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Pós-eleitoral (3)

por Pedro Correia, em 27.05.14

1. Primeira decisão pós-eleitoral do PCP: o anúncio da sexta moção de censura a este governo. Uma decisão que Passos Coelho agradece: fragilizado nas urnas domingo à noite, robustecido no Parlamento daqui a uns dias, graças à boleia comunista. Destinada sobretudo a obscurecer ainda mais o frágil triunfo do PS. Há coisas que nunca mudam na esquerda portuguesa.

 

2. Espantam-se alguns com a débil expressão eleitoral do Partido Socialista. Falta acrescentar que seria ainda mais estreita sem o oportuno empurrãozinho que lhe deu António Capucho. Nem quero imaginar o que seria de António José Seguro sem este apoio.

 

3. Ou muito me engano ou virão aí alterações à anacrónica lei eleitoral que concede todo o poder de composição e ordenamento das listas aos directórios partidários e nenhum aos cidadãos. Acossado, o chamado "arco da governação" vai tentar enfim aproximar eleitos de eleitores - embora o tiro, já tardio, possa sair-lhe pela culatra.

Ler os outros

por Pedro Correia, em 27.05.14

Pedro Magalhães: «PSD e CDS têm, em conjunto, menos 12,4% que nas anteriores europeias (quando estavam na oposição).»

 

Paulo Gorjão: «O PS ganhou mas é um partido cada vez mais intranquilo e que pressente um desaire em 2015.»

 

Rodrigo Adão da Fonseca: «A vitória de António José Seguro foi tão colossal que hoje ligamos a televisão e só dá António Costa, regressado de Alcácer-Quibir.»

 

Vital Moreira: «A decepcionante escassez  da vitória numas eleições em que tudo lhe era favorável deixa pouca margem ao PS para uma vitória robusta nas legislativas.»

 

Sofia Loureiro dos Santos: «Temos que acabar de vez com esta pseudo política pseudo humana e pseudo simpática de pseudo corações em pseudo líderes.»

 

Paulo Pedroso: «É patético que o PS pense que pode, a partir desta base e neste contexto, fazer uma campanha assente na reivindicação de uma maioria absoluta.»

 

Luís Novaes Tito: «António José Seguro teve a coragem de avançar quando todos se esconderam e preferiram calcular as suas vidinhas futuras, fugindo às responsabilidades de suceder na oposição a um desaire eleitoral.»

 

João Pedro Pimenta: «As consequências imediatas parecem estar a atingir, antes de mais, o PS. Quando é que um partido vencedor registou tal convulsão interna?»

 

Luís Naves: «Os partidos profissionais de poder tiveram resultados miseráveis.»

 

Maria João Marques: «Apetece perguntar ao PSD e ao CDS: de que vos (e nos) valem os fracos resultados do PS, se perderem o juízo?»

 

Mr. Brown: «Esta luta taco a taco entre PSD+CDS e PS só é possível por um motivo: não há quem apareça a colocar no mapa um novo partido de direita.»

 

Rui Albuquerque: «Os 7% de votos na lista de Marinho Pinto são um protesto contra o sistema político e aquilo que os eleitores entendem ser a corrupção da classe política.»

 

Porfírio Silva: «Não vale a pena querer substituir a luta política pela tentação de mudar de povo.»

 

Joana Lopes: «O Bloco bem pode arrumar as ideias e a casa, rapidamente e em força.»

 

Filipe Nunes Vicente: «Rui Tavares perdeu o lugar de eurodeputado, o Bloco perdeu dois. Mais uma ou duas uniões de esquerda e o PCP fica com bar aberto.»

 

João Rodrigues: «As acusações de populismo, a palavra preferida de certas elites, e de eurocepticismo valem bem a tarefa para uma esquerda que não anda a dormir e que sabe que não há mais tempo a comprar.»

 

João Gonçalves: «Tudo somado, entrámos no pântano que Guterres, em Dezembro de 2001, pretendeu evitar com a sua lúcida demissão.»

