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Belles toujours

por Pedro Correia, em 05.03.21

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Eugénie Derouand

DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 05.03.21

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Ana Vidal: «Há qualquer coisa de profundamente aberrante na atribuição de um "subsídio de maternidade" (é assim mesmo que se chama) a quem pratica voluntariamente um aborto. Não é, sequer, uma questão de moral, mas do mais elementar bom senso. Para começar, é incompreensível - se não provocatória - a própria designação do subsídio, atribuído exactamente a quem rejeita a maternidade. Mas não é só isso: numa década em que a natalidade atingiu em Portugal os níveis mais baixos de sempre, esperar-se-ia do governo um forte incentivo à procriação. Somos cada vez mais um país de velhos, sem que se divise no horizonte quem trabalhe para sustentar a nossa improdutiva - e cada vez maior - longevidade.»

 

Rui Rocha: «Acordei outra vez com fortes sintomas de cessação de vigência. Perante o agravar da situação, decidi dirigir-me ao exemplar de parceria impúdico-privada que trata da saúde dos contribuintes da minha zona de residência fiscal. Creio que em tempos lhe chamaram hospital. Antes de sair da fonte de IMI (parece-me que há uns anos atrás se chamava casa), muni-me de toda a paciência necessária para enfrentar a sessão de relaxamento (penso que em tempos se dizia horas de espera) na sala onde os impacientes se encontram divididos em dois grupos. O dos que já atingiram a situação de extrema pobreza e o dos que estão a caminho. Os primeiros ainda não pagam taxas demolidoras. Os segundos ainda não pagam imposto de saúde.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Silvio Forever é a "autobiografia não autorizada" de Silvio Berlusconi, de Gian Antonio Stella e Sergio Rizzo, agora adaptada ao cinema por Roberto Faenza e Filippo Macelloni. Espero que em Portugal haja quem encomende o filme. Ou que o Público o distribua numa edição de sexta-feira. Em Itália estreará em 25 de Março.»

Canções com meio século (12)

por Pedro Correia, em 05.03.21

American Pie, de Don McLean

(Álbum: American Pie, 1971)

Um dia na vida

por Paulo Sousa, em 04.03.21

Quando estamos sob pressão, quando as coisas não correm bem e mais uma vez tomamos consciência de quão ilusório é o nosso domínio sobre as variáveis que determinam o nosso dia-a-dia, importa conseguir continuar a maravilhar-se com a magia do mundo.

Talvez devido ao momento que atravesso, foi-me especialmente agradável ver o filme editado pelo YouTube Life in a day 2020, totalmente gravado no dia 20 de Junho pelos seus utilizadores por todo o mundo, partilhando assim connosco um pouco da sua vida.

Recomendo a sua visualização.

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Os ricos que paguem a crise!

por jpt, em 04.03.21

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Leio que a professora Peralta - que, ao que diz a "Sábado", segue agora grã-"influencer" -, propõe com ênfase na última edição "Visão" um aumento de impostos e a recuperação do imposto sucessório. Diz a muito louvada (e, pelos vistos, disputada pelas revistas "sérias") académica:  "Tem de se arranjar maneira de pôr os ricos a pagar a crise."
 
Sobre esta abordagem socioeconómica - que tem "pedigree" social-democrata, como demonstro na referência bibliográfica que acima deixo, e que segue viçosa, como bem sentimos, nós pobres, remediados ou classe média bem-posta -, disse o economista polaco Korzeniowski: "recordo ainda a mocidade que eu tinha e que nunca mais voltei a sentir... de poder viver sempre, sobreviver ao mar, ao céu e aos homens; a sensação enganosa que nos arrasta às alegrias, aos perigos, ao amor, ao esforço inútil... à morte; a convicção triunfante de termos força, o calor da vida numa mão cheia de pó, aquela chama do coração que ano após esmorece, esfria, encolhe até se apagar de todo... e apagar cedo, muito cedo... antes da própria vida".

