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Playboy volta a ter fotografias de mulheres nuas.

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Numa parede do Porto.

 

Na série britânica Love, Nina, adaptação de Nick Hornby de um livro de memórias de Nina Stibbe, há um momento em que alguém pinta desenhos obscenos nos passeios do bairro onde decorre a acção. Várias personagens reúnem-se em torno de um deles e debatem identidade e possíveis motivações do autor. George, a editora literária a que Helena Bonham Carter dá corpo, defende que, obviamente, terá sido um homem, porque as mulheres não andam por aí a fazer desenhos no pavimento; pelo menos, acrescenta, não em número estatisticamente relevante.

Olho para a frase acima e pergunto-me se George estaria certa - e, nesse caso, que diabo se passa na cabeça de um homem capaz de a escrever.

Claro que Love, Nina decorre no início da década de 1980. Talvez hoje em dia mais mulheres pintem coisas no chão e nas paredes. Não daria um grande sinal do rumo da evolução feminina (há actos tipicamente masculinos que, podendo remeter para instintos antigos de marcação do território, são hoje apenas estúpidos) nem faria com que esta mensagem ficasse aceitável, mas sempre a tornaria um pouco menos ilógica.

O comentário da semana

por Pedro Correia, em 06.11.16

«Estudos que se têm feito recentemente mostram que as mulheres teriam mais tendência à poligamia do que os homens, se aquela lhes fosse permitida. Costumam ser as mulheres que mais depressa se cansam de sexo só com um parceiro, pode ser essa a razão por que muitas mulheres inventam mil desculpas na cama (a dor de cabeça e assim). Não se trata de não gostar de sexo, mas de não gostar de sexo sempre com o mesmo homem. Vem de tempos remotos, em que as fêmeas procuravam os melhores machos para acasalarem e a variedade assegurava melhor descendência. Isto, claro, é ainda um assunto tabu. A sociedade é machista, mas numa coisa dou-lhe razão: as mulheres cooperam (como cooperaram estas duas senhoras). Não porque gostem, mas porque assim foram educadas. Isto aplica-se igualmente às sociedades islamitas.»

 

Da nossa leitora Cristina Torrão. A propósito deste texto da Helena Sacadura Cabral.

As vantagens de ser mulher

por Inês Pedrosa, em 30.08.16

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Muito bem, Sr. Presidente

por Ana Vidal, em 08.06.16

Na primeira prova de fogo (embora, na verdade, seja ainda um lume brando em relação ao que aí virá) e depois do alegre trolaró sem grandes compromissos em que tem andado até agora, Marcelo Rebelo de Sousa surpreende-me pela positiva. Passo por cima da lei das 35 horas de trabalho, sobre a qual não tenho ainda opinião formada que possa fundamentar como tal, e refiro-me apenas às decisões em relação às leis que dizem respeito (não só, mas sobretudo) às mulheres:

1. A promulgação da PMA, permitindo o seu acesso a TODAS as mulheres sem distinção nem discriminação de qualquer tipo, garante finalmente uma real igualdade de direitos, mais do que justa.

2. O veto da gestação de substituição, vulgo "barrigas de aluguer", é um prudente e escrupuloso travão à precipitação de aprovar a abertura de uma quase certa caixa de Pandora, sem a garantia de todas as devidas (e possíveis) salvaguardas que atenuem consequências dramáticas para os envolvidos nesta prática. Uma matéria desta complexidade e delicadeza não pode ser aprovada à pressa, só porque o mimado Bloco de Esquerda quer impor ao governo uma agenda que é a sua.


Mas não é por Marcelo ter feito exactamente o que eu faria no seu lugar que eu digo que ele me surpreende pela positiva. É por ter decidido claramente acima da sua opinião pessoal sobre estas matérias, porque tenho quase a certeza de que não concorda com nenhuma delas.

