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75 anos após Hiroshima

por jpt, em 06.08.20

marfidel.jpg

Hoje passam 75 anos após Hiroshima, o advento do horror da guerra nuclear. Na amnésia estruturada que apreende a história muitos esqueceram, e os mais-novos nem vislumbram, o sentimento das gerações que cresceram no pavor da hecatombe nuclear, o constante daquela "guerra fria".

Mas para quem se lembre disso, e saiba um mínimo de história contemporânea, poderá hoje também lembrar esta fotografia, e constatar o execrável presidente que nos preside, aqui mimando um arauto da agressão nuclear.  Para além disto há os guevaristas, gente-miúda. Mas, acima de tudo, há este homem. Que segue assim.


22 comentários

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De Anónimo a 06.08.2020 às 22:46

Boa noite ,
Um catavento .

Luis Almeida
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De Manuel Gonçalves Pereira Barros a 06.08.2020 às 22:58

O ataque japonês a Pearl Harbor foi em 1941.
O poderio militar USA sempre foi incomparavelmente superior ao japonês.
Ao fim de 4 anos de sucessivos combates, os USA necessitaram de duas bombas atómicas para domar os nipónicos...
Dá que pensar...
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De Francisco Almeida a 07.08.2020 às 00:23

Não creio que em 1941 o poderio militar USA fosse superior ao Japonês e os americanos previam não conseguir deter os Japoneses na Califórnia se perdessem a batalha de Midway. O que era realmente incomparavelmente superior era a capacidade industrial e orientada a indústria para o esforço de guerra os americanos conseguiam em cada semana pôr um contra-torpedeiro ou um destroyer a navegar.
Já quando se tratou de (re)conquistar o Pacífico as forças americanas sendo mais numerosas e tendo absoluta superioridade aérea e marítima, depararam com fortes sistemas defensivos e uma determinação que não raro, rondava o suicídio.
Com a experiência de Okinawa, Guadalcal, Iwo Jima, etc., considerando que essa determinação japonesa seria ainda mais radical combatendo na sua terra natal e considerando também a inevitabilidade de baixas civis quer meramente colaterais quer por envolvimento directo civil nos combates os cálculos de baixas excederiam largamente as baixas de Hiroshima e Nagasaki e da terceira cidade seleccionada (de que já não me lembro o nome).
Sendo a guerra horrenda, a decisão de utilizar a bomba atómica nem seria matéria de discussão pois até reduziria o número de baixas japonesas. E, na época, desconheciam-se os efeitos a prazo das radiações.
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De Vento a 07.08.2020 às 11:26

Francisco, o ataque japonês a Pearl Harbor está mais ligado à retaliação pelo congelamento dos activos japoneses levado a efeito pelos americanos e ingleses que propriamente uma surpresa bem sucedida para mudar o curso da guerra.
O congelamento era uma forma de dissuadir a expansão japonesa para sul - nomeadamente a ocupação da indochina francesa - e faze-los perceber a deriva em que se encontravam.
Sob o ponto de vista militar, os japoneses teriam certamente ajudado as potencias do eixo em uma vitória caso tivessem ajudado os alemães no ataque levado a efeito contra Stalin.

Agora sobre a bomba atómica: aquando do ataque nuclear americano em Hiroxima e Nagasaki, os japoneses não tinham reservas energéticas que permitissem continuar a guerra e o seu esforço para evitar o colapso do Japão. Assim, o ataque nuclear visava fazer um teste a este armamento e, acima de tudo, levar uma mensagem para Stalin.
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De Vorph "ги́ря" Valknut a 07.08.2020 às 13:29

Assim, o ataque nuclear visava fazer um teste a este armamento e, acima de tudo, levar uma mensagem para Stalin.

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De Francisco Almeida a 07.08.2020 às 15:00

Poderá ter toda a razão mas tenho algumas problemas com essa interpretação.

Em primeiro lugar não creio que a falta de reservas energéticas impedisse a defesa do teritório japonês ilha a ilha e montanha a montanha.

Em segundo lugar a bomba de Hiroshima detonou 15 kilotons e os americanos tinham já detonado cerca de 20 kilotons em Alamogordo pelo que o teste só poderia ser para avaliar efeitos em construções que, no Japão eram muito maioritariamente em madeira e com tabiques interiores em papel ou cana, ou seja, não daria grande informação para uso na Europa ou na Rússia.
O recado a Stalin pode de facto ter sido um factor na decisão, com valorimetria que não imagino mas se foi decisiva é cómico-trágico.

