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Verão?

por João Sousa, em 23.06.19

Ouço a força da chuva a bater nas janelas e fico a pensar se o governo, no seu zelo, também nos terá cativado o Verão...

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 23.06.19

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Mitos e Lendas Nórdicas, de Hélio Pires

Divulgação histórica

(edição Zéfiro, 2019)

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 23.06.19

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João Carvalho: «A Régua dos romances clássicos, o Douro profundo ladeado pelos terraços de vinhedos e a região que é Património Mundial são retalhos nostálgicos de História que só o velho trem, lamuriento e fumarento, traduz na perfeição. Não se sabe por quanto tempo mais. Vão por mim.»

 

Jorge Assunção: «Por muito que o discurso do BE seja diferente do discurso do PCP (o que também é fruto do primeiro dirigir-se a um segmento mais jovem, enquanto o segundo continua preso a um eleitorado mais velho), quando chega a hora de colocar no papel as medidas que julga necessárias para o país, o BE faz fotocópia das medidas do PCP.»

 

Paulo Gorjão: «Se o alvo fosse Manuela Ferreira Leite ou alguém da sua direcção, Pacheco Pereira neste momento já trepava as paredes indignado e incomodado com tanta insídia. Como não é, assobia para o lado. É por estas e por outras que, por estes dias, lhe reconheço muito pouca legitimidade para se vir armar em Calimero e em vítima.»

 

Eu: «Sócrates passou incólume nesta nada inocente piscadela de olho a uma certa direita que ainda não desistiu de se deixar fascinar por uma certa esquerda. O homem sabe-a toda. Quem o considerar derrotado de antemão comete um profundo erro de análise: daqui até às legislativas, ele actuará com a obstinação de um comandante experimentado em campo de batalha. Está em jogo um dos combates da sua vida.»

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Instantes em sépia com capa de muitas cores (16)

por Maria Dulce Fernandes, em 23.06.19

Fazer nada é a felicidade das crianças e a infelicidade dos velhos.
 
V. Hugo

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Quem nunca deu de caras com o ponto G da ruptura emocional e psicológica, que atire a primeira pedra. 
 
Não me digam que se resolve com uma boa noite de sono. Desconheço o conceito há bastante tempo. Talvez nunca o tenha verdadeiramente conhecido. Muitos são aqueles cujo espírito sossega durante as horas de descanso, mesmo que poucas sejam, vá. 
Eu sou da raça que passa esse mesmo tempo em bolandas e correrias, em diversos e estranhos lugares, sempre com muita gente e em situações bizarras, algumas tão reais que me empurram para um acordar desnatural, extravagante até. Creio que foi sempre assim. 

É claro que é absurdamente fácil alcançar o estado de oblívio total, mas tornamo-nos tantas vezes tão convencidos, desleixados e auto-indulgentes quanto à habituação aos meios que nos conduzem aos fins, que criamos aquele ouroboros de continuidade: não descansamos enquanto não abraçarmos o descanso e nunca alcançaremos o almejado descanso se não pudermos descansar.
 
Não há dia que passe, que num qualquer momento, a uma qualquer hora, um qualquer acontecimento não me leve a vegetar pelo delírio das improbabilidades. Olho para as mãos, conto os dedos pela enésima vez e tento convencer-me que afinal já não falta muito, falta é chegar lá.
 
Uma vez estabelecida a meta, o pódium de toda uma vida de trabalho, o tempo, que sempre correu célere sulcando profundamente o rosto com a marca da sua passagem, esse mesmo, sempre tão apressado em nos carregar a experiência com anos em cima  de anos, dá-se ao desfrute do remanso para nossa exasperação. 
 
Enquanto aguardo remetida à desvantagem e ao desfavor, cogito sobre os prodigiosos anos dourados ainda no reino do porvir, mas que suscitam ânsias e impaciências sem fim. Irei finalmente poder colher os pomos das hispérides plantadas e cuidadas por minhas mãos durante anos de labuta, e cujo néctar me libertará enfim para realizar os prodígios globais que sempre me motivaram a prosseguir com o meu caminho e a carregar a cruz dos meus dias maus.

