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Este século começou em Setembro

por Pedro Correia, em 12.09.19

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Estava de folga, espreitei ao fim da manhã a TV - e já não consegui desgrudar os olhos do ecrã.

Mal engoli o almoço, rumei ao jornal como voluntário - à semelhança de muitos colegas que estavam desmobilizados naquele dia.

Passei catorze horas seguidas a trabalhar.

Saí do edifício da Avenida da Liberdade ia alta a madrugada de 12 de Setembro de 2001, quatro edições depois. Sabia que venderíamos largas dezenas de milhar de exemplares do diário no conjunto das bancas do País - breve e derradeiro apogeu da imprensa escrita.

A caminho de casa, afundei-me no banco traseiro de um táxi, esgotado e transido. Com a nítida sensação de aquela ter sido a dramática e definitiva despedida do século XX.

Um novo mundo acabara de ser inaugurado. Demasiado parecido com o pior do mundo velho.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 12.09.19

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Mentiras Consentidas, de Michael Hjorth e Hans Rosenfeldt

Tradução de Elin Baginha

Romance

(edição Suma de Letras, 2019)

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 12.09.19

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Paulo Gorjão: «Manuela Ferreira Leite poderá ter diversas qualidades, mas a franqueza não é seguramente a principal. O caso da regionalização é um bom exemplo. O programa eleitoral do PSD não se compromete com uma data para o referendo sobre a regionalização. Assume o compromisso de o realizar e nada mais.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Os partidos, que têm por  obrigação dar voz e enquadrar os anseios da comunidade, ou dos segmentos que representam, desta vez, por unanimidade, coisa rara entre nós a não ser quando se trata de condecorar um vulto saído da obscuridade, acharam por bem acolher as propostas da AEP. De Paulo Portas a Francisco Louçã, de Manuela Ferreira Leite a Jerónimo de Sousa, sem esquecer José Sócrates, não há líder que não fale nas PME.»

 

Teresa Ribeiro: «Tudo nos comove. E depois há a guerra. A que foi nossa e ainda assim conhecemos tão pouco. Não é por acaso que esta correspondência foi classificada para efeitos de publicação como "Cartas da Guerra". Suponho que foi sobretudo a consciência de que podia valer como documento que levou Lobo Antunes, sempre tão cioso da sua privacidade, a consentir na sua divulgação.»

 

Eu: «Hoje, na RTP, Ferreira Leite foi derrotada por um Sócrates em boa forma. O primeiro-ministro limitou-se a repetir com ela a táctica que já empregara no frente-a-frente com Francisco Louçã, há quatro dias: consultou o programa eleitoral da sua antagonista e durante mais de uma hora transformou-o em arma de arremesso, condicionando todo o curso do debate. A líder dos sociais-democratas, a quem caberia a ofensiva enquanto dirigente do principal partido da oposição, passou o tempo a tentar justificar omissões e contradições do seu programa em vez de fazer a análise minuciosa de mais de quatro anos de uma governação falhada.»

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Canções do século XXI (892)

por Pedro Correia, em 12.09.19

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Vade retro fim do mundo

por Paulo Sousa, em 11.09.19

O PAN é o partido que nos defende do fim do mundo. Sempre que o PAN avança é o patife do fim do mundo que recua.

A medida nº 1081 do “programa eleitoral” do PAN consistia na realização de uma sessão semanal obrigatória dos criminosos com as suas vitimas, ou com os seus familiares em caso de homicídio, com o sentido de promover a reconciliação.

Bastava que não houvesse excepção nos casos de homicídio para parecer uma medida do PNR ou do Chega.

Mas alguém se terá lembrado que isto ainda podia descambar num cenário aterrador em que, numa eventual condenação futura do Eng. José Socrates, se pudesse aplicar. Considerando que as suas vitimas são todos os contribuintes, o fim do mundo esfregou logo as mãos.

Por sorte o André não imprimiu programas para adiar o fim do mundo. Bastou editar o documento - a medida 1082 vem logo depois da 1080 - fazer novo upload e já está. Mais um prego no caixão do fim do mundo. Respiremos de alívio.

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(Reproduzo um postal que coloquei em Março de 2004.)

Nesse 11 de Setembro tínhamos imensa gente em casa para jantar. O motivo do repasto era a visualização de um documentário sobre Nacala, feito pela Joana Pereira Leite. Lá se jantou, os convivas nervosos, estupefactos. No fim mais ou menos votou-se o vídeo em detrimento da CNN e lá se seguimos para as memórias da Joana. Claro que num dia desses tudo terminou em grande discussão, sobre méritos e deméritos do vídeo, seu sub-texto e etc. Serviu de catarse.

