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A janela e o cutelo

por Pedro Correia, em 10.09.14

 

1. O debate desta noite foi bastante diferente do de ontem. António Costa apresentou-se mais enérgico e preparado, abandonou o ar sonolento da véspera. Desta vez destacou-se no campeonato das farpas ao adversário, lançadas a um ritmo regular, com fria premeditação. Revelou perfeita consciência de ter perdido o frente-a-frente anterior e mudou a agulha. Fez bem: assim evitou nova goleada.

2. António José Seguro também mudou de estratégia. Consciente de que a mesma receita não resulta em duas noites consecutivas, evitou levar novamente o debate para o campo dos juízos de carácter do seu antagonista. Fez bem: assim evitou uma medalha adicional no campeonato da lamúria.

3. Hoje houve muito mais equilíbrio sem se perder a acutilância. Neste frente-a-frente da SIC, bem moderado por Clara de Sousa, cada candidato detalhou algumas propostas que tinham sido silenciadas no confronto da TVI. Costa deixou-se de panos quentes e reduziu a escombros a estratégia adoptada pelo PS de Seguro na oposição ao Governo PSD/CDS. Acusando-o, por exemplo, de não ter contribuído para a reforma do mapa administrativo do País: "Tu passaste o tempo a refugiar-te em questões formais, sem tomares uma posição sobre a matéria."

4. Mais contido, o secretário-geral socialista não deixou de dar réplica. E coube-lhe até uma das frases da noite: "Nestes três anos nunca deixei de andar de norte a sul. Não estive à janela do município a ver qual era a minha oportunidade." Costa esteve à beira de perder a fleuma: "Não ofendas os autarcas!" Seguro insistiu: "Eu tenho o maior respeito pelos autarcas. Estava a referir-me a ti."

5. Houve acusações mútuas de colagem ao executivo de Passos Coelho. Costa: "António José Seguro gasta mais energia na oposição aos anteriores governos do PS do que ao actual governo." Seguro: "A tua argumentação é, em parte, a do Governo português: a dívida é um problema mas não o devemos discutir agora. Foi o que fizeste quando apresentaste o teu documento [de candidatura]: sobre a dívida, zero."

6. A moderadora procurou levar a discussão para questões concretas. Nem sempre com êxito. Exemplo: é possível atingir a meta de 2,5% do défice? Nenhum deu uma resposta convincente. Outra: como tencionam financiar as medidas que propõem ("dar força às empresas" e apoiar o empreendedorismo jovem, no caso de Costa; lançar um ambicioso plano de reindustrialização do País, no caso de Seguro)? Idem, aspas. Prioridades em matéria de coligações pós-eleitorais em 2015? Tudo vago e difuso.

7. Num dos seus melhores momentos da noite, o autarca de Lisboa acusou o rival de decalcar as 80 propostas que apresenta aos militantes do programa eleitoral de José Sócrates, em 2009. "Só seis propostas e meia não constavam desse programa", ironizou. Disparando nova farpa: "O António José Seguro gosta muito de excluir o passado porque entende que tudo começou com ele." Réplica imediata do visado: "Eu não enjeito nenhum passado do PS. Mas também não trago nenhum passado de volta."

8. Pelo menos em matéria económica e europeia mostraram convergência. Com Seguro mais explícito na defesa de negociações imediatas com Bruxelas para a redução dos juros da nossa dívida.

9. Por alguns instantes, com o frente-a-frente quase no fim, a conversa voltou a azedar. "O PS não conseguiu dar um sinal de confiança aos 77% [de eleitores] que disseram não ao Governo nas europeias", acusou Costa. "O problema foi a crise que tu provocaste", retorquiu o rival. Mas coube ao autarca a frase mais acutilante, desferida como um cutelo: "Tu não foste capaz." Quatro palavras muito expressivas. Que tinham ficado por dizer na noite anterior.

10. Olharam-se ambos nos olhos quase todo o tempo. Com expressão fria e sem o menor traço de cordialidade, prenunciando tempos difíceis para o PS -- ganhe quem ganhar. Talvez por isso, neste debate que Costa não perdeu, o verdadeiro vencedor tenha sido alguém que não estava lá. Chama-se Pedro Passos Coelho.

