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Resistirei sempre...

por João Carvalho, em 15.06.09

Tem-se acentuado de há uns anos para cá: à medida que o linguajar empobrece, as pessoas tendem a dizer todas as mesmas coisas com as mesmas palavras. Já não é um mero problema de "moda", mas sim de escandalosa falta de vocabulário. Fruto, necessariamente, de estarmos a criar gerações com mais habilitações e menos conhecimentos.

Lembrei-me disto a propósito do Prós e Contras, que ainda vai na primeira parte. Nem estou a prestar muita atenção, mas consigo perceber que é já a quinta intervenção no programa e concluo que devem estar todos a dizer o mesmo, porque todos eles têm falado à exaustão na mudança de paradigma. Mais para uns, menos para outros, a mudança de paradigma é algo que nitidamente os persegue e consome. Até a Fátima Campos Ferreira também já lhes dá a palavra a partir de uma ideia qualquer em torno da mudança de paradigma.

Na minha opinião, a reforma do ensino que continua por fazer era suposto voltar a pôr os portugueses a falar português. Por inteiro e com características individualizadas, porque andamos a assistir permanentemente a pedacitos de língua plagiados e indiferenciados, com total desprezo por direitos de autor.

Tenho feito um grande esforço para resistir a esta triste realidade, que já constitui um risco sistémico. E esta é que é a questão essencial, que era preciso, basicamente, colocar em cima da mesa. A bem da mudança de paradigma...

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62 comentários

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De Pedro Correia a 15.06.2009 às 23:36

Inteiramente de acordo. Agora as questões são todas «incontornáveis» e postas «em cima da mesa». Admira-me que as mesas cheguem para tanta questão. E as questões, tal como as mesas, devem ser quadradas, já que são «incontornáveis».
Assim não há paradigma que aguente.
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De mdsol a 15.06.2009 às 23:41

Também reparei. Já disseram muitas vezes "mudança de paradigma". O senhor de Cincinnati deve andar alarmado por lhe evocarem tanto o paradigma em vão.

Ah, as questões são bicudas e, por isso, se discutem em mesas redondas .

:)))
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De Carlos Barbosa de Oliveira a 15.06.2009 às 23:41

Não etou a ver, mas há já algum tempo que me apercebi que o paradigma é uma palavra incontornável no discurso repititivo da Fátima.
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De João Carvalho a 15.06.2009 às 23:53

É mesmo incontornável. Essa é que é a questão essencial...
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De mdsol a 15.06.2009 às 23:48

O que escrevi acima não era resposta ao comentário, mas 'comentário' ao post.

:))
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De João Carvalho a 15.06.2009 às 23:55

Ah! O Pedro, porém, refere um detalhe muito sustentável para as mesas não serem redondas! Uma mesa redonda é capaz de ser um risco sistémico.
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De mdsol a 16.06.2009 às 00:01

Isso agora! Depende das vertentes elencadas para equacionar o problema que, como foi bem dito, está em cima da mesa. E convém ter atenção para as problemáticas emergentes no contexto em causa...

:))
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De João Carvalho a 16.06.2009 às 00:18

Concordo: não só as problemáticas emergentes como até as temáticas em cima da mesa.
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De mdsol a 16.06.2009 às 00:28

Parece que a mesa anda de candeias às avessas por causa dos ângulos de abordagem. Como não são rectos, a mesa vê-se aflita para se ajustar às circunstâncias. E, parafraseando o outro, as mesas são as mesas e as suas circunstâncias.
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De João Carvalho a 16.06.2009 às 08:57

Nomeadamente, as circunstâncias sobre as temáticas.
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De Perplexo a 15.06.2009 às 23:55

Falta o "nomeadamente". Ás vezes aparece dez vezes numa pequena entrevista, nomeadamente comentadores de futebol. bombeiros e polícias.
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De João Carvalho a 16.06.2009 às 00:04

Faltam várias coisas. Nomeadamente, porque não tive parcerias público-privadas para escrever o 'post'. Hehe...
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De Ana Vidal a 15.06.2009 às 23:57

Ao terceiro paradigma desisti e comecei a bocejar, com um sono incontornável.
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De mdsol a 16.06.2009 às 00:04

Oh Ana eu acho que o paradigma tem as costas largas. São uns cinzentões os 'discutidores'. E deve estar na horinha deles porque falam quase a dormir.