Mais grave do que Churchill - que se aliaria ao Diabo para combater Hitler, como disse e fez, por exemplo na Jugoslávia - Roosevelt (1) foi o grande aliado de Stalin e sem as quantidades imensas de material militar fornecido pelos USA nunca o Exército Vermelho se poderia ter oposto com êxito aos alemães e, nomeadamente, ter vencido o 6º exército de von Paulus em Stalinegrado.
Os alemães estavam muito mais adiantados na investigação da energia nuclear para fins militares do que qualquer dos Aliados e sem as acções militares específicas, aliás baseadas em informações de opositores internos em Peenemünde (foguetes) e na Noruega (água pesada), Hitler poderia ter atingido Londres com uma bomba atómica transportada numa V2 (ou V3?) antes de ter colapsado militarmente.

Foi uma decisão política a ordem transmitida ao general Patton (seguida por uma imediata suspensão do fornecimento de gasolina) para parar a sua ofensiva, única e exclusivamente para dar oportunidade aos russos de
serem eles a conquistar Berlim.
Já com Berlim dividida em 4 sectores, ainda prosseguia uma "caça" aos cientistas e técnicos alemães mas só aqueles que se tinha conseguido esconder e arranjar falsas identidades pois a maioria tinha já sido enviada para a Rússia no tempo sem concorrência que os americanos lhes tinham oferecido.
Ora a conquista de Berlim foi, salvo erro em Março, sendo assim cómico-trágico, como disse, que 6 meses depois os mesmos americanos que tudo lhe deram, já sentissem necessidade de enviar mensagens bélicas para Stalin.

(1) Roosevelt e obviamente a elite dos Democratas.
É curioso que até aos Bush, pai e filho, todas as guerras em que os EUA entraram desde o início do século XX foram iniciadas por Democratas e terminadas por Republicanos
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De Vento a 08.08.2020 às 11:44

Francisco, há umas questões a esclarecer:
- A bomba ainda que tenha sido testada em Alamogordo, foi em terra. Pretendo com isto dizer que a explosão das bombas lançadas sobre o Japão ocorreu no ar e não em terra, a umas centenas de metros acima do solo. E isto faz a diferença entre os testes realizados em "laboratório" e em situação real;

- Em matéria de propulsão a jacto os russos estavam mais avançados que os alemães e já tinham experiências com viabilidade para introduzir seus jactos na II Guerra. Sergei Korolev, mais tarde um dos pais que levou os foguetes ao espaço, foi um desses ícones do desenvolvimento dessa tecnologia. A URSS só não avançou e introduziu essas aeronaves devido à paranóia de Stalin para com os seus cientistas, perseguindo e prendendo alguns deles.
Nota: Aconselho-o a pesquisar os documentos desclassificados pelas secretas russas, depois da queda do bloco de leste, sobre esta matéria.

Para uma melhor perspectiva sobre o que ocorreu com o lançamento das bombas no Japão, deixo aqui uma reportagem, onde se inclui a entrevista ao neto de Truman, sobre o que se apurou depois que foram desclassificados os documentos americanos:
https://www.youtube.com/watch?v=edfxrib8ul4

A conquista de Berlim por parte das forças soviéticas está envolvida em polémica, pois isso deve-se mais à determinação russa que a uma benesse dos aliados.
Ainda a este propósito, recordo que relativamente a Hitler e a sua morte os soviéticos sempre souberam o que se passou e tinham as provas, que ocultaram, do suicídio de Hitler. Pois a dentadura do mesmo e os ossos de seu crânio, avaliada e comparada com os registos do médico que cuidava de sua dentição e com o testemunho da assistente em estomatologia - que os soviéticos aprisionaram até à queda do bloco - estiveram e estão na posse dos russos. Porém, por razões de propaganda e de propagar a dúvida, a verdade viu a luz do dia muito recentemente.
Nota: também existem documentos desclassificados sobre esta matéria.

Voltando ao Japão: é de todo impossível com carências energéticas e de abastecimento alimentar existir uma resistência contra os americanos. Os japoneses não tinham fôlego para dar um suspiro.

