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Já está!

por Rui Rocha, em 04.10.15

Gostaria de referir, em todo o caso, que esta coisa do depósito do voto em urna é um método algo arcaico. Nas presidenciais, sou capaz de experimentar a cremação do boletim.

Deprimente

por Sérgio de Almeida Correia, em 16.08.15

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Não tenho por princípio ser contra ninguém por ser de direita ou de esquerda, antes mesmo de se saber o que as pessoas pensam, o que dizem, quem são, de onde vêm, para onde querem ir e por que meios. Porque é no campo das ideias e da acção que as coisas devem ser discutidas, sem preconceitos nem complexos. Do Prof. Sampaio da Nóvoa, candidato presidencial assumido e apoiado por três ex-Presidentes da República, tirando algum voluntarismo discursivo, confesso que tinha uma impressão razoavelmente boa, não querendo com isto dizer que o considerava um bom candidato presidencial. Com um bom perfil académico, uma carreira, bons princípios, possuindo alguma desenvoltura no discurso e uma bagagem cultural muito acima da média, até poderia ser um candidato aceitável e vir a dar um Presidente da República à altura das nossas necessidades e das exigências do cargo. Sampaio da Nóvoa pode ser, e será com toda a certeza pelo que tenho visto e ouvido e pelo aval que lhe é conferido por Ramalho Eanes e Jorge Sampaio, um excelente homem. Mas depois de ler a sua entrevista ao Expresso, de registar a forma pouco simpática, diria mesmo aflitiva, como se referiu a outras candidaturas na mesma área política e como fugiu às respostas que poderiam fazer a diferença, sem que eu percebesse se não respondia para não se comprometer ou se para ser politicamente correcto, o que em qualquer um dos casos seria mau, cheguei ao fim da sua leitura com uma ideia formada. É triste dizê-lo, só que a impressão razoavelmente boa que ainda poderia ter do candidato desapareceu. Esfumou-se. Mantenho a mesma impressão em relação ao homem, não tenho dificuldade em dizê-lo, mas em relação ao candidato perdi as dúvidas que ainda tivesse. Politicamente, o candidato Sampaio da Nóvoa é muito mau.

Para se sair da mediocridade em que estamos não basta ser sério, ter boa formação, preparação académica, uma carreira profissional, e chegar com as melhores intenções. A entrevista que o Prof. Sampaio da Nóvoa deu este sábado ao Expresso dá cabo de qualquer candidatura. Não sei se a culpa será só dele, se também do PS e de alguns amigos da onça que lhe vão dando gás e palmadas nas costas. Em qualquer caso, Sampaio da Nóvoa devia ser o primeiro a ver que as suas hipóteses de chegar a Belém são agora mais fracas. E, vendo isso, gerir uma saída de cena que não cause mais danos à sua pessoa. Para se ser um cidadão exemplar não é preciso fazer papel de mártir.

Nós compreendemos a aflição

por Sérgio de Almeida Correia, em 13.04.15

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(foto Rui Ochôa, Expresso)

 

Meu caro Professor Marcelo Rebelo de Sousa,

Lamento desiludi-lo, mas V. Exa., apesar de todo o seu virtuosismo, não está com sorte nenhuma. Deixe lá, essas coisas acontecem a qualquer um. Para a Académica o fim-de-semana também não correu de feição. Há noites assim e para essas temos a certeza de que o tempo, como dizia o outro, não volta para trás, pelo que agora importa, futebolisticamente falando, "corrigir os erros e levantar a cabeça".

Todos nós compreendemos que quem - não me interprete mal mas é o que me parece das suas aparições televisivas analisadas à distância -, condiciona a decisão política aos jogos de interesses clientelares, dando dela a ideia de que tudo não passa de um negócio de bastidores, rumores, boatos e meias-verdades ao sabor das conveniências e das agendas pessoais e televisivas, tenha dificuldade em definir-se e em assumir os riscos inerentes à política sem receio de fracassar.

Se o meu caro Professor quer ser Presidente da República, e é legítimo que o seja num momento tão difícil como aquele que Portugal atravessa, então avance já, não perca tempo, apresente-se aos seus concidadãos. Poderá fazê-lo em directo, na TVI, sem gastar um chavo, com garantia de audiências e o monopólio das manchetes de segunda-feira. Depois seria só cavalgar a onda. Quem nada no Tejo e nas águas do Guincho pode cavalgar qualquer Nazaré. Não espere pela definição e estabilização da galeria dos condenados. Deixe isso para os fracos e os sacristães. Essa seria a sua forma de marcar a agenda e condicionar eficazmente as escolhas de Passos Coelho. O PSD ficaria refém do seu anúncio e o Professor garantiria de imediato o apoio do seu partido. Não se acanhe. O Professor Sampaio da Nóvoa ficaria apavorado ante a perspectiva de um debate com V. Exa., com a Judite de Sousa e o Rodrigues dos Santos a moderá-lo, e eu com receio do que lhe pudesse acontecer. Quanto ao apoio do CDS-PP e de Paulo Portas, como sabe, com mais ou menos amuo, isso seria sempre negociável. Em política quase tudo é negociável: sobreiros, submarinos, vistos "gold", sondagens, computadores "Magalhães", "PPP's", barcos que metem água, comissões de inquérito, as contribuições do Jacinto Leite Capelo Rego, enfim, tudo menos a vichyssoise. Até aí compreendemos todos. Aliás, não há quem não compreenda que seja mais fácil percorrer os caminhos florentinos ao crepúsculo do que entrar e sair da corte quando o Sol está a pique.  

