Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Não estraguemos o ambiente; mantenhamos as aparências

por José António Abreu, em 13.12.12

Basta um contacto moderado com empresas do sector industrial para se perceber que os custos associados à protecção do ambiente são múltiplos e, quando somados, tudo menos leves. Acondicionamento e sinalização de produtos químicos, avaliação de riscos, separação e recolha de resíduos, tratamento de emissões, elaboração de planos de contingência, licenciamentos, certificações, taxas, seguros, pessoal técnico, consultores, formação – dinheiro, dinheiro, dinheiro. Já para não falar nas demoras causadas pela burocracia quando se pretende aprovar um projecto de investimento – ainda mais dinheiro. Na realidade, está em causa tanto dinheiro, pago pelas empresas industriais a entidades públicas e privadas, que os interesses para não se encontrar um equilíbrio mais sensato entre o nível de protecção e os custos que lhe estão associados são fortíssimos – e têm do seu lado o poder do politicamente correcto: a gestão ambiental – como a da qualidade e a da segurança – é um negócio (friso «negócio») contra o qual não se pode estar, independentemente do nível de exagero em que o legislador, assessorado por académicos sem noção da realidade e por «especialistas» que ganham tanto melhor a vida quanto mais draconianas forem as medidas preconizadas, resolva cair. Nas pequenas empresas, isto desemboca com frequência no incumprimento da lei (com efeitos mais nefastos para o ambiente do que os que se obteriam com uma legislação um tudo-nada menos exigente e/ou coimas que só prejudicam a situação financeira das empresas em causa) ou no encerramento (por acumulação de custos em época de margens quase nulas). Nas empresas maiores, especialmente quando pertencentes a grupos internacionais, representa um elemento adicional a favor da deslocalização.

 

O mais deprimente é que por vezes toda esta sanha a favor do ambiente nem sequer permite obter melhor qualidade ambiental. E não apenas devido às infracções referidas acima. Num artigo sobre opções energéticas incluído na revista Prospect de Outubro passado surgia um dado curioso: apesar de as emissões de dióxido de carbono para a atmosfera terem descido na maior parte dos países europeus ao longo do último par de décadas, em média cada cidadão é hoje responsável por um teor de emissões mais elevado. A aparente contradição explica-se facilmente: ao mesmo tempo que o consumo aumentou, os produtos consumidos passaram a ser fabricados na China, na Tailândia, no Bangladesh ou num dos muitos outros países onde os requisitos ambientais estão longe de constituir prioridade. Isto é: para além das empresas, deslocalizaram-se – e agravaram-se – as emissões poluentes.

 

Mas a indústria em torno das questões ambientais também pode constituir uma ajuda ao crescimento, certo? Certo. E, por isso, pouca gente hoje defenderá que se corte totalmente o investimento nesta área ou se eliminem todos os requisitos legais de gestão ambiental. Mas torna-se fundamental encontrar um equilíbrio que, a curto prazo, não aumente excessivamente os custos suportados pelas empresas. (E pelos particulares, que basta olhar para a factura da electricidade – em especial para a composição de custos – para entender as consequências de um avanço demasiado rápido.) No tal artigo da Prospect defendia-se um avanço prudente nas renováveis e o aproveitamento das enormes reservas entretanto descobertas de combustíveis que, sendo embora de origem fóssil, são razoavelmente limpos (pelo menos quando comparados com o carvão) e permitem a obtenção de energia mais barata do que a produzida através daquelas – o gás de xisto, por exemplo, que já está a revolucionar o sector energético nos Estados Unidos. E avisava-se: se a Europa insistir em passar do carvão e do nuclear directamente para as renováveis, apenas irá agravar o seu défice de competitividade em relação a outros blocos.

 

Por quê este texto agora? Porque na passada segunda-feira o Ministro Álvaro Santos Pereira disse o óbvio (que a Europa tem de procurar um melhor equilíbrio entre protecção do ambiente e competitividade) e foi de imediato atacado pelas mentes «progressistas» e «bem-pensantes». Na TSF, por entre bonitas tiradas acerca de «economias respeitadoras dos seus cidadãos», um senhor da Quercus acusou-o de estar trinta ou quarenta anos atrasado no tempo. E Carlos Pimenta, esse símbolo de tudo aquilo a que se possa afixar o rótulo de «ambiente», terá achado – podem dizê-lo mas, por favor, não me gravem – as declarações «muito tristes». Eu diria que tristes são estas reacções de virgens ofendidas e que talvez uns quantos anos atrasado ande o senhor da Quercus. Que vogue ainda na época em que a economia europeia conseguia encaixar todas as boas intenções, por muito caras ou extravagantes que fossem, e todos os interesses escondidos por trás delas. Uma época, estou em crer que até os distraídos já notaram, bastante diferente da actual.

