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Legislativas (21)

por Pedro Correia, em 27.08.09

 

 

O BLOCO CENTRAL REVISITADO

 

Sejamos claros. O que está essencialmente em jogo, na campanha para as legislativas, é a política de alianças pós-eleitoral. É um tema incómodo, do qual os líderes políticos fugirão a dar respostas claras - comprometendo assim, ainda mais, a relação de confiança e de transparência com os eleitores.

Mas podemos trabalhar no campo das hipóteses. E aqui as alternativas são mais claras do que parecem: ou a votação no CDS é suficiente para possibilitar uma aliança eleitoral, qualquer que seja, ou PS e PSD estão condenados a entender-se – com estes ou outros líderes. Não foi por acaso que na sua recente visita à Áustria o Presidente da República elogiou a 'grande coligação' lá existente, espécie de reedição do bloco central que por cá tivemos na década de 80: é nessa direcção que convergem já os estados-maiores dos dois principais partidos. Também não é por acaso que, como sublinha o Paulo Gorjão, no próprio dia da apresentação do tardio programa eleitoral do PSD, um dos seus principais candidatos, João de Deus Pinheiro, defende em entrevista ao i uma coligação com os socialistas. É a resposta simétrica às recentes declarações de Ferro Rodrigues ao Expresso que apontavam na mesma direcção. Deus Pinheiro, sublinhe-se, não é um novato na política: é um homem da estrita confiança simultânea de Cavaco Silva, de quem foi ministro, e de Manuela Ferreira Leite, que o designou como cabeça de lista às legislativas por Braga.

É esta a solução que está a desenhar-se no horizonte enquanto há quem pretenda atirar poeira aos olhos dos eleitores, fingindo cavar trincheiras só para dar algum colorido à campanha. Pura ilusão de óptica, como Ferro Rodrigues e Deus Pinheiro já perceberam. O cenário pós-27 de Setembro já está montado. E tem pontes entre os supostos rivais, não tem trincheiras.


27 comentários

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De João André a 27.08.2009 às 15:18

Concordo Pedro. Parece ser essa a única dúvida. E o facto de os partidos não serem claros sobre o assunto poderá aumentar a votação do CDS, que poderá capitalizar isso.

Quanto às objecções de muitos, que Sócrates e MFL não quereriam uma coligação PS/PSD, essas são inúteis. Qualquer que seja o derrotado, não é de esperar que se aguente no partido muito tempo. Sócrates ou MFL, um deles cairá. Sócrates porque é uma criatura de poder. MFL porque tem um pelotão de facas afiadas nas suas costas.
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De Pedro Correia a 27.08.2009 às 22:59

Penso o mesmo, João.
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De António P. a 27.08.2009 às 15:18

Boa tarde Pedro Correia,
Podem haver pontes...mas também há batalhões de sapadores ( nas trincheiras ) preparados para as dinamitar.
Cumprimentos
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De (Im)pressionista a 27.08.2009 às 18:55

PODEM haver?
Caramba, isso é literatura!
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De Pedro Correia a 27.08.2009 às 23:00

Muitos desses 'sapadores', se for preciso, vão de sabática, caro António.
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De Rebel a 27.08.2009 às 17:03

Gostei muito da análise feita. Fiquei só com uma questão em mente:
O BE desfez-se?
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De Pedro Correia a 27.08.2009 às 18:08

Deduzo que acredita numa maioria eleitoral PS-BE. O problema é que os dirigentes do BE, a começar por Francisco Louçã, sempre têm dito que jamais farão qualquer coligação eleitoral com os socialistas. Neste aspecto, e salvo variações de pormenor, não há grande diferença em relação ao que têm dito os principais responsáveis do PCP.
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De Rebel a 27.08.2009 às 20:17

Não deduzo nada!
Limito-me a registar o que se passa e a desejar que não haja maiorias absolutas e que as clientelas instaladas no poder possam progressivamente vir a ser reduzidas até zero!
Até o nada é preferível a este estado de coisas!
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De Pedro Correia a 27.08.2009 às 20:37

Estamos em sintonia nesse aspecto. Também considero desejável que não haja qualquer maioria absoluta na próxima legislatura. Ganhe quem ganhar, terá de negociar com outras forças políticas. É a vida: isso mesmo se passa na grande maioria dos parlamentos da Europa.
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De tric a 27.08.2009 às 17:11

Se o PS vencer e o BE permitir ter maioria absoluta no parlamento, com um candidato às Presidenciais comum, acredita mesmo numa coligação PS/PSD ?

