Tó Zzzzé Seguro apresenta o seu projecto para a Europa.
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Desculpar-me-ão os caríssimos congressistas, mas já vi arguidos em preventiva bastante mais animados.
Muito bem. Mas, pelo que se vê, também não tem ideiazinha nenhuma do que vai fazer com o presente de Sócrates ou com o futuro do país.
Acabam de sobreviver a mais um discurso do Ferro Rodrigues.
Sócrates igual a si próprio: na manhã da abertura do congresso do PS não resiste em dominar as atenções com uma declaração telefónica que fez a manchete do Expresso. Como costumava dizer Hercule Poirot, «o fundamental é conhecermos a natureza humana».
José Lello à RTP: «Mantenho Sócrates no coração.»
Carlos César, na primeira intervenção de maior fôlego no congresso do PS, lança a sua pré-candidatura à Presidência da República.
Era um congresso "sem história", diziam. O PSD sai deste congresso com um cabeça de lista às europeias e um candidato presidencial. O novo ciclo político já começou.
Era um congresso de ex-líderes "ausentes", diziam. Apareceram Balsemão (em vídeo), Machete, Menezes, Mendes, Santana e Marcelo. Vou conferir no dicionário o significado da palavra ausência.
Era um congresso onde haveria pouco ou nada a declarar, diziam. Antes de fazerem elogios, aliás merecidos, aos discursos de Nuno Morais Sarmento, Paulo Rangel e Marcelo Rebelo de Sousa.
Tirando os habituais números de circo e os discursos entusiasmantes que mantêm as massas animadas, uma pequena frase de Boileau, retirada de L´Art Poètique (1674), pode resumir o essencial da festa: "Un sot trouve toujours un plus sot qui l'admire" (Chant I).
Era um congresso "sem notícia", diziam. E no entanto gastaram horas e horas e horas de transmissão directa para noticiar a não-notícia.
Pode analisar-se-lhe a sinceridade, as motivações, a oportunidade, a coerência, as consequências (por exemplo: será lamentável se vier a atenuar os efeitos do excelente discurso de Paulo Rangel). Prefiro salientar outro ponto: a utilização do humor. Há falta de humor nos discursos políticos nacionais. Por insegurança (parente muito chegada da arrogância), os políticos portugueses – na verdade, os portugueses em geral – levam-se demasiado a sério, tendo dificuldade em lidar com a ironia, que consideram falta de respeito. Não se passa o mesmo noutros países, em especial nos anglo-saxónicos. Aí, o humor é uma velha e insigne tradição, surgindo nos discursos políticos como sinal de desprendimento e inteligência. Foi isto que Marcelo trouxe ao congresso do PSD.
Só espero que o deixem discursar. Sabendo-se que desde os tempos de Santana Lopes que não aparece um "estadista" por aquelas bandas que dispense o lençol escrito e o estrado, seria uma pena que não o deixassem falar. Temas não lhe faltam. Da CPLP de Obiang aos cortes permanentes na função pública, sem esquecer as questões do referendo, os leitões, os sorteios do fisco, as reformas e a emigração de jovens com mais de 65 anos, será um rosário sem fim. Com sorte ainda passa em revista todos os temas do Carnaval da Mealhada.
O VIII Congresso Europeu de Tribunais de Contas decorreu a semana passada em Lisboa. Os cartazes ainda se encontram em alguns mupis na cidade.
Eu sei que o nome da organização é mesmo assim: European Organisation of Supreme Audit Institutions. Mas há alturas em que mais vale substituir as siglas pelo extenso. Ou será que nos estão a querer dizer alguma coisa?

O Pedro Correia já se referiu ao assunto ali mais abaixo. Mas, com imagens a coisa percebe-se melhor... Registo que a pergunta foi sobre o que vai mudar. A resposta, bom, a resposta é o que se vê.
Este artigo de Manuel Maria Carrilho é demolidor. Mas, o que diz não é novo nem original. Relativamente às posições de Carrilho poderá sempre lançar-se a dúvida sobre os reais motivos que justificam a sua divergência. O certo é que o que Carrilho diz sobre o recente Congresso do PS, muitos outros disseram, nos últimos dias, por outras palavras. Trago-o aqui, sobretudo, porque um parágrafo do texto me parece uma excelente legenda para algumas imagens que é importante registar para memória futura. E também para entendimento do presente. Não chegámos aqui por acaso.
O parágrafo é este:
"Como na história ficará também a indigência intelectual e o perfil ético de tantos "senadores" do PS que subiram ao palco para - com completo conhecimento de causa sobre o gravíssimo estado do País - acenar cinicamente aos militantes e aos Portugueses, por puro e interessado calculismo político".
As imagens são estas:
O Congresso do PS (Partido de Sócrates) não pode ser entendido sem que se enuncie uma distinção entre os conceitos próximos, mas não coincidentes, de ilusão e de alucinação. A ilusão não vive sem a realidade. Constrói-se a partir dela, transformando-a e deformando-a. A alucinação é uma percepção sem objecto. Vive por si, sem qualquer dependência da realidade. Sócrates já foi um vendedor de ilusões. E os resultados eleitorais demonstram que teve um certo talento nesse ramo de actividade. O problema de Sócrates é que tem tanto mérito na venda de ilusões como demérito na actividade de pagador de promessas. E isso é fatal no ramo das ilusões. Recorde-se: estas não sobrevivem na ausência de um nadinha de realidade. A reserva de realidade nas ilusões vendidas por Sócrates esgotou-se. Por isso, Sócrates decidiu mudar de ramo. Agora, está no negócio das alucinações. A moção global de Sócrates aprovada no Congresso de Matosinhos com mais de 97% dos votos é um bom exemplo. Dei-me ao trabalho de a ler de fio a pavio (pode obter-se aqui). O que impressiona é a total ausência de realidade. É uma moção de apoio ao programa de um governo, que define uma estratégia de defesa face à crise da dívida soberana e que salienta a importância da estabilidade política. Entretanto, o governo já caiu, foi formalizado o pedido de ajuda externa e foram convocadas eleições. E isto leva-nos a um aspecto fundamental. As ilusões vendem-se a quem procura a esperança. As alucinações são impingidas a quem se encontra numa situação de delírio. A esperança é o estado natural do ser humano. O delírio é a consequência de uma situação patológica. O Congresso dos Amigos de Sócrates revela um partido doente. As próximas eleições permitirão, antes de mais, avaliar o estado de saúde do país.