Capas que fazem tremer diáconos

por Pedro Correia, em 04.03.21

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Vejo as capas de ontem dos dois mais prestigiados diários brasileiros, aqui reproduzidas, e questiono-me o que dirão delas os diáconos de lá ao depararem com manchetes dedicadas à tragédia do Covid-19: «No maior salto da pandemia, país perde 1.726 em 24 horas», titula bombasticamente a respeitável Folha de S. Paulo. «País tem recorde de mortos e SP [São Paulo] deve entrar em fase vermelha», escreve com estrondo o conspícuo O Estado de S. Paulo

Como os diáconos costumam alinhar pelas mesmas cartilhas, dirão certamente algo muito semelhante ao que já afirmou o nosso Diácono Remédios em recente carta aberta no Público. Coisas como esta: «Não podemos aceitar o apontar incessante de culpados, os libelos acusatórios contra responsáveis do Governo.» Ou esta: «Não podemos aceitar a ladainha dos números de infetados [sic] e mortos que acaba por os banalizar.»

A propósito disto, aproveitei para me actualizar consultando os dados divulgados pela Organização Mundial de Saúde referentes a Estados com mais de um milhão de habitantes. Portugal, infelizmente, é o quinto com mais casos do novo coronavírus e o sexto com mais óbitos à escala planetária. O Brasil surge em 25.º na primeira estatística e em 22.º na segunda. Por mal que eles estejam, e estão, em termos proporcionais estamos pior. Porque a população do Brasil é 20 vezes superior à portuguesa.

Razão suficiente - e acrescida - para continuarmos a fazer cá o que a Folha e o Estadão fazem, com a competência que lhes é reconhecida.

DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 04.03.21

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Jansenista: «Proust dizia que os livros são como cemitérios nos quais as lápides têm inscrições que o tempo apagou (na linguagem dos comuns, são um compósito de dívidas de que não retivemos a primitiva autoria). Faute de mieux, recobri as minhas lápides com cromos coloridos e músicas que me soam bem – como se fosse um jansenista traidor, um daqueles que ainda foram a tempo de se reconciliarem com a vida.»

 

Paulo Gorjão: «Desta vez Pedro Santana Lopes não está a pensar fundar um novo partido, tal como aconteceu por diversas vezes na última década. Por agora regressamos ao mote da distância em relação ao partido. Boring

 

Rui Rocha: «Jorge Sampaio foi seguramente o Presidente que proferiu os discursos menos inteligíveis da história da democracia. Todavia, foi muito claro quando afirmou que há vida para além do défice. E tinha razão. Devia era ter acrescentado que viver acima das possibilidades implica, a médio prazo, uma vida com determinadas características.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «A nossa democracia trouxe liberdade, mais mobilidade social, permitiu uma melhor repartição da cultura e do conhecimento, nem sempre devidamente aproveitada pelos seus destinatários, mas continuou a menosprezar os que sempre viveram à rasca. E o problema não foi de parvoeira. Foi de seriedade.»

 

Eu: «Pedro Santana Lopes quer voltar a ser vice-presidente do PSD. Foi nisto que pensei hoje ao ler a manchete do semanário Sol: "Santana pré-anuncia saída do PSD - Sinto-me já muito distante do partido" Quando Santana ameaçou pela última vez abandonar o PSD, em 1999, Durão Barroso nomeou-o depois seu braço direito, como primeiro vice-presidente do partido. Sabemos quais foram os resultados. Espero por isso que Passos Coelho não faça o que Durão fez. Até porque, como Marx ensinou, quando a História se repete é sempre como farsa.»

Canções com meio século (11)

por Pedro Correia, em 04.03.21

Another Day, de Paul McCartney

(Single: Another Day, 1971)

Chega de barbárie

por José Meireles Graça, em 03.03.21

Disse algures, e mantenho, que o Chega! foi uma boa notícia para a democracia portuguesa, que nasceu desequilibrada por razões históricas umas e circunstanciais outras.

