Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Cavaco na voz de Ferreira Leite

por Pedro Correia, em 04.11.10

 

Os socialistas não escondiam ontem a satisfação pelo discurso do PSD no encerramento do debate do Orçamento na generalidade. Nada mais natural: esse discurso esteve a cargo de Manuela Ferreira Leite. Com o talento político que a caracteriza, a antecessora de Passos Coelho conseguiu argumentar a favor do péssimo Orçamento do Estado para 2011 com mais convicção do que o próprio ministro das Finanças, suscitando comentários apreciativos dos socialistas e um expressivo sorriso do primeiro-ministro.

Fiel ao seu estilo de sempre, a antiga líder social-democrata justificou a terapia de choque do PS e pretendeu até prolongá-la ainda mais do que os socialistas: "É preciso dizer às pessoas que este tratamento não é de um ano, nem de dois. O Governo dá a entender que em 2013 já estaremos todos bem e não vamos estar todos bem."

 

E que mais disse a ex-ministra das Finanças? Não só que este orçamento é "inevitável" mas também que é "o único caminho". Imagine-se a alegria que deu a José Sócrates e a Teixeira dos Santos com estas palavras, que no actual contexto soam a prémio político. Palavras que a partir de agora vão ser utilizadas até à exaustão pelos socialistas, debate após debate, no confronto político com o PSD.

"É o orçamento de que o País precisa no sentido em que corresponde ao que nos é exigido por terceiros", declarou Ferreira Leite. Bastou uma frase para resumir o pensamento do ministro das Finanças e dissipar qualquer dúvida que pudesse existir até na bancada socialista sobre o Orçamento do Estado. A ex-ministra, que viabilizou o orçamento para 2010 e o PEC1 - documentos que continham previsões macro-económicas incorrectas, ilusórias e enganadoras, como rapidamente se percebeu, e em nada contribuíram para estancar a crise - foi ainda mais longe na defesa deste instrumento essencial da governação socialista: "Não há outra solução. Pode haver umas medidas melhores, outras piores, mas temos de percorrer este caminho", que "não pode ser desperdiçado com manobras políticas". Até porque "quem paga é quem manda".

Percebe-se agora por que motivo Ferreira Leite quis que o PSD viabilizasse o péssimo documento, logo de início, sem lhe introduzir qualquer correcção ou melhoria.

 

Extraordinário, sendo as coisas o que são, não é que este discurso tenha sido proferido. Nem que corresponda, no essencial, ao pensamento político de Cavaco Silva, que Ferreira Leite tão bem exprimiu no hemiciclo de São Bento. Extraordinário é que tenha sido aplaudido de pé pela bancada social-democrata, a partir da última fila até à primeira, como uma 'onda' de claque num estádio de futebol.

Os socialistas, naturalmente, exultaram. "Manuela Ferreira Leite adquiriu um estatuto especial na vida política portuguesa", elogiou o líder parlamentar, Francisco Assis. Afonso Candal, também da direcção da bancada do PS, disse rever-se "em grande parte ou na íntegra" do discurso de Ferreira Leite, a quem agradeceu, sem ironia, "o apoio e o estímulo" que deu ao Governo. E Sócrates, naturalmente, foi o primeiro a agradecer: "Finalmente, fui ouvido. Portugal precisa deste orçamento, que tem medidas corajosas para fazer face à situação do País."

Apetece perguntar aos deputados do PSD: afinal aplaudiram o quê?

Autoria e outros dados (tags, etc)

Malmequer, bem-me-quer

por Pedro Correia, em 19.05.10

Entrevistando esta noite Pedro Passos Coelho na TVI, Constança Cunha e Sá pergunta-lhe se tenciona pedir desculpa pelas críticas feitas a Manuela Ferreira Leite. Espero que um dia, quando entrevistar Ferreira Leite, a Constança lhe pergunte também se tenciona pedir desculpa a Passos Coelho por o ter escorraçado das listas eleitorais do PSD escassos sete meses antes de ele ter sido eleito presidente do partido.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Coisas que nunca mudam...

por Paulo Gorjão, em 08.04.10

"A ex-líder Manuela Ferreira Leite foi a primeira a sair da reunião, em passo de corrida, logo seguida de Pacheco Pereira."