Um jardim que ninguém quer

por Ana Vidal, em 14.06.12

 

Durante trinta e quatro anos detentor do pouco edificante título de "maior lixeira a céu aberto da América", o Jardim do Gramacho vai finalmente ser encerrado. E fá-lo mesmo a tempo de não envergonhar os brasileiros no Rio+20, a conferência internacional sobre o ambiente que este ano se realiza no Rio de Janeiro - exactamente a cidade onde se situa este mal amado "jardim" - marcada já para o próximo dia 20 de Junho.

 

Mas até numa lixeira pode nascer a arte. Este estranho e especialíssimo cosmos, policiado apenas por temíveis urubus, onde uma população residente de "catadores" e suas famílias disputa diariamente o seu tóxico habitat com todo o género de indesejável bicharada, foi o cenário inspirador para várias obras do artista plástico Vik Muniz*, a que ele chamou "Lixo Extraordinário". Usando os residentes do Gramacho como modelos no seu cenário natural, Vik fotografou monumentais composições que depois expôs em vários países (em Lisboa a exposição esteve por vários meses no CCB). O originalíssimo trabalho, que alia a arte à consciência social através da denúncia de uma situação pungente, despertou enorme curiosidade e foi muito premiado. Dessa obra ficou, como registo, um documentário que vale a pena ver. Aqui fica o trailer, mas todo o documentário pode ser visto na net.

 

* Vik Muniz é conhecido por usar nas suas obras materiais pouco utilizados habitualmente nas artes plásticas: alimentos (compotas, café, chocolate), material reciclado, desperdício de papel, brinquedos, peças informáticas obsoletas, etc. Com tudo isto compõe figuras de grandes dimensões, que depois fotografa para deixar delas um registo para a posteridade. As obras, essas, são naturalmente efémeras.

Alemanha baixa para "lixo", ok?

por João Carvalho, em 08.02.12

«Poluição atmosférica na Alemanha é a pior dos últimos anos». Mais bem explicado o caso: as autoridades alemãs confirmam que os níveis de poluição do ar registados em 2011 foram maiores do que em anos anteriores, apesar de o país ter aderido às "zonas ambientais" em 2008 — uma espécie de controlo do tráfego de carros em áreas urbanas consideradas de protecção ambiental.

Por mim, a Alemanha baixa imediatamente para o nível de "lixo". Se alguém quiser juntar-se, podemos fundar uma agência de rating anti-alemã a partir deste blogue. Que tal? É certo que a Alemanha não tem túneis como a Madeira, mas isso é muito pior: sem túneis para se esconder, a chancelaria do país tem de meter a cabeça na areia e não consegue ver a realidade em volta.

Green Festival começa no Estoril

por Teresa Ribeiro, em 26.09.11

O maior evento sobre sustentabilidade do país - não é propaganda, é mesmo verdade - começa já na quarta-feira, dia 28, no Centro de Congressos do Estoril. Questões do ambiente, justiça social e desenvolvimento económico sustentável são os tópicos para um grande programa, composto por conferências, workshops, actividades lúdicas e desportivas. Espreitem aqui e aqui. De 28 de Setembro a 2 de Outubro há boas razões para empresas e famílias passarem pelo Green Festival. A entrada é livre.

E não se pode reciclá-los?

por Teresa Ribeiro, em 06.12.09

Refiro-me aos gestores da Sociedade Ponto Verde, empresa responsável pelas mini-lixeiras em que gradualmente se estão a transformar os eco pontos.

Bom ambiente

por João Carvalho, em 15.10.09

 

Aproveito este Blog Action Day  pelo Ambiente

e alinho no apelo que o Carlos Barbosa de Oliveira já trouxe aqui.

O bom ambiente da foto foi obtido

do Faial para o Pico.

Ambiente: o ciclo da ineficácia

por João Carvalho, em 29.08.09

Cíclica e cansativamente, passou a ser um fado arrastado ouvir que o Estado tem continuado a produzir muitos papéis e pouca obra para salvar a orla marítima. Nos quase mil quilómetros da costa continental, os atentados são escandalosos e agrupam-se maioritariamente em dois planos: barracas, habitações precárias e casas modestas construídas sem autorização e que não dispõem das infraestruturas mínimas indispensáveis de salubridade e quejandas (clandestinas, portanto); construções familiares de veraneio ou de exploração turística erguidas com autorização suspeita por conveniências inconfessáveis (de clandestinidade encoberta por despachos irregulares, portanto).

