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Não há coincidências (1)

por Ana Vidal, em 12.04.10

 

All By Myself (1975) - Eric Carmen


O êxito desta canção foi imediato, como seria de esperar. Seguiram-se-lhe inúmeras versões, entre as quais destaco as de Shirley Bassey, Sheryl Crow e Celine Dion, que até gravou uma versão em espanhol (Sola otra vez). A princípio sem revelar a fonte de tão inspirada melodia, Eric Carmen acabou por ter de admitir o óbvio: que ela "se baseava" num dos mais populares concertos de Rachmaninov.


 

Concerto para Piano no.2/2º andamento (1901) - Sergei Rachmaninov

 

A melodia original, aqui interpretada pela pianista Lilia Zaiarna.

Não há coincidências (episódio piloto)

por Ana Vidal, em 11.04.10

 

 

 

A partir de amanhã, e com uma cadência bi-semanal, haverá mais uma série no Delito (estamos a fazer uma séria concorrência à BBC... os ingleses que se acautelem!). Decidi chamar-lhe "Não há coincidências" e tratará de plágios e semelhanças, voluntárias ou não. Não, não passarão por aqui os casos polémicos de Miguel Sousa Tavares ou de Clara Pinto Correia, para citar só dois exemplos nacionais de alegados plágios literários. Vou cingir-me à música, embora, com este título, eu comece já por plagiar o de um livro de Margarida Rebelo Pinto (ela própria em tempos acusada de auto-plágio, o que é, convenhamos, um "crime" muito menos condenável).

 

Confuso? Eu explico. Ou melhor: vou ilustrar cada caso, com a ajuda do abençoado Youtube, pedindo aos vossos doutos ouvidos um veredicto. Começarei pelos chamados compositores clássicos (estou consciente da enorme latitude do termo), os mais plagiados e os mais plagiáveis, por razões óbvias: as suas obras pertencem há muito ao domínio público (não há risco, portanto, de processos judiciais envolvendo direitos de autor) e são conhecidas por um público mais limitado (logo, são menos identificáveis) embora constituam, mesmo assim, uma espécie de matriz musical gravada no subconsciente colectivo ocidental. Acredito que a existência dessa memória inconsciente possa justificar a não intencionalidade em alguns dos casos em que as semelhanças são mais subtis, ainda que já me custe a crer que um músico não acabe por identificá-las, mais cedo ou mais tarde. Noutros casos, contudo, a sequência de notas é tão óbvia que se torna impossível acreditar na inocência de quem a "decalcou".

 

Os plágios entre músicas contemporâneas são menos comuns, embora também os haja. Alguns deles são bem conhecidos, acabando em “peixeiradas” mediáticas ou em batalhas judiciais que deixam em maus lençóis os plagiadores. Mas no melhor pano cai a nódoa. São muitos os músicos consagrados que caem na tentação de usar composições de outros, não só porque são boas como porque representam receitas de sucesso garantidas, por já estarem “no ouvido” das pessoas. Alguns citam a fonte, explicando que “se inspiraram” ou “interpretaram à sua maneira” a obra original. Outros (e são muitos) nem isso fazem, talvez na ingénua esperança de que ninguém dê por isso. Por aqui passarão uns e outros, deixando à vossa consideração distingui-los.

 

Agradeço todos os contributos que quiserem dar a esta série (se possível indicando o link para o “delito” sugerido). Todas as ajudas serão identificadas, naturalmente.


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