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Europeias (9)

por Pedro Correia, em 19.05.19

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COLIGAÇÃO DEMOCRÁTICA UNITÁRIA: TRÊS PROPOSTAS

 

  • Dissolução da União Económica e Monetária e fim do Pacto de Estabilidade, substituído por um pacto para o emprego e o desenvolvimento.
  • Combate à deriva neoliberal de uma União Europeia dominada pelos mais fortes, onde coesão e solidariedade são apenas palavras vãs.
  • Combate decidido às forças de extrema-direita, nacionalistas e xenófobas, incluindo grupos fascistas e até nazis, que alastram pela Europa.

Europeias (8)

por Pedro Correia, em 18.05.19

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CENTRO DEMOCRÁTICO SOCIAL: TRÊS PROPOSTAS

 

  • Reforço dos recursos e do investimento em medidas de cibersegurança no âmbito da luta contra o terrorismo à escala europeia.
  • Captação de verbas para o incentivo à economia azul, relacionada com o mar, que constitui prioridade estratégica para Portugal.
  • Apoio à criação de um mecanismo europeu de protecção civil para auxiliar países afectados por inundações, incêndios, sismos ou epidemias.

 

Do manifesto eleitoral, Mais Europa, Menos Bruxelas

Europeias (7)

por Pedro Correia, em 17.05.19

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BLOCO DE ESQUERDA: TRÊS PROPOSTAS

 

  • Protecção das pessoas intersexo e das pessoas de género fluido, assim como a consagração da autodeterminação de género para transexuais.
  • Fim imediato da aquisição de armamento a países que fomentam guerras e de petróleo a territórios ocupados por grupos terroristas.
  • Revogação imediata do Tratado Orçamental e do Pacto de Estabilidade, que impõem políticas que fomentam o desemprego e a exclusão social.

 

Do manifesto eleitoral, A Força que Faz a Diferença

Europeias (6)

por Pedro Correia, em 16.05.19

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ALIANÇA: TRÊS PROPOSTAS

 

  • Generalização do princípio de economia circular na política do ambiente, reutilizando, recuperando e reciclando materiais e energia.
  • Desenvolvimento de mecanismos, com o recurso a programas e fundos europeus, para recuperar e potenciar o património nacional.
  • Criação de um programa nacional de formação em inteligência artificial com noções básicas de programação e aplicações.

 

Do Manifesto Eleitoral

Europeias (5)

por Pedro Correia, em 16.05.19

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SUMIDADES

 

Todos os dias escuto umas sumidades exprimindo o seu imenso nojo pela campanha eleitoral em curso porque nela «não se debate a Europa».

Nos mesmos canais de televisão onde, durante um ano inteiro, quase só há lugar para debater futebol.

Europeias (4)

por Pedro Correia, em 09.05.19

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A PEIXEIRADA

 

Monumental peixeirada, ontem, na TVI 24. Aquilo que prometia ser um debate vivo mas cordato descambou numa gritaria em modo taberneiro, daquelas que nem no futebol. Com prejuízo para todos os participantes e sobretudo para os telespectadores: vários candidatos falavam por cima uns dos outros, em tom cada vez mais elevado, tentando silenciar a mensagem do oponente, perante a total impotência do moderador, José Alberto Carvalho, claramente sem pedalada nem ganas para pôr fim à barafunda. «Quem é que paga a multa?», chegou a questionar-se o jornalista ao perceber que lhe fugia a capacidade de cronometrar o tempo de intervenções no debate. «O que é que eu faço? Ponho-me à frente das pessoas?», desabafou em forma interrogativa, um pouco mais à frente. Percebendo que aquilo já descarrilara de vez, também por sua culpa.

A coisa foi de tal maneira que desisti de recolher as frases mais significativas desta sessão de pugilato verbal. Ninguém percebeu, ninguém ficou esclarecido, certamente muita gente mudou de canal antes do fim. Debates como este só contribuem para avolumar a abstenção - que nas anteriores eleições europeias, em 2014, abrangeu dois terços dos eleitores.

