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texto roubado ao mural do facebook do autor

por Patrícia Reis, em 04.02.15

As Novas Cortinas de Ferro
Back to the Cold War

Tsipras espera que a promiscuidade do Syriza com a Rússia assuste Merkel. A chanceler cresceu na RDA e as ligações de um partido comunista a Moscovo podem despertar uma certa nostalgia.
A Grécia tem historial de causar tensões entre o ocidente e o leste. Foi assim no pós-Viena, na mesma década da Questão Oriental que viria a dar a Guerra da Crimeia em 1853. Os ortodoxos seduziram um czar conservador a patrocinar uma revolução, obrigando os ingleses a meter o nariz e um príncipe germânico a tomar conta.
Com a bipolaridade de final do século XX, os helénicos voltaram a obrigar o ocidente a intervir, face à influência soviética nos revolucionários de esquerda. Desta feita, os americanos em vez do Concerto Vienense.
Até quando podemos negar o reemergir da Guerra Fria?
O encontro de Alexis Tsipras com Putin, as suas posições contra as sanções económicas à invasão da Crimeia (a Crimeia outra vez...) e a sua aliança com os Gregos Independentes (a direita ortodoxa outra vez...) querem inverter o desequilíbrio comportamental de Bruxelas, que é mansa com os brutos e bruta com os mansos.
Tsipras está a dizer "Ou se deixam de coisas ou prefiro ser um satélite russo a um escravo europeu". Merkel andará descansada devido à fragilidade económica dos russos, mas num mundo que perdeu a sua bipolaridade será interessante ver como reage a China ao ver Atenas "à venda" e com vontade de mudar de senhoria e a reação dos EUA a tudo isto com um Presidente Republicano a caminho.
Gostava de saber onde é que o Sr. Fukuyama - que declara o "fim da história" quando ela se repete inevitavelmente - enfiou as ilhas de paz e o Sr. Coelho viu o conto de fadas.

 

Sebastião Bugalho, via FB, estudante, 19 anos

Uma vivência pessoal do tsunami de 2004

por João André, em 28.12.14

Faz agora dez anos estava eu a completar um ano de doutoramento e vida na Holanda. Chegada a época de Natal segui para Portugal, como de costume. Foi entre a família que ouvi falar do tsunami na Indonésia. Na altura não lhe prestei muita atenção. Um tsunami era algo que me tinha impressionado na altura da descrição do terramoto de Lisboa de 1755, mas tinha sido no passado, com construções mais fracas e limitado na destruição a uma cidade. Na forma como o imaginava com as primeiras informações disponíveis, este tsunami provavelmente seria uma tragédia para as pessoas na cidade afectada mas não mais.

 

Passadas umas horas começaram a chegar as informações que seria bastante mais grave. Muitos milhares estariam em risco. O tsunami teria atingido uma enorme frente costeira e atingido mais do que "simplesmente" a Indonésia. Com o tempo ficou claro que centenas de milhares de pessoas teriam morrido. Era uma tragédia enorme, uma das maiores alguma vez registadas. Era, no entanto, mais uma tragédia no outro lado do mundo, que me provocava pena e pouco mais. Não existia a sensação de proximidade.

 

Foi no dia 29, salvo erro, que tudo mudou. Nesse dia recebi - eu e os restantes membros do grupo de investigação - um e-mail que indicava que o Saiful, um nosso colega indonésio, tinha partido para a Indonésia em busca da família, a qual incluía a mulher e a filha de um ano de idade. Sem disso termos noção, o Saiful vinha precisamente da província de Aceh, a mais afectada pelo tsunami. Naquele momento a tragédia deixou de ser algo que tinha afectado um enorme grupo de pessoas a meio mundo de distância para afectar alguém que conhecíamos e com quem convivíamos todos os dias.

 

Depois da sua partida, não recebemos quaisquer notícias do Saiful por vários dias. Não sabíamos se teria conseguido chegar à zona afectada ou se teria encontrado os membros da família. A espera era angustiante, especialmente à medida que os vídeos iam chegando às nossas televisões.

 

Passados uns dias recebi um SMS do Saiful. Tinha pedido a um australiano para o enviar. Dizia que estava bem e que tinha encontrado a mulher e a filha e que o resto da família dele estava bem. Daria mais informações quando pudesse. Mais umas semanas e o Saiful estava finalmente de volta. Trazia a mulher e a filha e uma história de enorme sorte. A mulher e a filha tinham sido apanhadas pelas vagas, mas foram salvas por um vizinho que as puxara para a sua casa e as acolheu (bem como a muitas outras pessoas) no telhado da sua casa. O resto da família do Saiful tinha sobrevivido graças a um funeral: tinham-se deslocado ao interior do país, mais elevado, para as cerimónias fúnebres. Apenas um primo, que tinha ficado a trabalhar, tinha morrido. Perante as tragédias em volta o Saiful tinha tido bafejado pela fortuna.

