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Leitura obrigatória

por Jorge Assunção, em 14.09.09

Without painful overhauls, euro-zone countries such as Spain, Italy, Greece and Portugal seem set for years of meager growth, making their debts harder to pay.


4 comentários

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De Carlos Santos a 14.09.2009 às 23:05

Jorge, Aceitar de forma acrítica um artigo só porque ele vem no WSJ é o tipo de argumento de autoridade que pessoalmente repudio. Era o mesmo que colocar um CV no fim de cada post que faço. Tu levas a sério um artigo tão bem informado em que o articulista começa por dizer: "Even as France and Germany begin to show signs of economic recovery", esquecendo-se de mencionar que há um 3º país nesse pelotão da frente da retoma?
Pessoalmente, não perco o meu tempo com jornalistas mal informados. Infelizmente também existem.
Abraço,
Carlos Santos
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De Jorge Assunção a 14.09.2009 às 23:31

Carlos,

"Aceitar de forma acrítica um artigo só porque ele vem no WSJ é o tipo de argumento de autoridade que pessoalmente repudio."

Ao menos não me acusas de só ler a revista Maria. Já é um upgrade face a outros debates que foste tendo na bloga.

"esquecendo-se de mencionar que há um 3º país nesse pelotão da frente da retoma?"

Estamos no pelotão da frente da retoma? E a Grécia, também faz parte desse pelotão, uma vez que cresceu os mesmos míseros 0,3% que Portugal no último trimestre? Podemos esperar portanto crescimento económico acima da média para todos estes países nos próximos anos? Não tarda, estás como o McCain: "the fundamentals of our economy are strong". Eu compreendo-te.
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De Carlos Santos a 14.09.2009 às 23:54

Jorge, ignorando a parte provocatória, eu limito-me a perguntar-te: em que te baseias para considerar que seria possível um crescimento superior a 0,3% no último trimestre? O contra-factual de um crescimento fortemente dependente do consumo privado é simples de fazer: se não tivesse havido um reforço das prestações sociais e reembolsos antecipados de IRS, eu tenho sérias dúvidas que a subida do desemprego pudesse ser contrariada pela inflação negativa e pelas taxas de juro. Curiosamente, há quem proponha num programa que pretende modesto um "paradigma" novo para a economia, em que se esforça por comprimir o consumo privado.
Quanto às minhas coordenadas económicas, elas estão tão longe das do McCain, que achava que o crescimento, nesta crise, podia resultar de uma mera redução fiscal, que eu me arrisco a dizer que a visão de um liberal como justamente te assumes está mais próxima da dele do que a minha alguma vez esteve. Exemplo: descer o IRC (no teu caso não precisarei de dizer a taxa!) adiante de quê se as empresas não têm clientes? E comprimir o consumo privado, e já agora as despesas do Estado em bens e serviços, faz o quê para promover essa procura das empresas? É possível exportar? Com certeza, mas suponho que não ignoras que o comércio mundial está em contracção e com perspectivas dantescas na sequência dos golpes e contra golpes entre os EUA e a China, pré-G20. Doha??
Carlos
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De Jorge Assunção a 15.09.2009 às 01:25

"em que te baseias para considerar que seria possível um crescimento superior a 0,3% no último trimestre"

O crescimento de 0,3% deve-se ao estímulo económico fortíssimo que este governo aplicou para esses resultados surgirem (aliás, quanto mais não fosse por motivos eleitorais, o governo gastaria o máximo possível para que os números fossem positivos). Mas isso pouco importa, quer porque a um governo exige-se que não governe para um trimestre, quer porque a questão essencial prende-se com a insustentabilidade de manter o estímulo ad eternum, especialmente em países onde a dívida é um problema, como é o nosso caso. Pelo que, mais cedo ou mais tarde, a economia tem de aguentar por si. E ai seremos confrontados com os problemas estruturais que ficaram por resolver - problemas estruturais que não sendo totalmente iguais, nem com o mesmo grau de gravidade, afectam países como a Espanha, Grécia, Itália e Portugal - que a jornalista, informada, faz muito bem em realçar. Ou seja, pouco me importa se no último trimestre podíamos/devíamos ter crescido mais ou menos, o que me interessa é: e daqui a um ou dois anos, como será? Voltamos ao crescimento habitual desta década que passa? É isso? Com um problema acrescido: nos próximos anos estaremos mais endividados, com um défice elevado e teremos de voltar a fazer consolidação orçamental (o que vai ser uma coisa nada bonita de se ver e chega a ser triste que tal assunto esteja ausente da campanha eleitoral). Quanto ao comércio mundial, pois se os Estados Unidos e a China começarem com medidas proteccionistas (inacreditavelmente iniciadas por Obama), muito mal estamos, mas tal como na crise internacional, o nosso papel para a resolução do problema é nulo e as consequência negativas de uma situação do género são inevitáveis, a única solução que nos resta é esperar que os outros optem pelas políticas acertadas.

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