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Afinal, o que defende o Bloco?

por José Gomes André, em 16.06.09

Agora que o Bloco de Esquerda se vê a si mesmo como um partido sério, valeria a pena conhecer verdadeiramente o seu programa político. Estou a falar de posições concretas, e não das vacuidades que habitam o seu site e o habitual lema "partido contra-poder". Embora Louçã tenha apresentado algumas ideias concretas numa recente entrevista (onde apela a nacionalizações em catadupa e à saída de Portugal da NATO), julgo que são necessários esclarecimentos adicionais. Ficam aqui as minhas principais perguntas.

O Bloco de Esquerda...

... defende a saída de Portugal da União Europeia?

... acredita na propriedade privada? Se sim, em que circunstâncias?

... defende a nacionalização de sectores estratégicos? Se sim, quais exactamente? Estas nacionalizações devem incluir empresas privadas predominantes, como a SONAE, por exemplo?

... defende a subida de impostos? Caso não defenda, como propõe financiar o vasto programa de apoios sociais por si advogado?

... defende a ruptura com aliados tradicionais, como a Inglaterra e os EUA? E deseja estabelecer novas alianças com parceiros estratégicos próximos da sua matriz ideológica, como a Coreia do Norte e Cuba?

... defende a supressão das Forças Armadas? Tendo em conta que pretende igualmente a saída da NATO, como propõe o Bloco que o país se defenda em caso de uma invasão militar?

[texto alterado].


16 comentários

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De Tiago Moreira Ramalho a 16.06.2009 às 19:37

Apesar de achar as perguntas muito pertinentes, deixo apenas um reparo: o que MP defendeu não foi a reforma aos 40 anos de idade mas aos 40 anos de trabalho. Ouvi-o dizer isso.
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De Carlos Barbosa de Oliveira a 16.06.2009 às 23:38

Algumas dessas questões ( que considero pertinentes) penso ´que já têm resposta.
Quanto às reformas, subscrevo o Tiago: ele defendeu 40 anos de trabalho e não 40 de idade!
Parece-me bem justo, porque há pessoas que vão chegar aos 65 anos com 47 ou 48 anos de trabalho. Como seria o meu caso se esperasse por essa idade para e reformar.
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De José Gomes André a 17.06.2009 às 01:52

Também me parece correcto o princípio dos "40 anos", embora com ressalvas pois, ao que parece, tal proposta poderia ter efeitos nefastos no actual sistema de segurança social. Não domino o tema e por isso fico por aqui...
Mas diz-me o Carlos que várias das perguntas em causa tiveram resposta? Quais? Abraço!
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De José Gomes André a 17.06.2009 às 00:33

Obrigado pelos reparos, Tiago e Carlos. Vou retirar a pergunta referente aos "40 anos", porque a tinha compreendido de outra maneira. Um abraço aos dois!
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De Anónimo a 17.06.2009 às 04:53

E porque é que em vez de perguntar, não vai ler o projecto de programa do BE que está em discussão pública?
Eu diria que não o faz porque assim as perguntas ficam no ar como se fossem afirmações. Ou provocações, como afirmar que a matriz ideológica da Coreia do Norte tem afinidades com a do BE.
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De Luís Lavoura a 17.06.2009 às 09:54

Não sou adepto do Bloco e não pretendo estar a defendê-lo, mas parece-me que algumas destas perguntas são generalizações completamente abusivas das posições tomadas pelo Bloco.

Por exemplo, o Bloco nunca defendeu ou sugeriu que desejaria defender a saída de Portugal da União Europeia. Então, por que motivo pergunta o autor do post se ele defende tal coisa? Parece-me, claramente, uma invenção e uma sugestão enganosa da parte do autor do post.

O mesmo se diga sobre a nacionalização de grandes empresas, em particular da SONAE. Alguma vez o Bloco sugeriu tal coisa? Não. Então, por que fala o autor do post nisso? Aquilo que o Bloco sugeriu - e que eu considero completamente estúpido - foi a nacionalização das empresas do setor energético, nomeadamente a GALP e a EDP - nunca falou de quaisquer outras empresas, que eu saiba.

Parece-me claramente que o autor deste post pretende, mentirosamente, colar ao Bloco posições que este nunca assumiu o sequer sugeriu.
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De João Carvalho a 17.06.2009 às 09:59

Tudo depende da ala maioritária do BE, talvez. Que nós não sabemos qual é. Nem eles, provavelmente. Desde a nacionalização do vaso de flores que tenho ao pé da porta até à luta armada, tudo é possível.
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De Luís Lavoura a 17.06.2009 às 10:19

Todos os partidos têm alas. O CDS também tem uma ala liberal, uma ala conservadora, uma ala nacionalista, etc. E o PSD tem uma ala liberal, uma ala social-democrata, etc. E estas alas desses partidos são frequentemente contraditórias entre si. E frequentemente nós não sabemos qual delas está na mó de cima. Por exemplo, a Manuela Ferreira Leite nas posições que toma ora parece uma liberal, ora uma social-democrata.

Portanto, o Bloco não é original em ter alas.

E quanto à luta armada, nunca ouvi ninugém no Bloco sugerir sequer que defenda tal coisa. Deve ser mais uma invenção.
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De João Carvalho a 17.06.2009 às 16:59

Pois, deve ser mais uma invenção. Ninguém sabe.
Já as alas dos outros, ainda assim, são menos assustadoras e mais conhecidas.
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De José Gomes André a 18.06.2009 às 04:01

"Parece-me claramente que o autor deste post pretende, mentirosamente, colar ao Bloco posições que este nunca assumiu o sequer sugeriu."