 

Era no entanto uma sorte relativa. A filha ficou naturalmente traumatizada pela experiência e ficava em pânico perante ruídos súbitos ou movimentos rápidos. Quando o Saiful teve o segundo filho explicou-me que a filha acordava a gritar quando o irmão chorava à noite. Demorou vários anos a habituar-se a essas experiências e, quando o Saiful terminou o doutoramento e regressou à Indonésia para ser professor na universidade local, a filha insistia que não queria regressar. Não compreendia o porquê, mas associava instintivamente o local a algo de mau.

 

Falei recentemente com o Saiful. Tem uma vida calma e simples na Indonésia. Construiu a sua vida e ajudou a família a reconstruir as suas. A filha é agora uma criança - quase adolescente - feliz, mas que fica ainda algo carregada quando o tema passa pelo mar e ondas. Pelo que descreve, a zona onde vive é um repositório de esperança e tristeza. Um local onde o passado e o futuro convivem diariamente e o presente é apenas um ponto de passagem.

 

Não posso de forma nenhuma imaginar aquilo que as pessoas que estavam nas zonas afectadas ou lá tinham família terão sentido. Esta foi no entanto uma tragédia que, por uma vez, me afectou um pouco de forma pessoal. Isso torna-a também como menos irreal aos meus olhos.

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Sou espectador assíduo da quarta temporada de Segurança Nacional, uma das melhores séries televisivas de todos os tempos. Não só pela trama, não só pela meticulosa criação de atmosferas claustrofóbicas com tendência para se adensarem de temporada em temporada e de episódio em episódio, não só pelo desempenho dos principais intérpretes (começando pela extraordinária Claire Danes, invertendo com êxito o estereótipo de protagonista de comédias românticas a que esteve associada), mas sobretudo pelo impiedoso olhar que lança sobre este nosso tempo em que se vão diluindo elementares direitos, liberdade e garantias em nome do sacrossanto e cada vez mais difuso “interesse nacional”.

 

Bem-vindos ao admirável século XXI, onde o direito à privacidade se tornou miragem e o direito à intimidade não passa de um mito. Homeland (nome original desta série norte-americana iniciada em 2011 e por sua vez inspirada numa produção televisiva israelita, intitulada Hatufim) desvenda-nos um mundo onde toda a gente espia e é espiada em simultâneo, um mundo onde nada é tão relativo como as juras de fidelidade a uma pátria ou a uma bandeira, um mundo onde os direitos fundamentais foram exilados para uma espécie de terra de ninguém, um mundo onde uma conquista civilizacional tão relevante como a clássica separação de poderes teorizada por Montesquieu parece ter sido atirada para o caixote do lixo da História.

Um mundo bipolar, onde as sombras progridem e as luzes recuam. Tão bipolar como a protagonista, Carrie Mathison – alto quadro da CIA, especialista no combate ao terrorismo islâmico, sentinela em permanente vigilância contra as teias inimigas, militante da crença na maldade intrínseca do ser humano, persuadida de que todos os meios são lícitos para atingir os fins.

 

É uma série com uma perturbante capacidade de pôr em causa muitas das nossas convicções mais firmes – desde logo a convicção de que o progresso tecnológico é um aliado natural do destino humano. No mundo que Segurança Nacional nos desvenda, pelo contrário, a tecnologia desenvolve-se na razão inversa dos valores morais e dos parâmetros éticos estabelecidos ao longo de séculos de consenso civilizacional.

É um mundo sob o contínuo escrutínio de sinais de alarme, que comprime a liberdade em nome da segurança como se fossem esferas dicotómicas ou compartimentos estanques - e que assim se vai tornando cada vez menos livre mas afinal também cada vez mais inseguro.

E não adianta colocarmo-nos de fora, resguardados na mera condição de espectadores. De algum modo tudo isto também nos diz respeito. De algum modo cada um de nós também se encontra lá.

O Admirável Mundo Novo

por Ana Vidal, em 04.08.14

Do século XXI ao paleolítico inferior, sem passar pela casa da partida.

Foi para isto que evoluímos?

 

*(obrigada pelo empréstimo do título, caro Aldous)

Louco Mundo Louco

por Francisca Prieto, em 23.05.14

Depois de, logo pela fresca, ter dado de caras com esta notícia em que Le Pen argumenta os benefícios do ébola para resolver o problema da imigração na Europa, e de, mesmo agora, verificar aqui que a Noruega acaba de legalizar a hipótese de crianças deficientes serem abandonadas pelos pais, estou em estado de decretar que o mundo está louco.

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Ah?!!!

por Patrícia Reis, em 04.03.14

Leio no portal do Sapo: Putin candidato a Nobel da Paz.

Nem sei comentar. A perplexidade toma conta de mim e talvez seja melhor agarrar numa pastilha e dormir.