O comentário da semana

por Pedro Correia, em 01.06.16

«"Pessoalmente não gosto de quotas." Eu também não. É um paternalismo terrível para as mulheres que eu dispenso. O pior com as quotas é que nunca se sabe se uma mulher está numa posição importante (e sublinho esta palavra porque para posições não importantes nenhuma feminista reivindica nada) devido ao mérito ou às quotas. As coisas têm de ser conquistadas por nós e não concedidas às atrasadinhas. É claro que muitas mulheres defendem as quotas porque isso as favorece para alcançarem certas posições.»

Da nossa leitora Antónia Cunha. A propósito deste texto da Helena Sacadura Cabral.

Iguais, mas ainda pouco...

por Helena Sacadura Cabral, em 25.05.16

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Há mulheres no Governo, na banca, na bolsa e, dentro de pouco tempo, até no Banco de Portugal, onde há muitos anos Manuela Morgado foi novidade.

De facto, não há nenhuma mulher a presidir a uma empresa do PSI 20, o principal índice bolsista.

Segundo o Jornal de Negócios, as empresas cotadas em bolsa terão de ter pelo menos 20% dos administradores do sexo feminino até 1 de janeiro de 2018. Caso contrário, serão castigadas com a suspensão dos títulos.

A proposta, que hoje vai ser apresentada pelo Governo à Concertação Social, contempla o aumento desse número para 33% até 2020. Se a meta for cumprida, um em cada três administradores das cotadas será uma mulher, na viragem da década.

O destaque continua a ir para a Nos, queconta com cinco mulheres na administração (embora apenas uma, Ana Paula Marques, seja executiva), e para a Galp, cuja vice-presidência (não executiva) está entregue a Paula Amorim, filha do maior acionista da empresa.

A última empresa cotada liderada no feminino foi a EDP Renováveis, até 2012, tendo como presidente Ana Maria Fernandes.

No próximo ano, a meta a atingir é de 33%. A cumprir-se o objetivo, teremos em 2017 uma mulher em cada três dirigentes do Estado, contra as atuais uma em cada quatro.

 

                        ( Retirado da comunicação social )

 

A matéria discute-se há muito tempo. E até  se legisla. Mas poucos cumprem.

Pessoalmente não gosto de quotas, porque elas ainda constituem discriminação positiva e eu não gosto de discriminações. Mal vamos nós, mulheres, enquanto elas forem necessárias...

Sondagem às Virgens Marias de Empréstimo

por Inês Pedrosa, em 14.05.16

Quem estiver disposta a suportar uma gravidez e um parto de uma criança considerada alheia e que lhe será retirada ao nascer, ponha o dedo no ar.

Meia-idade

por José António Abreu, em 11.03.16

No que me diz respeito, chegar perto dos cinquenta e começar a apreciar raparigas com idade para serem minhas filhas gera uma perturbação não mais do que ligeira. Pior é perceber que algumas delas são filhas de amigas e/ou colegas que fizeram - e, em muitos casos, ainda fazem - parte das minhas fantasias.

Sexo, mentiras e 'selfies'

por Pedro Correia, em 29.02.16

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 Jeanne Moreau: «sexualidade enigmática e brilhante»

 

«Sinto-me muito feliz por ter feito parte de uma geração que assistiu à revolução do cinema europeu com estrelas como Jeanne Moreau e Catherine Deneuve, que carregavam uma sexualidade enigmática e brilhante, tão superiores ao período americano de Doris Day ou Debbie Reynolds. Fui confrontada com um olhar sofisticado sobre a sexualidade e sobre a sensualidade. Tudo isso desapareceu. Os filmes de hoje já não mostram sexo com algum tipo de mistério e química. As mulheres vestem-se como babydolls e Barbies. A imaginação sexual perdeu-se, morreu mesmo, pelo menos na América. Por alguma razão hoje em dia o sexo está em todo o lado mas tornou-se fastidioso. Acho que o útlimo filme com verdadeiro potencial sexual foi Instinto Fatal, com a Sharon Stone, em 1992.»