Por último: os democratas têm sido um cancro para a américa, incluindo nas política com a comunidade afro-americana, ou negra ou preta, como se quiser.
A título de exemplo: desde 1975 até agora, devido às políticas democratas, foram praticados 44 milhões de abortos SÓ NA COMUNIDADE NEGRA. A propagação do assassinato e do infanticídio é típico dos ditos democratas em todo o mundo.
Trump será o próximo Presidente americano.
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De Francisco Almeida a 08.08.2020 às 15:04

A interpretação continua a causar-me muitas dúvidas. Para ser exacta de duas uma: ou Truman seria um criminoso a rondar o sociopata ou teria sido mal informado pelas chefias militares que o assessoravam incluindo os comandantes operacionais no Pacífico dos três ramos.

Entre a interpretação de que o Japão estava incapaz de dar um suspiro e a de quem admite que ainda podia resistir 4 anos estará uma verdade talvez hoje impossível de apurar. O que vejo e reconheço (não devido a saber muito mas a ser velho) é que escolhendo factos e entrevistados se pode sempre chegar a diferentes conclusões e suspeito sempre dos "reports" como o do link que exploram o horrível sofrimento causado pela bomba. É que esse factor devia ser neutro a não ser que comparado com os horrores da continuação da guerra. Assim, quem o usa para obter vantagem emocional leva-me à suspeita de que procura fundamentar uma ideia pré-concebida e não uma discussão racional.

Aceito que o argumento anti-soviético teve o seu peso mas não acredito que tenha sido o motivo originário para decidir largar as bombas. Creio mesmo que uma terceira teria sido lançada se o Japão não se rendesse. Se apenas para exibir à União Soviética, uma bomba chegava, não eram necessárias duas.

Não percebo a pertinência do avanço soviético na propulsão a jacto. Eu referi o avanço alemão na energia atómica que era o assunto discutido. E, deixe que lhe diga que uma coisa é a propulsão a jacto com pilotagem humana, outra muito diferente os foguetes (Vs na terminologia militar alemã e mísseis na terminologia actual). Os russos podiam ter propulsão a jacto mas não saberiam acertar em coisa nenhuma nem sequer numa grande cidade (nem, diga-se, americanos ou ingleses).

A decisão de deixar os russos entrar em Berlim apenas está envolvida em polémica porque a admissão de que foi uma decisão política é muitíssimo incómoda conhecidas hoje as suas consequências. Pode haver alguma responsabilidade militar de Eisenhower que apenas aceitava a progressão em frente linear sem deixar bolsas para trás opondo-se à progressão em cunha atingindo rapidamente os centros nevrálgicos que era a táctica de Patton. Agora, quando Bradley recusa o plano de Patton e cortam o fornecimento de gasolina ao 3º Exército de Patton, para duplicar o fornecimento do 1º Exército (houve um facto caricato quando militares do 3º Exército disfarçados com logótipos do 1º e conseguiram desviar uma grande quantidade de gasolina) e especialmente quando o exército de Patton é afastado da Alemanha e enviado para a Checoslováquia, isto obedeceu certamente a uma directiva política (1).
É que, com Patton, não bastava uma ordem. Uma das mais caricatas histórias de estados-maiores, ocorreu quando Eisenhower ordenou a Patton que conquistasse Trier com 4 divisões, e Patton respondeu:
- Já conquistei Trier com 2 divisões. Devo devolvê-la?

Não quero deixar sem comentar a sua asserção de que os Democratas têm sido um cancro para a América e que Trump será reeleito.
Na minha opinião os Democratas têm sido um pesadíssimo ónus, não só para a América mas para o Médio-Oriente e, pelo menos por omissão, para a Europa.
Mas uma eleição disputada entre Biden e Trump e, sem pôr em causa que a soberania reside no povo, leva-me a concluir que a democracia directa por voto universal e directo não é adequada para a grande maioria dos países e é urgente procurar alternativas antes que estas apareçam impostas "a quente". Em termos percentuais, na América haverá poucos eleitores cultos e inteligentes mas nem consigo imaginar a angústia desses ao ter de escolher entre aqueles dois.

(1) Sem nenhuma prova, admito que isto possa ter sido negociado em Ialta, quando Roosevelt já doente e muito enfraquecido, reuniu uma tarde inteira a sós com Stalin, deixando de fora Churchill e De Gaulle, a quem aliás, nenhum dos outros 3 ligava muito.
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De Vento a 09.08.2020 às 12:41

Francisco, começo por corroborar as minhas opiniões através de alguns tópicos e documentos desclassificados:
1 - O Almirante Edwards na informação oferecida ao Almirante Leahy deixa claro que "Visible effects greater than any teste". Fim de citação. Portanto, era necessário avaliar em cenário real os efeitos da explosão.
Documento:
https://www.trumanlibrary.gov/library/research-files/draft-statement-dropping-bomb?documentid=NA&pagenumber=7