 

José Gabriel: «A abstenção como total demissão de intervir – e não ignoro que muitos dos que se abstêm têm plena consciência disto e não procuram desculpas, pois que a sua decisão é pensada – é uma ilusão.»

 

António Pais: «Quem não avançar agora, exigindo uma clarificação e submetendo aos militantes dos respectivos partidos (e por arrasto aos restantes cidadãos) o seu projecto, é tão cobarde como os actuais chefes.»

 

(actualizado)

Profetas da nossa terra (27)

por Pedro Correia, em 26.05.14

«Prevejo uma vitória esmagadora do Partido Socialista. Prevejo uma hecatombe da coligação, que ficará abaixo dos 30%. O PS vai ficar acima dos 40%, com certeza... 42%. Prevejo uma diferença entre 10% e 14%.»

José António Saraiva, RTP, 21 de Maio de 2014

Pós-eleitoral (2)

por Pedro Correia, em 26.05.14

1. O PCP rejuvenesceu, o Bloco envelheceu. Trocaram de papéis. Isso reflectiu-se nos votos.

 

2. Aumentaram os nulos, baixaram os brancos. Culpa das redes sociais, que já intereferem nas câmaras de voto. A malta adora fotografar o boletim de voto riscado e divulgá-lo nas redes sociais. Nítido nulo.

 

3. Os partidos que defendem a saída de Portugal no euro, todos somados, recolheram ontem apenas 15% dos votos expressos. As coisas são o que são.

Hoje!

por Helena Sacadura Cabral, em 26.05.14
Pronto, já estamos no dia seguinte. Eu, a preparar-me para a Feira do Livro, os políticos a prepararem-se, desde ontem, para a Feira das Vaidades e as suas danças, que não serão poucas…
O povo escolheu. Sabiamente, como já nos habituou. O país está a tornar-se cada vez mais ingovernável, nos velhos moldes políticos que conhecemos e a mostrar, desde as autárquicas, que ou os partidos mudam ou o seu poder vai progressivamente desaparecer. 
A abstenção, os votos brancos e os votos nulos só atestam o que digo. Pesadíssima derrota para o governo e BE - os extremos acabam por se tocar - e vitória amarga para o PS, que não vai saber o que fazer com ela, sobretudo, se insistir em manter Seguro que, assim, se tornará o "passaporte" ideal para a coligação  que nos governa.
Na Europa a direita e a esquerda mais radicais fortaleceram as suas posições, os eurocepticos afirmaram-se e na Alemanha a senhora Merkel não deve estar propriamente a esfregar as mãos.
Conclusão, a Europa ou muda ou a UE desintegra-se. A caminhada já começou. E Portugal ou muda ou torna-se ingovernável, seja com 80 ou 120 medidas, com manifestos assinados pela esquerda e direita ou com outros que "não querem mais isto".
Hoje a política não pode fazer-se nos mesmos moldes de há quatro décadas e os líderes estão demasiado velhos para escolherem o futuro daqueles que agora têm vinte e poucos anos. Não perceber isto é caminhar para os nacionalismos exacerbados e reverter a democracia!

Pós-eleitoral (1)

por Pedro Correia, em 26.05.14

1. A perda de autonomia do CDS face ao PSD em sucessivos escrutínios eleitorais ameaça torná-lo uma espécie de Verdes do PCP. Começou nas autárquicas, prosseguiu nas europeias. Se esta tendência se prolongar nas legislativas, o parceiro menor da actual coligação governamental mergulha na irrelevância.

 

2. Um pouco por toda a Europa, face à pressão dos extremismos, os resultados eleitorais potenciam soluções de bloco central. Neste sentido, o escrutínio de ontem é o primeiro capítulo da "grande coligação" destinada a concretizar-se em 2015. Dispensando os pequenos partidos, naturalmente.

 

3. Atenção aos especialistas em marketing político: os slogans eleitorais devem ser sempre avaliados em função não só da véspera mas também do dia seguinte. Aquela que parecia a melhor mensagem, a do Bloco de Esquerda, transforma-se numa das piores à luz dos resultados concretos. "De pé" anteontem, de rastos agora.