Autoria e outros dados (tags, etc)

Foi-se

por João Carvalho, em 28.03.10

 

 

 

Ao fim de dia e meio de tentativas frustradas, confirma-se o pior: o velho carregador do telemóvel de Manuela Ferreira Leite já deu o que tinha a dar. Calou-se e pronto.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O PSD a votos (32)

por Pedro Correia, em 27.03.10

 

 

CINCO DERROTADOS

 

1. Manuela Ferreira Leite

Sai da liderança do partido sem um rasgo de nobreza, recusando cumprimentar o novo líder, que havia sido marginalizado há seis meses das listas do PSD e agora foi sufragado por uma expressiva maioria de militantes. Perdeu as legislativas para Sócrates, não revelou um centímetro de autonomia estratégica em relação ao Presidente da República, acudiu a Sócrates no Orçamento de Estado e no PEC. Não deixa saudades.

 

2. Alberto João Jardim

Fez o número mais mediático do recente congresso de Mafra ao abandonar estrondosamente o palco para se sentar ao lado de Paulo Rangel, numa clara afronta a Passos Coelho. Confirma-se, uma vez mais, que não consegue apostar num candidato ganhador à frente do partido. Já fora assim nas mais recentes refregas eleitorais internas, quando esteve contra Luís Filipe Menezes e Manuela Ferreira Leite.

 

3. Pacheco Pereira

Foi o maior guru de Manuela Ferreira Leite. Resultado: nenhum grande objectivo estratégico para o PSD foi conseguido neste mandato, que viu Paulo Portas e os partidos à esquerda do PS assumirem-se como as mais eficazes forças da oposição. Fez campanha activa contra Passos Coelho, como já fizera contra Santana e Menezes, com a habitual violência verbal de quem só consegue olhar para o mundo a branco e preto. Com isso acabou por dar votos a Passos, que tem bons motivos para lhe agradecer.

 

4. Marcelo Rebelo de Sousa

Teve tudo para poder avançar, uma vez mais. Mas o receio de perder contra Passos Coelho - receio fundamentado, diga-se - foi mais forte. O tacticismo do professor, que já o havia conduzido a uma liderança sem glória nos idos de noventa, sobrepôs-se novamente ao arrojo estratégico. Há uma semana, a nata do "jornalismo político" português ainda o levava ao colo, pretendendo fazer dele o salvador do partido. Em vão. Terá de aguardar pelas presidenciais.

 

5. Paulo Rangel

Terá valido a pena rasgar as promessas feitas de que não seria candidato à presidência do PSD? Terá valido a pena romper o bom relacionamento que mantinha com José Pedro Aguiar-Branco, de quem foi secretário de Estado no Governo Santana Lopes? Terá a ambição de que deu provas sido boa conselheira? Basta uma palavra para responder às três perguntas: não.

 

Também publicado aqui.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O PSD a votos (31)

por Pedro Correia, em 27.03.10

Manuela Ferreira Leite já terá carregado a bateria do telemóvel para poder felicitar Pedro Passos Coelho pela sua inequívoca vitória eleitoral?

Autoria e outros dados (tags, etc)

O PSD a votos (27)

por Pedro Correia, em 27.03.10

Mesmo depois de deixar a presidência do PSD, Manuela Ferreira Leite continua a fazer estragos. O novo líder social-democrata, Pedro Passos Coelho, tem à partida a missão mais dificultada do que devia porque a ex-ministra das Finanças de Durão Barroso decidiu vetar a sua participação nas listas eleitorais do partido, numa das mais arrogantes manifestações de sectarismo de que há memória num líder social-democrata. Por vontade expressa de Ferreira Leite - secundada pela direcção cessante, onde se incluía Aguiar-Branco, e com o apoio entusiástico da blogosfera de "direita" que durante meses chispou ódio contra o ex-líder da JSD - Passos é hoje um líder sem assento no grupo parlamentar, o que facilita a vida a José Sócrates. E o mesmo sucede com alguns dos seus homens de confiança, a começar por Miguel Relvas. É bom que este facto seja assinalado no momento em que se vira uma página relevante na vida do partido que Francisco Sá Carneiro fundou em 1974.