Frase internacional de 2013

por Pedro Correia, em 19.01.14

 

«Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo.»

Malala Yousafzai

 

(eleita por maioria, pelo DELITO DE OPINIÃO)

Facto internacional de 2013

por Pedro Correia, em 09.01.14

GUERRA CIVIL NA SÍRIA

A guerra civil na Síria, iniciada em 2011, atingiu em 2013 um marco estatístico nada invejável ao ultrapassar a barreira das cem mil vítimas mortais. No fim do ano, segundo dados fidedignos, estavam contabilizados cerca de 130 mil mortos neste conflito, incluindo quase 12 mil mulheres e crianças. Os confrontos que opõem os insurgentes sírios à ditadura do Presidente Bachar al-Assad, no poder desde 2000, causaram já também sete milhões de desalojados, de acordo com dados das Nações Unidas.

 

Este foi o facto internacional mais relevante do ano, eleito por larga margem aqui no DELITO DE OPINIÃO. A recente morte de Nelson Mandela foi o segundo mais votado, tendo a surpreendente resignação do Papa Bento XVI ficado na terceira posição. A eleição do Papa Francisco e o acordo Irão-Estados Unidos sobre energia nuclear também justificaram votos.

Em 2010 elegemos como facto do ano, a nível internacional, as revelações da Wikileaks e em 2011 a nossa escolha recaiu nas revoltas ocorridas no mundo árabe.

Foto AFP

A esperança em vez do medo

por Pedro Correia, em 08.12.13

 

Estes dias que se têm seguido à morte de Nelson Mandela mostraram-se muito férteis em manifestações de pesar que enaltecem o maior estadista de que há memória no continente africano, embora muitas não o façam pelo motivo mais adequado.

Sim, Mandela foi um admirável resistente a um regime iníquo. Sim, a sua tenacidade e a sua valentia são dignas de profunda admiração. Mas o que o torna superior aos demais, o que o torna realmente diferente de tantos nacionalistas africanos que também não se vergaram e resistiram à iniquidade e à opressão, aquilo que o projectará para sempre na memória colectiva das gerações vindouras é o seu exemplo ímpar de tolerância, reconciliação e diálogo num país que todas as cassandras de turno anteviam mergulhado em sangrentos conflitos étnicos e tribais.

Ao estender a mão fraterna ao inimigo de véspera, Mandela deu a todos os seus contemporâneos disseminados pelo planeta -- tenham a cor de pele, a fé religiosa ou a ideologia que tiverem -- uma extraordinária lição de dignidade humana que transcende épocas, fronteiras ou crenças. Foi uma verdadeira "fonte de inspiração", capaz de nos revelar "aquilo de que o ser humano é capaz quando é guiado pela esperança em vez do medo", como dele disse Barack Obama.

 

Retomo uma ideia já aqui muito bem expressa pela Ana Vidal: qualquer outro, no seu lugar, professaria a Lei de Talião -- o tal "olho por olho" que, como nos ensinou Gandhi, é o meio mais eficaz para tornar o mundo cego. Ele, que tinha mais razões que ninguém para impulsionar actos de vingança, apontou com rara sabedoria um rumo alternativo -- e conseguiu pô-lo em prática, não se confinando ao plano teórico -- durante cinco anos de mandato presidencial na África do Sul em que lançou os alicerces de uma sociedade verdadeiramente multirracial, congregando brancos e negros -- aqueles que agora o choram, unidos num genuíno abraço de pesar.

Um caso único de sucesso em África, o continente de todos os fracassos.

E o seu mérito não termina aí: abdicou voluntariamente do cargo supremo do país após ter cumprido um mandato presidencial, dando assim provas de um notável desapego do poder. Outro facto raríssimo em África.

 

No simples plano da convivência cívica, ao estabelecer pontes com adversários dos mais diversos matizes, Mandela soube ser grande. E único.

É tristemente irónico vê-lo agora enaltecido por todos quantos ignoram deliberadamente o seu exemplo, pregando nas colunas de opinião e no espaço público um exacerbado radicalismo, argamassado no ódio a quem pensa de maneira diferente e no desprezo pelas posições moderadas, racionais e não-extremistas.

Um pouco por toda a parte, neste mundo de múltiplas indignações plasmadas nas redes sociais, vivemos uma espécie de guerra civil de baixa intensidade. Que vê em cada palavra de bondade um sinal de fraqueza. Que faz de cada tribuna uma trincheira de rancor. Que imagina um inimigo oculto em cada divergência. Que transforma cada opinião discordante em casus belli. Que esmaga cada tese contrária com a fúria de um combatente apostado em não recolher prisioneiros nem respeitar convenções de Genebra.

 

Dizem admirar Mandela enquanto ignoram tudo quanto de essencial Mandela nos ensinou.