 

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 Angelina Jolie «com os ossos todos à mostra»

 

«Olhem para a Angelina Jolie hoje. É uma chatice. Quando começou a carreira parecia que iria ser uma grande figura do ponto de vista da cultura popular, fez grandes papéis, era dinâmica, sexy e fabulosa. O que lhe aconteceu? Está cheia dela própria com esta carreira humanitária. Parece uma anoréctica, com os ossos todos à mostra e sem qualquer potência sexual. Deixou de ser a grande estrela sexy que poderia ter ido longe. É uma tragédia. É o espelho do que aconteceu à nossa cultura.»

 

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 Taylor Swift: «uma espécie de Barbie»

 

«Desprezo completamente Taylor Swift. É uma fraude, uma espécie de Barbie, mas muito fashion. Se não fosse assim não tinha toda a prole de raparigas atrás ou contra ela. Só ganhou o Grammy porque o disco foi um sucesso comercial. O que ela faz é música de pastilha elástica, doces para miúdas adolescentes.»

 

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  «Esta cultura da selfie é aberrante»

 

«Os jovens estão interessados em redes sociais. Para mim, o Facebook e o Twitter, coisas que não utilizo, são os grandes culpados da situação a que chegámos. Os jovens só comunicam por mensagens. Felizmente há o Instagram, onde se podem expressar em termos artísticos. Mas esta cultura da selfie é aberrante. (...) E o mais grave é que todas as fotografias que se tiram, mesmo as que possam ter valor artístico, são mostradas apenas aos amigos. Não há a noção de que um artista, que pode começar pelo Instagram, se dirija ao grande público, que faça verdadeiras declarações públicas daquilo que tem para dizer. Considero que a cultura ocidental está num nível muito baixo, é um deserto, é estéril.»

 

Camille Paglia, numa excelente entrevista à revista E, do Expresso, conduzida por Alexandra Carita. Uma das melhores entrevistas que tenho lido na imprensa portuguesa.

Estudo conclui: não há mulheres heterossexuais.

Caramba, já nem disfarçam...

por José António Abreu, em 25.09.15

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 Cada vez mais relegados para segundo plano.

Quer dizer então que estavam mesmo convencidos que Deus criou Eva a partir de uma costela de Adão? Ihihih! Onde é que já se viu? Desculpem lá, mas quem é que acredita numa história dessas? Duma costela... Ele há com cada um. Crendices é o que é! Mas pronto. O que importa agora é que fiquem informados sobre o que realmente aconteceu.

No país dos brandos costumes

por Ana Vidal, em 11.07.15

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Algumas notas minhas, à margem deste artigo que subscrevo.


1. Fiquei genuinamente espantada (chamem-me naif, devo sê-lo) por constatar que a cabeça nua de Laura Ferreira teve, da parte da esmagadora maioria das pessoas, uma leitura política. Prova-o um facto incontestável: salvo raras excepções, quem é de direita aplaudiu o gesto, quem é de esquerda criticou-o. Onde eu vi apenas uma mensagem pessoal, simples e corajosa, dirigida às mulheres que passam por este calvário tão comum, como quem diz "Uma mulher não deixa de ser inteira por não ter cabelo", muita gente viu um frete eleitoralista, um apelo à piedade ou à simpatia política, ou simplesmente a exibição de uma intimidade incómoda que deve permanecer escondida, sobretudo quando se trata de uma figura pública.


2. Presumir que Laura Ferreira se sujeitaria a este grau de exposição pessoal (e à violência dos comentários que se lhe seguiram, que ela, mais calejada nestas coisas do que eu, provavelmente previu) por outros motivos que não uma decisão pessoal, é duplamente ofensivo. Por um lado, é negar-lhe o direito a vontade, agenda e intenções próprias, fazendo dela um mero fantoche do marido. Por outro, é atirar-lhe à cara que não tem o amor e o respeito dele, se assim oferece à turba, implacável e com as piores intenções, a sua pretensa fragilidade, sem que ela sequer se aperceba disso. Ou, pior ainda, percebendo a marosca mas aceitando o papel, submissa e acéfala. Ou seja, é chamar-lhe imbecil e/ou conivente. Em qualquer dos casos, feitas as contas, tudo isto é profundamente machista. Diz-se-lhe que fique em casa, quietinha e discreta como costumava ser, pelo menos até estar apresentável outra vez.