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22 comentários

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De Vento a 10.09.2014 às 23:36

1 - De acordo, mas isto foi calculismo e não naturalismo;

2 - Também de acordo, o que revela a excelência de um político que cresceu e cresceu bem num campo pedregoso;

3 - Em total desacordo. Porque a estratégia do PSD sempre foi tentar ocultar da cena política o PS e até levou a uma intervenção do PR no sentido de tentar evitar uma ruptura definitiva. Aliás, Jorge Sampaio pronunciou-se a respeito desta atitude arrogante por parte do PSD e Vera Jardim também.
Logo, Seguro agiu de acordo com as circunstâncias e Costa tentou fazer esquecer este aspecto;

4 - De acordo;

5 - Parcialmente de acordo. Porque sobre a dívida Seguro deixou claro que continuará a bater-se pela mutualização da gestão da mesma e pelo decréscimo do valor do serviço da mesma (juros) advogando sobre uma intervenção directa do BCE. E isto é importante;

6 - A reindustrialização do país de Seguro refere-se a áreas tradicionais, em concreto os têxteis e calçado, onde se pode potenciar e dar cartas. Mas também falou na redução da dependência alimentar através da agricultura e também da aposta no sector tecnológico e do conhecimento onde Portugal tem todos os trunfos para dar cartas. Aliás, desconhecem que muitos dos produtos de empresas de referência são produtos produzidos naquelas outras que por falta de capacidade económica são obrigadas a funcionar como empregadas de gigantes, desvalorizando-se assim o produto e a autoria do mesmo. O software é uma área relevante a nível mundial e isto pode ser feito através de fundos estruturais que a Europa parece querer negar. Este assunto é um assunto que diz respeito a Portugal mas também a Europa, frisou Seguro e muito bem. O défice é tema que para não assustar os ditos mercados não convém ser abordado, nem pelo governo;

7 - Até nisso o autarca perdeu. E ao ir buscar o artigo 76º do "contracto de confiança" revelou ignorar que a ONU, por causa dos lóbis, mas com notáveis excepções, tem sido um obstáculo ao desenvolvimento humano. Começa agora a dar um ar de mudança. E Seguro demonstrou as melhorias levadas a efeito sobre os anteriores que Costa afirmou existir desde 1998, mas nunca se aplicou;

8 - O que afirma contradiz a sua opinião no ponto 5;

9 - Este ponto só revela a cegueira em torno das circunstâncias eleitorais a que também Costa não foi alheio porque deu a cara. Logo ele acusou-se a si mesmo de ter saído derrotado dessas eleições;

10 - Costa geriu o tempo para poder soltar a retórica e apresentar-se com postura de PR para dizer como o outro devia ter-se apresentado no debate anterior. Esquecendo que o carácter também é matéria de avaliação política.




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De a De a 10.09.2014 às 23:39

Tem faltado falar sobre a Vara do poder.
Costa mostra aos militantes os fundos europeus que hão-de chegar, e esquece a dívida que nunca é para pagar, conforme os socráticos sabem bem.
A banca passa ao lado, talvez por ser assunto ora Salgado, ora Amado.

Mas tem razão, Passos Coelho não tendo qualquer solução, a não ser a promessa de continuar a agonia da nação, passa nestas ausências de alternativa, como sendo uma alternativa que vai preenchendo o vazio de alternativas.

O PS está moribundo, não se recompôs das europeias, e Costa ao invés de mostrar que poderia recompor-se, apenas serviu para trazer os fantasmas do despesismo, afundando ainda mais a ideia de alternativa.
Seguro teve pelo menos uma novidade... se é que pode ser levada a sério - comprometer-se à demissão se for obrigado a contrariar as suas promessas eleitorais. De qualquer forma, está dito.
Costa nada diz... o que poderia sair dali, senão o ar balofo e o discurso redondo vazio? Só quem tinha muita fé na mudança, é que poderia esperar outra coisa.
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De Pedro Correia a 11.09.2014 às 18:26

Ninguém diria que este partido venceu uma eleição a nível nacional há menos de quatro meses. Desde então tem caído em todas as sondagens. É a prova de que por vezes na política se pode perder ganhando.
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De Mário Pereira a 10.09.2014 às 23:52

3. «"Tu passaste o tempo a refugiar-te em questões formais, sem tomares uma posição sobre a matéria."»