Já noite longa e terminados os contra-argumentos levei alguns dos convidados, os portugueses, ao hotel. Fiquei-me só, bastante acelerado, de tudo o que se tinha visto quase em directo, do jantar meio louco, da discussão que se seguiu, e do cocktail de cervejas, gin, vodka, tinto e whisky que tinha acompanhado o dia.

Não me imaginei na cama e segui à Bagamoyo, meio vazia estava, dia de semana e tão especial. Porta a porta entrei no Luso, onde o balcão pode ser recatado em troca de uma ou outra Reds, ofertada à menina que servirá de biombo. Também a matar a noite por lá estava o André, um italiano meu conhecido e há muito aqui residente. Lá nos juntámos, o assunto era óbvio. O horror, o espectáculo, o futuro. Tudo dito e redito. Até que começou ele com a arenga que os americanos estavam mesmo a pedi-las, tinham que levar com situações destas, tanta a sua arrogância, o imperialismo. E tudo quanto fazem pelo mundo afora.

Tentei interrompê-lo, a puxar-lhe pela manga, até numa concordância que muita violência fazem e patrocinam os EUA. Mas caramba, aquilo tinha sido horrível - "viste aqueles tipos a saltar lá de cima?" - e ele nada, nada mesmo, que era tempo dos americanos sentirem em casa a violência, não tinha pena nenhuma. Bem, que me restava fazer? Concordei com ele. Que tinha razão. Realmente o poder americano é violentíssimo, usa a agressão constantemente e capeia-a. E fui adiantando que ao olhar para trás também saudava todos os italianos mortos durante a II Guerra Mundial. Não é que os sacanas tinham apoiado o Mussolini?

Não percebi bem porquê mas ficou irado, insultou-me. A conversa morreu ali mesmo, e desde então cada vez que me vê - e já lá vão quase três anos - limita-se a um aceno, tão breve quanto possível. Nos dias seguintes fartei-me de ouvir gente a dizer o mesmo que ele. Que tinha sido horrível, é certo. Mas que estava na altura de eles apanharem em casa. E nem todos os que falavam eram italianos. E eu sem saber o que lhes dizer.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 11.09.19

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Os Homens da Cor do Silêncio, de Alberto Molina

Prefácio de José Antonio Portuondo

Tradução de Daniel Augusto Gonçalves

Romance

(edição Avante!, 2019)

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Daquilo do dia contra a depressão

por jpt, em 11.09.19

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(Transcrevo um postal meu no Facebook, ainda que sabendo ser o ambiente aqui, pejado de anónimos comentadores, muito mais hostil do que o do meu mural no FB).

***

Neste chato calendário laico, pelo qual se substituiu o santo do dia pela boa causa diária, ontem foi o dia mundial contra o suicídio, também dito "contra a depressão". Vejo por aqui-FB muita gente a partilhar os tradicionais dísticos, estandartes contra isso. Como sempre, nestas coisas, não serve para nada.

O estado depressivo é tramado. Homem que se preze nunca o reconhece em público. É até pior do que anunciar a disfunção eréctil. E é quase tão mau, quase, quase, como reconhecer que se tem hemorróidas (o maior tabu dos homens tóxicos, como agora sói dizer-se).

Há alguns anos, em Maputo, botei este texto "A Sair do Armário", e há dois dias recoloquei-o no (novo) blog. É sobre isso mesmo.

Mas como há este dia "contra a depressão" vou adiantar algo mais, a ver se tendes a paciência para ir ler o textinho do blog:

Está(s) deprimido? Deixe-se/deixa-te de coisas, vá(ai) ao médico. Quando dói a dentuça não corre(s) ao dentista? Médico e pílulas, pronto. Siga a marinha ...

É(s) daqueles que não vai ao médico? Deprimido como o c...... mas forte o suficiente para aguentar sozinho? Um gajo rijo, "tóxico", como antigamente havia, material do tempo da guerra? Conheço o estilo, dá cá um abraço camarada. És novo nisto, ou algo recente pelo menos? Então leva três avisos, de um mais-antigo na coisa, veterano do vai-e-vem:

1 - quando deprimido um tipo não bebe. Bebe, muito ou pouco, quando quiseres. Mas não quando deprimido, nunca assim. Sabe mal ...