2 - Na correspondência que Truman estabeleceu com Richard Russel, encontra sem dúvida nenhuma a afirmação do Presidente que indica claramente que com a entrada da URSS na guerra os japoneses estavam sem saída. Cito: "It is my opinion that after Russians enter into the war the Japanese will very shortly fold up". Por isto também, era desnecessária a carnificina nuclear.
Documento:
https://www.trumanlibrary.gov/library/research-files/harry-s-truman-richard-russell

Assim, a minha afirmação sobre a falta de fôlego dos japoneses e a desnecessária acção atómica por parte dos americanos fica esclarecida.
Para além de alguns documentos que deixo da biblioteca de Truman, poderá encontrar outros documentos desclassificados que o ajudarão a uma melhor compreensão.
Para não parecer que pretendo induzir um raciocínio que me seja favorável, destaco somente a posição de Truman, que é contraditória:
https://www.trumanlibrary.gov/library/online-collections/decision-to-drop-atomic-bomb
No entanto, também pode seguir esta linha abaixo de pesquisa e visão sobre os acontecimentos:
https://nsarchive2.gwu.edu/NSAEBB/NSAEBB162/index.htm

A propulsão a jacto está intimamente ligada aos foguetes, isto é, à capacidade de executar esta linha que mais tarde foi demonstrada pelos soviéticos (Korolev) e sem necessidade da investigação levada a efeito pelos alemães. Os soviéticos conseguiram desenvolver aviões a jacto que Stalin paranoicamente e estupidamente não usou. Perseguindo seus cientistas.
Consulte os arquivos russos desclassificados. Se tiver dificuldades, posso ajudar.
Sobre a questão atómica: é sabido desde 1939 que os alemães já desenvolviam perspectivas sobre a energia atómica. Aliás, as fontes de água pesada para que o projecto resultasse foram garantidas pela invasão alemã da Noruega, posteriormente sabotadas:

https://en.wikipedia.org/wiki/Norwegian_heavy_water_sabotage

Patton foi sem dúvida um combatente e estratego único. Como ele era dos mais inteligentes generais americanos, sentia que sozinho podia alcançar grandes vitórias. Como todo o homem inteligente, ele ficou condenado à solidão durante suas campanhas. Os maliciosos, invejosos e sem escrúpulo são os que detém o poder e a decisão e até mesmo mobilizam a carneirada (como é o caso também da nação portuguesa); e assim se condena o destino de muitos e se neutraliza a inteligência.

Sobre as eleições americanas: Trump tem uma personalidade única. Mas por detrás dessa personalidade está um espírito arguto e muita inteligência. Ele é um líder que sabe quem lidera. Entre vários feitos, conseguiu "destruir" os influencers e a influência dos media reaccionários feministas, lgbtistas e abortistas congregados em torno da falsa Hillary, pôs a América a crescer antes e agora com a pandemia, está a acabar com a ganância financeira e ultraliberal que esvaziou a nação americana de seus recursos com o exôdo das industrias para a China, sudoeste-asiático e alguns países latino-americanos (México), para usarem a exploração intensiva de mão-de-obra barata e despirem a nação de sua força produtiva. E está a colocar a China, e mais tarde chegará ao Irão, no seu devido lugar. Por isto governará novamente a América.
Receba um abraço. Caso tenha dificuldades em encontrar informação desclassificada sobre a URSS, informe.
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De Francisco Almeida a 09.08.2020 às 15:33

Agradeço os links e a oferta de ajuda mas sou demasiado velho para iniciar agora pesquisas em fontes primárias.

Temos claramente alguns pontos em comum mas noutros só podemos concordar que discordamos.
Por exemplo, quando admite provado que era "necessário avaliar em cenário real" as minhas dúvidas são enormes. É claro que era útil essa avaliação, é muitíssimo provável que generais e cientistas envolvidos quisessem essa avaliação e até acho provável que 2 bombas sobre cidades médias em 3 dias em vez de 1 ou mesmo 2 simultâneas numa cidade maior, fosse porque se queria avaliar a diferença entre a bomba de urânio e a de plutónio. Mas daí não concluo que tenha sido esse (ou esse mais o recado a Stalin) o motivo originário da decisão. Como já disse, se assim fosse, Truman era um criminoso primário ou os generais comandantes no Pacífico, eram eles criminosos e mentirosos.
Também aceito que Truman tenha dito "very shortly" mas isso é linguagem de político que pode cobrir tudo de uma semana a uma década. Uma prova indirecta de que os militares não pensavam assim é o desejo de Patton de que lhe fosse dado um comando no Pacífico o que não faria sentido se achasse que a guerra acabaria em breve.

