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Delito de Opinião

Legislativas (30)

Pedro Correia, 09.09.09

 

 

DEBATE MANUELA FERREIRA LEITE-JERÓNIMO DE SOUSA

 

Este foi, de longe, o debate televisivo mais entediante da pré-campanha. Com um claro vencedor que não estava lá: José Sócrates. Manuela Ferreira Leite e Jerónimo de Sousa demonstraram esta noite, na TVI, que conseguem ser excelentes soporíferos, muito recomendáveis a quem sofre de insónias. Sócrates venceu porque estes seus dois antagonistas praticamente se esqueceram de fazer críticas ao Governo enquanto iam debitando propostas eleitorais em tom sofrível. A líder do PSD, agora preocupada em não perder eleitorado à esquerda, assegura que não tem "nenhuma proposta de tirar direitos aos trabalhadores".  Jerónimo, piscando um olho aos sociais-democratas, confessa não ter vislumbrado nenhuma 'asfixia democrática' na sua recente deslocação ao Funchal, frase logo aproveitada pela antiga ministra das Finanças: "Vamos à Madeira e, como disse o senhor deputado, não há lá nenhum sintoma de falta de liberdade."

Conclusão óbvia: depois de Sócrates, Jardim foi o segundo grande vencedor deste debate.

Jerónimo, além de ter ido à Madeira, parece ter feito também uma viagem no tempo, regressando à Inglaterra da Revolução Industrial: "A luta de classes é uma grande questão da sociedade." Marx haveria de gostar de ouvir este seu contemporâneo.

Manuela, por sua vez, esqueceu-se da obsessão pelo défice que marcou o seu mandato como titular pelas Finanças. "O equilíbrio das contas públicas já não é prioridade", declarou espantosamente a líder social-democrata, defendendo a redução da taxa social única. O ex-Presidente da República Jorge Sampaio, que garantia existir vida para além do défice quando o PSD era governo, haveria de gostar de ouvir esta recém-convertida à sua tese que também já foi entusiasta do TVG mas agora prefere o "investimento público de proximidade", seja lá o que isso for.

A dada altura, pareciam ambos concorrentes a um concurso de lugares-comuns. Manuela: "A responsabilidade social das empresas tem de estar sempre presente." Jerónimo: "Os juízes são órgãos de soberania." Manuela: "A justiça é um dos pilares da nossa democracia." Jerónimo: "O povo português, se há coisa de que gosta, é da liberdade."

Conversa mole, que quase nem parecia de dois dirigentes da oposição. Ferreira Leite só revelou uma ligeira vantagem em relação a Jerónimo: soube olhá-lo de frente. O líder comunista ainda não aprendeu que nestes debates deve levantar a cabeça, olhar quase nada para os papéis e encarar sem complexos os seus interlocutores. Pela quarta vez em seis dias demonstrou que tem uma enorme dificuldade em proceder assim. O que diria Marx disto?

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