 

ADENDA às 0.40 - Na declaração de derrota, a primeira da noite, Aguiar-Branco fez votos para que "não voltemos a ter excluídos e marginalizados no partido". Uma autocrítica que me pareceu sincera.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O PSD a votos (23)

por Pedro Correia, em 25.03.10

À hora a que escrevo, já todos conhecemos com clareza as posições que os partidos parlamentares tomarão esta tarde na votação da resolução sobre o PEC. Todos menos um. O do costume.

O PS, naturalmente, vota a favor. CDS, PCP e Bloco de Esquerda anunciaram oportunamente que votarão contra. A incógnita, uma vez mais, parte do PSD: o grupo parlamentar social-democrata permanece reunido, sem linha definida, como se não soubesse bem se há-de assumir-se enfim como um verdadeiro partido da oposição ou continuar a ser a muleta do Governo. Uma imagem perfeita do desnorte desta direcção cessante, encabeçada por Manuela Ferreira Leite, que atende mais aos anseios de Belém do que aos interesses do partido. Daí o inaceitável tornar-se inevitável.

Muitos deputados estão naturalmente divididos entre a obediência àquela que será apenas durante mais umas horas a "líder" social-democrata e a sintonia com o futuro líder, a eleger amanhã. Passos Coelho e Paulo Rangel - ao menos eles - já deixaram claro que se opõem ao PEC e que o partido deve ser consequente com esta conclusão, votando contra. Só Aguiar-Branco, na linha de Ferreira Leite, defende a abstenção.

Se a tese que prevalecer for esta última, que permitirá viabilizar um documento que viola o programa do Governo, merece críticas de destacados socialistas e o próprio partido laranja considera lesivo dos interesses nacionais, estaremos perante uma fraude política que descredibilizará ainda mais o PSD. Hoje, com a "líder" cessante, a abstenção; amanhã, com um novo líder, um voto contra que já não chega a tempo.

Ninguém no País entenderá uma posição destas. Salvo talvez o Presidente da República, que quer evitar a todo o custo uma crise política que perturbe a doce sonolência do Palácio de Belém.

 

ADENDA às 15.45 - A fraude política consumou-se. Manuela Ferreira Leite demonstra o que vale até ao último dia do seu mandato à frente do PSD.

 

Ler também:

- Da credibilidade. Do Francisco Almeida Leite, no Albergue Espanhol.

- PSD é Fitch. De Manuel Castelo-Branco, no 31 da Armada.

- PSD suicida-se. De Gabriel Silva, no Blasfémias.

- Seppuku político. Do António de Almeida, no Direito de Opinião.

- O triste fim de Manuela Ferreira Leite. De Alexandre Homem Cristo, n' O Cachimbo de Magritte.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Frases do ano (17)

por Pedro Correia, em 21.03.10

"Espero que o próximo líder do PSD não seja escolhido pelo aspecto físico."

Manuela Ferreira Leite, em entrevista à Antena 1

Autoria e outros dados (tags, etc)

Marcelo e «a unidade para o futuro»

por J.M. Coutinho Ribeiro, em 20.03.10

Já por aqui escrevi e repito: o próximo líder do PSD - seja quem for - será sempre um líder de facção e um líder transitório. A não ser que, por uma qualquer razão do destino, Sócrates caia antes do tempo - fulminado - e o PSD chegue ao poder, momento em que, em nome do poder, todas as divergências se esquecem. Não estou sozinho nesta reflexão - há mais quem assim pense. Lendo o Expresso de hoje, creio que esta será também a perspectiva de Marcelo Rebelo de Sousa, que resiste a apoiar qualquer dos candidatos à liderança, optando pela neutralidade. Justificação: «Alguém vai ter de preservar a unidade para o futuro». Alguém? Trocada por miúdos, a expressão quererá dizer que Marcelo sabe que a próxima liderança do PSD é apenas um interlúdio. E sabe que, a seguir, a solução passa por alguém capaz de unir os destroços do PSD. E sabe que, nesse momento, talvez não haja ninguém, para além dele, tão bem colocado para o fazer. E sabe que, nesse momento, Sócrates estará mais frágil do que agora. Malandro, este Marcelo. Mas não deixa de ter razão.

