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Delito de Opinião

O discurso de Marcelo

José António Abreu, 22.02.14

Pode analisar-se-lhe a sinceridade, as motivações, a oportunidade, a coerência, as consequências (por exemplo: será lamentável se vier a atenuar os efeitos do excelente discurso de Paulo Rangel). Prefiro salientar outro ponto: a utilização do humor. Há falta de humor nos discursos políticos nacionais. Por insegurança (parente muito chegada da arrogância), os políticos portugueses – na verdade, os portugueses em geral – levam-se demasiado a sério, tendo dificuldade em lidar com a ironia, que consideram falta de respeito. Não se passa o mesmo noutros países, em especial nos anglo-saxónicos. Aí, o humor é uma velha e insigne tradição, surgindo nos discursos políticos como sinal de desprendimento e inteligência. Foi isto que Marcelo trouxe ao congresso do PSD.

Finalmente, um convidado que aceitou o convite...

Sérgio de Almeida Correia, 21.02.14

Só espero que o deixem discursar. Sabendo-se que desde os tempos de Santana Lopes que não aparece um "estadista" por aquelas bandas que dispense o lençol escrito e o estrado, seria uma pena que não o deixassem falar. Temas não lhe faltam. Da CPLP de Obiang aos cortes permanentes na função pública, sem esquecer as questões do referendo, os leitões, os sorteios do fisco, as reformas e a emigração de jovens com mais de 65 anos, será um rosário sem fim. Com sorte ainda passa em revista todos os temas do Carnaval da Mealhada.

Só um acrónimo infeliz...?

Ana Lima, 08.06.11

O VIII Congresso Europeu de Tribunais de Contas decorreu a semana passada em Lisboa. Os cartazes ainda se encontram em alguns mupis na cidade.

Eu sei que o nome da organização é mesmo assim: European Organisation of Supreme Audit Institutions. Mas há alturas em que mais vale substituir as siglas pelo extenso. Ou será que nos estão a querer dizer alguma coisa? 

 

Vitorino (e outros) a torcer o pepino

Rui Rocha, 14.04.11

Este artigo de Manuel Maria Carrilho é demolidor. Mas, o que diz não é novo nem original. Relativamente às posições de Carrilho poderá sempre lançar-se a dúvida sobre os reais motivos que justificam a sua divergência. O certo é que o que Carrilho diz sobre o recente Congresso do PS, muitos outros disseram, nos últimos dias, por outras palavras. Trago-o aqui, sobretudo, porque um parágrafo do texto me parece uma excelente legenda para algumas imagens que é importante registar para memória futura. E também para entendimento do presente. Não chegámos aqui por acaso.

 

O parágrafo é este:

"Como na história ficará também a indigência intelectual e o perfil ético de tantos "senadores" do PS que subiram ao palco para - com completo conhecimento de causa sobre o gravíssimo estado do País - acenar cinicamente aos militantes e aos Portugueses, por puro e interessado calculismo político".

As imagens são estas:

 

 

 

Ilusões, alucinações e o Congresso do PS (Partido de Sócrates)

Rui Rocha, 10.04.11

O Congresso do PS (Partido de Sócrates) não pode ser entendido sem que se enuncie uma distinção entre os conceitos próximos, mas não coincidentes, de ilusão e de alucinação. A ilusão não vive sem a realidade. Constrói-se a partir dela, transformando-a e deformando-a. A alucinação é uma percepção sem objecto. Vive por si, sem qualquer dependência da realidade. Sócrates já foi um vendedor de ilusões. E os resultados eleitorais demonstram que teve um certo talento nesse ramo de actividade. O problema de Sócrates é que tem tanto mérito na venda de ilusões como demérito na actividade de pagador de promessas. E isso é fatal no ramo das ilusões. Recorde-se: estas não sobrevivem na ausência de um nadinha de realidade. A reserva de realidade nas ilusões vendidas por Sócrates esgotou-se. Por isso, Sócrates decidiu mudar de ramo. Agora, está no negócio das alucinações. A moção global de Sócrates aprovada no Congresso de Matosinhos com mais de 97% dos votos é um bom exemplo. Dei-me ao trabalho de a ler de fio a pavio (pode obter-se aqui). O que impressiona é a total ausência de realidade. É uma moção de apoio ao programa de um governo, que define uma estratégia de defesa face à crise da dívida soberana e que salienta a importância da estabilidade política. Entretanto, o governo já caiu, foi formalizado o pedido de ajuda externa e foram convocadas eleições. E isto leva-nos a um aspecto fundamental. As ilusões vendem-se a quem procura a esperança. As alucinações são impingidas a quem se encontra numa situação de delírio. A esperança é o estado natural do ser humano. O delírio é a consequência de uma situação patológica. O Congresso dos Amigos de Sócrates revela um partido doente. As próximas eleições permitirão, antes de mais, avaliar o estado de saúde do país.