E o Costa tomou? Fez união de freguesias em Lisboa, o que se fez em muitas outras autarquias, mas a própria dimensão desse município, associada ao facto de coincidir praticamente com a cidade - e, portanto, sem as rivalidades tradicionais nas freguesias rurais -, facilitou o processo. Como é que o Costa pode transpor o que fez em Lisboa para o País? E relativamente às câmaras, que posição tem?

6. «É possível atingir a meta de 2,5% do défice? Nenhum deu uma resposta convincente».

O Seguro disse que essa meta já deveria ter sido alcançada em 2013, dando a entender que se está, na melhor das hipóteses, dois anos atrasada - e ainda por cima já sem a troika -, bem pode esperar pelo crescimento económico. Com o Seguro ou com o Costa. Ou com o Coelho. Digo eu.

«Tudo vago e difuso.»

Como convém. Até porque não estão em causa programas de governo. E se estivessem... Basta ver o do Coelho para se perceber o que valem esses programas. Se o Costa, sendo ainda mais vago e difuso do que o Seguro, é favorito, porque se há-de ele comprometer? Ontem até chegámos ao ponto de os comentadores chamarem populista ao Seguro por ele se ter comprometido inequivocamente a não aumentar a carga fiscal...

Finalmente, quanto a Coelho ter sido o vencedor do debate, vale o que vale. Desde que não o seja no dia das eleições... E se for, sê-lo-á por vontade do povo. Caso em que só poderá haver uma interpretação: o povo gosta de levar no focinho (simbolicamente, bem entendido).
Se assim for, o Coelho terá toda a legitimidade para continuar a arriar-lhe...
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De Pedro Correia a 11.09.2014 às 23:33

Discordo desses comentadores sempre prontos a tirar do coldre a palavra "populista" e a dispará-la à falta de melhor argumento. Serve para tudo e para nada. Serve sobretudo para demonstrar a incompetência analítica desses comentadores. E são cada vez mais. Em número e em incompetência.

Sobre outra questão: acho profundamente contraditório o PS promover uma eleição interna destinada a encontrar um "candidato à eleição para primeiro-ministro" (figura inexistente no sistema constitucional português) e nos debates dessa campanha estar praticamente ausente qualquer medida concreta de governação. Sobretudo na área económica, que é a mais crucial.
Afinal isto pouco mais é do que um confronto de egos...
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De Maria Dulce Fernandes a 11.09.2014 às 08:38

Excelente a sua leitura do debate, Pedro, apesar de concordar com os comentadores anteriores em que há assuntos que parecem tacitamente acordados a não virem a lume.
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De Pedro Correia a 11.09.2014 às 16:50

Os debates servem muitas vezes - quase sempre - para falar do que menos interessa, Dulce. É uma espécie de lei geral da coisa.
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De Antipatizante a 11.09.2014 às 09:29

Das frases citadas, constata-se que realmente houve uma completa ausência mútua de juízos de carácter, eh eh eh.

Também gostei de saber que a lei eleitoral de que agora fala o Tózé - de cuja fala desapareceu misteriosamente a redução do número de deputados - foi imbentada vai para binte anos, pelo Costa. Aquela gente nunca deixa de me surpreender.
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De Pedro Correia a 11.09.2014 às 16:49

Essa foi de antologia. Um projecto de lei socialista, aprovado internamente em 1995, continua sem ver a luz do dia. Apesar de o PS ter governado treze dos últimos 19 anos.
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De ze luis a 11.09.2014 às 11:28

Bóriiingg! (Homer Simpson)
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De Pedro Correia a 11.09.2014 às 16:47

Daí também o meu ponto 10.
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De Carlos Faria a 11.09.2014 às 11:49

Genericamente concordo com o que o Pedro disse e exponho a minha conclusão que coloquei no Mente Livre:
"... ficou evidente que Costa não é tão bom como o vendiam antes, mas deverá ganhar no somatório de alguns milhares de militantes e simpatizantes do PS, estas primárias foram uma guerra interna que não deu esperança ao resto do País como os debates puseram a nu, só que o ganhador já estava garantido à partida....
... suspeito que praticamente ninguém ficou convencido a sair da abstenção para vir votar PS. As franjas populistas e extremistas vão continuar a atrair ainda mais os descontentes que se dignam votar, os únicos que dizem coisas diferentes mesmo que utópicas ou revoltantes. O centro-direita descontente e flexível ver-se-á indeciso entre a abstenção ou ser fiel aos seu partido mais tradicional, quer seja o PSD ou o CDS, coligados ou não e a direita liberal e os militantes manter-se-ão tendencialmente fieis às suas famílias. No fim teremos uma legislativas com os votos repartidos por numerosas forças, dificultando entendimentos e onde a solução para o País apenas poderá vir da boa vontade dos credores de Portugal, do BCE, da União Europeia ou até da Sra. Merkel.
Infeliz Pátria que não é capaz de resolver dentro de portas os seus problemas de forma sustentável e tem de viver de mão estendida!"
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De Vento a 11.09.2014 às 12:47

