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por Luís Naves, em 08.01.20

No maravilhoso mundo da nova comunicação, o futuro pede escala, fragmentação e vazio. O consumidor de informação passou a ser o produto e, em troca, nem sequer recebe informação, mas entretenimento. O poder está nas plataformas agregadoras. Os jovens deixaram de ler e já só vêem vídeos; em média, as pessoas olham sete horas e meia por dia para ecrãs de todo o tipo. É aqui que está o negócio, milhões a seguirem histórias inexistentes, como o cão com a cauda na cabeça ou a irritação das massas com a vedeta que não mencionou os fogos na Amazónia do ponto de vista das alterações climáticas. Activismo, celebridades, política light, esta é a mistura para as próximas décadas, numa espécie de revolução cultural descerebrada e pós-moderna, em que multidões em fúria vão agitar o pequenino livro vermelho das banalidades. Um cretino terá mais força do que o maior especialista. Os factos deixaram de importar, o voto deixou de contar. A internet é a verdadeira realidade.


9 comentários

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De Vorph Valknut a 08.01.2020 às 13:34

Perante essa trágica e tremendista mundividência mudou-se para o Alaska? Recomenda o suicídio? Pinta uma tela de um quadro que não vejo. Vejo miúdos inteligentes, interessados, preocupados. Mas o defeito deve estar na minha juventude, digo eu.
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De Costa a 08.01.2020 às 22:53

"Os melhores desistem, a canalha triunfa, é assim desde que o mundo é mundo". Encontrará este lúcido lamento - mera constatação de facto, para mim (não para si, bem sei; inabalável optimista antropológico, parece-me) - na pág. 365 dos Caminhos e Destinos, a memória dos outros II, de M. Duarte Mathias.

É que não consigo deixar de acompanhar essas palavras (ainda que escritas tendo em mente acontecimentos de há oitenta anos) quando me vejo o único - e vejo-me assim, todos os dias em tantos locais - a ler um livro, um livro em papel. E a anotá-lo. Eu, uma ilha entre tantos dedilhadores de polegares frenéticos em telemóveis - não definitivamente, nem isso, "ebooks" - cheios do mais lapidar atrevimento da mais orgulhosa ignorância, olhando-me como um ser anacrónico e imprestável (um "cota", julgo ser o termo), bom apenas para ir pagando isto tudo. Talvez até tenham importantes "saberes" e "competências" - se tiverem, pois que serão seguramente cada vez menos -, mas como gente são basicamente umas bestas, orgulhosas e arrogantes dessa condição.

Costa
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De Vorph Valknut a 09.01.2020 às 11:17

Bom terá que vir cá a casa jantar. Prepare-se para discussões acaloradas.
Cumprimentos
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De Vorph Valknut a 09.01.2020 às 13:22

O Costa é feliz?
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De Pedro Nogueira a 08.01.2020 às 13:51

Uma triste verdade que já vem de longe. A internet apenas serviu para o revelar à descarada e, verdade seja dita, como disse Umberto Eco, serviu também para dar voz aos imbecis. Se a soubermos usar, com mais ou menos dificuldade, passamos ao lado disso tudo. Vistas bem as coisas, a comunicação sempre foi manipulada.
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De Anónimo a 08.01.2020 às 20:44

No passado milhões e milhões antes a internet seguiram e seguem o Manifesto Comunista , o Mein Kampf, etc etc.. e muitos não eram nem são imbecis mas pessoas "inteligentes".

Milhões e milhões morreram sem a malvada internet. Bastava um "penteado burguês", uma raça, um partido errado.

Os especialistas estão sobrevalorizados principalmente quando tentam prever o futuro.

lucklucky
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De Justiniano a 08.01.2020 às 16:28

Não creio que a coisa, assim, aguente décadas!!
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De José Lopes a 08.01.2020 às 19:32

E a maioria já não está sequer para tentar entender o que escreveu. Simplesmente não têm pachorra para tantas letras! E ainda conhecem o alfabeto porque ainda é necessário fazer logins e as notícias do dia-a-dia criam neles uma vontade incomensurável de partilhar o que as suas mentes digeriram para que, através dos likes recebidos, consigam ainda sentir que outras pessoas confirmem que eles ainda existem no mundo. Nem que para isso seja preciso recorrer à ofensa!
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De Bea a 08.01.2020 às 19:57

Espero que não, que a internet nunca seja a verdadeira realidade. Sobretudo dessa realidade a que se refere. Não sei como pode motivar as pessoas a ficar tanta hora a palermar frente ao écran. Mas, e apesar de não lhe reconhecer estatuto idêntico à realidade com corpo, material e a doer, é uma forma de realidade, é realidade virtual. E, se há tempo mal gasto, também há muita ajuda na internet. Tudo depende do objectivo com que se usa e do que se procura. Acredito que haja muita gente que não pode mover-se e a quem a internet ajude. Quem estude e leia pela internet; quem visite museus e veja obras de arte; quem assista a conferências que, de outra forma lhe seriam impossíveis; quem visite lugares onde não poderia ir; quem converse e assim encontre alguma companhia.
Não sei o que se poderá fazer para tornar as pessoas cientes do valor dos outros seres reais, das discussões face a face, dos amores que vão crescendo ou minguando, dos golpes e mimos de realmente que não são comparáveis a likes ou às questões que incendeiam a net e põem todos a pensar em sintonia, muitas vezes para ofender e dar vazão ao pior do humano.
O que me preocupa é a noção de que sem pensamento não há futuro. Temo que o pensamento se evada nesta invasão massiva de écrans.
E não sei resolver esta equação de haver net e ser necessária. Mas estar a uniformizar e diminuir a capacidade pensante.

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