Atentando bem na realidade,  todos os meus objectivos são simples, por serem fruto de uma mente simples e pragmática. Coisa para três, quatro anos... 
Cuida-me que em tendo realizado os meus propósitos, ainda me ouvirão lamuriar de insatisfação por não saber o que fazer com o tempo que me sobra e que, qual saco sem fundo, nunca consigo preencher a meu contento...

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Pensamento da semana

por Pedro Correia, em 23.06.19

«Ninguém de extrema-direita se confessa de extrema-direita, ninguém de extrema-esquerda se confessa de extrema-esquerda. Os extremos tocam-se.»

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

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Canções do século XXI (811)

por Pedro Correia, em 23.06.19

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Blogue da semana

por Pedro Correia, em 22.06.19

Eis o que chamo serviço público: o blogue Toponímia de Lisboa. Há quase sete anos a narrar-nos histórias relacionadas com as ruas, avenidas, praças, travessas e becos da nossa capital.

Elejo-o como blogue da semana.

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A revolução anterior

por Pedro Correia, em 22.06.19

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Há livros assim, capazes de nos seduzir só pela frase de abertura. Já aconteceu com qualquer de nós, leitores. E não faltam exemplos clássicos – desde o Quixote aos Cem Anos de Solidão, passando pela Metamorfose, de Kafka. Aconteceu-me com este romance de Agustina Bessa-Luís, publicado em 1975, quando o nosso país, em trânsito da ditadura para a democracia, se abeirou da guerra civil.

«Há muitas coisas belas na terra, mas nada iguala a recordação de um dia de Verão que declina, e temos onze anos e sabemos que o dia seguinte é fundamental para que os nossos desejos se cumpram.» Assim começa este livro quase ignorado à época em que surgiu. Compreende-se porquê: Portugal estava imerso em acontecimentos convulsos, a História escrevia-se dia a dia, às vezes hora a hora, qualquer rastilho poderia alterá-la num rumo ou noutro. Restava pouca disponibilidade mental – e até física – para reflectir sobre as subtis transformações sociais ocorridas nas décadas que haviam ficado para trás.

As Pessoas Felizes é um romance em que Agustina rende homenagem ao seu Porto adoptivo, trespassando-o com olhar arguto, capaz de distinguir uma vasta gama de luzes e sombras nesse burgo que «sacrifica o maravilhoso ao necessário». Enquanto presta tributo a Tolstoi, um dos seus escritores de eleição. O próprio título do livro constitui, aliás, paráfrase das também célebres linhas iniciais de Anna Karénina: «As famílias felizes parecem-se todas umas com as outras; as famílias infelizes são infelizes cada uma à sua maneira.»

 

O enredo é por vezes sugerido só em esboço. Os diálogos são esparsos, servindo quase sempre para sublinhar o que o rasto descritivo já determinara pela pena da narradora omnisciente, que tudo ouviu, tudo observou e foi capaz até de decifrar os mais impenetráveis pensamentos de personagens que vão surgindo a um ritmo imparável e tão depressa chegam como partem. Esta forma de narrar com um recurso estilístico deliberadamente anacrónico presta afinal homenagem ao romance clássico do século XIX, tornada aqui ainda mais evidente na intertextualidade com a obra-prima de Tolstoi, cerca de vinte vezes citada.

A modernidade, como é usual na ficção de Agustina, irrompe na profusão de aforismos e parábolas que se integram no fluxo narrativo e a todo o momento lhe travam o passo, orientando-o até com frequência noutra direcção. Alguns leitores sentir-se-ão desencorajados a prosseguir perante esta torrente de pensamentos que quase funcionam como um livro dentro deste livro desprovido de capítulos. Outros poderão perder-se na propositada diluição dos fios cronológicos que parece resultar de lembranças desenroladas de supetão. Agustina, com a sua peculiar arte de escrita, não atrai pela facilidade: seduz por ser complexa. Mesmo que incomode quem não se reveja na sua tendência por vezes irritante de etiquetar no colectivo: «As mulheres instalam-se na infelicidade; os homens vivem-na, mesmo quando menos a aceitam.»