Acresce que depois do urânio e do plutónio os EUA desenvolveram a bomba de hidrogénio e nunca sentiram a necessidade de testes em cenário real, que teriam sempre sido possíveis com engenhos mais pequenos nos múltiplos conflitos em que entraram ou mesmo por interposta entidade por exemplo no Iémen em quase permanente estado de guerra desde 1972 e onde se tem experimentado tudo (menos armas biológicas que eu saiba).
Fizeram sim experiências, aliás demasiadas e com custos altos para uma população insular, em "attols" do Pacífico. Recordo uma em Bikini onde colocaram cinco linhas de navios para abate com animais vivos que iam de ratos a cavalos e vacas para avaliar os efeitos das explosões e da radiação a diferentes distâncias.

Não duvido que a sua opinião esteja solidamente baseada em documentos autênticos mas já tenho dúvidas de que esse documentos permitam conhecer a história toda.
Em primeiro lugar, nem Rússia nem os EUA desclassificaram tudo de uma dada data; em segundo, não sei se durante 50 ou mais anos a integridade dos arquivos foi mantida.
Lembro o caso emblemático do PGR Pinto Monteiro e do presidente do STJ Noronha do Nascimento que decidiram mandar destruir as cassetes com gravações telefónicas de José Sócrates. Esses nem sequer as mandaram para arquivos com interdição de acesso por x anos! Mas se nos EUA tal não me parece possível já não me parece impossível que em determinada época o assunto fosse tão quente que alguém tenha achado melhor não correr riscos. Essa época seria possivelmente o auge da guerra fria em que os soviéticos eram um tal motivo de medo que até permitiu que o MacCartismo tivesse uma enorme dimensão. Imagino o efeito se então se soubesse que o poderio nuclear soviético se devia originariamente a uns favores de Roosevelt ao "Uncle Joseph" depois confirmados por Truman e Eisenhower.

Em determinada altura, Himmler entrou em contacto com os americanos, oferecendo a rendição do III Reich com a condição única do Exército Vermelho não ser parte. Ou a resposta foi negativa ou nem houve resposta mas Hitler mandou matar Himmler que se escondeu até ao seu suicídio depois de identificado por tropas inglesas.
"Diz-se" que não houve resposta porque os americanos não tiveram tempo de consultar os Aliados; e/ou que isso se passou no período confuso da fase final da doença e depois da morte de Roosevelt.
Ora eu sempre tive curiosidade em saber como é que Himmler fez o contacto, quem informou (ou não) Roosevelt, se efectivamente ingleses e franceses ou mesmo russos foram consultados e também como é que Hitler soube da tentativa de Himmler.
Com tantos documentos desclassificados, 75 anos depois, devia ser fácil...
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De Vento a 09.08.2020 às 20:11

Presumo que labore em um erro de avaliação: no contexto da II guerra o lançamento da bomba atómica não constituía em si mesmo um acto criminoso. Sê-lo-ia hoje com os conhecimentos que se possuem.

Em seguida, a expressão de Truman não é "very shortly" mas "will shortly". Significa isto que na comunicação estabelecida por Truman com seu interlocutor este estava na posse de informação militar inequívoca, isto é: que a entrada dos russos na guerra definiram a derrota dos japoneses. Portanto, a bomba era desnecessária para se alcançar tal propósito.
O único propósito seria efectivamente o de intimidar Stalin. Intimidação esta que sem os americanos saberem já existia, pois Stalin sabia através das secretas do plano americano e da construção da bomba antes mesmo de ser lançada.
Os documentos não avaliam a história toda, mas simplesmente indicam-nos da desnecessária acção militar através das bombas para derrotar um Japão completamente derrotado e sem fôlego.
A integridade dos arquivos não se questiona. E sem dúvida que após essas bombas lançadas, e conhecendo-se a devastação provocada, jamais alguém utilizou armas nucleares em cenário real.
As armas nucleares não estão aí mais para vencer guerras, mas para preveni-las. Pois é sabido que o primeiro a usá-las provocará uma labareda tal que não ficará ninguém para contar a história.
Um ataque nuclear hoje serviria para anular o propósito de um arsenal nuclear.