Brevíssimas

por Pedro Correia, em 26.05.14

O Bloco, com liderança bicéfala, perde duplamente.

Seguro teve um triunfo esmagador. Na projecção do socialista Oliveira e Costa.

Marinho Pinto começou a ganhar o lugar na Europa no dia em que venceu Moura Guedes na TVI.

O PCP, coerente como sempre, vai manter a letra J. Jerónimo dará lugar a João, não tarda muito.

Passos e Portas não irão coligados em 2015. A Aliança Portugal (parte 2) é pequena de mais para nela caberem ambos.

O dia seguinte.

por Luís Menezes Leitão, em 26.05.14

 

O que se passou ontem foi uma hecatombe para os partidos do arco da governação. E se não arrepiarem caminho, poderemos assistir a uma "pasokização" geral dos partidos tradicionais, que revolucionará o nosso sistema político, levando partidos extremistas à vitória eleitoral, como se passou ontem na Grécia. PSD e CDS demonstraram que neste momento em coligação não valem sequer 30% dos votos. E o CDS irá provavelmente ter menos deputados europeus do que o MPT. Por muito menos que isto, já se desfizeram coligações à direita. Freitas do Amaral rompeu com a AD quando em 1982 esta teve 42% dos votos numas autárquicas. Mas agora, depois da sua birra de Julho passado, Portas tornou-se tão irrevogável que vai manter a coligação até ao fim, que será provavelmente também o do seu partido. Quanto ao PSD, entrou de tal forma num delírio pró-troika que Marques Mendes até já propôs Maria Luís Albuquerque como sucessora de Passos Coelho. Na verdade, os actuais dirigentes do PSD estão de tal forma deslumbrados com o reconhecimento que obtêm por parte dos nossos credores, que estão a encaminhar o PSD para o suicídio político. Não é com ratings e mercados que se ganham eleições, mas com os votos daqueles portugueses que todos os dias estão a sacrificar. E como eles não são masoquistas, não é provável que voltem a votar nesses partidos.

 

Quanto ao PS, está longe de poder cantar vitória. O discurso de vitória ensaiado por Seguro soou completamente a falso. Se o PS fosse inteligente, substituía-o imediatamente. Neste momento, também está demasiado comprometido com um discurso pró-troika para ser alternativa.

 

O grande vencedor de ontem foi Marinho e Pinto, que só não teve um resultado melhor, porque foi ignorado pela comunicação social e poucos conheciam o partido pelo qual concorria. Mas a partir de agora é preciso contar com ele. Acredito que vai marcar presença nas presidenciais. E se os candidatos forem tão insossos como Guterres e Marcelo, o seu discurso pode fazer muitos estragos. Aguardemos para ver.

Visto à distância

por Sérgio de Almeida Correia, em 26.05.14

1. Tirando a surpresa, aparente, que constituiu o resultado de Marinho e Pinto e do MPT, tudo o mais que se viu relativamente à quota-parte nacional nas eleições para o Parlamento Europeu está dentro do que seria de esperar.

2. Começando pela abstenção, o nível atingido continua a ser ainda demasiado lisonjeiro para a classe política e os partidos. A preocupação que alguns ainda demonstram pelos valores da abstenção continua sem qualquer correspondência numa vontade efectiva de mudança. A Europa continua distante, muito distante. Os incentivos para as pessoas se informarem, participarem no quase inexistente debate político e irem às urnas não são suficientemente mobilizadores. Enquanto for possível constituir as mesas eleitorais, as urnas abrirem para a votação e houver um cidadão que seja a votar, tudo continuará como até aqui. Os partidos vivem noutro mundo.