 

P.S.: (DECLARAÇÃO DE VOTO) Nas últimas directas votei em Pedro Passos Coelho. Mais por exclusão de partes do que por convicção. Não me revia em Manuela Ferreira Leite e no seu baronato tantas vezes insuportável, do mesmo modo que achava que a candidatura de Santana Lopes andava ali a destempo. Se eu fosse um tipo esperto, agora que tudo indica que PPC vai ganhar, diria agora publicamente que o meu voto era seu, cavalgando a onda. Mas não sou um tipo esperto. Por isso, não tenho qualquer problema em dizer que vou votar em José Pedro Aguiar-Branco, mesmo sabendo que não tem hipóteses de ganhar. Voto por uma questão de proximidade pessoal, porque confio nas suas capacidades, porque sei que a sua vida resiste a um escrutínio apertado e, também, porque me parece que é o único candidato que pode fazer a síntese entre os barões e a "carne assada". Isto é: parece-me o candidato "mais PSD" de todos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O PSD a votos (17)

por Pedro Correia, em 14.03.10

A senhora que andou meses a esganiçar-se contra a "asfixia democrática" acha "muito bem" ver o seu próprio partido asfixiado. Parece apostada em prestar um péssimo serviço ao PSD até ao último dia do mandato.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Um caso atípico de bipolarização

por J.M. Coutinho Ribeiro, em 12.03.10

Tenho alguns amigos - estive a fazer as contas e acho que tenho mais amigos de esquerda do que de direita - que são, desde o princípio, admiradores de José Sócrates. Já tive com alguns deles algumas discussões homéricas sobre o assunto, pela razão simples de que não consigo descortinar - depois de uns primeiros tempos de hesitação - onde está a valia do homem enquanto primeiro-ministro.

Nos últimos tempos, recorro com frequência ao teste empírico de ir fazendo, a quem encontro (apoiantes de Sócrates e não apoiantes de Sócrates), a tradicional pergunta: «Compraria um carro em segunda-mão a José Sócrates?». As respostas variam. Há quem diga que nem que o carro fosse novo; há quem diga que, bem, em segunda-mão e sem garantia, nem pensar; há quem estrebuche um bocadinho (os meus amigos apoiantes de Sócrates desde a primeira hora) e evite a resposta clara. Na minha sondagem empírica, vou, pois, percebendo que, tirando os boys que gravitam à volta do governo e dos entes públicos, já ninguém dá muito pelo homem. E no entanto, segundo uma sondagem de hoje do JN, se houvesse eleições neste momento, o PS arriscava-se a ganhar e muito próximo da maioria absoluta. Donde resulta que, ou são os meus amigos que fazem parte de uma casta à parte e não são representativos do eleitorado português, ou, então, o problema é mais grave. Reflectindo, ainda que vagamente, sobre o assunto, opto pela segunda solução: o problema é grave. E qual é o problema? Simples: os portugueses confrontam-se com um singular cenário de bipolarização política: num polo está José Sócrates; no outro polo está... ninguém. Desgraçadamente. Desgraçadamente para o país.

Sem renegar a minha ligação ao PSD, sou obrigado a concluír que o eleitorado não deixa de ter razão, mesmo que em sondagens. Se é verdade que, neste momento, poucos ousariam comprar um carro em segunda-mão a Sócrates, também é verdade que, olhando para o stand do lado, não se vê mais quem possa vender automóvel. O que se vê pelas bandas do PSD é uma luta fraticida para saber quem, daqui a uns tempos, manda no stand e define as regras do negócio. Só que, enquanto tal, os automóveis vão apoderecendo e, chegada a hora, dificilmente alguém quererá comprá-los. E, entretanto, tal vai sendo a conflitualidade interna no PSD, não espanta que, mesmo depois de saber quem manda na loja, assistamos, logo a seguir, a concorrência desleal dentro do stand. É este o cenário que espera os portugueses. E é por isso que o PS vai ganhando folgadamente nas sondagens.