 

Mundo de aparências

 

As Pessoas Felizes surge agora em terceira edição (a segunda foi de 2006, ainda com a chancela Guimarães), valorizada por um esclarecido prefácio de António Barreto, que em poucas palavras capta o essencial da obra, escrita em grande parte antes do 25 de Abril e concluída a 7 de Outubro de 1974 (anotação final da própria Agustina), atribuindo-lhe um carácter premonitório. «A revolução é o coroar de um processo de mudança, mais do que o seu começo», escreve Barreto, lembrando os seus conturbados tempos de deputado constituinte, no auge do processo revolucionário, quando este livro o iluminou sobre a erosão da atmosfera social que entrara em declínio muito antes da queda do Estado Novo. Aqui simbolizada na plácida burguesia portuense, envolta no seu mundo de aparências, amarrada a convencionalismos atávicos, aparentemente desprovida de conflitos interiores.

A protagonista, Manuela Torri, simboliza essa era de mutação social que precedeu a ruptura política – na sua atribulada relação com o clã familiar, no seu desprezo pelas «burguesas de clausura», na sua indizível nostalgia pela quinta do Douro que lhe ficara impressa nas memórias mais remotas. Ainda vigorava o salazarismo e já «a mudança andava no ar, enquanto tudo parecia minuciosamente preservado».

Num Porto-metáfora-do-País de algum modo tocado pela predestinação: nestas páginas vigora um determinismo que impregna os lugares e contagia as pessoas. Não por acaso, “sempre” e “nunca” são advérbios que parecem fascinar a escritora: Agustina utiliza-os imoderadamente. E “destino” é a palavra que encerra o romance. Completa-se o ciclo: a felicidade estava condenada a esfumar-se.

 

............................................................... 
 
As Pessoas Felizes, de Agustina Bessa-Luís (Relógio d' Água, 2019). 184 páginas.
Classificação: ***
 
 
Publicado originalmente no jornal Dia 15

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Até o diabo se ri!

por Maria Dulce Fernandes, em 22.06.19

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Não há ser mais inseguro do que este humano que somos. Os ditos irracionais que vivem condicionados à subsistência diurnal são tantas vezes mais ousados, mais resolutos  e expeditos do que os pensantes.

É certo que se vive num habitat social onde cumprir regras é fundamental para coabitarmos pacificamente, mas existe o livre arbítrio, aquilo que imprime em cada indivíduo a marca da sua personalidade. São as escolhas que fazemos que nos definem como pessoas. Somos nós que transportamos o passado, criamos o presente e lançamos a pedra basilar do nosso futuro .

Não há prescrição para o advir, mas é normalíssimo atribuir-se os agravos da existência a outrem, principalmente aos nossos medos, insatisfações e negatividade a que normalmente chamamos diabo, porque tudo o que corre mal é sem dúvida obra do diabo.

"São coisas do diabo"; "Às vezes, atrás da cruz está o diabo escondido"; "Quem com o diabo se deita, com o diabo amanhece"; "Não vá o diabo tecê-las"; "O diabo a quatro"... O mais característico de todos os dizeres "diabólicos" é sem dúvida "Que venha o diabo e escolha".

Escolheremos nós assumir as nossas escolhas como próprias, e não imputá-las a um qualquer pobre diabo?  

O orgulho é a raiz de todo o mal, e apesar de enraizado e ramificado na consciência dos homens não é robusto nem preciso como um relógio suíço, nem o relojoeiro é o diabo. O detentor da chave que lhe dá corda e alimenta somos todos, é cada um de nós.

 

Bom fim de semana.