2 - sentes-te miserável (de facto a gente diz "uma merda" mas parece mal escrever isso)? Não acredites quando te dizem que te enganas nisso. És uma merda, estás deprimido por isso mesmo. Mas lê o Eça, pelo menos. Apanha o Palma Cavalão, o Acácio, o Dâmaso (e até os protagonistas). E olha à tua volta. Está cheio de gente assim e até pior. Andam aí, viçosos e sorridentes - pudera, tantos deles carregados de antidepressivos. Ok, és uma merda. Mas isto está cheio de gente assim, até pior do que tu. Não te preocupes, és um homem, vales pouco. Mas mais que tantos, desses videirinhos, e assim não se justifica o teu choradinho.

3- só há uma cura. O sorriso de uma mulher. Não de qualquer uma, claro. Mas não precisa de ser a Princesa Encantada. Uma mulher sarar-te-á. Mas o problema é que andando deprimido poucas te sorrirão, assim, desse tal modo. E o pior é que, ainda por cima, tu estás tão estuporado que nem repararás quando (e se) isso acontecer. Pois estás ... grunho.

Portanto, larga a atitude. Deixa os alguns mais-antigos seguirem este nosso caminho, quais lone rangers de nós mesmos, relíquias que somos. Estás triste? És estúpido, pá?, deixa-te de coisas, vai ao médico!

E se este escrito te serviu para algo, ó pateta, clica na ligação e vai ler o meu texto no blog. Sim, este A Sair do Armário. Pois mitiga-me a tristeza saber que as minhas patetices são lidas.

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Fora da caixa (6)

por Pedro Correia, em 11.09.19

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«Nós agora propomos passar para um ano a licença de parentalidade.»

Assunção Cristas, em entrevista à TSF/DN (27 de Julho)

 

O CDS apresenta nesta campanha legislativa, entre outras medidas emblemáticas, o alargamento para doze meses da licença parental, podendo até ser extensiva a partir de certa altura aos avós. Isto porque, segundo Assunção Cristas, «é o que acontece nos países nórdicos, é o que acontece nos países com melhores índices de fecundidade».

Parece uma proposta meritória. E um louvável acto de contrição do CDS, que noutros tempos remou na direcção contrária, opondo-se à introdução desta medida num pacote de alterações à legislação laboral anunciado pelo Executivo de José Sócrates.

«Estender a licença até aos 12 meses pode causar algum susto aos empregadores, que podem retrair-se de contratar jovens em idade de ser pais. Por outro lado, penaliza os trabalhadores no sentido em que dificulta a sua progressão na carreira», objectou o deputado centrista Mota Soares, em declarações à agência Lusa, a 22 de Abril de 2008.

O que diriam então esses próceres do CDS da proposta que o próprio partido agora anuncia? Teriam talvez um «enorme susto», para utilizar um léxico hoje fora de moda no Largo do Caldas. Mudam os ventos, mudam as promessas. Ainda que alguns dirigentes do partido sejam os mesmos onze anos depois.

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 11.09.19

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Ana Vidal: «As ruas da Galiza inteira estão em obras, como se tivesse havido uma catástrofe da natureza e tudo tivesse de voltar a ser reconstruído. Demorei a perceber o porquê de tanta e tão simultânea actividade, até reparar num cartaz que se repetia, afinal, por todos os cenários onde reinavam a picareta, os capacetes amarelos e as retroescavadoras. Sob a sigla PlanE, a explicação simples: Plan Español para el Estímulo de la Economia y el Empleo (Fondo de inversión local para el empleo).»

 

João Carvalho: «Lê-se hoje na imprensa que as sondagens mais recentes apontam para um empate técnico entre os dois maiores partidos. Esta moda actual de fazer passar a ideia de que os dois partidos vão ter exactamente o mesmo número de votos e que será preciso convocar novas eleições ou ir a prolongamento e desempatar a golos é uma patetice.»

 

Leonor Barros: «Quando fui à papelaria comprar um manual escolar e me pediram vinte e quatro euros e setenta cêntimos pelo dito, mais cinco euros pelo livro de exercícios e outro tanto por outro livro e ainda uns seis euros pelo manual interactivo, perfazendo a elegante quantia de trinta e sete euros e uns pozinhos apeteceu-me citar o Vital Moreira e aplicar-lhes o substantivo da discórdia: roubalheira.»