3. Tão lisonjeiros quanto a abstenção são os resultados da travestida Aliança Portugal (PSD/CDS-PP) e do PS. Era tão natural que o PS vencesse as eleições europeias como previsível a derrota dos partidos do governo. Mesmo sem contar com o elevado nível da abstenção, o PS vence com uma percentagem sofrível (31,5%) e um número total de votos - pouco superior a um milhão - que não dá segurança e conforto a ninguém para umas legislativas. Nem aos eleitores, nem ao PS. Francisco Assis fez o seu trabalho e fê-lo bem feito. A diferença entre aquele que poderia ter sido o resultado do PS perante o estado actual da coligação e a campanha de Paulo Rangel e o resultado obtido não lhe pode ser imputado. E ficaremos sempre sem saber se este resultado é só uma consequência dos desencontros e reencontros com Mário Soares e José Sócrates, da inabilidade política, da forma como o processo foi (mal) gerido e a lista formada, ou se de tudo isso ao mesmo tempo.  Para a Aliança Portugal o resultado, sendo mau, não é tão catastrófico quanto se poderia à partida admitir. É certo que Paulo Rangel voltou a mostrar ser um mau candidato, cuja retórica não acrescenta nada à vida política, ficando abaixo dos 30%, não conseguindo tirar qualquer partido do efeito coligação na conversão dos votos em mandatos, mas ainda assim ficou acima dos 25% na linha da maré baixa. Isto permitirá ao Presidente da República manter tudo como está. No limbo, que é onde os indecisos se sentem bem.

4. A CDU consegue um bom resultado apesar de só ganhar cerca de quarenta mil votos em relação a 2009. Quarenta mil votos não chegam para fazer passar uma moção de censura, ganhar eleições, derrubar governos. A CDU corre em pista própria, continua a falar para si e para o seu eleitorado, por isso o seu crescimento é irrelevante. Se mantiver os dois deputados saberá sempre a pouco.

5. O resultado do MPT mostra que Marinho e Pinto sozinho vale 200.000 votos. Ficando no PE não poderá ter grande influência nas legislativas, mas esses votos poderão fazer a diferença no próximo acto eleitoral, não só porque são de eleitores que vão às urnas, mas também porque representam gente descontente e com voto flutuante. De qualquer modo, um homem sozinho com 200.00 votos na mão e o seu discurso é um perigo para os partidos. Seria interessante saber onde foi ele buscar esses votos, mas duvido que sem um cabeça-de-lista como ele o MPT mantenha os votos em legislativas. Além de que nestas as preocupações dos eleitores são outras. 

6. O Bloco de Esquerda e o Livre perderam em toda a linha. O primeiro porque sem a inteligência e o carisma de um Louçã, e sem ninguém que consiga preencher o enorme vazio deixado por Miguel Portas, tornou-se em mais um corpo eleitoralmente anódino, sem força, sem ideias e sem liderança, num borrão daquilo que foi. O Livre perdeu porque a simpatia, a competência e o arrojo de Rui Tavares não são suficientes para federar uma legião de descontentes que, como se viu, nem o seu próprio eleitorado percebeu o que propõe e para onde quer ir. O eleitorado já não vai em aventuras e na hora de pagar as contas vale pouco o discurso solidário sem alternativas consistentes e credíveis.

7. Os outros continuam a não existir, apesar de lhes admirar a persistência e o idealismo.

8. Os votos nulos aumentaram, mas os brancos também diminuíram. No cômputo geral ficou tudo na mesma.

Lá fora

por Pedro Correia, em 26.05.14

Alemanha: CDU de Merkel vence com pior resultado de sempre. Alternativa Pela Alemanha, eurocéptica, elege sete eurodeputados.

 

Espanha: PP e PSOE perdem 17 deputados. Novo partido, Podemos, assume-se como quarta força eleitoral e terceira em Madrid.

 

França: Vitória da Frente Nacional, com 26%. Partido Socialista, do Presidente Hollande, afunda-se - com o pior resultado da sua história.

 

Itália: Esquerda esmaga nas urnas, partido de Berlusconi em queda. Movimento de Grillo é segundo, com 21%.