Valha a verdade que o dedo acusador não pode ser apontado a todos os participantes. As mais lamentáveis prestações couberam (por esta ordem) a Nuno Melo, do CDS, Pedro Marques, do PS, e Paulo Rangel, do PSD. Com prejuízo de todos, incluindo de Marisa Matias, do BE - única mulher presente em estúdio, única que não interrompeu ninguém e chegou quase a implorar para conseguir dizer duas frases seguidas de forma audível.

Verdadeiramente lamentável. Para haver debates destes mais vale não haver nenhum.

Europeias (3)

por Pedro Correia, em 08.05.19

 

 

 MAIS SETE

 

A SIC - em tempo parcial - e a SIC Notícias - a tempo inteiro - fizeram hoje serviço público ao trazerem a debate sete cabeças de lista de partidos e coligações que se apresentam às eleições europeias de 26 de Maio e não dispõem hoje de qualquer representante no Parlamento Europeu.

De fora ficaram não apenas os seis que já tinham participado no debate anterior, aqui comentado, mas outros quatro, que não surgirão em debate algum, em obediência a um critério editorial enunciado pelo moderador, Bento Rodrigues: dar voz às quatro forças políticas que se apresentam  agora sem ter concorrido há cinco anos (Aliança, Basta, Livre e Nós, Cidadãos) e aos três partidos que nas anteriores europeias tinham conseguido mais de 1% nas urnas embora sem elegerem eurodeputados (Livre, MRPP e PAN).

É um critério discutível, mas claro e assumido pela estação. Assim compareceram esta noite no estúdio da SIC os candidatos André Ventura (Basta), Paulo Morais (Nós, Cidadãos), Paulo Sande (Aliança), Francisco Guerreiro (PAN), Luís Júdice (MRPP), Ricardo Arroja (Iniciativa Liberal) e Rui Tavares (Livre). Os três primeiros engravatados, os outros quatro de colarinho aberto. E o representante do MRPP apenas em camisa: o casaco ficou em casa.

Bento Rodrigues, tal como no debate anterior, mostrou-se bem preparado. Mas voltou a revelar excessiva preocupação na cronometagem das intervenções, interrompendo demasiadas vezes os candidatos. Precisamente na mesma estação de televisão onde noite após noite ouvimos vários comentadores a falarem horas seguidas sobre futebol sem serem interrompidos, o que não deixa de ser irónico. E tanta pressa afinal para quê? Adivinharam: para dar lugar a um desses comentadores de bola, por sinal aquele que dispõe de mais tempo de antena na estação sem que ninguém lhe trave a ladainha.

Fica o registo sumário da prestação dos sete. Um por um.

 

ANDRÉ VENTURA (Basta)

O melhor. Aproveitou quase todas as intervenções para defender a redução da carga fiscal.

O pior. Não rejeitou o rótulo de extrema-direita.

Palavra-chave. Segurança.

Frase. «Temos que ter um controlo sério, não pode ser a bandalheira a que assistimos hoje: entra qualquer pessoa [em Portugal], de qualquer forma.»

 

FRANCISCO GUERREIRO (PAN)

O melhor. Saiu em defesa do reforço da independência energética.

O pior. Falou em «trazer os jovens para a política» sem especificar como.

Palavra-chave. Animais.

Frase. «Na questão dos refugiados temos que ter uma especial atenção com as comunidades LGBT.»

 

LUÍS JÚDICE (MRPP)

O melhor. Falou sem ambiguidades: quer ver Portugal fora da União Europeia e do euro.

O pior. Defende que não devemos pagar a dívida externa: quem nos emprestou dinheiro não receberia um tostão de volta.

Palavra-chave. Soberania.

Frase. «Um país sem moeda não é soberano.»

 

PAULO MORAIS (Nós, Cidadãos)

O melhor. Lembrou «o grande carrossel da corrupção» registado durante duas décadas em Portugal com os fundos sociais europeus, que foram parar onde não deviam.