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Ópera e troika

por jpt, em 22.06.19

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(Fotografia de Nuno Botelho, publicada no Expresso)

Não será difícil, a não ser por mero clubismo, discordar que a actual ministra da Cultura - a terceira da legislatura, o que demonstra algum desatino governamental no sector - não deixará grande memória. Pois o que veio dizendo não impressiona: desde fazer-se ministra da civilização, a propósito das touradas, a sarcasmar sobre a imprensa portuguesa (aqui), talvez um mero deslize mas a mostrar-se altaneira, até lapsos geográficos pouco casáveis com o cargo que ocupa, a imagem criada é frágil. É certo que essas declarações, descalibradas, não obrigam a que seja desprovida de virtudes executivas. Mas ... leio agora que o São Carlos está desafinado. Ou melhor, desorquestrado. Ou seja, desnorteado.

Nisto da cultura, e de forma grosseira, costumam-se dividir os locutores: os da "direita" (o ex-"centro") reclamam que cumpre ao Estado preservar o "património" existente e não o financiamento da actual produção artística, coisa a ser entregue ao mundo privado/empresarial. E fazem-no com tanto arreganho, fiéis ao fetiche do mercado, que não vale a pena dizer-lhe que as pirâmides egípcias, o tecto da Capela Sistina, o Partenon, e imortalidades dessas foram obras contemporâneas pagas pelos Estados. Os quais, já agora, durante estes últimos três milénios foram também pagando imensíssimas obras (à época contemporâneas) das quais pouco ou nada reza a História. Repito, não vale a pena dizer-lhes isso, falar com os idólatras é tão inconsequente como resmungar com os peixes.

Os locutores da "esquerda" (parte substancial da qual em tempos se chamou "corporativismo") são menos atreitos à preservação do "património" - em especial se de origem religiosa - e cultuam a "contemporaneidade", o seu financiamento, uma idolatria como outra qualquer: por exemplo o Estado deve lautamente financiar exposições itinerantes lusófonas mostrando bidés ou urinóis 90 anos depois de Duchamp, mas será quase-crime fazer rodar plácidos paisagistas ou retratistas 100 anos depois de Silva Porto ou Columbano. 

O interessante é que a ópera - e, em sentido mais amplo, aquilo a que à falta de melhor termo é comum chamar "música clássica" - poderia ser o ponto de confluência desses dois eixos de (des)entendimento: é "património" edificado e é "contemporânea", até pelas dimensões de recriação, mais ou menos controladas pelo cânone. Algo que poderia ser reforçado por aquela costela iluminista da "esquerda", transmitir ao "povo" as grandes obras da cultura desalienante.  Enfim, aquilo da "civilização" a que a ministra se dedica, pelo menos no combate às touradas.

Ainda assim acaba a legislatura com o Teatro Nacional de São Carlos neste estado, uma direcção inoperante, um conflito generalizado, planificação inexistente. A culpa deve ser da "troika".

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 22.06.19

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África Acima, de Gonçalo Cadilhe

Viagens

(reedição Clube do Autor, 10.ª ed, 2019)

"Por vontade expressa do autor, a presente edição não segue a grafia do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa"

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Uma cataplana de peixe

por jpt, em 22.06.19

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Aumento da, e aumentos na, função pública, regionalização quiçá, e - por enquanto por último, mas nada menos importante - a folgazita para o pessoal do Estado levar os petizes à escola (uma folga para levar os filhos à escola? uma folga para levar os filhos à escola?).

E ainda vamos em Junho, vai ser um ditoso Verão. Entretanto Sousa, o Jerónimo, estertora, Cristas aparenta-se, Silva Pereira vice-presidenta-se (é inacreditável!), Sousa, o outro, emaranha-se no que julga tecer, e Martins faz o número. Sobram os adversários das beatas e o vazio.

Eleições no Outono, Cataplana no Verão.

