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Ambiente: o ciclo da ineficácia

por João Carvalho, em 29.08.09

Cíclica e cansativamente, passou a ser um fado arrastado ouvir que o Estado tem continuado a produzir muitos papéis e pouca obra para salvar a orla marítima. Nos quase mil quilómetros da costa continental, os atentados são escandalosos e agrupam-se maioritariamente em dois planos: barracas, habitações precárias e casas modestas construídas sem autorização e que não dispõem das infraestruturas mínimas indispensáveis de salubridade e quejandas (clandestinas, portanto); construções familiares de veraneio ou de exploração turística erguidas com autorização suspeita por conveniências inconfessáveis (de clandestinidade encoberta por despachos irregulares, portanto).

Ainda há poucos anos, o anterior ministro do Ambiente parecia um irredutível gaulês quando declarou que iria arrasar com tudo o que estivesse a mais. Ia fazê-lo em dois tempos, mas ficou tudo na mesma em dois contratempos: primeiro, o tal ex-ministro deve ter percebido que tinha de arrasar com a sua propriedade de ócio numa reserva natural e, depois, ainda por cima, ele próprio não teve tempo para cumprir a sua palavra por estar muito ocupado a estudar o destino de milhares de sobreiros que a lei determinara serem intocáveis. Um caso bicudo, como se calcula, já que era preciso abatê-los sem lhes tocar. Era como estrelar um ovo sem lhe partir a casca, não é verdade?

Já nestes últimos anos, o actual governo foi deixando as coisas como estavam, mas acaba por ter menos culpas no seu cartório. É o resultado – reconheça-se em abono da verdade – de ter Ministério do Ambiente e não ter ministro. Temos de ser justos: era muito difícil alterar a situação com este estranho modelo.

Imagem — Um raminho de sobreiro intocável

que sobrou do célebre abate em Portucale.

Propaganda em três tempos

por João Carvalho, em 29.07.09

1. As novas instalações judiciais de Lisboa constituem agora palco de propaganda do governo. Nas Varas Criminais, os monitores de última geração promovem as acções do ministro da Justiça, através de uma filmagem em que o protagonista que conduz o espectador é o próprio ministro da Justiça. Alberto Costa contraria a indignação que a insólita iniciativa está a provocar, declarando que se trata apenas de informar de modo objectivo. Informar sobre as vantagens de se ter um ministro como ele, supõe-se.

 

2. A ideia é curiosa. Informar objectivamente sobre o que de bom um ministro faz é um dever, para que se perceba a razão pela qual os portugueses não cabem em si de contentes. Como é suposto todos os ministros acharem bem feito aquilo que fazem, não se vislumbra qualquer motivo para que os restantes ministros não se promovam de modo semelhante. Rodados os filmes e adquirido o equipamento, a única dificuldade parece ser encontrar lugares suficientes para transmitir todos os filmes do governo.

 

3. O caso mais complicado há-de ser a rodagem do filme sobre a actividade do ministro do Ambiente. A menos que seja aceitável uma curta-metragem sobre a sua inactividade. Com vista sobre a costa portuguesa, prolongada com vista sobre a costa espanhola, mais a costa francesa, a costa italiana e a costa grega. E intervalo para café. E uma alegoria inspirada no padre António Vieira, mas com um sermão às árvores. (Peço desculpa por não mencionar o nome dele, mas ninguém soube dizer-mo.  Só me dizem que existe.)

Crise ambiental: um desafio comum

por José Gomes André, em 26.01.09

Terá passado algo despercebido, mas o Luís Naves escreveu aqui há dias um notável texto sobre o problema da política ambiental, no qual avança com uma tese que subscrevo em absoluto: esta não é uma questão partidária ou ideológica, mas antes um problema que diz respeito à humanidade no seu todo. Claro que existem divergências sobre o tema específico do aquecimento global ou da dependência energética, mas não há hoje dúvidas sobre a existência de uma crise ambiental à escala planetária, que se traduz num empobrecimento da biosfera, na degradação da atmosfera, no surgimento de alterações climáticas e na poluição de recursos imprescindíveis à vida humana.

A crise ambiental é o maior desafio alguma vez enfrentado pelos seres humanos, pois é a sua sobrevivência que está em causa. A gravidade da situação não permite que a adiemos para as gerações futuras, nem que nos refugiemos em meras barricadas ideológicas. Admito que alguns se divirtam a zombar da “cruzada” de Al Gore ou que falem dos nevões americanos para criticar a tese do “aquecimento global”. Mas seria absolutamente irresponsável deixarmos que estes fait-divers nos afastassem do essencial: que é necessário combater a crise ambiental de forma racional, consistente, imediata e de um modo concertado a nível mundial, envolvendo autoridades civis e gabinetes governativos, universidades e indústrias, empresas e cidadãos anónimos.


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