O pior. Quem ignora o que é o Nós, Cidadãos ficou a saber o mesmo sobre este partido: nada.

Palavra-chave. Transparência.

Frase. «Ao fim de 33 anos, continuamos na cauda da Europa.»

 

PAULO SANDE (Aliança)

O melhor. Afirmou-se liberal, sem rodeios nem rodriguinhos.

O pior. Falou duas vezes em «mandato negociado», conceito que poucos terão abarcado.

Palavra-chave. Coesão.

Frase. «Temos de recuperar Bruxelas para Portugal.»

 

RICARDO ARROJA (Iniciativa Liberal)

O melhor. Falou para as novas gerações em defesa do voto electrónico e das novas tecnologias, que possibilitem «um mercado comum de serviços digitais.»

O pior. Mencionou algumas siglas europeias sem as descodificar.

Palavra-chave. Escolha.

Frase. «Os fundos europeus não devem servir para alimentar subsidiodependências.»

 

RUI TAVARES (Livre)

O melhor. Pronunciou-se sobre o combate à criminalidade organizada e advogou um plano europeu de combate à pobreza.

O pior. Sendo um dissidente do BE, deixou sem explicar em que se distingue afinal deste partido.

Palavra-chave. Democratização.

Frase. «A deputada Ana Gomes, que vai agora encerrar uma carreira brilhante no Parlamento Europeu, disse que queria que eu fosse o ponta-de-lança dela no Parlamento Europeu.»

Europeias (2)

por Pedro Correia, em 03.05.19

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SIC

 

Discordo profundamente deste critério editorial da SIC, excluindo dos debates sobre a campanha europeia partidos recém-surgidos, como a Aliança e a Iniciativa Liberal. Se nas televisões vigorasse o princípio que a SIC aplica na política, os portugueses continuariam a ver só a RTP. As privadas, que apareceram muito depois, tiveram ampla divulgação, destronando o monopólio público na década de 90, de tão boa memória para os portugueses.
Até por este historial a SIC devia ser mais receptiva à possibilidade de renovação do espectro partidário, em vez de apostar sempre nos mesmos nomes e nas mesmas siglas. Que a RTP mantenha esta aposta, admira-me pouco. Que um canal privado levante tais barreiras a quem chega de novo, surpreende-me muito mais.

Europeias (1)

por Pedro Correia, em 02.05.19

  

 

 EUROPA A SEIS

 

A SIC (em tempo parcial) e a SIC Notícias (na íntegra) transmitiram ontem um debate entre seis dos cabeças-de-lista ao Parlamento Europeu. Em representação do PS (Pedro Marques), PSD (Paulo Rangel), CDU (João Ferreira), CDS (Nuno Melo), BE (Marisa Matias) e PDR (António Marinho e Pinto). Lamento que duas novas forças políticas que também apresentam candidaturas, a Aliança e a Iniciativa Liberal, tenham ficado excluídas desta emissão, conduzida pelo jornalista Bento Rodrigues, que me fez lembrar certos árbitros em estádios de futebol: foi demasiado interventivo, interrompendo quase sempre as frases. Só lhe faltou mostrar cartões amarelos e vermelhos. 

Fica o registo sumário da prestação dos seis. Um por um.

 

ANTÓNIO MARINHO E PINTO (PDR)

O melhor. Revelou, sem papas na língua, que o BE e o PCP «votam sistematicamente com a extrema-direita» no Parlamento Europeu.

O pior. Incapaz de explicar o que é o enigmático PDR, segundo partido de aluguer que escolhe para concorrer ao Parlamento Europeu.

Palavra-chave. Democracia.

Frase. «Um parlamento que reúne três vezes por mês em sessão plenária não é um verdadeiro parlamento.»

 

JOÃO FERREIRA (CDU)

O melhor. Falou na primeira pessoa do singular, sem se refugiar no pronome "nós" a que os comunistas sempre recorrem como bengala verbal.

O pior. Só mesmo no fim mostrou ser capaz de sorrir.

Palavra-chave. Esquerda.

Frase. «Somos um país injusto.»