Nunca percebi - talvez alguém seja capaz de me esclarecer - por que razão o PSD não arrumou a casa logo a seguir ao penoso resultado que obteve nas últimas legislativas. Manuela Ferreira Leite - que nunca me seduziu - demonstrou que seduz muito poucos. Numa altura em que devia estar de casa arrumada, anda o povo social-democrata a tentar perceber quem é o menos mau de todos: se Passos Coelho, se Rangel, se Aguiar-Branco. Sim. Porque o que está em causa é saber qual deles é o menos mau, qual deles é capaz de ter mais cimento que agregue um partido que tende a esboroar-se. É esta a ideia que germina nas bases e é esta a ideia que passa para o eleitorado. Enquanto devia estar a tentar propor ideias alternativas para o país, numa altura em que era suposto o governo estar fragilizado e com a cabeça a jeito, anda o PSD a desgastar-se em lutas internas nem sempre cordiais, cada um dos candidatos com ideias diferentes sobre tudo e sobre nada, deixando o eleitorado sem saber com o que conta. O problema seria apenas relativamente grave se, passadas as directas, a questão ficasse esclarecida. Mas não fica. Ganhe quem ganhar, a luta pela queda do líder que vier começará no dia seguinte. E Sócrates continuará a ganhar nas sonsagens e nas urnas. E Portugal continuará a penar com um primeiro-ministro que, em rigor, poucos querem, mas-que-se-há-de-fazer? Haverá futuro assim? Enquanto isso, o CDS-PP mantém-se firme.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Happy together

por Pedro Correia, em 01.02.10

 

Alguns comentadores da blogosfera afectos ao PSD não escondem a sua decepção pelo facto de o partido ter viabilizado o Orçamento de Estado para 2010 apresentado pelo ministro Teixeira dos Santos, que está definitivamente desprestigiado. Nenhuma conta que o titular da pasta das Finanças apresentou até agora foi confirmada pelos factos e ninguém imagina que alguma operação de aritmética que emane do seu gabinete do Terreiro do Paço passe a bater certo a partir de agora. Apesar disso, o presidente da bancada parlamentar laranja não teve a mínima dúvida em considerar que seria "uma leviandade e uma falta de maturidade" a mera hipótese de os sociais-democratas poderem votar contra o mais decisivo instrumento da acção governativa. Uma réplica evidente àqueles que, como José Pacheco Pereira, andaram desde Outubro a pregar no deserto, bradando que "não é sadio considerar que pode ser objecto de negociações o núcleo fundamental que diferencia o PS e o PSD."

Motivo de espanto? Nenhum. Lembremos factos: durante a campanha eleitoral, cabeças de lista sociais-democratas, como João de Deus Pinheiro e Couto dos Santos, admitiram a formação de um novo bloco central, enquanto Paulo Mota Pinto não excluía esta hipótese. Mas lembremos mais: a própria Manuela Ferreira Leite, antes de ser líder do PSD, subscreveu o núcleo central da governação socialista. Elogiou a reforma da segurança social feita por Vieira da Silva. Aplaudiu a concertação orçamental conduzida por Teixeira dos Santos. Defendeu a celebração de pactos PS-PSD para a justiça, segurança interna e leis eleitorais. Considerou "absolutamente essencial"  a reforma da rede hospitalar iniciada por Correia de Campos, condenando a "reacção emotiva" do PSD, ao contrário até de muitos socialistas. E destacou a "coragem" de Maria de Lurdes Rodrigues por levar a cabo a sua política educativa.

Era com esta líder que alguns, no PSD, sonhavam ganhar eleições. É com esta deputada, e alguns outros, que Sócrates está a construir a sua nova maioria no Parlamento.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Há sempre espaço para mais um prego...

por Paulo Gorjão, em 30.01.10

"Aquilo que o país precisa neste momento não é de políticos, é de estadistas", disse Manuela Ferreira Leite. Infeliz, sempre infeliz, até ao último dia.

Eis, uma vez mais, a sempre repetida tentativa de emulação de Cavaco Silva, infelizmente sempre para pior, muito pior. Será quase desnecessário salientar que esta dicotomia não tem pés nem cabeça. Pior. O nojo que daqui se subentende em relação à política, como se os estadistas pairassem sobre a política sem nunca nela sujar as mãos, é apenas mais um episódio que contribui para a descredibilizar. Do primeiro até ao último dia, a passagem de Manuela Ferreira Leite pela presidência do PSD é um enorme equívoco. Já faltou mais para acabar, felizmente.