 

Paulo Gorjão: «De tudo aquilo que se passou nas últimas semanas, há um assunto que continua por esclarecer e que para mim é o mais grave de todos: a Presidência da República foi ou não, afinal, alvo de escutas? Bem sei que já ninguém fala no assunto e que política e mediaticamente falando o tema está morto. Não devia. A gravidade das suspeições impunha outra atitude, no mínimo da parte do Presidente da República. Não foi o que aconteceu, infelizmente.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Com a asfixia que se vive para os lados da São Caetano, patente na pose e agravado pelos resultados da sondagem hoje divulgada, que teima em colocar o partido da Dr.ª Manuela em 2º lugar (alguns especialistas chamam a isto "empate técnico"), nada melhor do que ser o próprio Presidente da República a desanuviar o ambiente. O oásis fica em Sortelha. É sempre bom ter por aqui uma alternativa à Madeira.»

 

Teresa Ribeiro: «Têm mais de vinte anos de diferença, mas ela, comparada com ele, parece tão naif... - Era nisto que pensava enquanto os via. A inabilidade em política não ganha debates mas rende votos. Quando, é claro, se confunde com autenticidade.»

 

Eu: «A política portuguesa, tão cheia de meias-tintas, ganha com este contraste de propostas, que no debate foi bem evidenciado em matérias tão diversas como as nacionalizações, a criminalidade, a imigração ou o código do trabalho. Louçã defende um reforço do papel do Estado na vida económica e nas áreas sociais (saúde, educação, segurança social). Portas defende uma redução da carga fiscal, reservando ao Estado um papel supletivo enquanto aponta as empresas como principal fonte capaz de produzir riqueza.»

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Canções do século XXI (891)

por Pedro Correia, em 11.09.19

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O brasileiro tinha razão

por Paulo Sousa, em 10.09.19

Num canto esquecido do balcão da loja de ferragens e debaixo do pó acumulado de vários anos, estava um porta-canetas em acrílico. Entre uma miríade de outros objectos, o porta-canetas passava quase despercebido.
Enquanto esperava para ser atendido, um brasileiro desatou à gargalhada. Estava quase agachado a olhar com atenção para o porta-canetas. Os restantes clientes interromperam as suas conversas perante as gargalhadas do brasileiro. Entreolharam-se com gravidade. Alguns ficaram arreliados por não entenderem o motivo de tal espalhafato.
- Isto é reclame de bordel!! - disse o brasileiro.
- Isto é o quê? - perguntou o dono da loja tentando sem sucesso disfarçar a irritação.
Importa lembrar que naquela rua viviam caboverdianos há várias décadas, já por lá tinham passado croatas, que desapareceram após a sua guerra, e depois disso vieram ucranianos, russos, moldavos, brasileiros e até um italiano. Nunca tinha havido qualquer problema. Todos tinham vindo para trabalhar e nunca se tinha registado a menor fricção, antes pelo contrário, os locais até achavam piada a tal variedade.
Tinha havido apenas um episódio de alguma tensão. No ano passado uma caboverdiana tinha dado um valente pontapé num gato de uma brasileira por este ir repetidamente fazer as necessidades no vaso das hortelãs que cultivava para fazer chá. Antes da dimensão legal das recentes leis de defesa da bicharada, o pontapé seria apenas o normal quotidiano e nem teria merecido destaque neste texto.
- Ah! Ah! Ah! Isto é reclame de bordel!! repetiu o brasileiro.
A sabedoria popular diz que não há mal que sempre dure nem bem que nunca acabe, e a ausência de conflitos com estrangeiros esteve por um fio durante aqueles longos instantes.
No meio de um furador ferrugento, uma grossa e escura tesoura com mais de uma geração e uma velha caixa de charutos usada para guardar cartões de visita, lá estava o empoeirado porta-canetas. Já ninguém se lembrava como lá tinha ido parar. O mais provável era ter sido oferecido por um fornecedor. Servia para lá esquecer umas canetas já sem tinta e uns lápis sem bico. Estava para ali.
- Ah! Ah! Ah! Isto é reclame de bordel!!
Só após o choque inicial é que finalmente mais alguém olhou com atenção para esse objecto de estacionário. O logotipo era de um banco que já tinha tido um balcão na terra e que fechara quando este tinha ido estrondosamente à falência. O slogan, que deveria estar virado para o lado de dentro do balcão, estava agora virado para fora.
- Juntos fazemos crescer o seu negócio!! - leu finalmente em voz alta o brasileiro - Isto é reclame de bordel!!
Quando, um a um, todos os restantes clientes leram a mensagem de marketing do porta-canetas, largaram-se a rir em uníssono e um deles disse:
- Eu devia ter percebido isso quando me venderam aqueles fundos estruturados e as obrigações de renda perpétua!!! Isto é mesmo reclame de bordel!!
E ainda não foi desta que houve transtornos com os estrangeiros naquela rua.