3. Se as medidas de austeridade impostas por Passos Coelho chegaram ao extremo de negar tratamentos eficazes a doentes oncológicos porque são caros, grite-se bem alto esse atropelo ao direito dos cidadãos portugueses à dignidade e aos cuidados de saúde. Exija-se o recuo, a mudança. Mas não se misture tudo numa açorda de ódio que acaba por ter como alvo uma mulher que é, ela própria, uma doente oncológica. A frustração leva muitas vezes as pessoas a limites de crueldade, caindo nos mesmos erros que apontam aos outros. Muitos dos comentários críticos que li nas redes sociais são de uma violência sub-humana.

De cabeça erguida

por Leonor Barros, em 10.07.15

Tenho andado aqui a digerir a polémica em torno do aparecimento da mulher de Passos Coelho sem cabelo e sem peruca num evento oficial. Confesso que a minha primeira reacção foi 'caramba, mas ela não podia ser mais discreta? Há alguma necessidade de se expor desta maneira?' Depois disto, recolhi-me no meu canto, ouvi opiniões sem fim, que como se sabe somos muito opinadores, e comecei a pensar que o desconforto era mais meu, meu apenas pelo horror que sempre me provocam estas situações. Infelizmente não faço parte daquele leque de pessoas preparadas a priori para lidar com a doença e a degradação e sei bem como se morre de cancro, sem essa história ridícula de chamar a todos guerreiros. Cada um luta como sabe e pode. Acredito piamente que todos lutarão enquanto souberem que vale a pena e que sentirão quando chegou o momento de descansar, não de desistir. Descansar. Não vejo razão por que a mulher do PM se há-de cobrir. Tem cancro. Assumiu. Não tem de ficar em casa para nos poupar ao desconforto e não tem de usar peruca pela mesma razão. A vida é o que é.Tiro-lhe o chapéu pela coragem, isso eu sei, porque se tal me acontecesse/acontecer duvido que deixasse que alguém em público me visse careca. 

Uma Senhora

por Pedro Correia, em 07.07.15

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Maria Barroso com Augusto Figueiredo na peça Benilde ou a Virgem Mãe (Teatro Nacional, (1947)

 

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não

Sophia de Mello Breyner Andresen

 

Há pessoas assim: capazes de nos cativar com um sorriso bondoso, uma palavra certeira, um olhar meigo, um gesto sereno, um tom de voz pausado. Maria de Jesus Simões Barroso Soares - Maria Barroso, como todos os portugueses a conheciam - tinha todos os atributos que enunciei. E vários outros - desde logo uma extraordinária coragem moral que a fez enfrentar todas as vicissitudes desde muito jovem. Franzina de corpo, mas com uma enorme fortaleza de espírito, enfrentou os esbirros da ditadura com uma inteireza arrepiante num tempo em que tudo apelava à demissão cívica. Por motivos de perseguição política, foi expurgada do chamado Teatro Nacional - uma página vergonhosa na nobre Casa de Garrett - e viu-se forçada a passar ao lado de uma carreira de actriz para a qual sentia genuína vocação.

Renunciou a muita coisa, mas nunca aos valores em que acreditava. Sem nunca assumir pose virtuosa, gesto próprio dos fariseus - "túmulos caiados", na expressão bíblica que Sophia transpôs para um dos seus mais arrebatadores poemas.