 

MARISA MATIAS (BE)

O melhor. Foi a mais sorridente e espontânea, em perfeito contraste com a rigidez de outros candidatos.

O pior. Equidistância entre a ditadura e a democracia na Venezuela: «Não estamos nem com Maduro nem com Guaidó.»

Palavra-chave. Humor.

Frase. «Mais de 30% do PIB europeu foi entregue ao sector financeiro.»

 

NUNO MELO (CDS)

O melhor. Exprimiu vontade de ver um segundo referendo no Reino Unido que possa reverter o Brexit.

O pior. Mostrou foto do candidato do PS com José Sócrates. Não havia necessidade.

Palavra-chave. Sócrates.

Frase. «A única escolha possível para a direita em Portugal é o CDS.»

 

PAULO RANGEL (PSD)

O melhor. Irritou Pedro Marques ao apontá-lo como o rosto dos cortes de 7% dos fundos europeus que Portugal pode vir a perder no próximo quadro de apoio.

O pior. Em pouco se distingue do discurso de Nuno Melo.

Palavra-chave. Fundos.

Frase. «Está perfeitamente ao nosso alcance ganhar as eleições.»

 

PEDRO MARQUES (PS)

O melhor. Fez um apelo especial ao voto dos jovens, que há cinco anos se abstiveram em massa (80%).

O pior. Falta de traquejo em debates. Fala como se ainda estivesse no Conselho de Ministros.

Palavra-chave. Pessoas.

Frase. «Vamos ganhar de forma clara porque se criaram 300 mil empregos em Portugal nos últimos três anos.»

Pós-eleitoral (3)

por Pedro Correia, em 27.05.14

1. Primeira decisão pós-eleitoral do PCP: o anúncio da sexta moção de censura a este governo. Uma decisão que Passos Coelho agradece: fragilizado nas urnas domingo à noite, robustecido no Parlamento daqui a uns dias, graças à boleia comunista. Destinada sobretudo a obscurecer ainda mais o frágil triunfo do PS. Há coisas que nunca mudam na esquerda portuguesa.

 

2. Espantam-se alguns com a débil expressão eleitoral do Partido Socialista. Falta acrescentar que seria ainda mais estreita sem o oportuno empurrãozinho que lhe deu António Capucho. Nem quero imaginar o que seria de António José Seguro sem este apoio.

 

3. Ou muito me engano ou virão aí alterações à anacrónica lei eleitoral que concede todo o poder de composição e ordenamento das listas aos directórios partidários e nenhum aos cidadãos. Acossado, o chamado "arco da governação" vai tentar enfim aproximar eleitos de eleitores - embora o tiro, já tardio, possa sair-lhe pela culatra.

Ler os outros

por Pedro Correia, em 27.05.14

Pedro Magalhães: «PSD e CDS têm, em conjunto, menos 12,4% que nas anteriores europeias (quando estavam na oposição).»

 

Paulo Gorjão: «O PS ganhou mas é um partido cada vez mais intranquilo e que pressente um desaire em 2015.»

 

Rodrigo Adão da Fonseca: «A vitória de António José Seguro foi tão colossal que hoje ligamos a televisão e só dá António Costa, regressado de Alcácer-Quibir.»

 

Vital Moreira: «A decepcionante escassez  da vitória numas eleições em que tudo lhe era favorável deixa pouca margem ao PS para uma vitória robusta nas legislativas.»

 

Sofia Loureiro dos Santos: «Temos que acabar de vez com esta pseudo política pseudo humana e pseudo simpática de pseudo corações em pseudo líderes.»

 

Paulo Pedroso: «É patético que o PS pense que pode, a partir desta base e neste contexto, fazer uma campanha assente na reivindicação de uma maioria absoluta.»

 

Luís Novaes Tito: «António José Seguro teve a coragem de avançar quando todos se esconderam e preferiram calcular as suas vidinhas futuras, fugindo às responsabilidades de suceder na oposição a um desaire eleitoral.»