Acontece que quer Stalin quer os aliados discordavam de muitos pontos relativos à guerra. Um desses consistia na certeza de Stalin de que os aliados estavam a sacrificar o exército da URSS, obrigando-o a um esforço adicional para derrotar os alemães, para alcançar também propósitos políticos e geoestratégicos futuros. Aliás, Stalin tinha proposto para 1 ano antes a invasão aliada na Normandia. Pedido negado e que o deixou bastante irritado.

Em 24 de Maio deste ano (2020), 75 anos depois, saiu a versão final sobre Himmler que tenho muito gosto em partilhar:
https://www.bbc.com/portuguese/internacional-52793579

Ainda sobre as rendições nazis - sim, escrevi rendições - deixo aqui um breve apontamento:
https://www.dw.com/pt-br/alemanha-se-rendeu-v%C3%A1rias-vezes-em-1945/a-1575620
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De Francisco Almeida a 09.08.2020 às 17:25

Estamos de acordo em muita coisa mas noutras só podemos concordar que discordamos.

“era necessário avaliar em cenário real os efeitos da explosão”
Não duvido que era “útil” avaliar ...
Não duvido que cientistas e militares envolvidos na energia atómica “quisessem” avaliar...
Acredito mesmo que 2 bombas sobre cidades médias com 3 dias de intervalo - e não, por exemplo 1 ou mesmo 2 bombas simultâneas sobre uma cidade maior - se deveu ao desejo de comparar os efeitos da bomba de urânio com a de plutónio.
Mas não acredito que esse motivo, ou esse mais a demonstração a Stalin, tivesse sido a causa primária ou mesmo a causa decisiva de Truman aprovar.
Como já disse, para acreditar nisso teria de acreditar que Truman era um criminoso sociopata ou que os comandantes no Pacífico eram criminosos e mentirosos (dada a dupla posição de chefe do executivo e supremo comandante militar de Truman isso seria mesmo traição qualificada).
Também não duvido que Truman disse “very shortly” mas isso em linguagem de político pode ser meio mês, meio ano ou meia década. E há uma corroboração indirecta de que os militares não pensavam assim, pois Patton já em Junho pedira um comando no Pacífico não fazendo sentido que o fizesse se achava que o fim da guerra estava próximo.

Questiono mesmo a utilidade do teste em cenário real - sem negar que cientistas e militares o desejassem - porque depois do urânio enriquecido e do plutónio os americanos desenvolveram a bomba de hidrogénio e nunca a experimentaram em cenário real o que lhes teria sido possível com um engenho reduzido (2 ou 3 quilotoneladas) num qualquer dos conflitos em que estiveram envolvidos; ou até por interposto agente, por exemplo no Iémen que com curtos intervalos está em guerra desde 1972 e onde, salvo armas nucleares e biológicas, já foi ensaiado tudo e mais alguma coisa, incluindo armas químicas.
Os americanos fizeram sim ensaios em attols aliás em excesso e com prejuízo de populações insulares forçadas ao exílio. Recordo de leituras antigas uma em Bikini em que colocaram 5 linhas de navios para abate com animais que iam de cobaias a galinhas, cavalos e vacas para avaliar os efeitos da explosão e da radiação a diferentes distâncias.

Assim continuo a acreditar que o objectivo de pôr fim à guerra e poupar vidas foi o motivo decisivo da aprovação de Truman, sem negar que coexistiram outros.
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De Francisco Almeida a 09.08.2020 às 18:48

As minhas desculpas mas houve um incidente com a minha mensagem das 15:33 que “desapareceu” sem me aparecer o habitual aviso de que aguardava moderação. Daí que o que reescrevi repita muito do anterior. Acrescento agora uma observação que se perdeu.

Também a questão dos testemunhos nem sempre é totalmente esclarecedora porque, em matéria crítica, muitos optam pelo silêncio e, no silêncio destes, ficam os relatos de quem não estava directamente envolvido ou, pior, de quem tinha ideias preconcebidas.
Já terá reparado que num país que manteve uma guerra por 13 anos, há vários livros de jornalistas mas, com raríssimas excepções (“Eu fui ao fim de Portugal” de Rui Palma Carlos ou “Mar Verde” do comandante Alpoim Calvão, que me lembre) quase não há de militares que lá estiveram; e o mesmo se poderá dizer da Coreia e do Vietnam.