Equilíbrio é como quem diz. Que até mais ver nada indica, nos seus textos e na sua prática, que o Chega! tenha tendências antidemocráticas, isto é, nada permite supor que se um dia chegasse ao poder cozinharia os instrumentos para dele não poder ser desalojado pelo voto. Mas

A mesma coisa não se pode dizer do PCP, que desistiu tacticamente da tralha marxisto-leninista da vanguarda da classe operária (agora reciclada em povo trabalhador) mas que, nos seus soníferos textos na linguagem cifrada da seita, e nos anseios dos seus militantes, mantém intacta a fé na sociedade totalitária e inerentemente violenta e criminosa que acredita ser o sol na terra.

O Bloco é uma amálgama de genuínos comunistas gramscianos, alegados social-democratas (que são completamente a favor da liberdade económica desde que quem com ela ganhe seja esbulhado por via fiscal) e o povo das bandeiras progressistas da engenharia social, geralmente com acne e, se de idade respeitável, com uma grande corrente de ar no meio das orelhas, muitas vezes com albardas universitárias que recobrem a parlapatice.

Aparentemente, Costa deu um abraço de urso a estas duas últimas agremiações quando cometeram o erro, a troco de algumas conquistas sociais, e da minagem do aparelho de Estado e sindical, de o apoiar. Bon débarras, é o caso de dizer.

A IL tem uma influência positiva na opinião pública, que é estatista por razões históricas e de pobreza atávica, mas se crescer descaracterizar-se-á pela necessidade da agregação de quadros, de não ofender a legião dos dependentes do Estado, e de alinhar em coligações.

O CDS livrou-se de alguns deploráveis que emigraram para o Chega!, e de alguns liberais que não entendem bem o país em que vivem. Parece estar em vias de extinção, o que, a acontecer, não seria nem uma clarificação nem um progresso: o seu espaço natural não está preenchido por nenhum dos outros partidos, a não ser por uma franja do PSD, que é um albergue espanhol.

O PSD não existe – existem pelo menos dois PSDs: o de Rio (clássico regedor de freguesia, sério, dedicado e inepto) e o de Passos (o desejado que, se regressasse, esvaziaria parte do Chega! e da IL, além de pescar nos abstencionistas).

Do que vai acontecer a esta tropa fandanga não sei – tenho a bola de cristal embaciada; e não me vou dar ao trabalho de desenvolver cada uma das afirmações produzidas porque só converteria convertidos. De modo que do que quero realmente falar é desta proposta execrável do Chega!

Ninguém defende a prática de crimes, e menos ainda o de violação, que é hoje muito visível na comunicação social porque se insere no movimento generalizado de igualdade entre os sexos (e não entre géneros, uma denominação que pretende contrabandear para um desígnio justo e relativamente incontroverso maneiras de ver o mundo que são, para dizer o mínimo, discutíveis).

Nada permite supor porém que as violações sejam hoje mais numerosas do que alguma vez foram; nem que, neste crime ou em qualquer outro, o agravamento das molduras penais seja uma forma eficaz de os combater. A ideia de que, sob o império do desejo e a convicção da impunidade, o violador desista porque corre o risco de aterrar na cadeia 8 anos e não 4 (ou outra combinação qualquer sem exceder os 12, no caso de circunstâncias agravantes) é uma americanice oportunista que não se funda em nenhuma análise séria.

Então funda-se em quê? Na intuição, que é traiçoeira, de que a severidade das penas faz mais do que entupir as prisões; na ideia de que o direito penal deve andar a reboque dos crimes da moda; na convicção de que alimentar as paixões vingativas de quem, para salientar a sua virtude, faz gala na violência dos castigos, é um exercício que reforça a popularidade sem nenhuns inconvenientes; e no esforço populista de agradar às mulheres eleitoras, que se sentem mais protegidas por um partido que aparenta preocupar-se mais com elas do que os outros.