Na minha leitura diária dos posts do Delito detive-me neste da Patrícia. E pensei logo nesta entrevista que li hoje. É um facto que as ideias não são novas. Mas é bom que, nestes tempos em que a Economia e a sua linguagem imperam, possamos encontrar quem chame a atenção para outras formas de ver. E que lucidez, a deste autor!

Portugal e o mundo cinco anos depois

por Pedro Correia, em 12.10.13

Não sei se muita gente tem também este hábito: gosto de guardar jornais para mais tarde os confrontar com os efeitos da passagem do tempo.

Esta manhã, por coincidência, peguei num exemplar do Público datado de 12 de Outubro de 2008. Faz hoje precisamente cinco anos. E dei por mim a folheá-lo como se tivesse acabado de adquiri-lo numa banca.

A manchete situa-nos num facto concreto, no tempo e no espaço, que ainda hoje influencia -- e de que maneira -- o nosso quotidiano. Vivíamos as primeiras etapas visíveis da gravíssima crise em que permanecemos mergulhados e os políticos ensaiavam soluções de desfecho incerto. Incluindo a que surge estampada no título principal desta edição: "Europa e EUA nacionalizam bancos para sossegar bolsas".

Era um domingo, véspera de um encontro de emergência dos líderes da zona euro, a decorrer em Paris, enquanto no outro lado do Atlântico a General Motors e a Chrysler estudavam a possibilidade de uma fusão para sobreviver à pior crise do mercado automóvel em década e meia.

A ministra francesa das Finanças, uma tal de Christine Lagarde, admitia que os Estados europeus entrassem "ainda mais no capital dos bancos que se encontrem descapitalizados". Bem sabemos, à escala portuguesa, onde nos conduziu esta via, justificada para travar os cenários de colapso do sistema financeiro...

 

Não foi por falta de aviso para quem sabia interpretar os sinais dos tempos.

Na contracapa, Vasco Pulido Valente punha em causa a prioridade legislativa à agenda de costumes então muito em voga: "Na Assembleia da República, a esquerda e a direita tratam, com toda a seriedade, do casamento de homossexuais. Concordo inteiramente que a lei aprove o casamento de homossexuais. Mas, com o Ocidente à beira da falência, já para não falar de Portugal, essa não parece a prioridade do dia. (...) Talvez não fosse inútil imaginar como acabaria o País se a recessão americana (hoje inevitável) durasse, por exemplo, meia dúzia de anos; se a 'Europa' se desintegrasse ou enfraquecesse; ou se a esquerda e a direita voltassem, por força da necessidade, às nacionalizações de 1975. Compreendo que estas coisas deprimem e que, pelo contrário, o casamento de homossexuais puxa muito mais pela parlapatice."

Pulido Valente, com uma sagacidade imutável, pregava em vão. Porque Portugal parecia imune aos ventos da história. Uma investigação feita pelo jornalista Ricardo Dias Felner ao obscuro mundo das despesas do Estado feitas por ajuste directo, decorrente das alterações à lei da contratação pública, permitia concluir os mais desvairados gastos: "O gabinete de Sócrates reforçou a adega com sete mil euros em garrafas de vinho. O Ministério da Justiça comprou oito carpetes por 22 mil euros." Serviços de restauração, no âmbito de eventos camarários, equivalentes a quase 70 mil euros. Aluguer de "vários autocarros" pelo município de Gondomar: 33.250 euros. Cachê gasto pela câmara de Lagoa aos Da Weasel: 28.200 euros. Actuação de Rui Veloso a convite da autarquia de Elvas: 28.600 euros.

Especificava-se que as garrafas de vinho remetidas ao gabinete do primeiro-ministro eram da marca Quinta do Vale Meão, tinto, colheita de 2006, e destinavam-se a "oferta a entidades estrangeiras".

 

 

No estrangeiro, registava-se a morte de Joerg Haider, líder da direita nacionalista austríaca, ao volante de um veículo em excesso de velocidade. Sarah Palin, candidata à vice-presidência dos Estados Unidos por designação do republicano John McCain, enfrentava acusações de abuso de poder quando exercera funções de governadora do Alasca. O Público concedia-lhe foto a duas colunas, na primeira página. E questionava os leitores em título da página 2, dedicado à campanha eleitoral em curso nos EUA: "Abuso de poder de Palin é ferida mortal para John McCain?"

A imagem de McCain com o candidato democrata Barack Obama permite concluir que o actual inquilino da Casa Branca envelheceu bastante nestes cinco anos. McCain permanece no Senado. De Palin, estrela cadente, pouco ou nada se tem ouvido.

 

Há um anúncio de página inteira em que o Público felicita o primeiro aniversário de um jornal gratuito chamado Sexta. Vivia-se nessa época a febre dos "gratuitos", concebidos à semelhança dos folhetos de supermercado. Uma febre tão efémera quanto nefasta para o verdadeiro jornalismo.

