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Legislativas (12)

por Pedro Correia, em 12.08.09

  

 

O PCP NO PAÍS DOS SOVIETES

 

Vira o disco e toca o mesmo: o PCP mantém o discurso inalterado desde 1976. Clama contra "33 anos de políticas de direita" em Portugal mas não dá um passo concreto para uma aliança alternativa, excluindo-se à partida de qualquer acordo de governação com outros partidos de esquerda. Ainda a campanha para as legislativas não começou e já os comunistas se apressam a proclamar, para sossego do PSD, que não farão qualquer aliança pós-eleitoral com o PS, entendido sempre como o inimigo principal. O país imaginário dos comunistas nada tem a ver com o país real: é um país em ruptura com a União Europeia "capitalista", que sonha mover a economia com a "afirmação do papel do Estado em sectores estratégicos" e no qual o aumento de salários, pensões e ordenado mínimo ocorre como que por súbita acção de uma varinha mágica. Vermelha e de fabrico soviético, presume-se.

Garante Jerónimo de Sousa, repetindo uma espécie de disco partido, que os comunistas rejeitam qualquer coligação. Mas o inverso também é verdadeiro: nenhum partido responsável pode sequer admitir uma coligação com os comunistas, que propõem irresponsavelmente aos portugueses as receitas que Vasco Gonçalves pôs em prática a 14 de Março de 1975, incluindo a nacionalização de todos os bancos comerciais com capital português e dos seguros, e a estatização dos sectores estratégicos da produção industrial. Um modelo económico decalcado da extinta URSS e que produziu os resultados que bem sabemos.

Votar neste partido que vê "direita" em tudo quanto mexe e se declara sempre indisponível para um entendimento com as restantes forças partidárias, numa permanente demonstração de sectarismo, conduz inevitavelmente a um beco sem saída: nenhuma solução governativa há-de nascer daqui.


39 comentários

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De http://bacharelsocrates.blogs.sapo.pt/ a 12.08.2009 às 00:18

Jerónimo de Sousa deixou hoje perceber que está a tentar negociar coligação pós eleitoral com Socrates.

Vamos assistir ás esquerdas unidas PS+Be+CDU
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De Pedro Correia a 12.08.2009 às 00:21

Olhe que não, olhe que não...
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De João Carvalho a 12.08.2009 às 00:35

Sempre achei curiosa a ideia da nacionalização dos sectores estratégicos, que tende a dar uma impressão esfumada de que os comunistas têm a maior das considerações pela iniciativa privada de muitos sectores, desde que não sejam os estratégicos.

Obviamente, o sector mais estratégico de todos é a terra. O que implica a estatização de tudo o que mexe (como bem dizes) acima da terra nacionalizada. Espaço aéreo incluído. Quer isto dizer que o PCP, a cada dia que passa, está cada vez mais fora de moda: perdeu-se na História, estagnado. Cristalizou-se.
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De francisco pacheco a 12.08.2009 às 00:35


Quem esteve no acto de apresentação do PÇrograma do PCP, sabe que a notícia do Público que aqui é linkada é uma pura mas não inocente entorse ao que Jerónimo de Sousa realmente disse.

Se lessem bem os textos, perceberiam que quem anda a dizer que não fará qualquer coligação com o PS, ponto final, parágrafo, é o Bloco de Esquerda é o BE e não o PCP.

A expressão «não fazer qualquer coligação com o PS» não foi usada por Jerónimo de Sousa. O que este disse foi que não contem com o PCP para apoiar ou ser cúmplice de uma política como a que tem sido prosseguida pelo actual governo do PS e antes dele pelo PSD e CDS.

E, bem vistas as coisas, qual é a admiração, o espanto ou o crime ? Então o PCP que andou 4 anos e meio a combater a política do Governo do PS havia agora de declarar que, depois de 27 de Setembro, a passaria a apoiar ?
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De João Carvalho a 12.08.2009 às 00:56

E, bem vistas as coisas, qual é a admiração, o espanto ou o crime? Então o PCP que andou 35 anos e meio a combater tudo e todos, havia agora de declarar que, depois de 27 de Setembro, passaria a apoiar algum ou alguém?
Se o PCP o fizesse, ainda se arriscava a ter de se levantar, sacudir as teias de aranha e sair do museu dos sovietes para tentar encontrar o século XXI, não é?
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De Pedro Correia a 12.08.2009 às 01:15

2009 é um ano tramado, compadre. Faz 20 anos que 'caiu' a Polónia, depois a Hungria, depois a Checoslováquia, depois a Bulgária, depois a RDA, depois a Roménia... Uma chatice.
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De João Carvalho a 12.08.2009 às 01:59