Da natureza pública do crime nem falemos: há aí alguém nas polícias, nos que têm experiência com este tipo de casos, que acredite que é boa ideia saltar por cima da vontade da(o)s ofendida(o)s, sem que o que se ganhe em alguns casos de coacção prejudique outros em que elas (se forem elas) entendem que a abstenção da queixa lhes é mais conveniente?

Eu sei: olha-m’este a defender violadores. Ligasse eu excessiva importância ao que pensa a maioria das pessoas que não conheço, e até as que conheço, e não tocaria neste assunto envenenado.

Sucede porém que, aberta esta porta, a ordem natural das coisas será a de a moldura de outros crimes ser também revista. O quê? Então e a pedofilia? E os crimes de colarinho branco, que não prejudicam apenas o ofendido A ou B mas a comunidade? E o tráfico de droga, que alimenta a prática de outros crimes por drogados, para angariarem recursos? E, e, e?

Não faltam episódios na nossa história que parecem infirmar a designação, que se diz ter o Estado Novo inventado, de país de brandos costumes. Mas acaso a guerra civil de 1832-34 se revestiu dos horrores da espanhola de 1936-39? Acaso o salazarismo se erigiu em cima de uma pilha de mortos (em vez de uma pilha de resignados), com o tamanho de cadáveres das ditaduras de direita e sobretudo de esquerda até à II Guerra Mundial e mesmo depois?

Temos poucas coisas de que nos possamos orgulhar. Uma delas é a brandura do nosso Código Penal, que foi obra de sucessivas gerações de penalistas, e não da populaça que berra morra! sempre que lhe apontam inimigos dos valores da comunidade. E o tão esquecido Barjona de Freitas, em 1867, promoveu a abolição da pena de morte, um dos primeiros países, senão o primeiro, a fazê-lo no mundo. Sabemos que isso foi um progresso civilizacional porque muitas outras nações seguiram depois o mesmo caminho, e as que ainda o não fizeram lá chegarão.

Barjona de Freitas, se fosse vivo, não aprovaria esta proposta de lei; André Ventura, se não fosse um bárbaro oportunista, não a apresentaria; e os meus amigos do Chega! (tenho muitos) se tivessem juízo não davam à esquerda a oportunidade de aparecer como amiga da moderação e da civilização.

O método Costa

por Pedro Correia, em 03.03.21

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País legal e país real: uma vez mais, percebi como pode ser abissal a diferença entre uma coisa e outra. No sábado, que amanheceu soalheiro, as ruas, praças e jardins do meu bairro - Alvalade, em Lisboa - encheram-se de gente. A conviver, a "apanhar ar", a deter-se nos passeios, a espreitar as montras. A passear cães sem trela e trelas sem cães.

Acumulavam-se pessoas à porta dos mais diversos estabelecimentos: hipermercados, frutarias, papelarias, charcutarias, restaurantes a vender para fora, lojas de produtos para animais. Em ambas as entradas que dão acesso ao mercado, o melhor da capital, as filas agigantavam-se. 

O trânsito automóvel era contínuo. E frenético. Como numa vulgar manhã de fim de semana antes da pandemia. 

Uma amostra bem ilustrativa do que se passou no conjunto do País: nesse dia, cerca de quatro milhões de portugueses saíram à rua. Na véspera, tinham sido seis milhões.

Mandando às malvas o "dever cívico de recolhimento".

 

Enfim, um perfeito contraste entre o Portugal da propaganda e o Portugal que teima em antecipar-se ao Governo. Há um ano, enquanto António Costa hesitava sobre o rumo a seguir, as pessoas fechavam-se em casa, os pais retiravam os filhos das escolas, muitas empresas incentivavam os trabalhadores a optar pelo teletrabalho. Agora, fartos do "confinamento" pseudo-obrigatório, os portugueses saem de casa e deambulam por aí sem que ninguém os trave.

Ninguém diria que estávamos - e ainda estamos - em estado de emergência. Isso é pura ficção para entreter incautos e emitir mensagens "tranquilizadoras" nos telejornais. 

Dentro de dias, o Executivo fará o que fez em Março de 2020: ir a reboque da população. Desta vez em sentido inverso. Limitando-se a pôr chancela oficial no facto consumado.