Deste Sexta, confesso, não guardo qualquer memória. Mas a festa de aniversário deve ter sido de arromba. Embora menos dispensiosa do que a passagem de Marco Paulo, um verdadeiro artista português, pelo concelho de Lagoa, a expensas do contribuinte, pela módica quantia de 20.400 euros.

Notícias como esta, lidas à distância de cinco anos, ajudam a explicar o estado a que Portugal chegou.

 

E que mais?

Paulo Bento, na pele de técnico principal do Sporting, insurge-se contra as críticas, queixando-se da "pressão exterior", com o seguinte desabafo: "Toda a gente percebe de futebol menos o treinador". Isto enquanto o Presidente Cavaco Silva, supremo treinador do reino, evocava o "espírito" de Aljubarrota para enfrentar as "adversídades" do presente.

Cinco anos depois, há coisas que não mudam.

O mundo lá fora

por Patrícia Reis, em 23.08.13

O mundo. Lá fora. No on-line leio sobre os incêndios, leio sobre dois adolescentes que mataram um atleta, por puro gozo, leio coisas sobre as quais preferia não ler. Manoel de Barros diz que os cavalos são mais perfeitos que o mundo. Os livros são uma cápsula protectora. O mundo? Está lá fora.

Tempo de incertezas

por Pedro Correia, em 05.07.13

 

Alguns nostálgicos do Egipto de Mubarak garantem em blogues que os problemas actuais naquele país se devem à deposição do ditador, em Fevereiro de 2011. É tão absurdo afirmar isto como sustentar que o PREC foi consequência da cadeira mal armada onde Salazar se sentou numa manhã de Agosto de 1968, no forte de Santo António. Não explica nada, não justifica nada, não projecta a menor luz sobre o problema, mas alivia algumas consciências que sentem a irresistível tentação de prever sempre o pior para depois poderem proclamar que tinham razão. Seria mais fácil seguirem a velha fórmula de Vasco Pulido Valente: "O mundo está perigoso." De alguma forma acertavam sempre.

Estas Cassandras sentem a nostalgia de um mundo arrumadinho e cheio de etiquetas, onde era fácil traçar diagnósticos e fazer previsões. Um mundo sem redes sociais, sem internet, sem globalização, sem a "voz da rua" a propagar-se de continente em continente. Um mundo de fronteiras esbatidas, onde o indignado de Teerão pode ser cúmplice do indignado de São Paulo, a multidão tronitruante em Alexandria provoca ecos em Barcelona e os protestos em Istambul se escutam em tempo real em todas as latitudes.

A única certeza que temos é a de vivermos num tempo de incertezas. Gostaria de vaticinar que destes anos tumultuosos que vamos testemunhando sairá um mundo mais livre. A isso me induz a comparação entre 2013 e 1913: o ser humano aumentou em décadas a esperança de vida, foram debeladas doenças epidémicas, a maioria dos habitantes do planeta vive hoje em países democráticos, as generalizadas sombras da guerra deram lugar a inúmeras peregrinações pela paz.

Mas sei bem que a história é feita de linhas sinuosas, não de rectas. Os amanhãs não cantam - talvez até chorem. Devemos estar sempre preparados para o pior.

Depois não digam que não avisei.

 

Imagem: multidão em protesto na praça Tahrir, no Cairo (Foto Reuters, 29 de Junho)

 

Brasil e o resto

por jpt, em 24.06.13

 

Leio agora muito menos (em) blogs do que há anos atrás. Por isso qualquer minha tentativa de metabloguismo será muito coxa. Mas ainda assim ... Este fim-de-semana usei as ligações aqui no Delito de Opinião (e também o método da "bola de neve") para procurar no bloguismo português informações e opiniões sobre a situação brasileira e também sobre a já mais recuada notícia da vasculha, muito Huxley/Orwell, que o governo americano vem realizando. Sobre o Brasil notei dois consistentes textos de Francisco José Viegas "Brasil, o princípio do fim do embuste" e "Brasil, notas avulsas, 1". E nada mais que seja relevante. 

 

Sintomático também o silêncio substantivo dos blogs portugueses mais à esquerda sobre os assuntos. Habitualmente pressurosos, e até frenéticos, no acompanhamento entusiástico de qualquer "indignismo" internacional, a enorme agitação popular no "país irmão" passa relativamente despercebida. Porque cabe mal na topologia habitual? Risca o brilho das solidariedades ou o peso das argumentações havidas? Silêncio também sobre a histriónica vigilância nos EUA. Mais sintomático ainda, pois nos últimos anos o olhar e o teclar sobre os EUA foi constante, em muito mimetizando a antítese democratas-republicanos, óbvio sinal da crise dos marxismos europeus (e também do pensamento de direita). Se o "bushismo" alastou na blogo-ala liberal (ainda que Bush não tivesse sido um liberal) o "obamismo" foi um devaneio socialista-bloquista constante. Agora o silêncio. Estou certo que se Obama não fosse mulato, apenas um branco, os blogo-bramidos ouvir-se-iam. É o racismo, "positivo", se quiserem, mas racista. Mas não só. É mesmo o poço ideológico. 

