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Leitura obrigatória

por Jorge Assunção, em 14.09.09

Without painful overhauls, euro-zone countries such as Spain, Italy, Greece and Portugal seem set for years of meager growth, making their debts harder to pay.


23 comentários

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De Jorge Assunção a 15.09.2009 às 01:25

"em que te baseias para considerar que seria possível um crescimento superior a 0,3% no último trimestre"

O crescimento de 0,3% deve-se ao estímulo económico fortíssimo que este governo aplicou para esses resultados surgirem (aliás, quanto mais não fosse por motivos eleitorais, o governo gastaria o máximo possível para que os números fossem positivos). Mas isso pouco importa, quer porque a um governo exige-se que não governe para um trimestre, quer porque a questão essencial prende-se com a insustentabilidade de manter o estímulo ad eternum, especialmente em países onde a dívida é um problema, como é o nosso caso. Pelo que, mais cedo ou mais tarde, a economia tem de aguentar por si. E ai seremos confrontados com os problemas estruturais que ficaram por resolver - problemas estruturais que não sendo totalmente iguais, nem com o mesmo grau de gravidade, afectam países como a Espanha, Grécia, Itália e Portugal - que a jornalista, informada, faz muito bem em realçar. Ou seja, pouco me importa se no último trimestre podíamos/devíamos ter crescido mais ou menos, o que me interessa é: e daqui a um ou dois anos, como será? Voltamos ao crescimento habitual desta década que passa? É isso? Com um problema acrescido: nos próximos anos estaremos mais endividados, com um défice elevado e teremos de voltar a fazer consolidação orçamental (o que vai ser uma coisa nada bonita de se ver e chega a ser triste que tal assunto esteja ausente da campanha eleitoral). Quanto ao comércio mundial, pois se os Estados Unidos e a China começarem com medidas proteccionistas (inacreditavelmente iniciadas por Obama), muito mal estamos, mas tal como na crise internacional, o nosso papel para a resolução do problema é nulo e as consequência negativas de uma situação do género são inevitáveis, a única solução que nos resta é esperar que os outros optem pelas políticas acertadas.
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De Carlos Santos a 15.09.2009 às 02:30

Jorge,

Apenas duas notas. O proteccionismo começar em Obama não é verdadeiramente inacreditável: ele disse-o no Michigan, e disse-o no Ohio em plena campanha eleitoral. Isso está no meu livro. Sucede, que por acaso, não começou: se pesquisares no meu blogue sob o título "Buy China" descobrirás novas de há meses em que a China anunciava uma clásula de exclusividade uso de produtos nacionais no seu stimulus package. Depois de no G20 ter dito o contrário. Não me parece de facto que o comércio internacional caminhe na melhor direcção.

Quanto aos fortíssimos estímulos do governo, eu reformularia a formulação, mas isso é uma consideração normativa, para políticas adequadas de gestão de conjuntura. Quem não tiver fé na mitologia da mão invisível ou do leiloeiro Walrasiano (há um artigo interessante no Journal of Economics Literature a esse respeito) perguntar-se-á sempre onde estavam nesta crise os processos de correcção automática de mercado. E a verdade é que não existiam, até porque como saberás a Alemanha e a França não deixaram contrariamente à retórica de abril, de aquecer as respectivas economias.
Todas as economias em recuperação seguiram uma receita comum. A expectativa de que uma crise onde os mecanismos são todos indutores de redução de crescimento se resolva por si só a podia perpetuar.
O crescimento da última década de que falas, foi baixo. Devo contudo recordar-te o discurso da tanga e a originalidade da recessão auto induzida que se seguiu, e o défice Santana Lopes (o auditado, não o cosmético)? Folgo contudo em saber que reconhecerás, no seguimento das tuas palavras, obra a este Governo: que baixou o défice para um mínimo em 35 anos de democracia: e tu sabes que 2009 sofreria sempre um agravamento por efeito dos estabilizadores automáticos.
Carlos Santos
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De Jorge Assunção a 15.09.2009 às 03:28

"ele disse-o no Michigan, e disse-o no Ohio em plena campanha eleitoral."

Disse-o, sempre achei uma medida errada e quando afirmou tal coisa a conjuntura económica não era propriamente a mesma. Na altura, aliás, admiti que eram declarações sobretudo de carácter eleitoralista, uma vez que nos dois estados em questão o proteccionismo encontrava forte apoio popular. Mas, e por isso o rótulo de inacreditável, a conjuntura também mudou desde então. Não me parece que medidas proteccionistas possam ser inseridas nas "políticas adequadas de gestão de conjuntura". Basta recordar a grande depressão e no quanto a Smoot-Hawley Tariff Act poderá ter contribuído para o acentuar/prolongar da mesma.

"E a verdade é que não existiam, até porque como saberás a Alemanha e a França não deixaram contrariamente à retórica de abril, de aquecer as respectivas economias."

Concordo, mas então explica-me este post:

http://ovalordasideias.blogspot.com/2009/09/angela-merkel-pior-conselheira-para.html

Também tu, por vezes, recorres excessivamente à retórica. E presumo que Adam Posen (sabes que não é bom aceitar de forma acrítica um artigo de opinião), tal como Krugman, não conhecia o estímulo alemão em Março de 2009. ;)

Mas recordo que Merkel, como Sócrates, tem umas eleições para ganhar, logo, tinha de apostar tudo no estímulo à economia.

"e tu sabes que 2009 sofreria sempre um agravamento por efeito dos estabilizadores automáticos."

Sei, mas sei que não explicam tudo e mais penso saber sobre o que irá acontecer se a economia continuar nos próximos anos com taxas de crescimento ridículas.

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