É um método de governar. O método Costa.

 

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Always handsome

por Cristina Torrão, em 03.03.21

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Pedro Lamares

Longa vida, Mensagem

por Pedro Correia, em 03.03.21

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Se há notícia que gosto de realçar e celebrar, é a do aparecimento de um jornal. Cá está ele, pintado de fresco, a merecer leitura atenta: chama-se Mensagem, é um periódico digital que tem Lisboa como assunto exclusivo. Um tema inesgotável, se assim quiseremos. Mesmo que Portugal já não seja aquele país que, como ironizava Eça, «cabia todo entre a Arcada e São Bento».

Felicito os jornalistas que lideram a Redacção, com sede no secular edifício d'A Brasileira, do Chiado. Refiro-me à Catarina Carvalho e ao Ferreira Fernandes, que bem conheço e de quem sou amigo. Merecem todo o incentivo neste original projecto que contém a seguinte promessa editorial: «Política faremos muita e intensamente. A dos transportes públicos e a da bicicleta e a do vaguear. A do lugar do trabalho e a do divertimento. A proximidade do banco para levantar a reforma. A do vizinho que não quer o logradouro desperdiçado e a do cidadão que quer suas as suas ruas e praças. Ah, e a política da extraordinária e, tanta vez, admirável História. Causas pela causa, Lisboa.»

Longa vida, companheiros: contem comigo entre os vossos leitores. Um dia destes passo aí para tomar um café convosco.

DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 03.03.21

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João Carvalho: «Hugo Chávez apresentou ontem uma proposta de mediação de paz para a Líbia e continua em contacto telefónico com Muammar Kadhafi, no mesmo dia em que este usou a sua aviação militar contra os revoltosos na cidade de Brega. Enquanto Kadhafi demonstra pela força o apreço que tem pelo "seu" povo, talvez fosse melhor Chávez não gastar os parcos neurónios em falinhas mansas com o tirano líbio e ir assistir ao desenrolar dos acontecimentos in loco para ver se apanha a ideia. Que tal mandá-lo abaixo de Brega?»

 

Paulo de Morais: «Discordo da ideia de que o custo duma urgência hospitalar, uma taxa de justiça ou as propinas duma escola pública devem ser pagas em função do rendimento de cada um. Não é de todo aceitável esta nova moda de diferenciar o pagamento de serviços públicos em função de questões de natureza socioeconómica. Não vou por aí. Levada ao extremo esta fantasia, o preço de estacionamento num parcómetro deveria ser mais caro para um BMW do que para um Fiat. E, já agora, o preço dos bilhetes que os espectadores pagariam num teatro nacional também deveriam depender da sua declaração de IRS. O pagamento de uma contrapartida por um serviço público deve ser excepção. E, a acontecer, deve ser igual para todos.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Está plasmada em meia dúzia de palavras simples, directas e frontais. Acima de tudo evidentes. E outra coisa não seria de esperar de Marina Costa Lobo, tanto mais que as suas ideias não correm o risco de ser apelidadas de "socratistas" ou "bloquistas". Por muito que não se goste da criatura, eu incluido, há coisas que não passam despercebidas a quem tem responsabilidades. Com excepção de Passos Coelho e seus acólitos, está claro, para quem a establilidade só é boa enquanto lhes servir, isto é, enquanto lhes permitir crescer eleitoralmente e obter dividendos.»

 

Eu: «Imaginem o cenário equacionado por Pacheco [Pereira] na versão Março mesclada com a versão Novembro: os portugueses desgovernados mais dois anos e meio por esse "grande factor de perturbação nacional" que é Sócrates, alguém cuja "legitimidade eleitoral está muito diminuída" e que "está a fazer muito mal ao País". Teríamos, portanto, de aguentar este primeiro-ministro até Setembro de 2013. Com Pacheco, esse louvável exemplo de "consistência", a fazer de treinador de bancada na última fila do Parlamento.»