 

João Pedro Pimenta: «As consequências imediatas parecem estar a atingir, antes de mais, o PS. Quando é que um partido vencedor registou tal convulsão interna?»

 

Luís Naves: «Os partidos profissionais de poder tiveram resultados miseráveis.»

 

Maria João Marques: «Apetece perguntar ao PSD e ao CDS: de que vos (e nos) valem os fracos resultados do PS, se perderem o juízo?»

 

Mr. Brown: «Esta luta taco a taco entre PSD+CDS e PS só é possível por um motivo: não há quem apareça a colocar no mapa um novo partido de direita.»

 

Rui Albuquerque: «Os 7% de votos na lista de Marinho Pinto são um protesto contra o sistema político e aquilo que os eleitores entendem ser a corrupção da classe política.»

 

Porfírio Silva: «Não vale a pena querer substituir a luta política pela tentação de mudar de povo.»

 

Joana Lopes: «O Bloco bem pode arrumar as ideias e a casa, rapidamente e em força.»

 

Filipe Nunes Vicente: «Rui Tavares perdeu o lugar de eurodeputado, o Bloco perdeu dois. Mais uma ou duas uniões de esquerda e o PCP fica com bar aberto.»

 

João Rodrigues: «As acusações de populismo, a palavra preferida de certas elites, e de eurocepticismo valem bem a tarefa para uma esquerda que não anda a dormir e que sabe que não há mais tempo a comprar.»

 

João Gonçalves: «Tudo somado, entrámos no pântano que Guterres, em Dezembro de 2001, pretendeu evitar com a sua lúcida demissão.»

 

José Gabriel: «A abstenção como total demissão de intervir – e não ignoro que muitos dos que se abstêm têm plena consciência disto e não procuram desculpas, pois que a sua decisão é pensada – é uma ilusão.»

 

António Pais: «Quem não avançar agora, exigindo uma clarificação e submetendo aos militantes dos respectivos partidos (e por arrasto aos restantes cidadãos) o seu projecto, é tão cobarde como os actuais chefes.»

 

(actualizado)

Frases de 2014 (14)

por Pedro Correia, em 26.05.14

«Este Governo acabou.»

António José Seguro, ontem à noite

Brevíssimas

por Pedro Correia, em 26.05.14

O Bloco, com liderança bicéfala, perde duplamente.

Seguro teve um triunfo esmagador. Na projecção do socialista Oliveira e Costa.

Marinho Pinto começou a ganhar o lugar na Europa no dia em que venceu Moura Guedes na TVI.

O PCP, coerente como sempre, vai manter a letra J. Jerónimo dará lugar a João, não tarda muito.

Passos e Portas não irão coligados em 2015. A Aliança Portugal (parte 2) é pequena de mais para nela caberem ambos.

Noite eleitoral (4)

por Pedro Correia, em 25.05.14

1. Seguro salientou várias vezes, no discurso desta noite, que as europeias foram ganhas pelo PS. Cada vez que dizia isto conseguia diminuir um pouco mais a dimensão do seu exíguo triunfo eleitoral. Qual será a necessidade de sublinhar aquilo que parece óbvio?

 

2. José Sócrates apareceu pouco na campanha socialista, mas foi quanto bastou para ser de mais. O PS só ganha em afastar-se da herança socrática se tiver sérias ambições de assumir o governo em 2015.

 

3. Já antes desta derrota o Governo dava claros sinais de desgaste. O escrutínio de hoje torna imperiosa uma remodelação governamental. Quanto mais depressa o primeiro-ministro a fizer mais poderá beneficiar com isso.

 

4. Quem tem razões para sorrir é o Presidente da República, assumido adepto de uma "grande coligação" à moda alemã ou austríaca. O Bloco Central vai fazendo a sua marcha, com uma cadência lenta mas irreversível. Não está ainda inscrito nas urnas, mas já parece escrito nos astros.

Noite eleitoral (3)

por Pedro Correia, em 25.05.14

1. A enorme taxa de abstenção não permite fazer extrapolações dos resultados desta noite para uma eventual eleição legislativa. A participação eleitoral e a motivação dos votantes é muito superior em legislativas. Só por um monumental erro de gestão política da actual maioria esta legislatura chegará ao fim antes da data prevista.