 

Grécia: Syriza ultrapassa conservadores, vencendo escrutínio. Aurora Dourada, partido neonazi, ascende ao terceiro lugar.

 

Reino Unido: Grande triunfo da direita eurocéptica. Partido Independente quebra histórico rotativismo entre conservadores e trabalhistas.

Melhor do que qualquer sondagem

por Pedro Correia, em 26.05.14

Mário Soares: «PS vai ganhar mas não por muito.» (10 de Maio)

Na República dos argumentos reversíveis

por Rui Rocha, em 26.05.14

"O país fez uma moção de censura ao governo Sócrates. O CDS dará voz, apresentando uma moção de censura na Assembleia da República como é justo e é merecido"

Paulo Portas na sequência dos resultados das Europeias de 2009.

 

"A iniciativa da direita é um abuso que raia a arrogância ao tentar transformar as eleições europeias em legislativas. Uma coisa é compreender os sinais dos eleitores, e eu estou bem atento a esses sinais, outra coisa, bem diferente, é instrumentalizar os resultados, pretendendo confundir eleições europeias e legislativas”

José Sócrates, em 2009, durante a discussão dessa moção de censura.

 

Noite eleitoral (4)

por Pedro Correia, em 25.05.14

1. Seguro salientou várias vezes, no discurso desta noite, que as europeias foram ganhas pelo PS. Cada vez que dizia isto conseguia diminuir um pouco mais a dimensão do seu exíguo triunfo eleitoral. Qual será a necessidade de sublinhar aquilo que parece óbvio?

 

2. José Sócrates apareceu pouco na campanha socialista, mas foi quanto bastou para ser de mais. O PS só ganha em afastar-se da herança socrática se tiver sérias ambições de assumir o governo em 2015.

 

3. Já antes desta derrota o Governo dava claros sinais de desgaste. O escrutínio de hoje torna imperiosa uma remodelação governamental. Quanto mais depressa o primeiro-ministro a fizer mais poderá beneficiar com isso.

 

4. Quem tem razões para sorrir é o Presidente da República, assumido adepto de uma "grande coligação" à moda alemã ou austríaca. O Bloco Central vai fazendo a sua marcha, com uma cadência lenta mas irreversível. Não está ainda inscrito nas urnas, mas já parece escrito nos astros.

Noite eleitoral (3)

por Pedro Correia, em 25.05.14

1. A enorme taxa de abstenção não permite fazer extrapolações dos resultados desta noite para uma eventual eleição legislativa. A participação eleitoral e a motivação dos votantes é muito superior em legislativas. Só por um monumental erro de gestão política da actual maioria esta legislatura chegará ao fim antes da data prevista.

 

2. João Ferreira, com boa imagem e um discurso populista de esquerda contra o euro, fez nesta campanha o tirocínio para substituir Jerónimo de Sousa como secretário-geral do PCP. Passou no teste.

 

3. A vitória de Seguro, embora menos folgada do que algumas sondagens previam, é suficiente para manter a sua liderança incontestada. Na perspectiva do PSD, esta pode até ser uma das melhores notícias da noite.

Discurso da vitória

por Rui Rocha, em 25.05.14

Marinho e Pinto falou depois de Seguro.

Noite eleitoral (2)

por Pedro Correia, em 25.05.14

1. Rui Tavares surgiu em defesa aberta da quadratura do círculo: fracturou ainda mais a esquerda em nome da unidade da esquerda. No entanto, a última coisa de que a esquerda necessita é de mais um partido: pelo menos nove que se reclamam desta área política concorreram à eleição de hoje. Não admira, portanto, que a Livre papoila tivesse murchado nesta sua noite de estreia eleitoral.

 

2. O Bloco apela, como mais ninguém, à ética da responsabilidade. Mas esta lógica só parece funcionar para os outros. Intramuros, os bloquistas continuam sem retirar as devidas ilações das sucessivas derrotas que vêm sofrendo nas urnas. Será que o farão agora, quando foram a única força política de esquerda a recuar nas urnas, com menos de metade da votação conseguida em 2009 e só com um terço do número de eleitos nesse ano?