Canções com meio século (10)

por Pedro Correia, em 03.03.21

Mediterráneo, de Joan Manuel Serrat

(Álbum: Mediterráneo, 1971)

Entre os mais comentados

por Pedro Correia, em 02.03.21

Em 21 destaques feitos pelo Sapo em Fevereiro, entre segunda e sexta-feira, para assinalar os dez blogues nesses dias mais comentados nesta plataforma, o DELITO DE OPINIÃO recebeu 19 menções ao longo do mês. 

Incluindo três textos na primeira posição, cinco na segunda e seis na terceira.

 

Os postais foram estes, por ordem cronológica:

 

«É a pior situação que vivemos» (54 comentários, o mais comentado do fim de semana) 

Elogio de Pérez Reverte (32 comentários)

Olá, leitura (44 comentários) 

So long, Captain Tom (64 comentários, terceiro mais comentadodo dia)

Oposição mais fofinha não há (30 comentários)  

Os direitos das mesas (52 comentários, terceiro mais comentado do fim de semana)

Isto tem tudo muita piada (38 comentários, segundo mais comentado do dia)  

Sem comentários (34 comentários, terceiro mais comentado do dia)   

O frio e a culpa (31 comentários) 

Com ele o PS anda descansado (34 comentários) 

Eppure si muore (73 comentários, o mais comentado do fim de semana) 

Pânico no supermercado (70 comentários, segundo mais comentado do dia)

Passado presente (CDXXIV) (40 comentários, segundo mais comentado do dia)

Na sopa (100 comentários, o mais comentado do dia)

O incompetente (38 comentários, terceiro mais comentado do fim de semana)

Pensamento da semana (68 comentários, terceiro mais comentado do dia)

Falando em "símbolos coloniais" (50 comentários, terceiro mais comentado do dia) 

Estátua ao deputado desconhecido (50 comentários, segundo mais comentado do dia)

Quem fala assim... (30) (98 comentários, segundo mais comentado do fim de semana)

 

Com um total de 1000 comentários nestes postais. Da autoria da Maria Dulce Fernandes, do JPT, do Rui Rocha, do Paulo Sousa e de mim próprio.

Fica o agradecimento aos leitores que nos dão a honra de visitar e comentar.

Atrasados nisto também

por Pedro Correia, em 02.03.21

Amigos meus que gastam cinco ou seis horas diárias frente a um ecrã televisivo ou em navegações sem fim nas redes sociais juram não ter tempo para ler um livro. Num país onde se lê, em média, apenas um livro por ano. O que nos afasta dos padrões europeus e nos aproxima de outros continentes, com muito maior taxa de analfabetismo. Os franceses, por exemplo, lêem em média 21 livros por ano. Uma diferença brutal em relação a este povo quase vizinho.

Entre os diversos sintomas do nosso atraso estrutural que já se tornou endémico, este é um dos mais evidentes. E perdura, sem aparente censura social. Não falta por aí gente que se gaba de jamais ter lido um livro desde que abandonou os bancos escolares. Em vez de ouvir críticas, na maior das parte das vezes escuta palavras de incentivo e apreço. 

Atrasados em tanta coisa. Nisto também. 

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 02.03.21

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João Carvalho: «Depois do encontro com a chanceler alemã, José Sócrates "salientou hoje o resultado 'histórico' das contas públicas [portuguesas] em Janeiro e Fevereiro e garantiu que Portugal 'tem condições para resolver os seus problemas sozinho'." É o que eu mais temia: a internacionalização da mentira. Não sei o que possa ter de histórico o excepcional resultado das contas destes dois mesitos, mas sei que Fevereiro acabou há dois dias incompletos e as contas ainda não estão fechadas.»

 

José Couto Nogueira: «Até 2000, com os fundos europeus a tapar todas as inconsistências e incompetências, parecia que a coisa ia lá, a luta de classes estava demodée, a sociedade de serviços servia a todos. A partir daí, os vírus entraram no sistema e não há antídoto que valha.»