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 22.06.19

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Ana Vidal: «Toca a pintar de cor-de-rosa os monumentos, a despir hospedeiras e empregadas de mesa, a abrir todas as praias ao nudismo, a transformar os hotéis de 5 estrelas em motéis de fantasias e fétiches, a distribuir algemas e chicotes à porta dos museus, a servir só pratos picantes e afrodisíacos nos restaurantes, a encher de almofadas as estações do Metro e a dar novos usos aos varões das carruagens... enfim, é só puxar pela imaginação e seremos ricos em breve. Afinal era tão simples!»

 

João Carvalho: «Manuel Pinho está na RTP. Ele é o ministro de quem se fala. Nem sempre bem, é verdade, mas isso são as injustiças do mundo. Quando a crise ia começar e ele disse que a crise já tinha passado, acham que ele não sabia disso? Puro engano. O ainda ministro da Economia é um visionário, um homem muito para lá deste tempo. Ele já vai no ano 2012. Manuel Pinho é um incompreendido por ser um homem muito à frente.»

 

Teresa Ribeiro: «A cidade pelo estio enche-se de pezinhos em esforço a suar as estopinhas, inchados, doridos, mas sexy. Um fetiche. Para eles e também para elas, bailarinas graciosas que flutuam um palmo acima do chão, apesar das bolhas e das pequenas deformações que se anunciam.»

 

Eu«O PS governou 11 dos últimos 14 anos em Portugal, em boa parte, porque o PSD andou ao longo de todo este tempo menos empenhado em derrotar os socialistas do que a lutar contra si próprio. É fundamental lembrar isto agora antes que a doutrina de Pacheco comece a fazer escola - à semelhança do que sucedeu no passado, com os brilhantes resultados que estão à vista.»

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Canções do século XXI (810)

por Pedro Correia, em 22.06.19

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Joshua Wong

por Sérgio de Almeida Correia, em 21.06.19

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(Isaac Lawrence, AFP)

Carrie Lam pediu desculpa duas vezes mas, aparentemente, a genuinidade desses gestos perdeu-se há muito na altivez arrogante com que a Chefe do Executivo foi gerindo a crise desencadeada pelas alterações às leis de extradição.

De nada serviu a decisão de adiar e depois suspender a discussão do diploma ou a manifestação de amor a Hong Kong e ao seu povo. Há muito que a confiança desmoronara, há muito que falava sozinha e que as suas palavras tinham perdido sentido para os seus concidadãos.

Não tendo sido anunciado o cesto dos papéis como destino final da proposta do Governo de HK sobre as alterações às leis de extradição, nem retirada a classificação de "motim" (riot) aos acontecimentos da semana passada, não é de admirar que esta manhã a população da ilha tenha voltado a sair à rua e tomado posições nas imediações de Central e de Admiralty. Gloucester Road está encerrada, bem como os serviços públicos, e a situação de semi-caos e confronto permanece.

O director do Macau Daily Times, em mais um dos seus notáveis editoriais, chamava a atenção para a segunda oportunidade pedida por Carrie Lam. Ciente dos erros cometidos por aquela e do teatro que entretanto aconteceu, o editorialista lucidamente antevê que a sua demissão poderá estar para breve.

Esse será apenas mais um episódio, a ocorrer, na triste saga dos falhanços que desde 1997 têm acontecido com a governação de HK. O que a actual situação comprova é que os dirigentes do PCC nunca chegaram a compreender a dimensão, alcance e consequências da tese de Deng Xiao Ping e do princípio "um país, dois sistemas". O preço da incompreensão das teses do arquitecto da reforma vai continuar a ser pago. Nas ruas. E em dólares. Todos os dias na Bolsa de Hong Kong.

No meio deste turbilhão que volta a envolver Hong Kong há um nome que sobressai, o do activista Joshua Wong. Libertado da prisão no passado dia 17, imediatamente prestou declarações à imprensa e se juntou aos manifestantes.