Autoria e outros dados (tags, etc)

A questão da inconsistência

por Pedro Correia, em 10.12.09

 

Invejo o Pedro Lomba pelo mais elementar dos motivos: ele é um homem de certezas. Informa-nos este excelente articulista do Público que desfez as últimas dúvidas "sobre a ausência de convicções" de Pedro Passos Coelho ao ler a entrevista que o único candidato assumido à presidência do PSD deu no domingo ao Jornal de Notícias. E porquê? Porque, espantosamente, Passos Coelho quer agora "suspender o TGV", em "alinhamento com o discurso seguido por Ferreira Leite no último ano". Mais informa o Pedro Lomba neste seu artigo intitulado «A questão do carácter» que em Janeiro, em entrevista à RTP, Passos Coelho não pensava como hoje e terá mesmo dito que "o TGV é um projecto estratégico que envolve compromissos assumidos por vários governos".

Verdadeiramente escandaloso. "Há nisto todo um método que é bem revelador da inconsistência e falta de convicções que abundam na política portuguesa", sentencia o Pedro Lomba, acrescentando que Ferreira Leite "até tinha razão sobre o TGV".

O exemplo, por acaso, não é dos mais felizes. Por este simples motivo: esquece o ilustre articulista de referir que ninguém mudou tão radicalmente de opinião sobre o TGV do que a própria Manuela Ferreira Leite. "Ausência de convicções", "inconsistência"? É precisamente isso que podemos apontar a quem em 2004, enquanto ministra de Estado e das Finanças acordou solenemente com as autoridades espanholas um traçado completo para o TGV , prevendo o arranque deste megaprojecto no Orçamento de Estado desse ano, e em 2008, quando ascendeu à liderança do partido, rasgou o compromisso como governante que celebrara com Madrid sobre a alta velocidade ferroviária.

Lamento informar o Pedro Lomba, mas não foi Passos Coelho que mudou 180 graus nesta matéria, desdizendo na oposição o que dissera no Governo. Não foi Passos Coelho que declarou em 2004 que o TGV estimularia a economia portuguesa até 1,7% do produto interno bruto - foi o primeiro-ministro da época, Durão Barroso. Quem mudou foi precisamente Manuela Ferreira Leite, ministra de Barroso. Talvez por não gostarem de tamanha "inconsistência", os portugueses recusaram dar-lhe a vitória a 27 de Setembro.

Autoria e outros dados (tags, etc)

PSD: como perder ganhando

por Pedro Correia, em 29.10.09

Muitas vezes o caminho mais rápido para a derrota é a vitória. Tenho pensado nisto a propósito da vitória eleitoral do PSD em Junho, nas europeias. Foi uma vitória que fez mal ao partido. Apesar de ter sido pouco expressiva, criou um ambiente de euforia na direcção social-democrata e entre os seus apoiantes mais acérrimos que lhes fez perder todo o discernimento. Pensaram que a partir daí eram favas contadas: bastava o inegável descontentamento existente no País contra o Governo socialista para que isso se traduzisse automaticamente em votos no PSD em Setembro. Os blogues que apoiavam Manuela Ferreira Leite foram a melhor confirmação deste prematuro estado de euforia, nada condizente com a realidade: já se profetizava, com inabalável convicção, o novo poder laranja. Alguns lançaram até anátemas internos contra aqueles que, nas hostes sociais-democratas, não seguiam a ‘linha justa' e teimavam em criticar a líder pela desastrada escolha dos temas prioritários da campanha e pelos erros cometidos na formação das listas eleitorais.

Quem tinha razão eram os críticos, sabe-se agora. Aqueles que não se iludiram com o bom resultado do PSD em Junho e alertaram em devido tempo contra os excessos de euforia e a necessidade de unir primeiro o partido para depois conquistar o País. A ‘linha dura’ de Ferreira Leite fez orelhas moucas a tais conselhos, escutando apenas as vozes acríticas dos incondicionais. Os resultados estão hoje à vista. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Apanhados pela mesma objectiva

por João Carvalho, em 16.10.09

Fico pouco espantado que Deus Pinheiro tenha sentido necessidade de vir, tarde e a más horas, dar uma desculpa qualquer sobre a sua inesperada e traiçoeira deserção. Ainda assim, a pressão porventura sentida não resultou em mais do que uma qualquer desculpa esfarrapada e sem nexo. Do que disse hoje publicamente, registo apenas dois pontos.