 

Rui Rocha: «Entre Merkel e Sócrates não há dúvida sobre quem, apesar de tudo, tem uma posição de força. Merkel tinha dois objectivos. O primeiro era obter apoio para o pacto de competitividade. Para tal, não podia criticar Sócrates. Isso empurraria Portugal para o resgate imediato e Sócrates perderia o estímulo que o faz manter-se ao lado de Merkel. O segundo era evitar aparecer à opinião pública alemã como salvadora dos preguiçosos e desregrados do sul da Europa (é esta a visão que os alemães têm de nós). Para alcançar esse objectivo, não podia elogiar Sócrates em demasia ("é preciso aprofundar as medidas"). Era isto que Merkel queria e foi o que conseguiu. Sócrates não obteve nada de relevante para Portugal. A nossa situação mantém-se inalterada. No limiar da sobrevivência.»

 

Eu: «Vou reflectindo sobre a estranha alquimia do poder político que enebria e cega tantos dos seus detentores, incapazes de renunciarem a ele quando todas as evidências deveriam levá-los a proceder na direcção contrária. Penso no admirável exemplo de Winston Churchill, derrotado nas urnas pelo eleitorado britânico em Julho de 1945, dois meses após ter levado o Reino Unido à vitória na mais inclemente de todas as guerras. Conhecido o desaire eleitoral, limitou-se a comentar: "Fui sumariamente despedido pelo eleitorado britânico da futura condução da coisa pública." E abandonou Downing Street para escrever os seus livros e pintar as suas aguarelas.»

Canções com meio século (9)

por Pedro Correia, em 02.03.21

Baba O'Riley, de The Who

(Álbum: Who's Next, 1971)

A epidemia dentro da pandemia

por Pedro Correia, em 01.03.21

 

Sugestões de leitura:

 

«É triste chegar a um ponto de não ter dinheiro para ir ao supermercado»

 

«Comem cinco, seis pães. As pessoas chegam mesmo esfomeadas» ao pequeno-almoço do Pão de Lázaro

 

Na Sopa 4 - Verde que te quero verde

por Maria Dulce Fernandes, em 01.03.21

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Inverno sem frio é lá Inverno!

O fogo crepitava no lar de pedra quadrada e negra de fuligem. Ficávamos sempre defumados na procura do calor, mas sabia tão bem. “Onde vais?”, pergunto à Lúcia vendo-a vestir o casacão. “Vou buscar couves para uma sopa.” Sorrio para a minha filha. "Como na história dos sete cabritinhos, vês? Vou contigo!" “Faz frio…” Embrulhei-me no grande xaile de lã, pus o gorro e lá fomos às couves. "Mais aquela", disse a Lúcia já com uma braçada de uns cinco pés. Pelo caminho colheu umas ervas nuns arbustos. “Mato para dar sabor", explicou.

De volta à cozinha, a água já fervia nas grandes panelas de ferro com os três pés bem assentes na brasa. Descascámos batatas, picámos cebolas e alhos e juntámos tudo à água fervente. Depois de lavarmos bem as folhas mais tenras, enrolámos as couves num charuto e cortámo-las fininhas. Um mimo de couves aquelas do sopé do Gerês. A Lúcia pegou nos ramos de mato, atou-os firmemente com uma guita e panela com eles.

Depois de todos os ingredientes cozidos com umas pedrinhas de sal e azeite até estarem bem desfeitos,  retirou-se o mato e acrescentou-se mais água  a ferver e as couves. O aroma era divinal. Cheirava a agasalho e a conforto. E o sabor? Com duas generosas rodelas de chouriço, aquele sabor único, agridoce e aconchegante nunca o consegui reproduzir. As hortaliças, a água, as panelas, o fogo, o molhinho de mato, aquelas coisas simples do dia a dia da Lúcia, guardam até hoje o mistério do melhor caldo verde do mundo.

Talvez seja como diz o outro, o bom sai bem. Mas no que me diz respeito o bom é apenas em Vila Verde.


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