Li com muita atenção as suas conclusões, e sobre elas concluirei o seguinte:

Se o país, e em particular os abstencionistas, não viu neste trabalho de campo que Seguro fez durante três anos (em Portugal e no Estrangeiro) um estudo sério, académico, interessado para contribuir para que Portugal, a Europa e o Mundo saiam de uma encruzilhada que nos conduziu ao fio da navalha que só penderá para o paraíso e para o inferno (guerra, nova ordem constituída por blocos e com uma ainda mais expectável avançada da Rússia sobre a totalidade da Ucrânia), então, eu reforço a minha opinião que merecemos o que tivemos, temos e teremos;

Se o país, e em particular os abstencionistas, não viu neste trabalho de Seguro uma mudança de chip cerebral que ainda aprisiona PSD CDS, sistema Judicial, académico, empresarial e todas as demais congregações que asfixiaram o aparelho de estado, a economia, finanças, justiça, saúde e até mesmo o meio académico, então, eu ratifico a minha opinião que merecemos o que tivemos, temos e teremos;

Por último, a senhorita Merkel já foi. Não vedes que a merda feita na Ucrânia mudou tudo isto!?

VIVA PORTUGAL! QUE SE F--- A AUTORIDADE TRIBUTÁRIA!
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De lucklucky a 11.09.2014 às 13:21

"um estudo sério, académico, interessado para contribuir para que Portugal, a Europa e o Mundo saiam de uma encruzilhada"

A Dívida de Portugal é também da Dinamarca, França, Alemanha etc .
E o défice é imprimir.

Republica das bananas Latino Americana é de facto muito sério.
Hahah.
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De Vento a 11.09.2014 às 15:17

Por acaso é, em particular da Alemanha. E faz-me rir que alguém pense não ser assim (ahahahah). Ou você pensa que a dita estabilidade que a Alemanha preconiza não é para estabilizar a porra que os gajos da banca alemã andaram a fazer e que os políticos europeus tanto se empenharam?
De onde pensa que vinha o dinheiro para a dita promoção económica; para a compra de casa, para as importações que depois eram feitas daí e de outros países, para as obras públicas; para o dito TGV em que tanto estavam interessados os alemães; para a compra de submarinos?

Claro, que era uma República de bananas já nós sabíamos, mas agora seja banana quem o quiser por opção e já não por indução.

Você ainda possui a mentalidade da "avozinha" nestas matérias.
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De Carlos Faria a 11.09.2014 às 15:26

Eu não vi nenhum desses atributos que vê nesse trabalho de Seguro, mas pelo que tenho ouvido, suspeito que muitos dos abstencionistas e votantes nos mais diversos partidos (incluindo no PS), também não viram.
Contudo, não é por isso que considero o povo Português merece o que passou, está a passar ou passará e se o trabalho foi de facto tão bom como disse, talvez a culpa de não percebermos isso seja mesmo do mensageiro e o cidadão a vítima dessa incapacidade dele dar a perceber a sua mensagem.
O caso da Ucrânia de facto pode alterar os cenários futuros sobre que todos trabalharam, mas também não acredito que seja Seguro o salvador de Portugal e da Europa se infelizmente as coisas derem para o torto ou sequer que tenha equacionado isso no seu trabalho.
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De Vento a 11.09.2014 às 21:11

O discurso faz-nos aperceber o trabalho. Verdade se diga que Seguro não tem hoje a imagem que lhe imputavam antes destes debates. Um trabalho da natureza que foi levado a efeito visa recolher e a aperceber-se das realidades quer do país quer da Europa quer do mundo e avançar, por antecipação, com as propostas.