Nascido em 1996, menos de um ano antes da transferência de soberania da ex-colónia britânica, e educado na tradição luterana, frequentou uma escola católica de Kowloon. De caminho trabalhou na correcção da dislexia que lhe fora diagnosticada. Destacou-se na contestação de 2014, conhecida como o Movimento dos Guarda-Chuvas, altura em que foi preso pela primeira vez. Intrépido defensor do sufrágio universal, da democracia e do rule of law, em 2016 fundaria, juntamente com Agnes Chow e Nathan Law, figuras de proa do chamado Scholarism, o partido Demosisto. Apesar de ter conquistado, por via eleitoral directa, o direito a estarem representados no Legislative Council, o parlamento local, o partido nunca chegou a assumir funções na câmara em virtude do seu afastamento por via burocrática e judicial.

Desconheço até que ponto a influência de Joshua Wong se fará sentir nos protestos que hoje (re)começaram, embora esteja convencido de que o processo de aprendizagem dos últimos anos, por vezes feito à custa de muitos erros, com detenções, julgamento e prisão pelo caminho, será decisivo para o rumo que os acontecimentos vierem a tomar a partir daqui.

Uma coisa é certa: apesar da sua idade, Joshua Wong é uma referência e uma garantia de solidez do movimento pró-democracia e dos oposicionistas a Carrie Lam. A capacidade de mobilização da Frente Cívica tem sido imensa. Aliada à liderança de uma personalidade com o carisma, a maturidade, a convicção, a coragem, a clareza discursiva e a visão estratégica e politica de um Joshua Wong é de temer um endurecimento do movimento, o que quer dizer trabalhos dobrados para Pequim. Joshua Wong não é um miúdo qualquer. Como alguém escreveu, Joshua é um super-homem.

A aceleração do processo histórico promovida por Pequim começa a ter um preço demasiado elevado para as forças tradicionalistas. Não se prevêem tempos fáceis para o governo de HK, nem para Xi Jinping e o Partido Comunista Chinês.

E o que aí vem não se resolverá com a demissão de Carrie Lam, cujos contornos de inevitabilidade se tornam cada vez mais evidentes.

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O laicismo pode esperar

por Pedro Correia, em 21.06.19

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De barco na Ria Formosa, ontem, em Cabanas

 

Ontem teria sido um dia muito indicado para os mais frementes militantes do laicismo saírem em defesa desta bandeira, entre indignadas proclamações contra as ingerências religiosas nas leis que regulam o funcionamento do Estado. Mas não lhes ouvi sequer um sussurro. Talvez tivessem feito como eu, a banhos algarvios no feriado nacional que celebrou o Corpo de Deus.

Aposto que agirão da mesma forma a 15 de Agosto, feriado nacional que celebra a Assunção de Nossa Senhora. O laicismo pode sempre esperar.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 21.06.19

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O Vestido Vermelho, de Stig Dagerman

Tradução e prefácio de Irene Lisboa

Romance 

(reedição Antígona, 2017)

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 21.06.19

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Elena Furiase

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 21.06.19

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João Carvalho: «Plastificado recentemente, Sócrates julga-se reinventado. A versão de plástico é tão exagerada que não convence. Seguir-se-á o regresso ao passado, inevitavelmente. É como a Lili. Cada vez que reaparece com nova plástica, ninguém acredita que tenha ressuscitado. Umas semanas e alguns raios de sol depois, a coisa começa a estalar.»

 

Paulo Gorjão: «Um partido que não consegue acomodar as suas sensibilidades internas dá algumas garantias de o conseguir a nível parlamentar e nacional? Não é por nada, mas recordo que uma das linhas de argumentação contra José Sócrates era a sua intolerância. Pelos vistos, não é o único.»

 

Teresa Ribeiro: «É este o segredo e a beleza de Pranzo di Ferragosto. O parco investimento de Gianni di Gregorio, argumentista de carreira, nesta sua inusitada estreia como realizador teve um retorno que ultrapassou todas as suas expectativas.»

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Canções do século XXI (809)

por Pedro Correia, em 21.06.19

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