Caro Luís, já estamos por aqui habituados a um certo excesso nos seus comentários, mas não acha que neste caso concreto está a exagerar? Estou a levantar questões e a suscitar um debate. Vamos tentar manter as coisas nesse nível, ok?
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De NC a 17.06.2009 às 11:56

Caro, existem, efectivamente, algumas propostas do Bloco que são pouco claras e todas são, com certeza, discutíveis, pois não há nada que o não seja em política. Mas as questões que aqui colocas não fazem muito sentido, pois o programa do Bloco fornece respostas, explícitas ou implícitas, a quase todas. O Bloco nunca defendeu a saída da União Europeia, mas uma Europa com contornos diferentes, naquilo a que chama de 'Europeísmo de Esquerda'. Parece-me evidente que a política fiscal e de regulação proposta pelo Bloco subentende a existência e a manutenção da propriedade privada. A SONAE não constitui um sector estratégico, mas a energia e a água, que vai ser o próximo alvo de privatização, são sectores essenciais para a vida das pessoas, sem os quais o País pára. Os negócios em torno desses recursos condicionam toda a actividade económica do País, para além de, no caso ambiental, violarem frequentemente as leis nacionais e comunitárias. O Bloco defende a criação de um imposto sobre as grandes fortunas, taxa especial de IRS sobre elevados rendimentos, a manutenção das taxas de IRC, a redução dos benefícios fiscais às áreas da educação e saúde - aquelas de que todos necessitam e cujos benefícios fiscais chegam a todos -, e a eliminação dos off-shores . Será utópico? É possível. Mas as propostas estão lá. Dizer que Cuba ou a Coreia do Norte são países próximos da matriz ideológica do Bloco é tão válido como dizer que a actual China, com um capitalismo desregulado, a Rússia ou, levando a analogia ao seu limite, Angola, Zimbabwe, e outros países onde a democracia é uma ilusão e a propriedade e o capital estão concentrados nos que estão no poder, são equiparáveis aos EUA - onde são conhecidos bastantes casos que nos autorizariam a dizer que a diferença não é muita, o principal dos quais o Iraque e as fortunas que fez ganhar a muito gente, bem como os interesses pouco democráticos que movimentou - ou à União Europeia. O caso da supressão das Forças Armadas é, para mim, uma incógnita. Seja como for, não estou a ver grande risco de invasão, a não ser que te refiras a Espanha, nosso aliado e co-membro da UE, que já tem sarna suficiente para se coçar. Em todo o caso, desde o fim do serviço militar obrigatório - ainda bem que acabou - que a defesa do país não depende das Forças Armadas, que se limitam a acções de policiamento ou de intervenção especializada. Em caso de invasão, os números e a qualidade do material fazem a diferença, pelo que estaríamos reduzidos a um tipo de luta que conhecemos bem, porque sofremos muito com a sua eficácia: a guerrilha. A NATO é um monumento a uma era que terminou faz muito tempo, e que vai cair de podre. Não será, certamente, o Bloco a fazê-la cair, mas as próprias circunstâncias. Claro que o Bloco chama a atenção para os aspectos positivos do seu programa. Nisso não é diferente de qualquer outro partido político. No entanto, basta retirar as conclusões daquilo que é apresentado, mas sem sermos condicionados pela sombra de fantasmas que, hipotéticas ameaças noutros tempos, são apenas fruto da imaginação popular nos dias que correm. E como bem sabemos, vão dando um jeitão a quem quer manter tudo tal como está. Vamos ouvir falar deles e dos seus hipotéticos perigos muitas vezes até às legislativas. Afinal, nada como um bom comunista comedor de crianças para assustar a malta e oferecer maiorias aos do costume.
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De João Carvalho a 17.06.2009 às 12:09

O problema é que o BE não tem um programa: tem muitos. Se, um dia, precisassem de assentar num só programa para tentar passá-lo à prática, acabavam todos à estalada. O que, se calhar, dava um jeitaço.
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De José Gomes André a 18.06.2009 às 04:04

Caro amigo, obrigado pelo teu comentário que certamente inicia uma discussão que poderemos prosseguir "ao vivo". Para já, queria apenas dizer o seguinte: o meu problema não é tanto com aquilo que o Bloco sugere ou "diz", mas com aquilo que "pensa". Não quero avançar com a ideia do "comunista comedor de crianças", até porque não vejo o Bloco como um grupo de malfeitores. Mas preocupa-me que, por detrás do discurso simpático e "modernaço", se escondam pretensões bem mais antigas e nefastas. E acho que, sendo tu um conhecedor atento da obra de Arendt, sabes bem do que falo. Um grande abraço e até breve!
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De Lúcio Ferro a 17.06.2009 às 13:43

Er... Confesso que não percebo muito destas matérias mas há uma coisa que me intrigou: a história da invasão militar. Quem nos vai invadir? Os espanhóis? Os marroquinos? Uma coligação afro-paquistanesa como em «A mulher armadilha» do Bilal?
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De José Gomes André a 18.06.2009 às 04:01

Até porque, como sabemos, não há casos históricos de países que invadem outros países. É coisa nunca vista na história da humanidade.
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De zé lérias a 19.06.2009 às 02:38

Com todo o respeito penso que este poste coloca questões eivadas de partidarite primária.

Não é difícil colocar (e quantas vezes com razão) perguntas primárias e tendenciosas do tipo destas, ao "nosso" partido. Mas nessa não caímos nós.

Permita-me que recorde, José Mário Branco: "E é por isso que a tua solução é não ver, é não ouvir, é não querer ver, é não querer entender nada, precisas de paz de consciência, não andas aqui a brincar, né filho? Precisas de ter razão, precisas de atirar as culpas para cima de alguém e atiras as culpas para os da frente, para os do 25 de Abril, para os do 28 de Setembro, para os do 11 de Março, para os do 25 de Novembro, para os do... que dia é hoje, ah?"

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