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A Suíça, essa nação universalista

por José Navarro de Andrade, em 11.06.14
A seleção helvética de partida para o Mundial de Futebol
Se há país neste mundo com muito recheio mas sem miolo é a Suíça. Estamos a falar de uma lassa confederação de três línguas e meia, pese embora nenhum linguista se atreva a reconhecer em público que o romanche não passa de uma espécie de alemão disléxico e mal amanhado por pastores, arranhado por menos de 35.000 almas, o quanto baste para ainda se dividir em 5 dialectos, se calhar cada um fermentado à sombra da sua montanha. Daqui resulta que no estrangeiro os suíços falem inglês entre eles – ouvi eu – que é a melhor língua neutra que têm para não renegarem o bairrismo. A Suíça é ainda a mais perfeita e perseverante democracia participativa do planeta, que só funciona graças à extrema contenção e fleuma dos seus cidadãos, aptos a absterem-se por tudo e por nada do que lhes é posto a referendo.

E aqui chegamos à indesmentível conclusão que a Suíça se apresenta como a nação mais inveterada e extravagante entre as que vão tentar a sorte no Mundial de futebol, nem sendo preciso evocar os sarilhos técnicos que provoca o hasteamento da sua original bandeira quadrada.  

Pois fiquem sabendo que embora não tenha minaretes a Suíça tem uma selecção de futebol recheada de apelidos com escassíssima ressonância alpina tais como Granit Xhaka, Xherdan Shaqiri, Ricardo Rodriguez, Johan Djourou, Haris Seferović, Mario Gavranović, Admir Mehmedi, Josip Drmić, ou o leviano Gelson Fernandes (já disse que sou sportinguista?) A causa desta congregação aeroportuária de jogadores é de tal modo óbvia que até eu a posso explicar sem encomendar qualquer “extudo” (pronúncia de pivot noticioso) ao Politécnico de Schwyz, como agora se faz para ter razão: famosos pela agilidade dos seus dedinhos de relojoeiro, os suíços votam um dialéctico desprezo a tudo que mexe com os pés; foi assim que alijaram nos emigrantes a faina futebolística, tal como já fazem com todos os ofícios que não sejam engrenar relógios de corda, contar moedas e ordenhar vaquinhas.

Mas o supra sumo do estrangeirismo da seleção helvética é o seu meio-campo constituído por Blerim Dzemaili, Ghokan Inler e Valon Behrami. Seria possível encontrar nomenclatura menos helvética? Pois não, já que são de origem, respectivamente: albanesa, turca, albanesa.  E há outra peculiaridade que os junta, precisamente a de jogarem todos juntos no Nápoles - foi só tirá-los dali e pô-los aqui. Ora aqui está o que vai facilitar deveras a vida a Omar Hitzfeld, o treinador com as sobrancelhas mais severas do certame.

Em suma a Suíça é o sonho húmido da União Europeia, especialmente nos seus defeitos.


13 comentários

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De Octávio dos Santos a 11.06.2014 às 20:38

«Seleção»? «Dialético»? «Suprassumo»? «Respetivamente»? Acaso não viu o que está no lado direito do cabeçalho deste blog?
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De José Navarro de Andrade a 11.06.2014 às 21:32

Obrigado pela revisão gratuita ao corrector de texto do word. O texto já está segundo a norma ortográfica de 1945. Felizmente parece não haver reparos quanto à sintaxe.Espero que tenha tido disponibilidade para apreciar o conteúdo.
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De Octávio dos Santos a 11.06.2014 às 22:44

(Ainda há um «seleção» no início do penúltimo parágrafo...)

Quando a «forma» está em ordem, aí, sim, tenho disponibilidade para apreciar o conteúdo. E, sim, apreciei.
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De Costa a 12.06.2014 às 00:10

Um país - lassa que seja a confederação - de lindíssimas (e respeitadas) paisagens; de cidades limpas e silenciosas, sem carros sobre todos os passeios, sem buzinadelas por tudo e nada ou escapes "abertos", ordenadas, sem ruínas por todo o lado, sem um "grafitti" nas paredes, sem cartazes colados sobre cartazes, desfazendo-se sob os elementos, sem um papel - muito menos uma ponta de cigarro ou um escarro! - no chão. Onde as obras, públicas ou privadas, se fazem com um máximo de asseio e um mínimo de perturbação (afinal é possível...). Onde a arquitectura antiga é carinhosamente preservada e onde a nova a respeita.

Um país de gente naturalmente bem vestida, de índole serena, bem disposta sem desnecessárias exuberâncias.

E onde os euros ganhos em Portugal valem pouquíssimo... culpa dos suíços?

Costa
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De Sérgio de Almeida Correia a 12.06.2014 às 05:28

Essa é uma outra Suíça . Olhe que há muitos locais, incluindo em Zurique, e bem perto do centro, onde as paredes estão cheias de graffiti (e o chão também com seringas usadas), onde há cartazes nas paredes e as ruas são um nojo.
Também é essa Suíça que "lava mais branco"..., embora goste muito do país e aprecie muitos dos seus hábitos cívicos.
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De Costa a 12.06.2014 às 08:23

Se o diz, há-de haver. Não me calhou então dar ainda com esse triste espectáculo. A miséria, material ou moral (ou ambas), não é exclusivo nosso. Menos ainda a que parece resultar não de uma fatalidade ultrapassando a sua vítima, mas de uma voluntária descida aos infernos. E esta existirá mesmo na mais perfeita sociedade.

Mas por cá desgraçadamente impera triunfante. Vai por exemplo do velho que vai morrendo na rua, ao adolescente cretino, vestido inenarravelmente , armado em estrela da bola e recusando militantemente o estudo e a cultura. Passa pelos cancros urbanísticos e pelas caravanas de buzina aos berros às tantas da noite, porque o clube marcou um golo (e isso, bem se sabe, está acima da lei). Existe no pai que atravessa com o filho ainda menino, fora da passadeira, com o sinal vermelho e enquanto cospe para o chão. Está no maço de tabaco, ou o que seja, que se atira para o chão como se fosse o mais banal, consagrado e inofensivo gesto. Manifesta-se no belo automóvel estacionado sobre o passeio, ou em segunda fila, à porta de casa ou da loja, com lugares perfeitamente legais apenas a uns minutos num passo tranquilo.

Evidentemente não me refiro apenas à miséria que resulta de não ter que comer ou vestir. Tem muitas formas e convive muito bem - por vezes até partilha - com bolsos bem recheados.


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De Anónimo a 12.06.2014 às 00:36

(já disse que sou sportinguista?)

Ora aí está, caro amigo, a prova de que não podemos ter só defeitos.
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De José Navarro de Andrade a 12.06.2014 às 10:37

Nada como ser suavemente insultado por um anónimo que nos trata por caro amigo.
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De Anónimo a 12.06.2014 às 20:55

Acrescento já "bons níveis de inteligência emocional" ao sportinguismo ;)
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De João André a 12.06.2014 às 07:27

E um treinador alemão...

Já agora, Johan Djourou até poderia soar suíço, com aquela mistura de alemão (Johan) e francês (Djourou) mal amanhados.

Seja como for, com aquela mistura das tais 3 línguas e meia, o que seria um nome tipicamente suíço? Milka?
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De FD a 12.06.2014 às 10:59

Como se a Suíça se resumisse ao futebol e a três ou quatros banalidades sobre o que autor pensa que são. Uma analise de café, portanto.
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De da Maia a 12.06.2014 às 19:54

Percebi mal.
Pela figura, pensei que o JNA estivesse a falar da selecção albanesa que usou a Suiça como barriga de aluguer.

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