É claro que se não quer ser candidato, nem está disposto a avançar, deverá dizê-lo desde já. Não lhe ficaria bem andar a alimentar amores impossíveis domingo após domingo. Nenhuma dona de casa gosta disso. Um homem tem de se definir ou então que desampare a loja. Para empata já chega o inquilino de Belém. Não deixe que neste aviário em que se tornou a apresentação de candidaturas presidenciais qualquer avestruz se predisponha a chocar os ovos alheios. E deixe-me dizer-lhe que frangos e pintos para andarem a correr de um lado para outro e a conspurcar a capoeira já temos os suficientes para esta fase. Está na hora de aparecerem os galos. O Professor tem um porte e uma crista suficientemente vistosos para não se perderem nos "entretantos" daquelas entediantes conversas de salão com as tias e os tios de Cascais que só percebem de canasta e gamão.

Certamente que lhe daria imenso jeito, como ao PSD, e talvez mais a este, ter como rival numa eventual candidatura presidencial o Professor Sampaio da Nóvoa. Tudo isso nós percebemos. O que ninguém entende é que queira fazer do homem um Fernando Nobre, coisa que ele nunca será, e do PS, com o devido respeito, o partido dos animais. Isso os portugueses nunca lhe perdoariam e poderiam zangar-se com quem teve a ideia. Como também ninguém entende a sua pressa em querer que o PS defina um candidato e o apoie sem que os candidatos se definam primeiro e o PSD diga qual a sua estratégia presidencial e qual o mole que vai apoiar. 

A sua tentativa de condicionar as escolhas, que foi o que ontem quis fazer sob a capa do comentador independente, não passará disso mesmo. Uma tentativa para depois ver as reacções. Só que as presidenciais não são orais de Constitucional em que a rapaziada bronzeada se põe a atirar bolas para canto. O PS não precisa de apoiar o Professor Sampaio da Nóvoa. Não se iluda. Ao PS basta um, um único candidato, e não precisa de alternativa ao Professor Sampaio da Nóvoa porque este não é candidato [oxalá não me engane]. É uma lebre.

Porque é evidente que o meu caro Professor está farto de saber que jamais se apresentará contra um Guilherme d´Oliveira Martins. Por amizade, eu sei. Mas também porque ser cilindrado, sejamos realistas, por um homem tão discreto não seria bonito de se ver. O Professor Marcelo sabe bem, porque é um homem culto e inteligente, que a discrição é sempre mais eficaz do que o brilho dos holofotes. O brilho é transitório, apaga-se com o tempo. A discrição faz parte do carácter. É fiável. E é isto que os portugueses esperam do seu próximo Presidente da República. Fiabilidade. O Professor Marcelo sabe muito bem que, tal como na amizade, no amor ou na vida só há duas coisas que contam: a fiabilidade e a seriedade. Na política não é diferente. E também sabe que só será vencedor das presidenciais quem for fiável. Chega de feira. Pessoalmente, não tenho dúvidas de que entre dois homens (ou mulheres) igualmente sérios os portugueses escolherão quem lhes dê mais garantias. Quem seja mais fiável. E é aí que a porca torce o rabo para o seu lado.

Os portugueses já perceberam que quem canta em qualquer palco, a qualquer hora, desde que tenha um microfone e uma câmara, sendo-lhe indiferente se o faz na TVI, na Madeira, na Universidade de Verão ou em Quarteira,  por muito simpático, bem-disposto e sério que seja, não é fiável. As verdadeiras estrelas, tal como um Presidente da República que se preze, não podem estar em todo o lado ao mesmo tempo, não podem andar aos saltinhos a dar palpites e a mandar recados. Porque se desgastam. E o meu caro Professor Marcelo sabe isso tão bem quanto eu. O Professor Marcelo não é o dr. Marques Mendes para lhe andar a disputar audiências. Eu não queria estar a dizer-lhe isto, eu não sou ninguém. Eu emigrei. E habituado como estou a apreciá-lo e a vê-lo brilhar em qualquer palco desde os tempos de antanho, nunca esperei que se espalhasse ao comprido de forma tão confrangedora.

Peço-lhe desculpa,  não me contive, tinha de lhe dizer isto. Às vezes temos de fazer de Lopetegui para não fazermos de trolhas. 

Com estima e elevada consideração, subscreve-se um admirador desiludido.

E digo mais

por Rui Rocha, em 16.08.14

Numa eleição presidencial em que que os candidatos fossem Santana Lopes e Guterres, votaria contra Santana Lopes.

Não se acanhe

por Sérgio de Almeida Correia, em 24.01.14

Por mim pode reflectir o tempo que for preciso. E aconselhe-se, homem, aconselhe-se com os mesmos que o ajudaram da outra vez. Não sei quem foram mas deu para ver que eles percebiam daquilo a potes. Foi por uma unha negra. Quem sabe se ao fim de meia dúzia de tentativas, somando vários resultados "honrosos", não tem mais votos do que Cavaco Silva? O actual titular já não tem mais tentativas e nem todos têm o fôlego de Mário Soares para arriscarem uma terceira ida a votos. 


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