 

Conviria lembrar isto diante de tantas certezas que vão sendo apontadas sobre tantos outros assuntos, mais ou menos "indignistas". Tão encastradas costumam ser.

Margaret Thatcher: as ideias contam

por Pedro Correia, em 17.04.13

 

«She redefined leadership.»

Editorial do Financial Times, 9 de Abril

  

Ao fazer o elogio fúnebre de Margaret Thatcher na Câmara dos Comuns, com uma elegância perante os adversários políticos em que os britânicos são exímios, o líder trabalhista Ed Miliband prestou-lhe o maior dos tributos ao declarar: «As ideias contam.»

De facto, em política as ideias contam. E Margaret Thatcher nunca as ocultou. Os eleitores que lhe deram três grandes vitórias eleitorais sabiam em quem votavam e as consequências do seu voto. Foi precursora da globalização ao advogar a liberdade dos mercados. Vitoriosa na Guerra Fria, contribuiu para a derrocada do "socialismo real". Influente na Europa, recusou com firmeza as políticas federalistas, incluindo a moeda única.

Sim, ela pôs as ideias em primeiro lugar. Ela pertencia a um tempo em que a política precedia tudo o resto na acção governativa, em que havia escolhas claras nas urnas - um tempo de esquerda e direita que se combatiam com frontalidade e lealdade, não a direita liofilizada e a esquerda descafeinada que surgiram depois, quase gémeas siamesas, cada qual copiando o projecto da outra ao ponto de quase se confundirem.

  

 

Thatcher, primeira mulher a ascender à chefia de um Executivo na Europa, ultrapassando em longevidade governativa todos os restantes primeiros-ministros britânicos no século XX, era inconfundível com qualquer dos adversários trabalhistas que defrontou nas urnas - James Callaghan em 1979, Michael Foot em 1983 e Neil Kinnock em 1987. Chegou ao poder em Maio de 1979, com 53 anos, dizendo claramente ao que vinha: devolver ao Reino Unido (a que ela chama sempre Britain, com entoação orgulhosa) a prosperidade económica e o prestígio internacional entretanto perdidos, combater a influência soviética no mundo e reforçar a parceria atlântica com os Estados Unidos, evitando a sujeição do seu país ao federalismo europeu e àquilo a que designava desdenhosamente de "burocracia de Bruxelas".

 

Houve sombras no seu mandato, como sempre sucede em mandatos longos. Os adversários acusaram-na de insensibilidade social - e muitas vezes tinham razão. Foi incapaz de solucionar o bloqueio político na Irlanda do Norte - e ainda hoje causa perplexidade a forma impiedosa como deixou morrer na prisão alguns grevistas de fome que militavam no IRA, incluindo Bobby Sands. Não faltou, dentro das próprias fileiras conservadoras, quem a criticasse por ser arrogante - e nada podia estar mais certo. 

Já aos dez anos, ao vencer um concurso de poesia na escola, a pequena Maggie revelava essa faceta da sua personalidade: ao entregar-lhe o prémio, a professora elogiou-a por ser uma miúda "com sorte". Réplica imediata da visada: "Eu não tive sorte. Eu mereci este prémio." Mais tarde, aos seus compatriotas, nunca se cansou de referir que nada se alcança sem esforço.

 

  

No essencial, Margaret Hilda Roberts Thatcher, cujo funeral decorreu esta manhã com honras de Estado em Londres, teve razão. Contra a esquerda sua contemporânea, que demasiadas vezes a contestou por razões erradas e viria a adoptar boa parte do seu legado.

Teve razão ao fazer recuar as fronteiras de um Estado ineficaz e tentacular, que mergulhara o Reino Unido num longo Inverno recessivo, abrindo espaço à iniciativa privada. 

Teve razão ao recusar manter o aparelho estatal como motor da economia, pondo fim ao ciclo inflacionista que conduzira o país à ruína económica e transformando Londres num baluarte do sistema financeiro internacional. 

Teve razão ao combater com tenacidade os velhos dinossauros comunistas na Europa de Leste enquanto encorajava a acção reformista de Gorbatchov em Moscovo, dizendo ao mundo que ele era um homem com quem se podia "trabalhar": sem a sua firmeza diplomática, talvez o Muro de Berlim não tivesse caído tão cedo. 

Teve razão ao insurgir-se contra o centralismo de Bruxelas, ao recusar a diluição da libra esterlina no sistema monetário europeu e ao lançar repetidos alertas contra a Europa federal, em defesa do Estado-nação: o pesadelo em que se transformou a União Europeia dirigida por burocratas sem visão política acabou por dar razão às suas advertências. 

