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Barões privados com dinheiros públicos

por Tiago Mota Saraiva, em 09.05.16

publicado aqui

 

Mais do que a racionalização financeira do sistema, o corte no financiamento público de colégios privados que o Ministério da Educação está a ensaiar é um acto de coragem. Desengane-se quem, a este propósito, lucubra argumentos em torno da liberdade de escolha – alguém achará que, se eu optar por beber água engarrafada, o Estado deve financiar o litro de água que bebo para que me custe o mesmo que a da torneira? – ou quem julga ser um ataque às escolas católicas – quem o diz é o PSD, e não os órgãos próprios da Igreja.

Não tendo caracteres disponíveis para relatar alguns casos escandalosos de negócios privados no sector da educação, aconselho a reportagem “Dinheiros públicos, vícios privados”, de Ana Leal, que passou na TVI em Dezembro de 2012. Nesta investigação revelava-se o caso do Grupo GPS, detentor, à época, de 26 colégios, que auferia 25 milhões de euros do Orçamento do Estado para concorrer com escolas públicas e no qual pontificavam ilustres ex-governantes, deputados e dirigentes de PSD e PS.

Sendo injusto conotar todas as instituições detentoras de colégios privados com as do Grupo GPS, talvez tivesse sido prudente que a AEEPC, associação que os representa, escolhesse para seu director executivo e porta-voz um professor de carreira ou um pedagogo com provas dadas no sector, ensaiando a despartidarização que a nomeação do ex-chefe de gabinete da ministra da Educação do governo de Santana Lopes não garante.

Como se deve imaginar, esta decisão do Ministério da Educação não será pacífica, desde logo, dentro do PS. É muito dinheiro e muita gente importante que vive na sombra destes negócios privados com dinheiros públicos que não se esgotam na educação. Seria um excelente sinal que este corte nas gorduras do Estado também chegasse a outras áreas de negócio com características semelhantes, como a saúde ou a segurança social, desmanchando o baronato financeiro que vive em torno das velhas lógicas do bloco central.

 

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14 comentários

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De Paulo Sousa a 10.05.2016 às 08:44

Continuo à espera que algum jornal se dê ao trabalho em comparar com maior profundidade os dois tipos de escola.
Sugiro alguns parâmetros:

nr de funcionários da secretaria (rácio por aluno)
nr de auxiliares educativos (rácio por aluno)
nr de professores (rácio por aluno) *
nr horas ocupadas por Act Extracurriculares
absentismo dos professores
absentismo dos alunos
ranking médio nacional em ciências (dos 7º aos 9º e dos 10º aos 12º)
ranking médio nacional em matemática (dos 7º aos 9º e dos 10º aos 12º)
ranking médio nacional em português (dos 7º aos 9º e dos 10º aos 12º)
nr de processos disciplinares a alunos
nr de processos disciplinares a professores
muitos outros serão possíveis

*incluindo os que não têm horário e tb os que se dedicam em exclusivo a actividades sindicais

O meu filho frequenta uma dessas escolas juntamente com mais 1100 alunos e posso confirmar-lhe que infelizmente não existem aqui na zona 1100 meninos ricos. É uma pena.
Aproveito também informa-lo das actividades extra-curriculares que lhes foram apresentadas no inicio deste ano lectivo:
- Laboratório de Matemática
- Quinta pedagógica
- Culinária
- Cinema
- Laboratório de Ciências
- Italiano
- Assuntos europeus
- Amigo sem rosto (actividade solidária)
- Jornalismo (elaboração do jornal da escola)
- Jornalismo (elaboração de conteúdos para a radio da escola)
- Teatro
- Pintura
- Scrap book
- Banda (musical)
- Artes decorativas
- Artes criativas
- Xadrez
- Canto coral
- Patinagem
- Ténis de mesa
- Trail running
- Ténis
- Voleibol
- Basquetebol (desporto federado)
- Ginástica (desporto federado)

É incrível como é possível oferecer tanto consumindo menos recursos públicos. O sr Nogueira quer acabar com a concorrência e com os profs que se atrevem a não alinhar nas suas greves.
Podiam também oferecer actividades extracurriculares na escola pública e assim atrair alunos, mas isso dava muito trabalho e assim basta mandar o ministro fantoche da educação e acaba-se com a concorrência.
Os pais não não chamados para nada porque só perturbam.
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De Luís Lavoura a 10.05.2016 às 09:49

Ainda bem que o seu filho pode frequentar tal escola.
Eu também pus um dos meus filhos numa escola privada mas, como possivelmente os proprietários dessa escola não souberam untar as mãos dos governantes adequados, essa escola não tem contrato de associação e eu tenho que pagar propinas. É uma injustiça que me dói. Muito.
Também já tentei inscrever os meus filhos em duas outras escolas privadas e em ambos os casos as inscrições foram recusadas sem dar explicações. Ainda bem que isso não aconteceu consigo. Para mim, foi traumatizante.
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De Paulo Sousa a 10.05.2016 às 15:16