 

2. João Ferreira, com boa imagem e um discurso populista de esquerda contra o euro, fez nesta campanha o tirocínio para substituir Jerónimo de Sousa como secretário-geral do PCP. Passou no teste.

 

3. A vitória de Seguro, embora menos folgada do que algumas sondagens previam, é suficiente para manter a sua liderança incontestada. Na perspectiva do PSD, esta pode até ser uma das melhores notícias da noite.

Noite eleitoral (2)

por Pedro Correia, em 25.05.14

1. Rui Tavares surgiu em defesa aberta da quadratura do círculo: fracturou ainda mais a esquerda em nome da unidade da esquerda. No entanto, a última coisa de que a esquerda necessita é de mais um partido: pelo menos nove que se reclamam desta área política concorreram à eleição de hoje. Não admira, portanto, que a Livre papoila tivesse murchado nesta sua noite de estreia eleitoral.

 

2. O Bloco apela, como mais ninguém, à ética da responsabilidade. Mas esta lógica só parece funcionar para os outros. Intramuros, os bloquistas continuam sem retirar as devidas ilações das sucessivas derrotas que vêm sofrendo nas urnas. Será que o farão agora, quando foram a única força política de esquerda a recuar nas urnas, com menos de metade da votação conseguida em 2009 e só com um terço do número de eleitos nesse ano?

 

3. É evidente que a CDU capitalizou o essencial do voto de protesto. Que só surpreende por ficar aquém do que quase todos previam após três anos de duríssimas medidas de austeridade impostas pelo memorando de entendimento. Falta aos comunistas dar o passo seguinte: como transformar o protesto em contributo para uma futura maioria governamental? Basta perguntarem aos camaradas espanhóis, que já puseram isso em prática na Andaluzia.

Noite eleitoral (1)

por Pedro Correia, em 25.05.14

1. Castigo pesado da coligação no Governo. O pior resultado de que há memória para o PSD em coligação com o CDS. Fica bem evidente que certas somas apenas servem para subtrair: repetir em legislativas a fruste coligação eleitoral das europeias será mais um erro político a somar a tantos outros. Resta ao centro-direita procurar captar parte dos seus eleitores tradicionais que desta vez optaram pela abstenção.

 

2. "Reconciliámo-nos com o País", declarou o cabeça de lista do PS, Francisco Assis. Com um sorriso nada triunfalista, o que é prova de saudável prudência. Os socialistas venceram. Mas, muito aquém dos 44% conquistados por Ferro Rodrigues nas europeias de 2004, estão longe de convencer boa parte do eleitorado. E não conseguiram criar nenhuma onda avassaladora que lhes permita reclamar legislativas antecipadas. Cada coisa a seu tempo.

 

3. A CDU combateu com êxito a tendência abstencionista, mobilizando o seu eleitorado. Obtém um dos melhores resultados de sempre em europeias, consolida-se como terceira força política e quebra a dinâmica de vitória do PS, cumprindo assim o seu principal desígnio estratégico numa eleição que potencia o voto de protesto como nenhuma outra.

 

4. O BE afunda-se. E não pode culpar os jornalistas: teve muito mais cobertura mediática do que o MPT, que ficou claramente à sua frente. Deve antes culpar-se a si próprio. Por ser Bloco só de nome (teve duas dissidências, pela esquerda e pela direita). Pela liderança bicéfala que escolheu como se padecesse de crise de identidade. E por funcionar como cópia do PCP, esgotando-se em acções de protesto. O original é sempre preferível à cópia: só Alfredo Barroso parece ter-se convencido do contrário.

 

5. Em noite de europeias, há comentadores residentes nas pantalhas que não fazem ideia quantos deputados tem o Parlamento Europeu. Alguns, estranhamente, até parecem fazer gala nisso. Espero que as televisões se lembrem deles na próxima vez em que decidirem fazer uma daquelas reportagens de rua com perguntas de algibeira destinadas a provar que o povo é ignorante...