 

Maria Barroso dizia poesia com uma dicção perfeita, reforçada com uma nota emotiva bem reveladora do seu carácter. Na noite mais escura, ela soube dizer a palavra não. E quando outra ditadura, de sinal contrário, pairou sobre o Portugal revolucionário, lá estava ela novamente, no lado certo. Em defesa da liberdade, por um país onde mais ninguém fosse vítima de poderes arbitrários, contra qualquer delito de opinião.

Alguns chamam-lhe agora, nesta hora em que partiu, "antiga primeira dama". Detestável expressão, decalcada dos Estados Unidos, subentendendo uma relação de subalternidade em relação a Mário Soares, seu marido durante 66 anos. Nada mais inapropriado do que este rótulo jornalístico de importação. Como se Maria Barroso não fosse uma pessoa autónoma - nas ideias, nas convicções, no estilo, na atitude - para além dos laços de ternura solidificados por décadas de convívio com o homem que amou.

 

Vi-a muitas vezes, até há pouco tempo, nos locais mais inesperados. Olhando com atenção as novidades editoriais na Livraria Barata, saindo com uma amiga de uma sessão vespertina de cinema no Alvalade, encaminhando-se para a missa na "sua" igreja do Campo Grande. Nunca deixei de sentir admiração por ela, tal como - tenho a certeza - acontece com a esmagadora maioria dos portugueses. Quase como se fosse uma pessoa da nossa própria família, o que nos gera um íntimo sentimento de luto desde o início desta manhã, quando foi conhecida a notícia da sua morte. Que nem por já ser aguardada deixa de ser menos comovente.

 

Era sofisticada e simples, elegante sem sombra de presunção, lutadora convicta sem uma palavra de ódio dirigida aos seres menores que soube enfrentar com dignidade nas circunstâncias mais difíceis.

Uma Senhora.

 

Leitura complementar: a última entrevista de Maria Barroso. A Luís Osório, no jornal i.

Um mau serviço ao feminismo

por José Maria Gui Pimentel, em 10.06.15

O programa Barca do Inferno surgiu no outono  passado com o objectivo louvável de interromper a monotonia machista no comentário político em Portugal. Infelizmente, acabou por ter o efeito inverso, num equilíbrio progressivamente cada vez mais insustentável, que culminou com a saída de Manuela Moura Guedes, esta semana. 

O primeiro episódio foi -- perdoem-me  a franqueza -- dos melhores momentos de humor em televisão nos últimos anos. Três das quatro participantes no painel sentiam visivelmente o peso do desafio, e nem por um momento deixavam penetrar um grama de trivialidade nas respectivas declarações. Completamente descompassada, Marta Gautier -- cuja presença no programa é incompreensível -- surgia ao seu estilo, com comentários non-sense do ponto de vista das companheiras de painel e absolutamente desfasada da actualidade política da semana. A interacção era absolutamente hilariante e, numa primeira emissão, teve a virtude de disfarçar parcialmente a acrimónia visceral existente entre as participantes, que se uniram para zurzir numa desprevenida Marta Gautier. Esta última não viu alternativa senão deixar um programa em que nunca deveria ter entrado. 

O painel foi, então, completado com Sofia Vala Rocha, que se juntou a Manuela Moura Guedes à direita, para fazer frente a Isabel Moreira e Raquel Varela, às quais competia representar a esquerda no painel. E, aqui, o programa transitou -- sem passar pela casa de partida -- para um espectáculo crescentemente desconfortável para o espectador, com um destilar progressivo de animosidades mútuas e insultos muito para além da esfera política.

É difícil dizer em quem começou o azedume, se bem que logo no primeiro programa Isabel Moreira e Manuela Moura Guedes tenham surgido com uma agressividade inesperada (esforço-me aqui para resistir a uma familiar metáfora mais machista), sobretudo tratando-se da primeira emissão. O estilo de ambas faria adivinhar um confronto difícil, mas o resultado esteve muito para lá de um combate meramente duro. Rapidamente, o painel ficou dividido entre esquerda e direita, com o debate a dar lugar a uma tentativa permanente de rebaixamento do adversário.