 

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Um texto inadmissível na imprensa portuguesa, pois um verdadeiro apelo ao canibalismo. Pois se o critério para a inclusão na dieta vier a ser a inteligência do comestível que acontecerá, que nos restará? A chanfana de socialista?, a cataplana de holigões?, tatuados à Lagareiro?, filetes de bolsonaristas?, o fricassé de indignista?

 

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A minha indignação bem expressa

por Pedro Correia, em 10.09.19

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Lamento muito ter de me pronunciar aqui contra a minha alma mater, mas acho péssimo que a Universidade Católica se promova no estrangeiro e no próprio País deturpando o nome da nossa capital.

Lisboa. Uma das mais belas palavras do idioma de Camões. Que, por acaso ou talvez não, coincide com nome da principal cidade portuguesa.

Acontece que a Católica, por motivos que não consigo descortinar, optou por abastardar Lisboa, adulterando-lhe a grafia, agora adaptada ao amaricano que vai dando cartas em certos círculos bem-pensantes.

É uma aberração.

 

Devíamos aprender com os nossos irmãos brasileiros. Alguém imagina uma instituição brasileira a deturpar os nomes das duas principais cidades do país, Rio de Janeiro e São Paulo - orgulhosamente escritos assim, na universal língua portuguesa que nos serve de poderoso traço de união?

Alguém imagina os brasileiros a escreverem "St. Paul" ou "River of January" para caírem nas boas graças do falso cosmopolitismo que galopa por aí?

Nem pensar.

 

Aqui fica o meu lamento. Aqui fica o meu protesto.

Aqui fica a minha indignação. Ao ver a falsa primeira página do Expresso do último sábado com a falsa manchete que aqui reproduzo e alguns dos títulos que junto também. Todos escritos num peculiar jargão luso-amaricano em que o português é praticamente empurrado para a borda do prato.

Deixaram-me envergonhado. E tenho a convicção de que muitos professores e muitos dos actuais alunos da Universidade Católica pensam como eu.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 10.09.19

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O Que o Dinheiro Diz de Si, de Christian Junod

Tradução de Catarina Horta Salgueiro

Ensaio

(edição Guerra & Paz, 2019)

"A presente edição não segue a grafia do novo acordo ortográfico"

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 10.09.19

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João Carvalho: «Os líderes em campanha eleitoral que têm andado a justificar promessas no pressuposto de que Bruxelas irá manter vista grossa às derrapagens orçamentais vão começar a dormir mal. Desenganem-se eles e não enganem os eleitores, porque os foguetes pelo fim da recessão também têm canas. E se alguém quiser lançá-los, vai ter de apanhá-las.»

 

Jorge Assunção: «A coragem, ainda que moderada, que Marques Mendes revelou em 2005, faltou a Ferreira Leite em 2009. Não é a primeira vez que Ferreira Leite demonstra nada ter aprendido com Marques Mendes, a colocação de António Preto na lista de candidatos a deputados prova-o.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Há debates vivos, há debates mornos e há debates sem debate, em que os entrevistados correm em paralelo, atrás do ponteiro do relógio. O de ontem foi um desses. Jerónimo de Sousa debitou a sua cartilha com a simpatia habitual, sem excessos, sem maçar demasiado. Manuela Ferreira Leite procurou reproduzir o programa eleitoral do PSD. Aquilo de que se lembrava. A Madeira estava mais fresca. Com alguma falta de jeito, é certo, e sem explicar nada. Tudo pela rama.»

 

Eu: «Basta por vezes uma só frase para decidir um debate. Paulo Portas proferiu-a esta noite, no frente-a-frente com Manuela Ferreira Leite na RTP. "Experimente um dia ser oposição na Madeira", disse o líder do CDS à sua interlocutora. A social-democrata, que tanto tem clamado contra a "asfixia democrática", ficou sem resposta. Para quem tivesse dúvidas, o vencedor deste debate estava encontrado.»

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Canções do século XXI (890)

por Pedro Correia, em 10.09.19

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Fora da caixa (5)

por Pedro Correia, em 09.09.19

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«O programa do Bloco é social-democrata.»

Catarina Martins, em entrevista ao Observador (2 de Setembro)

 

Não sei o que terá acontecido a ambas. Tão duras, enérgicas e rebarbativas na campanha para as eleições europeias, tão doces, etéreas e cândidas nesta caminhada para as legislativas.

