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Leitura obrigatória

por Jorge Assunção, em 14.09.09

Without painful overhauls, euro-zone countries such as Spain, Italy, Greece and Portugal seem set for years of meager growth, making their debts harder to pay.


23 comentários

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De Luís Lavoura a 15.09.2009 às 11:01

Disparates de um jornal conservador norte-americano.

Todos os estados dos EUA partilham a mesma moeda desde há duzentos anos, apesar de terem economias extremamente diferentes.

O mesmo acontece com todos os estados da União Indiana, e com todos os estados do Brasil, e com todos os estados da Federação Russa.

Não há qualquer razão para que o euro não seja a moeda comum de países com economias distintas.
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De Jorge Assunção a 15.09.2009 às 17:44

Disparate é o que o Luís afirma, que compara casos não comparáveis. O problema está relacionado com a discussão sobre o que é uma área monetária óptima e a UE não o é certamente, passo a explicar:

1) em todos os casos que aponta existe um governo central que, a qualquer altura e perante situações diferenciadas nos seus estados, pode responder através de transferências do orçamento central. Por exemplo, nos Estados Unidos existe uma segurança social a nível federal, na UE, embora os países partilhem a moeda, cada país tem a sua segurança social. Quando a Califórnia está com dificuldades e a Florida está em boom económico, o governo federal americano cobra impostos na Florida e distribui subsídios na Califórnia, na UE, à falta de um orçamento central, isso não acontece. Acho que não é preciso fazer um desenho.

2) a integração do mercado de trabalho. Nos Estados Unidos, e provavelmente nos outros casos que aponta, é muito mais fácil um trabalhador sair do seu estado para outro estado onde existe maior probabilidade de encontrar emprego. Na UE, por várias razões (diferenças linguísticas, culturais, etc...), a mobilidade laboral é bastante menor.
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De Luís Lavoura a 15.09.2009 às 17:57

Essa coisa das áreas monetárias ótimas é um disparate completo.

Nos EUA durante 150 anos o governo federal foi minúsculo e tinha um orçamento desprezível. Nunca fez transferências de uns estados para os outros, e eles tinham economias ainda mais diferenciadas do que atualmente.

Na Índia não há grande mobilidade de mão-de-obra, dado que as línguas faladas são totalmente diferentes. Um goês não pode ir trabalhar para a Bengala dado que não percebe patavina de bengali. A mobilidade da mão-de-obra na Índia é menor do que na Europa.

Isso de áreas monetárias ótimas é conversa de economista. É um disparate completo. A moeda é apenas um meio de troca. Os salários são mais altos ou mais baixos numa mesma área monetária.
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De Luís Lavoura a 15.09.2009 às 18:14

Para que você compreenda melhor que essa coisa da "área monetária ótima" é um disparate, repare que, desde que o mundo é mundo, todas as áreas monetárias foram e são projetos políticos, e não projetos económicos.

Porque é que a Federação Russa tem uma só moeda, o rublo? Por razões meramente políticas, e não económicas. Da mesma razão a Indonésia tem uma só moeda, a qual é diferente da moeda das Filipinas e da moeda da Austrália. Isto nada tem a ver com economia, tem tudo a ver com projetos políticos de poder. A Indonésia tem um governo central com uma dimensão minúscula, e tem ilhas com níveis de desenvolvimento económico brutalmente distintos, e no entanto vive perfeitamente tendo uma moeda única. O mesmo se diga de milhentos outros países.

Por outro lado, o Canadá, que tem uma economia fortemente integrada com a dos EUA, tem uma moeda distinta, pela mesma razão - porque são projetos políticos diferentes.

O mesmo se passa com a Zona Euro: tem uma moeda comum devido a um projeto político.

A economia nunca se afunda por causa da moeda. O mais que pode acontecer é alguns países, como Portugal, que têm fortes dívidas afundarem-se. O mais que pode acontecer é algumas pessoas, como os portugueses, que auferem salários acima da sua produtividade, terem que reduzir esses salários.
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De Jorge Assunção a 15.09.2009 às 19:44

"desde que o mundo é mundo, todas as áreas monetárias foram e são projetos políticos, e não projetos económicos."

Confesso que não o compreendo. Mas deve ser por não estar habituado a conversa de físico. O Euro é um projecto político? Claro, há muito que já percebemos isso, por isso a discussão económica aquando da sua criação foi tão limitada (era blasfémia apontar os problemas económicos que a não existência de uma área monetária óptima traria) e os povos nunca perceberam as vantagens e desvantagens que tal projecto implicava. Mas lá por ser um projecto político não implica que não possamos discutir o assunto do ponto de vista económico (da mesma forma que é importante discutir se havia integração política suficiente na UE que justificasse a criação de uma moeda própria enquanto projecto político). E muito menos leva a que tal discussão seja disparatada, mas eu já dou um desconto ao Luís que não sabe debater de outra forma.

"O mais que pode acontecer é algumas pessoas, como os portugueses, que auferem salários acima da sua produtividade, terem que reduzir esses salários."

Mas sabe porquê que essa é a única solução com que nos deparamos, não sabe? Sabe também qual era a solução habitual para resolver a solução não sabe? Agora, como não temos política monetária própria para desvalorizarmos a nossa moeda como sempre o fizemos, temos de recorrer à diminuição dos salários. É a única solução para aumentar a competitividade mas, infelizmente, nenhum dos países em causa quer recorrer a ela.
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De Luís Lavoura a 16.09.2009 às 17:29

1) Não é só o euro que é um projeto político, todas as moedas nacionais o são. Porque é que toda a Rússia usa uma só moeda? Porque essa moeda faz parte do projeto político "Rùssia". O mesmo se diga do dólar americano, do real brasileiro, etc. Todas as moedas (tal como todas as companhias de aviação "de bandeira") são projetos essencialmente políticos, e não económicos. Nesse sentido, o euro nada tem de original.

2) Ainda bem que não podemos desvalorizar a "nossa moeda" (o antigo escudo), porque isso era, de facto, uma forma de o Estado roubar a alguns cidadãos mais produtivos e competitivos a sua riqueza para favorecer outros cidadãos (e empresas) menos competitivos. O Estado não tem nada que fazer tal coisa, em meu entender. Em meu entender, os cidadãos e as empresas que não forem competitivos - e só esses - é que devem descer as suas remunerações e os seus preços. Não deve ser todo o país a ver diminuída a sua riqueza para apoiar umas tantas empresas mal geridas e que não se sabem modernizar.

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