Em suma, o resultado do programa dá muito que pensar em relação ao caminho para o necessário reequilíbrio do debate político. Afastando-nos -- embora partindo -- deste caso em concreto, preocupa que uma mulher possa entender que a agressividade e a sisudez sejam condições essenciais para ser levada a sério no debate político. Não devia ser, nem (julgo) o é. É muito curioso, de resto, o contraste com outros programas do género, que se desenrolam muitas vezes durante largos minutos sem os intervenientes levantarem a voz.

Vermes comandados pelo cérebro que não têm

por José António Abreu, em 31.03.15

Os homens são capazes de ignorar a fome e ir à procura de um par. Um novo estudo feito numa espécie de vermes comprovou que a culpa não é propriamente deles, mas sim do seu cérebro.

No Observador, por Carolina Santos.

 

Confesso: a primeira coisa que fiz, ainda antes de ler o artigo, foi verificar se tinha sido escrito por uma mulher. Em primeiro lugar pela deliciosa associação entre homens e vermes (eu sei que o estudo foi mesmo realizado em vermes mas talvez fosse mais correcto e abrangente usar «machos» em vez de «homens»). Depois pela igualmente deliciosa facilidade com que se aceita a extrapolação do comportamento dos referidos vermes para o ser humano, deixando de lado eventuais diferenças a nível de  - sei lá - número de neurónios. Finalmente pelo ainda mais delicioso recurso à velha dicotomia corpo-mente, na tentativa magnânima de desculpar essas criaturas vermiculares e desprovidas de neurónios, os homens (obrigado, Carolina; se vieres ao Porto nos próximos tempos avisa e vamos jantar, OK?; ou então até podemos saltar o jantar, que para mim é secundário). Porque a culpa (e tanto haveria a dizer sobre o facto de, mesmo após a ciência justificar o comportamento, poder continuar a associar-se-lhe o conceito - a ter de culpar-se alguém, que tal escolher Deus?) é do cérebro, não é propriamente dos homens. Só uma mulher podia considerar que quaisquer seres humanos - machos, fêmeas, hermafroditas - se definem por factores externos ao cérebro.

 

Nota 1. Como o meu sentido de humor não é partilhado por alguns leitores do Delito - mas Kafka também se ria ao ler as suas histórias aos amigos e poucos leitores delas fazem o mesmo desde então -, fica o alerta: este texto contém ironia e pretende ser uma provocação benigna.

 

Nota 2. Não, não estou a comparar o que escrevo ao que Kafka escrevia. Em contrapartida, a minha vida é quase tão excitante quanto foi a dele.

 

Nota 3. Agora vou dar descanso aos neurónios que não tenho, parar com estas notas e entreter-me a observar as mulheres que andam por aqui, OK?

 

Nota 4. Estranho. Estou com fome.

Valkyrie Octopus

por Sérgio de Almeida Correia, em 16.03.15

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Com vinte metros de altura, trinta e cinco de extensão e mil e duzentos quilos de peso, Macau viu ser oficialmente inaugurada a última obra de Joana Vasconcelos. Fruto de uma encomenda da MGM Macau e instalada na Praça do Rossio, a Valkyrie Octopus impressiona pela cor e dimensão. Certamente que haverá muita gente que não gostará do resultado final, mas goste-se muito ou pouco é um trabalho que pela criatividade, cor e arrojo não deixará ninguém indiferente. E deixa honrados os portugueses que vivem e trabalham na RAEM. A foto é do Consulado Geral de Portugal em Macau e Hong Kong. As restantes podem ser vistas aqui.

Igualdade de género nas organizações

por Rui Rocha, em 10.03.15

Digo que erram os que apontam a chegada de mulheres competentes aos mais altos cargos das empresas como momento que marcará a conquista da igualdade de oportunidades no mercado de trabalho. Na verdade, se quisermos fazer uma apreciação isenta, a igualdade só estará completamente concretizada quando tivermos mulheres incompetentes em posições muitíssimo relevantes das organizações.


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