Neste aspecto, o das propostas, também recordo que ele, Seguro, esteve na berlinda como uma espécie de "mentecapto" por as ter apresentado. E nunca ninguém referiu sobre a oportunidade das mesmas. O futuro, hoje, revela a importância das mesmas e a sua adopção. O debate actual não só se inicia em torno destas como também já reúne consensos inequívocos por parte das estruturas mestras desta Europa que na realidade não existe desde 2008. Ainda que Schauble, por vaidade, as procure encapotar de outros sentidos.

Seguro não é Salvador de Portugal e da Europa, nem isto foi referido. Mas Seguro pode ser a soma necessária a esta salvação. Nós diminuamos sempre a nossa capacidade de intervenção interna e externa. E foi este discurso falacioso que levou o actual governo a continuar na estrada ruinosa que Sócrates tinha iniciado. E de tal forma é assim que se sentiu na necessidade de adulterar os princípios do memorando de atendimento. E isto não foi só por agenda política, foi uma tentativa desesperada de corrigir a incompetência.

Quanto à questão do merecimento, remeto o esclarecimento para o que já escrevi no anterior comentário.

Por último, quem pensar que o PS será o mesmo depois desta acção ruinosa de Costa está enganado. Este discurso só poderá ser alimentado pelo centro direita, por conveniência. E noutro sentido, há situações que para resultarem só podem recomeçar das cinzas.

Finalmente, eu não necessito alimentar declarações de interesse, os meus comentários situam-me. Eu disse situam-me não disse hipotecam-me.
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De Vento a 11.09.2014 às 21:55

Só para esclarecer que o último parágrafo refere-se a uma situação ideológica e não partidária.

E por último para dizer-lhe que o PSD, para mim, só foi partido social com Francisco Sá Carneiro. A partir daí foi um xadrez com baronatos em movimento no tabuleiro e fora dele. Mas o PS, na realidade, só recupera com Seguro. A minha defesa de Seguro é um compromisso de cidadania e não um compromisso partidário, que não tenho com nenhum deles. Costa não é um inimigo meu, simplesmente entendo que corajoso foi Seguro em ter segurado o PS depois de uma viagem surrealista conduzida por Sócrates. Ainda que este tenha iniciado um percurso necessário sobrevieram outras atitudes que deitaram por terra todo um esforço.
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De Carlos Duarte a 11.09.2014 às 16:12

Declaração de interesse: voto no centro-direita (ou em branco)

Quando o AJS tomou conta do PS em esperava que, à partida, repudiasse Sócrates. Não todos os "socráticos" nem toda a actuação de Sócrates, mas o estilo e a linha de actuação, até porque AJS sempre se posicionou como "oposição interna". Mas a realidade é que não fez isso e, pior, quando teve o poder quase nas mãos, assustou-se com algumas múmias do Partido (como Soares) e guinou de forma absolutamente irresponsável para uma esquerda que não é a dele. Como Costa disse, 100% correcto, ele não foi capaz.

Quer isto dizer que Costa é melhor? Não, mas apenas que não teve oportunidade de demonstrar a sua incapacidade como AJS teve.

Para alguém que nem que Cristo desça à terra ou MRS deixe de nadar no Tejo vai vota no PS, fico francamente preocupado pelo principal partido da Esquerda (e único partido de uma Esquerda minimamente com sentido de Estado) se encontrar num marasmo. Não só de agora, com uma luta fraticida desnecessária, mas até agora com uma ausência quase total de resposta ao Governo (dizer que está mal e vai desfazer tudo não é resposta) e uma colagem incompreensível a algumas causas fracturantes da Esquerda circense. Como disse em tempos o Pedro Correia, até o Rato Mickey ganhava as eleições ao Passos Coelho. O problema é que no PS não há um Rato Mickey, mas apenas dois Patetas.
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De Pedro Correia a 11.09.2014 às 23:34

Julgo que haverá por lá um pato. Mas não se chama Donald.
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De AEfetivamente a 11.09.2014 às 22:56

Subscrevo a ideia de que se assistiu a um "campeonato da lamúria" no 1º debate. Seguro fez uma abordagem demasiado emocional da coisa, o que em política, francamente e na minha modesta opinião, é ridiculamente "boyish".
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De Pedro Correia a 11.09.2014 às 23:28

Curiosamente, em Portugal esse estilo até costuma render alguns dividendos. Resta ver se será o caso.

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