Realmente. Deve ser chato.
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De Carlos Barbosa de Oliveira a 12.08.2009 às 11:00

Na altura da queda do muro de Berlim escrevi na "Tribuna" um artigo defendendo que o desmoronamento do império soviético, sendo uma boa notícia para os povos de Leste , era uma má notícia para o mundo. Fui acusado de "perigoso comunista".
Já expliquei dezenas de vezes a minha posição e continuo a acreditar, 20 anos depois, que estava certa.
Nunca fui militante do PCP, apenas acredito que determinados equilíbrios geo-estratégicos teriam evitado a guerra do Iraque e muitas outras intervenções bélicas protagonizadas por Bush. Para mim, é um criminoso de guerra e como tal deveria ser julgado no TPI.
Pronto, é melhor ficar por aqui, antes que me acusem de ser um perigoso esquerdista...
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De ariel a 12.08.2009 às 12:15

Carlos, estou de acordo só com uma ressalva é que embora seja verdade que os equilíbrios geo-estratégicos poderiam ter evitado a guerra do Iraque, a verdade é que não evitaram outras guerras, no meadamente em África (sou muito sensível a esta questão).
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De João André a 12.08.2009 às 12:58

Concordo quanto aos equilíbrios bélicos, mas a verdade é que há muitos habitantes de leste que discordariam dessa visão de ter sido melhor para eles. Claro que não vêem de que forma muitos dos benefícios que tinham eram pagos pelo ocidente, mas isso é uma conversa diferente.
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De Anónimo a 12.08.2009 às 13:04

Então ddevemos concluir que foi uma chatice o salazarismo e o franquismo terem desaparecido para não afectar a Política de Blocos !!
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De João Carvalho a 12.08.2009 às 16:06

Carlos: és um perigoso esquerdista...
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De João André a 12.08.2009 às 12:41

Caro João, 27 de Setembro é uma data diferente das outras todas. Afinal de contas a minha manita cumpre 25 anos de idade nesse dia. Isto muda tudo, como está bom de ver. Até já me constou que os palestinianos e os israelitas vão fazer pazes eternas por causa disso. Não se menospreze a data...
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De João Carvalho a 12.08.2009 às 16:07

Jamais eu desprezaria a data. Agora menos ainda.
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De Carlos Barbosa de Oliveira a 12.08.2009 às 10:43

Mas essa é também a posição do BE! Durante a Blog Conf, Louçã repetiu, diversas vezes "não contem com o BE para apoiara políticas de direita, mas podem ter a certeza que nenhum voto dos deputados do BE se perderá, quando se discutirem medidas de esquerda.."
Quanto à notícia do Público concordo consigo, mesmo não tendo estado na apresentação do programa do PCP.
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De Pedro Correia a 12.08.2009 às 10:51

Bem, Carlos. Há muitas diferenças entre o BE e o PCP - e acabas de ressaltar uma delas. Podemos esperar sentados por uma blog.conf comunista como a que o BE fez com sucesso. Além de que o BE existe há poucos anos, o PCP existe há muito. E já cansa ouvir o partido repetir há 33 anos que não fará coligações com 'políticas de direita', que tudo é 'direita', que PS e PSD são 'iguais no essencial', que não contem com os comunistas para.
Há 33 anos que não dizem outra coisa. O PS, sem maioria, terá sempre de virar-se para outro lado - porque eles não contam para uma solução governativa e o País não pode ficar sem Governo.
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De Carlos Barbosa de Oliveira a 12.08.2009 às 11:07

Na realidade, Pedro, como ainda ontem tentei demonstrar, o PS actual e oPSD são iguais no essencial.
Concordo contigo em relação à "cassette" do PCP mas, bem vistas as coisas, o PP também tem, há anos, a "cassette" dos velhinhos, das pequenas, médias e micro-empresas, dos pobres agricultores e do "vão trabalhar malandros" e não vejo muita gente insurgir-se.
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De Miguel a 18.10.2009 às 11:29

Ora bem:
Eu também concordo que PS e PSD não iguais no essencial? Isso transforma-me num dos soviéticos que usaram para ilustrar o post? Tenha juízo.
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De Miguel a 18.10.2009 às 11:26

Muito bem visto.
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De alexcandra castanheira a 12.08.2009 às 01:01



É preciso ser-se muito ingrato. Sem as nacionalizações de 1975 não teria havido as privatizações posteriores cujas receitas serviram em parte para abater na dívida pública e, portanto, sem as nefandas «nacionalizações» não se teria entrado na moeda única.
Os que concordam com a moeda única e o curso da integração europeia deviam sim erguer pois uma estátua ao grande patriota Vasco Gonçakves.
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De Pedro Correia a 12.08.2009 às 01:13

