Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Delito de Opinião

Legislativas (32)

Pedro Correia, 11.09.09

 

DEBATE PAULO PORTAS-FRANCISCO LOUÇÃ

 

Ao contrário do que aconteceu com os restantes oito debates que já vi nesta campanha legislativa, cheguei desta vez ao fim sem uma convicção clara sobre o nome do vencedor. Isto já diz muito sobre uma certa equiparação intelectual entre os líderes do CDS e do Bloco de Esquerda, dois dos dirigentes com maior destreza mental e maior capacidade de comunicação de toda a nossa classe política. Foi um debate extremado: não tanto pelo facto de estarmos perante os líderes dos partidos que se situam nos pólos mais extremos do hemiciclo de São Bento como pelo elementar motivo de que a ideologia esteve esta noite muito em foco na RTP. De um lado, estava alguém assumidamente de direita; do outro, estava alguém assumidamente de esquerda. A política portuguesa, tão cheia de meias-tintas, ganha com este contraste de propostas, que no debate foi bem evidenciado em matérias tão diversas como as nacionalizações, a criminalidade, a imigração ou o código do trabalho. Louçã defende um reforço do papel do Estado na vida económica e nas áreas sociais (saúde, educação, segurança social). Portas defende uma redução da carga fiscal, reservando ao Estado um papel supletivo enquanto aponta as empresas como principal fonte capaz de produzir riqueza. "As empresas criam emprego. Mas também desemprego", replica o coordenador do BE. "Uma coisa é falar, outra é fazer", sustenta Portas, lembrando a sua acção, enquanto titular da pasta da Defesa do Governo PSD/CDS, para salvar as Oficinas Gerais de Material Aeronáutico.

Foi um debate acalorado, sem pontos mortos, perante uma moderadora (Judite Sousa) quase inexistente, entre dois políticos que levavam as respectivas lições bem estudadas. Louçã terá surpreendido alguns ao invocar a Igreja Católica em abono das suas teses de integração social dos imigrantes: "Uma política de imigração sensata não pode ter preconceitos racistas." Portas lembrou algumas medidas de carácter social tomadas por Bagão Félix, ministro do CDS, no Executivo de centro-direita: 14º mês para os pensionistas, 13º mês para os beneficiários do abono de família, convergência entre as pensões e o salário mínimo.

Houve alguns pontos de acordo. Sobre a necessidade de reforçar os efectivos policiais, por exemplo, embora com ressalvas de parte a parte. "Precisamos de uma sociedade mais segura, não de uma sociedade mais vigiada", advogou Louçã. "Há um problema sério de segurança nas áreas metropolitanas de Lisboa, Porto e Setúbal", alertou Portas.

Existem boas razões para votar em qualquer neles? Sem dúvida, por mais que os estados-maiores dos dois principais partidos, embalados pela "indústria das sondagens" (Portas dixit), tentem reforçar a ideia de uma bipolarização muito mais aparente que real. Poderá haver um problema de ingovernabilidade após 27 de Setembro, como alguns sustentam? "Ingovernabilidade há agora. Com o código do trabalho, o desemprego, a fractura social, a violência social contra as pessoas", concluiu o líder do Bloco. E é difícil não lhe dar razão.

10 comentários

Comentar post