Um dos vencedores da noite

por Pedro Correia, em 25.05.14

 

António Marinho Pinto -- sem dinheiro, sem estrutura de apoio, sem máquina de campanha, quase sem cobertura jornalística, com uma sigla partidária ignorada até há dias por quase todos os portugueses -- ultrapassa o Bloco de Esquerda, que dispôs de amplos holofotes mediáticos. É eleito eurodeputado, como aqui previ a 26 de Janeiro, e pode até ver o MPT eleger um segundo representante para o Parlamento Europeu.

Mais que nunca, este resultado comprova que o quadro político português está pronto a ser reorganizado. Só precisa mesmo de alguém com talento oratório e comprovada capacidade de mostrar alguma diferença para mobilizar um importante fragmento da legião de descontentes, fartos de promessas traídas e das palavras já gastas pelo uso.

Dir-se-á que isso é negativo por representar o triunfo do populismo. Muito mais negativo é haver quase dois terços de eleitores que não reconhecem mérito suficiente a 16 forças eleitorais para confiarem o voto a qualquer delas.

E depois de votar

por Patrícia Reis, em 25.05.14

 

O  meu filho mais velho votou hoje pela primeira. Consciente do que fazia. Informado. A escola onde votámos estava vazia. A abstenção parece que vai vencer, mais uma vez, estas eleições. É muito triste. Depois pergunto-me: será que a minha avó sabe exactamente o que faz um deputado europeu? Que responsabilidades tem? Que diferença faz? Talvez não. Como ela, existirão muitos, digo eu. Culpa dos partidos e, mea culpa solidária com quem é da profissão, dos jornalistas. Os americanos aprenderam o sistema político que têm com uma série televisiva, "Os Homens do Presidente". Os europeus também agradeceram essa oportunidade. Cá quem explica o quê? Neste dias, apesar de me saber longe das redacções, penso que gostaria de voltar ao jornalismo. É um sentimento que dura um nanosegundo. Vejo os jornais e tenho pena. Vejo os jornais na televisão - começam com o Palito (um caso triste, claro, mas há destes todos os dias no CM e no JN) e depois as malas dos jogadores do país vizinho. As grelhas televisivas são iguais, é a contra-programação e o serviço público está nas mãos de comentadores que, há anos, vivem disso: comentar. À saída da escola onde votámos estavam dois bombeiros, um homem, uma mulher. Tinham uma maca e estavam a fazer um peditório para os Bombeiros de Moscavide. Eu tirei uma nota do bolso. A maca estava cheia de moedas. Tive vergonha de ter uma nota para dar. É triste? Sim, é a minha tristeza. 

 

(Sérgio, desculpa repetir a tua imagem, mas é tão certeira que não resisto)

Eu queria reflectir!

por Helena Sacadura Cabral, em 24.05.14

Eles mandam reflectir. Eu queria reflectir. Mas não tem sido possível porque não tenho feito outra coisa que não seja "topar" com espanhóis que me perguntam onde ficam os Jerónimos e os pasteis de Belém.
Eu queria reflectir mas meti-me no carro e não passei da segunda velocidade tal a fila de trânsito que reflectia a quantidade de vizinhos que aqui se encontram.
Eu queria reflectir e por isso decidi ir à Basílica da Estrela para encontrar algum sossego. Mas nem aí pude faze-lo porque o corrupio de visitantes não deu tréguas ao meu esforço.
Eu queria reflectir mas a família decidiu que era na minha casa que se jantava e via o jogo. Assim tive que me pôr à cozinha, para dar de comer a dois jovens que não sei onde armazenam o que ingerem, mas sei que comem muito.
Eu queria reflectir mas depois do jogo vai ser difícil porque a minha malta deve querer ir ver o povo nas ruas e eu tenho que, antes, arrumar a cozinha.
Eu queria reflectir...mas sou o reflexo da fadiga que provocam sempre estes dias de reflexão!


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