 

1. Diz ele que a líder do PSD precisava de um candidato com o perfil dele para cabeça-de-lista em Braga. Fica provado o grande e raro perfil que ele tem.

 

2. Diz ele que ela insistiu, que ele recusou três vezes e que só à quarta vez aceitou. Fica provado que, para ela, um Alberto João Jardim a mais ou a menos lhe era totalmente indiferente.

 

O falso candidato ficou muito mal no retrato. Mas Manuela Ferreira Leite também está na mesma fotografia.

 

(Antes que alguém menos atento venha lembrar que ele hoje manifestou motivos de doença, recordo eu que ontem, a quem lhe perguntou se estava doente, ele respondeu que não e riu-se alarvemente. Vá lá saber-se a graça que achou.)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Algo que não bate certo...

por Paulo Gorjão, em 16.10.09

José Pedro Aguiar-Branco avança para a liderança da bancada parlamentar sem o aval de Manuela Ferreira Leite? Há qualquer coisa mal contada nesta história. A lista de vice-presidentes propostos, aliás, é muito establishment. Definitivamente, algo está mal contado nesta história.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sá Carneiro não se comportava assim

por Pedro Correia, em 14.10.09

 

Ontem, à saída da Comissão Política do PSD, na sede nacional do partido, Manuela Ferreira Leite abandonou o edifício em passo acelerado, evitando os jornalistas que lá se encontravam, sem sequer lhes dirigir uma palavra de boa noite. Deixando uma vez mais as perguntas sem resposta, bem ao seu timbre, refugiou-se no carro e zarpou dali a grande velocidade. Vejo a cena nas televisões e não posso deixar de me interrogar: como é possível um partido com a envergadura do PSD continuar a ser dirigido por uma pessoa que toma estas atitudes da mais elementar falta de consideração pelos profissionais da informação - e pelo público a quem estes se dirigem?

Há agora por aí, em blogues claramente alinhados com os sociais-democratas, quem pretenda desvendar as causas dos insucessos eleitorais deste partido. Não precisam de procurar muito: a primeira das causas é esta permanente atitude de hostilidade de Ferreira Leite perante os órgãos de informação, como se não tivesse de lhes prestar esclarecimentos de espécie alguma. Esquecendo-se de que o militante número um do PSD, Francisco Pinto Balsemão, é ele próprio um jornalista.

Com ela ao leme do partido, nem a mais eficaz agência de comunicação lhe conseguiria o milagre da popularidade. Reparo nela e penso: Francisco Sá Carneiro, que conhecia bem a importância da comunicação social, jamais se comportaria assim.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O factor Santana

por Paulo Gorjão, em 03.10.09

Leio repetidamente nos jornais dos últimos dias o argumento de que Manuela Ferreira Leite deixará de ter condições para continuar à frente do PSD se Pedro Santana Lopes perder em Lisboa. Vamos por partes. De facto, se o PSD perder em Lisboa é um péssimo resultado. Isto dito, olhando para o quadro global em que o PSD se encontra, o resultado em Lisboa é indiferente para o futuro de Manuela Ferreira Leite na liderança do PSD. Mais. O resultado do PSD nas autárquicas é irrelevante para o futuro de Ferreira Leite. Sejamos claros: a sua liderança terminou no dia 27 de Setembro. O resto são paliativos que não alteram o diagnóstico global. Utilizando uma imagem de Ferreira Leite, a vitória ou a derrota de Santana Lopes apenas altera os metros de profundidade em que o PSD se encontra. Não evita o afogamento. O afogamento ocorreu no dia 27 e é irreversível.

Autoria e outros dados (tags, etc)


O nosso livro






Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2018
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2017
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2016
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2015
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2014
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2013
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2012
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2011
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2010
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2009
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D