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Palavras perdidas

por João Carvalho, em 30.07.09

Vivemos num país de palavras perdidas, em que muita gente gasta muito tempo a falar muitas palavras para dizer coisa nenhuma. A política encarrega-se de provar todos os dias aquilo a que me refiro. Com o intuito primário de escamotear a realidade, com o medo básico de perder a face, assistimos permanentemente a declarações pomposas e a afirmações veementes destituídas de quaisquer implicações e, como tal, sem qualquer significado real.

Um dos casos mais caricatos a que tantos têm recorrido (e não só os socialistas, como hoje tem estado a acontecer) está condensado nesta frase simples: «Vamos respeitar a decisão do Tribunal Constitucional.» É mais ou menos como o criminoso grave apanhado em flagrante e mandado para prisão preventiva dizer assim: «Vou respeitar a decisão do juiz.» Ou como alguém que está a almoçar numa esplanada ao sol dizer assim: «Vou aceitar que ainda não é noite.»


9 comentários

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De mdsol a 31.07.2009 às 00:05

:)
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De mdsol a 31.07.2009 às 17:19

Do post? Sim, gostei. Do resto nem tanto.
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De José Barros a 31.07.2009 às 00:47

É mais ou menos como o criminoso grave apanhado em flagrante e mandado para prisão preventiva dizer assim: «Vou respeitar a decisão do juiz. - João Carvalho

Precisamente. É isso mesmo.
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De Ana Vidal a 31.07.2009 às 00:54

Palavras perdidas, passos perdidos... estaremos nós, portugueses, definitivamente perdidos?
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De João Carvalho a 31.07.2009 às 13:01

Estamos não: andamos. Mas não sabemos para onde, o que vai dar no mesmo.
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De 100anos a 31.07.2009 às 11:24

A frase que refere também me chamou a atenção - a afirmação solene de que vão respeitar a decisão do TC sugere que o contrário seria possível, ou seja, que seria legalmente possível ignorar o juízo de inconstitucionalidade do mesmo TC.
Tal não é possível, como se sabe.
Fica a ideia de que há gente no PS que não sabe isso.
Isto lembra-me uma intervenção extraordinária do ministro da agricultura (Jaime Silva ? Não tenho a certeza) que um dia na TV declarou que as decisões do governo prevaleciam sempre sobre as decisões dos tribunais, porque... o governo resulta de uma votação democrática e os tribunais não (sic); e disse-o de uma forma convicta, via-se que a pobre criatura acreditava piamente na barbaridade que estava a dizer.
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De João Carvalho a 31.07.2009 às 12:59

Realmente, de um bárbaro só podemos esperar barbaridades. Essa não cheguei a ouvir, mas ouvi-lhe uma vez outra mais simples e do mesmo quilate: «supônhamos». Ou seria «fáçamos»?

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