Ainda há poucos anos, o anterior ministro do Ambiente parecia um irredutível gaulês quando declarou que iria arrasar com tudo o que estivesse a mais. Ia fazê-lo em dois tempos, mas ficou tudo na mesma em dois contratempos: primeiro, o tal ex-ministro deve ter percebido que tinha de arrasar com a sua propriedade de ócio numa reserva natural e, depois, ainda por cima, ele próprio não teve tempo para cumprir a sua palavra por estar muito ocupado a estudar o destino de milhares de sobreiros que a lei determinara serem intocáveis. Um caso bicudo, como se calcula, já que era preciso abatê-los sem lhes tocar. Era como estrelar um ovo sem lhe partir a casca, não é verdade?

Já nestes últimos anos, o actual governo foi deixando as coisas como estavam, mas acaba por ter menos culpas no seu cartório. É o resultado – reconheça-se em abono da verdade – de ter Ministério do Ambiente e não ter ministro. Temos de ser justos: era muito difícil alterar a situação com este estranho modelo.

Imagem — Um raminho de sobreiro intocável

que sobrou do célebre abate em Portucale.

Propaganda em três tempos

por João Carvalho, em 29.07.09

1. As novas instalações judiciais de Lisboa constituem agora palco de propaganda do governo. Nas Varas Criminais, os monitores de última geração promovem as acções do ministro da Justiça, através de uma filmagem em que o protagonista que conduz o espectador é o próprio ministro da Justiça. Alberto Costa contraria a indignação que a insólita iniciativa está a provocar, declarando que se trata apenas de informar de modo objectivo. Informar sobre as vantagens de se ter um ministro como ele, supõe-se.

 

2. A ideia é curiosa. Informar objectivamente sobre o que de bom um ministro faz é um dever, para que se perceba a razão pela qual os portugueses não cabem em si de contentes. Como é suposto todos os ministros acharem bem feito aquilo que fazem, não se vislumbra qualquer motivo para que os restantes ministros não se promovam de modo semelhante. Rodados os filmes e adquirido o equipamento, a única dificuldade parece ser encontrar lugares suficientes para transmitir todos os filmes do governo.

 

3. O caso mais complicado há-de ser a rodagem do filme sobre a actividade do ministro do Ambiente. A menos que seja aceitável uma curta-metragem sobre a sua inactividade. Com vista sobre a costa portuguesa, prolongada com vista sobre a costa espanhola, mais a costa francesa, a costa italiana e a costa grega. E intervalo para café. E uma alegoria inspirada no padre António Vieira, mas com um sermão às árvores. (Peço desculpa por não mencionar o nome dele, mas ninguém soube dizer-mo.  Só me dizem que existe.)

Crise ambiental: um desafio comum

por José Gomes André, em 26.01.09

Terá passado algo despercebido, mas o Luís Naves escreveu aqui há dias um notável texto sobre o problema da política ambiental, no qual avança com uma tese que subscrevo em absoluto: esta não é uma questão partidária ou ideológica, mas antes um problema que diz respeito à humanidade no seu todo. Claro que existem divergências sobre o tema específico do aquecimento global ou da dependência energética, mas não há hoje dúvidas sobre a existência de uma crise ambiental à escala planetária, que se traduz num empobrecimento da biosfera, na degradação da atmosfera, no surgimento de alterações climáticas e na poluição de recursos imprescindíveis à vida humana.

A crise ambiental é o maior desafio alguma vez enfrentado pelos seres humanos, pois é a sua sobrevivência que está em causa. A gravidade da situação não permite que a adiemos para as gerações futuras, nem que nos refugiemos em meras barricadas ideológicas. Admito que alguns se divirtam a zombar da “cruzada” de Al Gore ou que falem dos nevões americanos para criticar a tese do “aquecimento global”. Mas seria absolutamente irresponsável deixarmos que estes fait-divers nos afastassem do essencial: que é necessário combater a crise ambiental de forma racional, consistente, imediata e de um modo concertado a nível mundial, envolvendo autoridades civis e gabinetes governativos, universidades e indústrias, empresas e cidadãos anónimos.


O nosso livro



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.




Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D