Mais expressivo o fait-divers de um encontro entre Leonardo Coimbra (o maior filósofo da “Filosofia Portuguesa” e porventura o maior da Europa na sua época) e Salazar. O encontro fôra preparado por António Ferro (que se atrevera a convidar Leonardo Coimbra para uma palestra no S. Carlos) e a ele assistiram apenas Ferro e um jornalista de quem não recordo agora o nome. Nem Salazar, nem Ferro nem Leonardo alguma vez disseram fosse o que fosse sobre o encontro e só anos mais tarde o jornalista contou que o encontro começara bem mas que cedo descambou e acabou com Salazar, visivelmente exaltado, a perguntar a Leonardo: porque é que o senhor em vez de escrever sobre filosofia não escreve romances?
Agora, com todos os intervenientes falecidos, será que foi exactamente isso o que se passou? ... será que o jornalista não gostava de Leonardo? ... será que lhe deu “jeito” anos mais tarde, deixar uma imagem inabitual de um Salazar exaltado?
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De Costa a 07.08.2020 às 01:13

Dá que pensar, de facto, a força que o fanatismo pode ter. Por um deus, um imperador, uma noção de nacionalismo. Para alguns, pois que o oponente eram os EUA, a coisa fatalmente adquirirá foros de romantismo heróico (a selvajaria japonesa, nos territórios ocupados, contra civis e contra prisioneiros de guerra - Yourcenar labora um pouco sobre isso, n'A Nobreza da Derrota - será detalhe menor, dano colateral mais do que justificado). Porque o adversário eram os Estados Unidos da América, bem entendido, e a tal obsessão anti-americana, que invoca Revel, é muito verdadeira.

Costa
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De Anónimo a 07.08.2020 às 01:35

repetindo mais uma vez, já vão em 4.783.226 vezes, a necessidade das bombas atómicas sobre o Japão foram executas para fazer ver à URSS quem é que era a maior potência.
Esta fotografia é como uma areia prós olhos daqueles que perguntam 'afinal porque é que foi aquilo?' e quem teve a ideia não tem a mínima noção do ridículo e devia pedir desculpa a todos os palhaços de profissão.
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De Antonio Vaz a 07.08.2020 às 01:53

Ora cá está uma versão exótica da História, para consumo privado dos que insistem em recorrer ao horror de Hiroxima (e até insistentemente, apagando a melhor prova do seu crime: a repetição, poucos dias depois, do mesmo crime em Nagazáqui!) para descobrirem outros possíveis culpados no seus crimes, se não pelas suas acções, pelo menos por intenções que livremente lhes poderemos atribuir…

Num artigo que escrevi a uns muitos anos atrás, dizia isto:
«A sua força e aspirações no contexto mundial de meados de 1945 são anunciadas violentamente através do bombardeamento atómico de duas cidades japonesas, Hiroxima (a 6 de Agosto) e Nagasáqui (três dias mais tarde), aonde de imediato são ceifadas cerca de 105 mil vidas humanas (um relatório oficial publicado pelo exército dos EUA, estima que em Hiroxima, com 255 mil habitantes, morreram 66 mil e ficaram gravemente feridas 69 mil, enquanto em Nagasáqui, dos seus 195 mil habitantes, pereceram 39 mil e ficaram gravemente feridos 25 mil), sem que uma única voz se levante contra este acto bárbaro e sem sentido,
[“O U.S. Strategic Bombing Survey declara no seu relatório oficial: «Hiroshima e Nagasaqui foram escolhidas como alvos pela sua concentração de actividades e população»”(1)]
quer na Europa Ocidental, profundamente reconhecida pelo seu papel libertador, quer na URSS que e apesar de ainda ser um dos “Aliados” e de ter no Japão um dos seus tradicionais inimigos, seria o único país com força política suficiente para o fazer. À razão pública de que esta decisão evitaria a morte de milhares de soldados estado-unidenses,
[“As sangrentas operações para conquistar o solo japonês (Oquinava, por exemplo), convenceram o presidente Truman de que as dificuldades para conquistar todo o arquipélago seriam enormes. Decidiu então servir-se da bomba atómica”(2)]
ninguém pareceu disposto a contrapor a centena de milhares de vítimas civis – incluindo os 12 aviadores da marinha dos EUA que na altura se encontravam na cadeia de Hiroxima(3) – que esses bombardeamentos dantescos cobrariam, mas esta tinha sido uma guerra que ceifara essencialmente apenas vidas civis.(4)»
-----------
(1) ZINN, Howard. The Twentieth Century. A People’s History, 1998, p.158;
(2) HOFTSTÄTTER Hans H, e Hannes Pixa. História Universal Comparada. Volume VIII: De 1900 aos nossos dias, 1984, p.133;
(3) ZINN, Howard. op. cit., pp.155/156;
(4) DROZ, Bernard, e ROWLEY, Anthony. História do Século XX. Volume 3, 1991, p.18;
----------------------

