De Ana Mestre a 31.07.2009 às 15:38
Mas existem outras comemorações no dia de hoje:
Luanda - As mulheres africanas comemoram nesta sexta-feira, 31 de Julho, o seu dia, data consagrada a reflexão do papel da classe feminina de África na sociedade.
A data foi instituída a 31 de Julho de 1962, em Dar-Es-Salaam, Tanzânia, por 14 países e oito Movimentos de Libertação Nacional, na Conferência das Mulheres Africanas.
Actualmente, a data ainda é lembrada, pois, no continente africano, o panorama da mulher continua trágico, apesar de pouco a pouco as mulheres começarem a aceder a uma independência económica confortável e a cargos de decisão e de poder.
Porém, mesmo elas encontram-se, muitas vezes, em situações de dependência psicológica dos seus maridos ou companheiros, devido a estereótipos ancestrais que só serão passíveis de serem debelados com o passar de mais algumas gerações.
Nas camadas mais desfavorecidas, as mulheres são duplamente sacrificadas, porque, para além das suas profissões, tem que prover, quase sempre sós, ao cuidado da casa e dos filhos, quando não enfrentam, acrescidamente, muitas vezes em silêncio, a própria violência doméstica.
Tudo isto, não obstante, ter-se vindo a fazer um esforço significativo na formação básica, erradicação de qualquer forma de violência desde a física e a psicológica, bem como a eliminação de estereótipos de género, designadamente incentivando as jovens a orientar-se para estudos não tradicionais, o que pode evitar que as mulheres sejam objecto de práticas tradicionais violentas a sua dignidade.
Entretanto, a verdadeira resolução desta questão não passa por despejar dinheiro em cima dos problemas, mas pela vontade de todos, sem distinção de género, de se avançar para sociedades mais justas, equilibradas, harmónicas e companheiras, tendo presente que a mulher, tem de ter consciência, de que quando chamadas a darem a sua opinião e não só, devem também fazer-se ouvir, numa altura em que surgem alertas sobre a multiplicação de casos de violação dos seus direitos a nível mundial, e em Angola, em particular.
Durante séculos, o papel da mulher africana incidiu sobretudo na sua função de mãe, esposa e dona de casa. Ao homem estava destinado um trabalho remunerado no exterior do núcleo familiar.
Com a descolonização de África, na segunda metade do século XX, muitas mulheres passaram a exercer actividade laboral, embora auferindo uma remuneração inferior a do homem.
Reagindo contra essa discriminação, as mulheres encetaram diversas formas de luta.
Se, nos nossos dias, perante a lei da maioria dos países, não existe qualquer diferença entre um homem e uma mulher, a prática demonstra que ainda persistem muitos preconceitos em relação ao papel da mulher na sociedade.
Produto de uma mentalidade ancestral, ao homem ficava mal assumir os trabalhos domésticos, o que implicava para a mulher que exercia uma profissão fora do lar, a duplicação do seu trabalho.
Foi necessário esperar pelas últimas décadas do século XX para que o homem passasse, aos poucos, a colaborar nas tarefas caseiras.
Hoje as mulheres estão integradas em todos os ramos profissionais, mesmo naqueles que, ainda há bem pouco tempo, apenas eram atribuídos aos homens, nomeadamente a intervenção em operações militares de alto risco.
É preciso que o homem esqueça os preconceitos, encare a mulher de igual para igual em todas as circunstâncias, quer no interior do seu lar, quer no seu local de trabalho.
Quando todos assim procedermos, não haverá mais necessidade de um dia dedicado à mulher africana.
Em Angola, a data é comemorada com a realização de diversas palestras sobre a liderança transformativa, governação e orçamento da óptica de género, assim como sobre o resgate de valores e sobre o contributo da mulher africana na luta contra o Vih/Sida e a mulher como agente económico.