Convenço-me de que as duas se abastecem de sabedoria junto do mesmo tipo de guru. Alguém que lhes sussurra: limem arestas, falem com voz pausada, sorriam muito na pantalha. Mesmo que Rio vos mire com desprezo, mesmo que Costa vos triture com metralhas verbais.

E elas assim fazem: Assunção Cristas, outrora émula da brava Padeira de Aljubarrota, surge-nos com maviosos trinados de rouxinol; Catarina Martins, que já se assemelhou à indomável Maria da Fonte, parece agora estagiar para Madre Teresa de Calcutá.

Os gurus pós-modernos recomendam-lhes: não caiam na tentação do azedume, que provoca inúteis rugas de expressão e afugenta a clientela eleitoral. Pratiquem a castidade ideológica, previnam-se contra tentações radicais. 

Serão conselhos presumivelmente sábios. Mas receio que a coordenadora do BE ande a exagerar nas práticas revisionistas que a tornam quase irreconhecível. Confessar-se «social-democrata», nesta altura do campeonato, pode tresandar a eleitoralismo desbragado junto das pituitárias mais sensíveis.

E que diria o velho Trotsky, mentor da primeira geração de dirigentes do Bloco? «Ao prolongar a agonia do regime capitalista, a social-democracia conduz somente à decadência ulterior da economia, à desintegração do proletariado, à gangrena social», uivava o velho áugure num dos seus textos doutrinários que moldaram o pensamento do doutor Louçã.

Os resíduos trotsquistas são hoje uma curiosidade arqueológica no BE. Não me admirava que o neoguru de Catarina lhe recomendasse ao ouvido, insuflado de espírito feelgood: «Na próxima entrevista diga que o seu autor de cabeceira é Paulo Coelho.»

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Palavras para recordar (50)

por Pedro Correia, em 09.09.19

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RUI RIO

RTP, 24 de Abril de 2008

«O partido [PSD] está numa situação grave, paralela à dos anos setenta. Temos de nos levantar.»

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O incorrectismo

por jpt, em 09.09.19

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Vivemos uma época de combate aos preconceitos apoucadores. Alguns movimentos sociais, e nisso também alguns intelectuais, têm vindo a traçar rumos, tentando expurgar as culturas dominantes de estereótipos discriminatórios e nisso transformar as práticas sociais com estes articuladas. Mas há sempre quem resista, constituindo aquilo a que em tempos de chamou "forças de bloqueio". Muitas destas surgem sonoras no campo da comunicação social e seus adjacentes. Mas talvez as mais empedernidas habitem no mundo económico, controladas por um empresariado voraz na busca de lucros, suportado por esse meio letrado, semi-intelectual, constituído por profissionais da comercialização (dita "marketing", em estrangeiro para adquirir prestígio) e da publicidade. 

Deparei-me agora com este ataque aos homossexuais masculinos. É certo que na actualidade já alguns dos mais prestigiados intelectuais portugueses os defendem, lutando contra preconceitos que ainda os desvalorizam, até compondo e aderindo a uma muito justa teoria antropológica que - finalmente - estipula os quatro grupos existentes na História da Humanidade. De facto, sabe-se agora que existem três grupos vítimas da violência radical, devastadora, escravizadora e assassina: Crianças, Mulheres, "Gays, Queers e Outros Assim" (sigo a conceptualização do consagrado Frederico Lourenço). E um grupo agente da tal malevolência, assassina, escravizadora, estupradora: os Outros. Estes são os Homens Heterossexuais, cujas malevolências contínuas são puro reflexo da sua  masculinidade tóxica, da qual seguem escravos militantes. 

Mas ainda assim é nesta actualidade, na qual o conhecimento histórico e antropológico já nos permite assumir esta compreensão da evolução humana, que uma empresa, na sua insana demanda de lucro fácil, continua a produzir este tipo de insultos, jocosos e ridicularizadores, àquela parte boa da Humanidade.

Mas não vai sozinha neste cruel e alienante rumo. Ao lado daquele insensível produtor alcoólico encontro este outro, desrespeitando os cidadãos séniores, tanto na imagem decadente que deles apresenta, como utilizando epítetos apoucadores, até vis, como se lhes retirando a integridade - no sentido amplo e assim ainda mais perverso, o da redução da sua totalidade e da sua dignidade. 

Urge olhar para estas práticas e alterá-las. O caminho será difícil e longo. Mas necessário.

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