Teve razão ainda ao defender com firmeza a soberania britânica nas Malvinas, correspondendo ao desejo quase unânime dos habitantes do arquipélago, e ao enfrentar a política de canhoneira do general Galtieri, na altura apoiada por muitas vozes "progressistas" na Europa em nome do anticolonialismo. A vitória militar britânica no Atlântico Sul permitiu que a Argentina se libertasse enfim daquela que foi provavelmente a mais repugnante de todas as ditaduras militares da América do Sul. 

 

 Raros políticos emprestaram o seu nome ao vocabulário comum. Aconteceu com Margaret Thatcher: o thatcherismo foi um vocábulo que entrou no dicionário. Definindo, no essencial, um conceito que alarga as fronteiras da liberdade: também aqui ela esteve no lado certo. "Não pode haver liberdade sem liberdade económica", declarou num dos seus discursos esta filha de um merceeiro de província que na infância morou numa casa sem WC interno nem água corrente. 

"Ela transformou toda a economia britânica do lado da oferta", observou Patrick Minford, professor de Economia em Cardiff. Quando Thatcher deixou Downing Street em Novembro de 1990, empurrada pelos barões do seu partido e não pelos eleitores, o número de accionistas privados no país subira de 3 para 12 milhões e a inflação caíra de 22% para 4%. O crescimento anual médio do Reino Unido, nesses 11 anos, foi de 2,3% - o aumento real do PIB cifrou-se em 4% em 1986, 4,6% em 1987 e 5% em 1988. "Entre 1980 e 2000, registou-se o primeiro período em que o PIB per capita do Reino Unido cresceu mais do que em qualquer outra grande economia europeia desde o século XIX", sublinhava há dias Martin Wolf no Financial Times

Escolhas políticas claras somadas ao sucesso económico: não admira que o prestigiado The Times tenha votado nela como a quinta melhor chefe do Governo britânico, entre 50, desde o século XVIII (logo atrás de Churchill, Lloyd George, Gladstone e William Pitt). Quando chegou ao poder, o Reino Unido vivia mergulhado na decadência social e na asfixia económica. Com ela, recuperou a sua voz autorizada e prestigiada na cena política internacional. 

 

"Ela será sempre para nós, polacos, um ícone do mundo livre e da luta pela liberdade", disse o eurodeputado polaco Jacek Saryusz-Wolski em declarações difundidas pela Euronews neste dia em que o funeral da antiga Dama de Ferro decorreu na presença de representantes de 170 países e com 1200 jornalistas credenciados para esse efeito em Londres. 

Um dos seus adversários políticos, o ex-primeiro-ministro trabalhista Tony Blair (1997-2007), foi um dos primeiros a prestar-lhe homenagem com estas palavras divulgadas mal foi conhecida a morte da sua antecessora, a 8 de Abril: "Muito poucos líderes conseguem mudar não só o panorama político do seu país mas do próprio mundo. Margaret Thatcher foi um desses líderes. E algumas das mudanças que introduziu na Grã-Bretanha foram, pelo menos em certas áreas, mantidas pelo Governo trabalhista a partir de 1997 e foram adoptadas por governos de todo o mundo." 

Não por acaso, quando certa vez perguntaram à mulher que derrubou Galtieri qual havia sido a maior marca do seu mandato, ela respondeu com humor tipicamente britânico: "Tony Blair." 

As ideias contam, afinal.

Publicado também aqui

O passado não regressa

por Pedro Correia, em 09.04.13

 

É impossível usufruirmos do melhor de dois mundos. Não há benefícios sem sacrifícios.

Do qual estamos afinal, nós, europeus, dispostos a abdicar?

Não podemos fechar as fronteiras nem travar a torrente globalizadora.
Já não vivemos no tempo dos amplos mercados coloniais, nem das matérias-primas a desaguar na Europa a baixos preços, nem da natalidade elevadíssima, nem dos níveis de crescimento económico superiores a 5% que fizeram do nosso continente o que é, nas três décadas posteriores ao pós-guerra, e permitiram que o Estado-providência se tornasse no que se tornou.

Temos graves problemas estruturais numa zona euro mergulhada em recessão. Enquanto outras parte do globo crescem.

O Plano Marshall é irrepetível. E, se o não fosse, apontaria noutras direcções. Porque a guerra na Europa terminou há 68 anos.


De que parcela deste Estado-providência estamos dispostos a abdicar?

Que nível fiscal estamos dispostos a suportar?

Aceitaremos a redução das pensões de reforma para adequar os pagamentos ao nível de contribuições existente quebrando um pacto intergeracional devido às novas imposições da demografia? Ou, em alternativa, deverão cada vez menos cidadãos suportar contribuições cada vez maiores?
E estas perguntas não são retóricas. São cruciais. Iludi-las não nos conduzirá a lado nenhum. Ou antes: conduzirá ao progressivo definhamento da Europa, que vista de outras paragens parece uma senhora parada no tempo, alimentando-se da difusa nostalgia de um passado que não regressa.