 

3. É evidente que a CDU capitalizou o essencial do voto de protesto. Que só surpreende por ficar aquém do que quase todos previam após três anos de duríssimas medidas de austeridade impostas pelo memorando de entendimento. Falta aos comunistas dar o passo seguinte: como transformar o protesto em contributo para uma futura maioria governamental? Basta perguntarem aos camaradas espanhóis, que já puseram isso em prática na Andaluzia.

E do Pedro Silva Pereira

por Rui Rocha, em 25.05.14

Sim, também nos livrámos do gémeo bivitelino.

Noite eleitoral (1)

por Pedro Correia, em 25.05.14

1. Castigo pesado da coligação no Governo. O pior resultado de que há memória para o PSD em coligação com o CDS. Fica bem evidente que certas somas apenas servem para subtrair: repetir em legislativas a fruste coligação eleitoral das europeias será mais um erro político a somar a tantos outros. Resta ao centro-direita procurar captar parte dos seus eleitores tradicionais que desta vez optaram pela abstenção.

 

2. "Reconciliámo-nos com o País", declarou o cabeça de lista do PS, Francisco Assis. Com um sorriso nada triunfalista, o que é prova de saudável prudência. Os socialistas venceram. Mas, muito aquém dos 44% conquistados por Ferro Rodrigues nas europeias de 2004, estão longe de convencer boa parte do eleitorado. E não conseguiram criar nenhuma onda avassaladora que lhes permita reclamar legislativas antecipadas. Cada coisa a seu tempo.

 

3. A CDU combateu com êxito a tendência abstencionista, mobilizando o seu eleitorado. Obtém um dos melhores resultados de sempre em europeias, consolida-se como terceira força política e quebra a dinâmica de vitória do PS, cumprindo assim o seu principal desígnio estratégico numa eleição que potencia o voto de protesto como nenhuma outra.

 

4. O BE afunda-se. E não pode culpar os jornalistas: teve muito mais cobertura mediática do que o MPT, que ficou claramente à sua frente. Deve antes culpar-se a si próprio. Por ser Bloco só de nome (teve duas dissidências, pela esquerda e pela direita). Pela liderança bicéfala que escolheu como se padecesse de crise de identidade. E por funcionar como cópia do PCP, esgotando-se em acções de protesto. O original é sempre preferível à cópia: só Alfredo Barroso parece ter-se convencido do contrário.

 

5. Em noite de europeias, há comentadores residentes nas pantalhas que não fazem ideia quantos deputados tem o Parlamento Europeu. Alguns, estranhamente, até parecem fazer gala nisso. Espero que as televisões se lembrem deles na próxima vez em que decidirem fazer uma daquelas reportagens de rua com perguntas de algibeira destinadas a provar que o povo é ignorante...

Um dos vencedores da noite

por Pedro Correia, em 25.05.14

 

António Marinho Pinto -- sem dinheiro, sem estrutura de apoio, sem máquina de campanha, quase sem cobertura jornalística, com uma sigla partidária ignorada até há dias por quase todos os portugueses -- ultrapassa o Bloco de Esquerda, que dispôs de amplos holofotes mediáticos. É eleito eurodeputado, como aqui previ a 26 de Janeiro, e pode até ver o MPT eleger um segundo representante para o Parlamento Europeu.

Mais que nunca, este resultado comprova que o quadro político português está pronto a ser reorganizado. Só precisa mesmo de alguém com talento oratório e comprovada capacidade de mostrar alguma diferença para mobilizar um importante fragmento da legião de descontentes, fartos de promessas traídas e das palavras já gastas pelo uso.

Dir-se-á que isso é negativo por representar o triunfo do populismo. Muito mais negativo é haver quase dois terços de eleitores que não reconhecem mérito suficiente a 16 forças eleitorais para confiarem o voto a qualquer delas.

Depois de fechadas as urnas

por Rui Rocha, em 25.05.14

O regime continuará em câmara ardente.


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