O que acho extraordinário no “post” do jpt é que ele até venha com a ladainha de que «para quem se lembre disso, e saiba um mínimo de história contemporânea, poderá hoje também lembrar esta fotografia, e constatar o execrável presidente que nos preside, aqui mimando um arauto da agressão nuclear» - deduzo que quanto ao “arauto da agressão nuclear” ele até se esteja a referir ao Fidel de Castro, o palhaço que, tirando a versão da História de acordo com o jpt, todos nós sabemos que a URSS até, na verdade, apenas usou o Fidel para se conseguir livrar da ameaça dos mísseis nucleares “yankees” estacionados na Turquia que a ameaçavam… Fidel não passou de um palhaço neste episódio e todas as tentativas até agora elaboradas para o apresentar como um "louco suícida" disposto a ver varrido a sua ilha a troco de uma suposta vitória da URSS depois esbarra com a sua habitual narrativa de que Castro até era anti-URSS...
Mas lá está, ele prefere construir um “post” a partir de um fantoche que, segundo ele próprio, o seu crime maior foi apenas o de ser, supostamente, “um arauto da agressão nuclear”, a no dia em que se relembra os «75 anos após Hiroshima», apontar o dedo aos verdadeiros responsáveis pela maldita data…
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De Vorph "ги́ря" Valknut a 07.08.2020 às 09:51



A nossa sorte é não termos nenhum presidente a pousar junto de Henry Truman

Adenda :
Eisenhower era contra o bombardeamento nuclear pois a guerra estava ganha e via no uso atómico uma selvajaria. Mas há gente que lê histórias contemporâneas alternativas
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De El Profesor a 07.08.2020 às 11:03

No polígrafo a sua adenda daria: verdade... mas...
A guerra de facto estaria ganha, mas o problema reside no tempo que demoraria até à rendição do Japão.
E as estimativas apontam para mais quatro anos, os quais resultariam numa perda de vidas, estimadas em mais 4 milhões, dos quais 1,5 americanas.
Os japoneses não combatiam por poder, ou espírito de conquista. Os japoneses combatiam por devoção ao imperador. E combatiam até à morte, jamais se rendiam. Não é por acaso que surgiram os kamikazes, sendo mais conhecidos no seio dos aviadores, mas que podem ser encontrados em vários outros grupos de combatentes. A devoção era total e a rendição, contra a vontade do imperador, era a maior humilhação e desprestígio para o japonês.
Ainda hoje temos exemplos dessa devoção. Muita gente valorizou, por exemplo, a forma como os adeptos japoneses no último mundial de futebol deixavam as bancadas no final dos jogos, ou como os próprios jogadores limpavam o seu balneário. Normalmente pensa-se que era uma questão de etiqueta e boa educação. Mas não. Essa atitude era tida por respeito ao imperador. Para que o próprio não se sentisse envergonhado.
Este espírito, por muito que o país estivesse condenado, ajudaria a que o conflito se prolongasse até que o próprio imperador se rendesse. E isso poderia demorar anos e ceifar milhões vidas.
Quanto a Eisenhower, a sua dúvida quanto à A Bomb não se devia a nenhum motivo humanista, mas ao facto de ser um militar da velha guarda, que achava que a guerra deveria travada com estratégia e combate.
Questionável ou não, muitas teorias apontam para que a bomba tenha sido um mal necessário e um mal menor e que sem a sua utilização, muitas mais vidas e recursos teriam sido dizimados.
E acrescente-se o facto do que adveio daí. Um investimento brutal no Japão, que se tornou mais tarde numa potência mundial. E apesar do enorme valor do povo japonês, tal só foi possível através do investimento americano.
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De Robinson Kanes a 07.08.2020 às 11:24

Mas tens um que frequentava todos os dias a casa de um ditador...
Olha, por acaso é o da foto!

Vorph, não resisti .-)
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De Vorph "ги́ря" Valknut a 07.08.2020 às 13:26



Tens razão Kanes. Muito bem tirada
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De Vorph "ги́ря" Valknut a 07.08.2020 às 13:27

Tens razão
Muito bem tirada
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De ShakaZoulou a 07.08.2020 às 12:06

Porque sao proibidas as armas quimicas e biologicas mas nao as armas nucleares?

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