Uma espécie de Gloria Swanson em Sunset Boulevard.

O sarilho da Coreia do Norte.

por Luís Menezes Leitão, em 11.03.13

 

Multiplicam-se cada vez mais os sinais de que pode estar iminente um ataque nuclear da Coreia do Norte aos seus vizinhos do Sul. A Coreia do Norte, de quem o deputado Bernardino Soares uma vez disse que tinha dúvidas que não fosse uma democracia, é um país que consegue escapar a toda a lógica nas relações internacionais. Em primeiro lugar, a guerra da Coreia foi a única vez em que as Nações Unidas — em virtude da ausência do delegado soviético — conseguiram determinar o envio de forças próprias para combater na península, já que em ocasiões posteriores limitaram-se a autorizar o uso da força por Estados Membros. Paradoxalmente tal levou a que as Nações Unidas nunca tivessem conseguido ser vistas como árbitro pelo regime norte-coreano, que considera todas as suas resoluções como declarações de guerra.

 

A guerra da Coreia terminou de forma ambígua. Depois de MacArthur ter conseguido uma reviravolta extraordinária, que o levou mesmo a tomar Piongyang, a entrada da China no conflito obrigou-o a recuar novamente até ao paralelo 38. A sua proposta de iniciar um conflito nuclear com a China, que inevitavelmente se estenderia à União Soviética, acarretou, porém, a sua demissão, tendo então Truman formulado a doutrina que durou toda a guerra fria: as grandes potências não atacariam directamente as outras potências, travando a guerra em palcos limitados. Tivemos assim sucessivas guerras ao domicílio, como o Vietname, Angola ou o Afeganistão.

 

O fim da guerra fria e a proliferação nuclear alteraram os dados do problema. Juntamente outros países, como Israel, Índia e Paquistão, a Coreia do Norte acedeu ao clube nuclear, permitindo-se fazer exercícios de lançamento de mísseis ao mesmo tempo que os Estados Unidos proclamavam existir armas de destruição maciça no Iraque. E como lá não há petróleo, mas apenas uma monarquia de fanáticos, é bem previsível que as coisas dêem para o torto. Mergulhado numa crise económica sem precedentes, não faltava mais nada ao Ocidente do que este novo sarilho. 

 

Amanhã vão crucificar um homem

por Teresa Ribeiro, em 05.03.13

A crucificação ainda se pratica. Vai ser amanhã, na Arábia Saudita. O infeliz contemplado é um jovem que há uns anos liderou um gang de adolescentes que assaltou umas joalharias. Teve primeiro que crescer até à idade adulta na prisão, que os sauditas são muito escrupulosos e não crucificam menores. Aos seus companheiros de infortúnio foi aplicada uma pena mais branda: serão decapitados com uma espada.

O que podemos fazer? Ao menos divulgá-lo. E expressar o nojo que nos merecem as civilizações que desprezam a nossa mas se aproveitam dela. Cujos líderes adoram a nossa tecnologia, mas descartam os valores que evoluíram com ela, condenando a sua gente a viver na Idade Média. Se gostam tanto dessa pureza abdiquem dos aviões, dos automóveis e da Internet. Desprezem-nos mas em tudo. Dividam as águas, arredem pé deste nosso patamar civilizacional e comprem com o dinheiro do petróleo muitos camelos, tendas e tapetes.

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Uma boa notícia

por Ana Vidal, em 23.01.13

 

Quase um ano depois do suicídio de uma adolescente que tinha sido forçada a casar com o homem que a violou, o Governo marroquino anunciou que vai alterar o Código Penal para proibir uma prática tradicional que continua a ser aceite pelos tribunais.

 

Perturbada com a história dramática de Amina Filali, sobre esta lei aberrante escrevi isto no Delito, há quase um ano. Graças à intervenção incansável dos activistas dos direitos humanos em Marrocos e às inúmeras manifestações internacionais de indignação perante esta prática legal, a lei vai, finalmente, ser revista. É pouco, dir-me-ão. Claro que é pouco: os abusos sobre mulheres nos países árabes não se limitam a esta situação, há um mundo de direitos fundamentais que ainda lhes são negados. Mas é um princípio, e saúdo o rastilho que há-de atear o fogo. O mundo está em mudança, e acredito que não terá sido por acaso que o ministério para o Desenvolvimento Social de Marrocos foi entregue a uma mulher.

Anda, vem lá.

por Gui Abreu de Lima, em 06.01.13


Insistia. Se eu fosse, não teria que caminhar calado e sozinho. Nem de olhar para o mundo, no esforço de se incluir nele. Mas para que visse só o mundo, não fui. Se eu fosse, seríamos dois separados dele.


foto Gui Mohallem

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