Aprecio esse seu raciocínio dialéctico. Marx haveria de gostar.
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De João Carvalho a 12.08.2009 às 09:56

Tem o/a Alex toda a razão. Como é sabido, em 1974 o grande problema do País não era o regime, nem era a guerra em África: era a dívida pública.
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De Ana Vidal a 12.08.2009 às 10:39

Este é o argumento mais delirantemente sofisticado que tenho ouvido em defesa das nacionalizações do PREC. A Alexandra terá, se quiser, um merecidíssimo lugar de honra no PCP. Ou talvez até já tenha.
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De 100anos a 12.08.2009 às 02:25

Eu também creio que o PCP vive noutro tempo, mas sem a carga de censura que ressalta do seu post.
Eles vivem noutro tempo porque ainda não conseguiram aterrar neste tempo em que vivemos.
Não é que não queiram.
Simplesmente, não conseguem compatibilizar a sua cultura política com a realidade - e andam nisto há uma série de anos, perdendo o seu tempo em jogos de poder.
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De Sérgio de Almeida Correia a 12.08.2009 às 10:59

Eu acho piada é ao secretário-geral do PCP dizer que não estão disponíveis, como se alguém estivesse verdadeiramente interessado na "disponibilidade" deles. Mas vá lá que Jerónimo de Sousa já diz que o PCP só irá para o poder quando os portugueses quiserem, o que não deixa de me dar um certo conforto. Aos poucos, mesmo contra natura, o PCP vai interiorizando alguns dos conceitos que fazem a democracia.
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De Pedro Correia a 12.08.2009 às 13:43

A custo, muito a custo. Mas os modelos internacionais que celebram são os das ditaduras - Coreia do Norte, Cuba, Vietname... Neste aspecto a reciclagem vai tardando.
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De Carlos Dias Ferreira a 12.08.2009 às 11:40

Pedro:

E já lá vão 33 anos parados no tempo!
Tem uma vantagem nunca envelhecem os seus dirigentes ou pelo menos assim pensam, pelos vistos qualquer dia ainda temos estes srs a fazer uma campanha publicitária para uma destas clinicas existentes que tanto falam em estética plástica, com um slogan que poderia ser: Quer continuar jovem, adira ao PCP. Será que resultaria?
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De Pedro Correia a 12.08.2009 às 13:45

E há ainda os verdes, partido fantasma eternamente 'coligado' com o PCP para dar a ideia de que formam uma esquerda mais 'abrangente'. É uma das coisas mais ridículas da cena política portuguesa.
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De MAlmeida a 12.08.2009 às 14:28

Fica como sugestão para quem não conhece, uma forma mais aberta de avaliar os políticos do nosso país sem ser através das urnas de 4 em 4 anos. Chama-se YOPINIA e permite que as pessoas possam opinar sobre tudo e todos dando assim (acho eu) uma visão mais alongada do que é que os portugueses pensam lá no fundo. Experimentem em www.yopinia.com e se quiserem até podem avaliar estes senhores de forma anónima para quem tiver mais medo da democracia ;-)
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De André Pereira a 12.08.2009 às 16:41

É isto mesmo. O Pedro acerta no ponto. O PCP parou no tempo.

politicamente-falando.blogspot.com
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De Pedro Correia a 12.08.2009 às 17:26

Esse é o problema, André. Agravado, nos últimos anos, pela subida constante do Bloco. O PCP faz questão de ultrapassar o BE pela esquerda, aproximando-se cada vez mais de posições 'esquerdistas', como eram designadas por Álvaro Cunhal nos tempos áureos do partido. O PCP parece ter aprendido muito pouco com as lições da história. E quase nada com a evolução dos tempos.
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De Manuel Henriques a 12.08.2009 às 19:20

Este artigo está excepcional, mostrando a realidade nua e crua, mas, faltou falar num pequeníssimo pormenor a que os comunistas se agarram como lapas à pedra, ou seja, "as correias de transmissão ligadas aos sindicatos".
Parabéns

http://cantinhodeangra.blogspot.com/
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De Pedro Correia a 12.08.2009 às 19:43

Meu caro, garanto-lhe que estou longe de esgotar o assunto. Voltarei à carga.
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De João Carvalho a 13.08.2009 às 00:55

Meu caro Manuel, tem por acaso notícias do cantinho de S. Mateus da Calheta?
Esta foi a brincar. Abraço.

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