Entendo-o.
Também tenho um amigo que uma vez levou uma tampa e foi gozado por uma loura e depois disso diz que são todas iguais (ele usa outros adjectivos).
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De Luís Lavoura a 10.05.2016 às 09:41

Plenamente de acordo com este post. E o exemplo da água engarrafada é brilhante!
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De T a 10.05.2016 às 09:53

"Desengane-se quem, a este propósito, lucubra argumentos em torno da liberdade de escolha – alguém achará que, se eu optar por beber água engarrafada, o Estado deve financiar o litro de água que bebo para que me custe o mesmo que a da torneira?"

É o problema do Estado centralizado, pensa que toda a gente tem acesso a água boa, da torneira, potável, para seguir o seu exemplo. Alias, o Estado, por ele, acha que a rede é boa e serve, mesmo que haja umas centenas de lugares onde esta não chega.
Um Estado cego, centralizado, anafado de Nogueiras e outros sindicalistas que nem sequer sabem o que é trabalhar no sector, acham que é tudo igual. Para medidas iguais, uniformes, penteados, soluções. Para melhor exemplificar o porquê desta necessidade atiram com um exemplo - que como o penteado único serve para explicar todos os outros problemas e contentar a massa inquieta - do que parece ser um vicio português, esse tal GPS. Este exemplo de 2012 típico de outro problema nacional, o partido do Estado e afins.

Num país infantilizado desde que a democracia brotou, onde há vergonha em ser concorrência, onde se odeia a iniciativa privada e onde os partidos da esquerda falam dos empresários como e fossem víboras, é normal que ainda haja muito negócio que não tenha saído da esfera do poder, do dinheiro fácil. Só colhem o que semeiam.
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De Luís Lavoura a 10.05.2016 às 11:03

o Estado centralizado pensa que toda a gente tem acesso a água boa, da torneira, potável

O Estado não pensa, verifica. A água das redes públicas é objeto de constantes análises. E o Estado investe para que essa água seja boa.

É verdade que há muita gente que tem a ideia de que a água das torneiras é má. Mas eu bebo-a por todo o lado e nunca apanhei qualquer doença dela.

Piores são muitas águas engarrafadas que, por terem mineralização muito fraca, principalmente pouquíssimo cálcio, podem provocar graves descalcificações nos dentes e ossos.
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De T a 10.05.2016 às 13:16

"O Estado não pensa, verifica. A água das redes públicas é objeto de constantes análises. E o Estado investe para que essa água seja boa."

És muito crente no Estado, eu não sou. Experimenta viver em Leiria e vais ver se gostas da água. É só um exemplo em alguns milhares. Por outro lado, já pensaste em casar com o Estado, ou entregar as chaves de tua a casa, da tua vida até o menu que vais escolher a este? Dizem que ele não é fiel, hoje diz-te uma coisa, amanhã faz outra.

"É verdade que há muita gente que tem a ideia de que a água das torneiras é má. Mas eu bebo-a por todo o lado e nunca apanhei qualquer doença dela."

Olha, também dizem que o ar é mau e eu nunca tive "o cancro". Tens mais destas tiradas de sabedoria popular, estou divertidíssimo. O Goucha que se cuide.

"Piores são muitas águas engarrafadas que, por terem mineralização muito fraca, principalmente pouquíssimo cálcio, podem provocar graves descalcificações nos dentes e ossos."

Diz o Dr Lavoura, químico, biólogo, especialista em ossos e dentes, reconhecido especialista em águas engarrafadas, pós graduado em mineralização, mas que, apesar disso confia cegamente no que o Estado diz, faz e - sem pensar - verifica.

Está explicado o atraso nacional.

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De Luís Lavoura a 10.05.2016 às 14:33

Experimenta viver em Leiria e vais ver se gostas da água.

Gostos, cada um tem o seu. Acredito que a água de Leiria saiba mal. Mas que é segura para beber, disso tenho ainda menos dúvidas. As águas engarrafadas, por outro lado, sabem em geral muito bem, mas frequentemente são pouco recomendáveis em termos mineralógicos.
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De am a 10.05.2016 às 11:10

No entretanto...

O nosso PR que tudo sabe, opina e (va) , está à espera de falar com o Costa para poder opinar!!!!!!!!!!!!!!!!
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De Anónimo a 10.05.2016 às 14:49

E temos um apoiante do Totalitarismo na Educação.

E pelos visto nem sequer pensa que um funcionário publico é um privado.
Pelos vistos aí já não há problema de contratos com privados.

