cuja experiência é, de há muito, elogiada. 

Recentemente, terão sido feitos investimentos significativos que melhoraram os serviços prestados.

Dizem os responsáveis que o encerramento desta maternidade é apenas um dos cenários possíveis. Pois. Mas isto de discutir cenários já sabemos que é um exercício que, por vezes, dá um resultado errado. Sobretudo porque nunca são previstas todas as consequências. Esperemos que não seja o caso. Não pelos que nasceram na Alfredo da Costa. Mas pelos que, possivelmente, deixarão de beneficiar do saber acumulado dentro daquele edifício, projectado por Ventura Terra, e que não chegou a ser visto pelo médico que lhe emprestou o nome e que tanto por ele se bateu.

Toma e vai-te curar

por Teresa Ribeiro, em 03.04.12

O que é um medicamento mais barato? É um medicamento que não faz tão bem quanto isso? Se for assim, a médio ou mesmo a curto prazo acaba por sair mais caro. A não ser, é claro, que os doentes morram da cura. Pelos vistos é  nesta presunção que se gere o SNS

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Este aterrou agora

por João Campos, em 15.03.12

O secretário-geral do PS mostrou-se impressionado com as condições do serviço de urgência do Hospital de Faro, onde os doentes são muitas vezes obrigados a ficar em macas ao longo dos corredores do serviço (Público). Bem vindo ao mundo real, Sr. Seguro.

Classe Social: um termo em desuso?

por Ana Lima, em 05.03.12

Podemos questionar a forma como os estudos são feitos. Podemos concordar mais ou menos com as suas conclusões. Podemos argumentar que o determinismo, neste caso, como noutros, é uma teoria pouco fiável. Mas há factos para os quais a terminologia nem sequer conta muito.

Com pinças

por Teresa Ribeiro, em 01.03.12

Apanharam duas médicas a receber dinheiro de um laboratório farmacêutico. Estranho. Pergunto-me o que terá falhado para o caso ter caído nas malhas da justiça. Cá para mim foi algum colega invejoso que as denunciou, porque como se sabe as boas relações entre laboratórios e médicos nunca são perturbadas pelas autoridades. Nem pela Ordem dos Médicos, sempre muito preocupada em defender a classe no matter what, nem pela justiça. Aliás, soube-se agora que a justiça nestes casos só pode actuar em relação aos médicos que trabalham no Serviço Nacional de Saúde. No consultório toda a corrupção é consentida. O bastonário da OM, que designa estes casos por "falhas éticas graves", não vá ofender os corruptos, diz que está mal. Mas é a lei que temos. A lei às vezes é uma querida, mas só para quem merece.

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Urgências

por José António Abreu, em 21.02.12

A polémica acerca da falta de tolerância de ponto no Carnaval mostra várias coisas interessantes. Aquela a que acho mais piada é como, avaliando pelo que a televisão nos mostra, hoje quase não há casos urgentes nos hospitais e centros de saúde. Pelos vistos, os portugueses só têm problemas de saúde nos dias de trabalho.

 

(Donde talvez o Ministro da Saúde devesse tentar convencer o resto do governo a aumentar e não a diminuir o número de feriados. A poupança que isso permitiria...)

Águas turvas

por Teresa Ribeiro, em 21.02.12

 

Fala-se neste artigo que a maioria das estações de tratamento de águas do nosso país não faz terceira depuração do precioso líquido, porque fica caro. Em consequência há bactérias resistentes a antibióticos que passam incólumes para as redes de distribuição de águas. Imaginam como vai ser quando este sector passar para os privados?

O olhómetro

por Teresa Ribeiro, em 24.01.12

 

Neste fim-de-semana adoeci. Sempre que tal acontece procuro resolver a crise recorrendo à minha farmácia caseira e ao know-how que com o tempo ganhei no tratamento de viroses e cenas afins. Mas no domingo a tosse era tanta que decidi recorrer à Linha Saúde 24. Debalde. A senhora que me atendeu, muito simpática, recusou-se a aconselhar-me o tratamento, argumentando que eu devia ser vista por um médico. A ideia não me entusiasmava, mas percebi as suas razões. Aquela tosse persistente que me partia em duas merecia honras de auscultação, just in case.

Lá fui a um centro de saúde, destes que têm urgência ao fim-de-semana. Penei três horas. Por fim, lá tive os meus cinco minutos de protagonismo. Enquanto me queixava da minha tosse de guincho e fazia olhinhos para o estetoscópio, achei que não perdia nada  em dizer que estava ali a conselho da Linha Saúde 24: "Disseram-me que devia mesmo ser vista por um médico. Do you know what I mean?"

Fiz bem. A médica levantou os olhos do que estava a escrever desde que começara a consulta e fitou-me. A sua expressão dizia-me: "O que tu queres sei eu!" E quando se levantou na minha direcção rejubilei. Finalmente. As minhas três horas de espera não tinham sido em vão.

Mas em vez de pegar no meu objecto de desejo a senhora abeira-se de mim e pede para lhe mostrar a goela. Espreitou e fez-me saber que estava muito inflamada. Ainda bem que mo disse.

A seguir mete-me a receitinha na mão e estima as minhas melhoras. Mais nada. Três horas para me espreitar a garganta. Da receita constava paracetamol entre outras drogas que dispensam prescrição médica, o que aumentou ainda mais a minha frustração. Nem para aviar aquela receita eu precisava de ter passado pela consulta. Enfim, mas tinha sido vista por uma médica, isso ninguém podia negar. Ela viu-me e eu vi-a. Em Portugal "ver doentes" é uma expressão que pode ser tomada à letra. Cientes de que a Medicina não é um ciência exacta, os médicos portugueses, quando são mesmo bons, dispensam os meios auxiliares de diagnóstico. Estetoscópios? Raio x? Para quê se podem usar o olhómetro?

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