Se o PS vencer e se só os votos do PSD lhe permitirem a maioria absoluta, acredita numa coligação PS/PSD, quando ambos os partidos irão ter candidatos Presidenciais distintos e campanha essa que começará pouco depois das legislativas ? deveria ser bonito, vêr José Socrates a atacar o Presidente da Republica...

Se o PSD vencer e se só o PS lhe garrantir a maioria absoluta no Parlamento, acredita numa coligação PSD/PS, em que ambos os partidos terão candidatos distintos às Presidenciais, cuja campanha se iniciará pouco depois das legislativas ?

se com o CDS bastar ao PS ou ao PSD terem a maioria absoluta, ai sim acredito numa coligação, pois o CDS é "a prostituta do regime"

Se o PS ou PSD vencerem acredito em acordos pontuais, nomeadamente no orçamento, mas isso não é nada de novo. Agora coligação PS/PSD em ambiente de eleições Presidenciais, nãããããã....

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De Pedro Correia a 27.08.2009 às 23:01

Acho indecorosa a forma como se refere ao CDS. Veja lá se não se arrepende: dentro de algumas semanas, o seu partido pode vir a precisar muito de Paulo Portas.
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De Daniel João Santos a 27.08.2009 às 19:25

Também me parece que existe ali um ou outro a fazer a ponte.

Uma triste ponte, diga-se.
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De Pedro Correia a 27.08.2009 às 23:02

Não falta no PS e no PSD quem esteja já a fazer tudo para estabelecer essas pontes, Daniel. Com o apoio de Belém.
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De Carlos Pimentel a 27.08.2009 às 19:42

Deu nos livre e guarde dum tal desastre; pior do que os interesses instalados dum partido do centro, só os interesses instalados dos dois partidos do centro. Chiça!
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De Cristina Ribeiro a 27.08.2009 às 22:00

Digo mesmo mais: Chiça!
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De Pedro Correia a 27.08.2009 às 23:03

Viva, Cristina. Muito gosto em vê-la por cá.
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De Cristina Ribeiro a 27.08.2009 às 23:48

Boas noites, Pedro.
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De João Carvalho a 27.08.2009 às 22:44

Sem sombra de dúvida: a defesa do Bloco Central por Deus Pinheiro «é a resposta simétrica às recentes declarações de Ferro Rodrigues» no mesmo sentido. E isto derruba o que restava do fraco interesse da campanha eleitoral que se segue. Além de confrangedora por todos os motivos, deixa também de ser séria por não ser clara.
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De Carlos Pimentel a 27.08.2009 às 22:51

João, o seu último comentário parece-m demasiado derrotista; muito se joga nas eleições que se avizinham logo duas, há poderes na sombra que espreitam os despojos e o próximo governo da nação, estou seguro, não será uma coligação centrista.
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De João Carvalho a 27.08.2009 às 23:11

O derrotismo não é da minha natureza, Carlos. Interessa-me a ética, a lisura, a abertura, a clareza, a competência, o desapego. Como não encontro nada disso, vou ali e volto já. Mas nem sei se vale a pena voltar.
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De Carlos Barbosa de Oliveira a 27.08.2009 às 22:57

Quando há dias tracei aqui os meus cenários, não incluí essa hipótese, porque a pensava inverosímil. Depois das recentes declarações que referes, comecei a ficar com a pulga atrás da orelha...
Se essa hipótese se vier a concretizar, o melhor é começar a olhar para o mapa mundi e escolher o melhor destino.
Para mim não é problema. Com ou sem Centrão, já não falta muito tempo para me pirar...
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De Pedro Correia a 27.08.2009 às 23:04

Tens mais sorte do que a esmagadora maioria dos portugueses, Carlos.
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De Carla Soares a 27.08.2009 às 23:45

É importante que não esqueçamos que, quando não estamos convictos do nosso voto, devemos comparecer na urna de voto votando em branco.
Só assim aquela percentagem de abstenções que ocorre sempre ( 40% a 60% ) se revela muito útil em contagem real.
E assim podemos expressar de forma legalmente VÁLIDA a nossa opinião, que deverá contribuir para mudar a nossa sociedade se assim o quisermos.
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De Paulo Gorjão a 28.08.2009 às 00:04

Mas onde Rafael Marques e José Barros...? Acho inadmissível a falta de comparência.
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De Pedro Correia a 28.08.2009 às 00:14

Eheheheheh... Andam com Francisco Moita Flores atravessado.

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