Cheque ensino, Fim da Escola Publica. Resolve boa parte dos problemas.
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 10.05.2016 às 18:06

Esta polémica surge para não se falar da crescente sovietização da educação em Portugal imposta pelo PCP ao PS para lhe segurar o governo no Parlamento.
Para mal dos milhões de jovens portugueses que estão obrigados a frequentar escolas dirigidas pelos sindicatos controlados pelo PCP, mais uma vez o PS não olha a meios para atingir os seus tristes fins.
Eles sabem que no geral os alunos que frequentam estes colégios custam menos ao erário publico, sabem que têm acesso a melhores niveis de aprendizagem e conhecimento, sabem que muitos deles são filhos de pessoas que estão abaixo da média do rendimento nacional, não são filhos "dos ricos", e mesmo assim não se coíbem de destruir estruturas educativas na maior parte dos casos de elevadìssimo nível.
O que eles parecem não saber, incluindo o autor do post, é que acabando com estes contractos, vão impedir muitos milhares de jovens portugueses de baixos recursos de terem acesso a melhores níveis de ensino, que a grande generalidade das escolas publicas não lhes conseguem ministrar. À boa maneira soviética a norma é nivelar por baixo.
Criminoso, é pouco para caracterizar este ministro e este governo.

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De M. S. a 10.05.2016 às 21:27

O meu filho frequentou 6 anos de escolaridade no público, numa escola óptima, da qual ele e eu só temos as melhores recordações.
A seguir, porque mudámos de casa, e por outras razões práticas pessoais de que não interessa estar a falar, frequentou os últimos 6 anos de escolaridade num colégio privado (mesmo junto à minha nova casa), colégio esse sem a mama «liberal» da receita garantida pelo Estado que os contratos de associação em zonas onde a escola pública cobre as necessidades permitem.
Igualmente óptimo, colégio do qual ele e eu só temos as melhores recordações.
Mas custou-me bastante caro.
Por isso tive a compensação no IRS, onde actualmente se pode deduzir à colecta até 1000 euros.
Se conseguirem, leiam esta artigo, onde o autor do estudo sobre a sobreposição de contratos de associação em zonas onde a escola pública cobre as necessidades (ex. Coimbra e Caldas da Rainha, aqui com colégios do famoso Grupo GPS, do ex. secretário de Estado de Santana Lopes, José Manuel Canavarro e de mais outro cromo do PS, grupo actualmente a ser investigado pela PJ).
O autor deste estudo diz que foi ele e a família foram enxovalhados, linchados nas redes sociais e nos jornais, pois há grupos poderosíssimos de interesses instalados que ganham milhões à conta do Estado, embora no discurso defendam as amplas liberdades liberais.
E para quem fala das escolas públicas que funcionam mal, uma realidade, é sempre possível exigir-se que funcionem melhor.
E não há colégios privados que funcionam mal e estão no final da lista dos rankings?
Porque algo corre mal criamos um coisa nova ao lado e o Estado que pague?
E a escola pública fecha-se.
Tempos recursos para isso?
Depois do lobie ganhar força que o deterá?
Os lobies são insaciáveis.
http://expresso.sapo.pt/dossies/diario/2016-05-10-Autor-de-estudo-da-rede-escolar-queixa-se-de-ter-sido-linchado-pelo-lobi-dos-colegios

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De Luis Moreira a 11.05.2016 às 01:01

Boas Escolas privadas cheias de alunos ricos; boas escolas públicas cheias de alunos remediados; más escolas públicas cheias de alunos pobres e sem oportunidade nenhuma de frequentarem uma boa escola.
A água que dá resultados destes não pode ser boa...
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De P. Calisto a 12.05.2016 às 10:51

Achei interessante referir o Grupo GPS. De facto já fui aluna de um colégio do grupo GPS... e posso dizer que conheço bem a realidade da escola pública e da privada. na privada, eram realizados testes psicotécnicos ao alunos novos de modo a "selecionar" os que entrariam. Qual não foi o meu espanto quando me disseram que eu não tinha de os fazer porque tinha uma média muito boa. Ou seja, fui aceite automaticamente.
é uma grande injustiça só haver lugar para os bons alunos, pois se alguém há que precise de um ensino que puxe pelo aluno, é um aluno com dificuldades de aprendizagem. o aluno com boas capacidades não precisa, já tem as capacidades consigo.
Estou plenamente de acordo com os cortes que o estado quer fazer. Não é aceitável que andemos todos a pagar os luxos dos colégios privados que são um negócio, caso contrário não estariam em risco de encerrar...
Acho lamentável que quem tem uma escola pública ao lado continue a achar-se no direito de escolha... Quando vai ao médico também não têm direito de escolha pois não? Se querem privado que é muto mais fino de se dizer então que pague.

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