:))
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De Ana Vidal a 16.06.2009 às 00:09

Cinzentões é eufemismo, Maria! Essa é mesmo a questão essencial... :-)
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De mdsol a 16.06.2009 às 00:12

Ana, o DO é casa de bom gosto. Não ia usar calão para dizer que são aborrecidos. eheeh

:)))
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De João Carvalho a 16.06.2009 às 00:20

Certo. Nem eles são aborrecidos. São é uma chusma de chatos.
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De João Carvalho a 16.06.2009 às 00:06

Basicamente, deve ser sono.
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De Ana Vidal a 16.06.2009 às 00:18

Eh eh... às vezes os bonecos têm piada.
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De mdsol a 16.06.2009 às 00:26

Só no Domingo descobri como se colocavam os bonequinhos. Nada de preocupações que a febre passa.
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De João Carvalho a 16.06.2009 às 11:09

Se a febre não passar, podemos pôr a problemática em cima da mesa.
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De Ana Vidal a 16.06.2009 às 00:17

Este programa é um verdadeiro risco sistémico para quem quiser manter-se acordado...
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De João Carvalho a 16.06.2009 às 00:21

Se a cama não vier a mim, ainda acabo por adormecer com a cabeça... em cima da mesa.
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De patti a 16.06.2009 às 00:14

Paradigmices e não há nada a fazer.
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De João Carvalho a 16.06.2009 às 00:22

Basicamente, é isso.
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De patti a 16.06.2009 às 00:30

Penso ser mais paradigmaticamente, do que basicamente, no entanto continua tudo em cima da mesa.
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De João Carvalho a 16.06.2009 às 01:20

Talvez por ser a grande temática.
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De Lúcio Ferro a 16.06.2009 às 00:16

Não estarás a ser mais "papista do que o Papa"? São combinatórias lexicais, ferramentas da fala, desde que cumpram uma função comunicativa, não vejo - basicamente - problema algum...
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De João Carvalho a 16.06.2009 às 00:23

Basicamente, só vejo o problema de isto ser um risco sistémico...
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De mdsol a 16.06.2009 às 00:30

Agora recentraram a questão

:))
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De João Carvalho a 16.06.2009 às 01:21

E isso é que é fundamental.
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De ariel a 16.06.2009 às 00:51

Basicamente estive na dois a ver o Serviço de Urgência. Já agora podem esclarecer-me que questão essencial se analisava que configuraria uma mudança de paradigma que constituiria um risco sistémico eventualmente colocado em cima da mesa da FCC ?
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De João Carvalho a 16.06.2009 às 01:23

Ainda bem que me faz essa pergunta. No entanto, permita-me que volte antes um pouco atrás...
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De Luís Lavoura a 16.06.2009 às 09:41

"a reforma do ensino que continua por fazer era suposto voltar a pôr os portugueses a falar português"

Eu diria que há no ensino coisas muito mais importantes do que isso.

Eu preferiria que o meu filho falasse português mal e porcamente se em troca dominasse perfeitamente matemáticas avançadas, física inglês e informática.

Até mesmo mandarim é, nos tempos que correm, mais importante do que português.
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De Anónimo a 16.06.2009 às 11:10

Comentário apagado.
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De Leonor Barros a 16.06.2009 às 11:26

Uma questão incontornável :)))))))))))
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De João Carvalho a 16.06.2009 às 11:26

Exactamente. E a mudança para Marte, essa então é como pão para a boca...
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De Leonor Barros a 16.06.2009 às 12:33

Incontornável :)))
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De mdsol a 16.06.2009 às 15:33

Como assim? Marte incontornável?
:))))
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De João Carvalho a 16.06.2009 às 16:18

Não sei, mas já pus Marte em cima da mesa. Só que Marte rola e cai ao chão.
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De Leonor Barros a 16.06.2009 às 16:55

Basicamente essa é a questão esssencial que coloco em cima da mesa :)))))))))))
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De João Carvalho a 16.06.2009 às 11:44

O mandarim, claro: é a primeira ou segunda língua falada no mundo e o português é apenas a quinta ou sexta. O mandarim é muito mais importante, sim. Sobretudo, em certas regiões do interior da China e em algumas casas das 'China towns' no Ocidente onde o cantonense não seja dominante.

Só que não há volta a dar: a língua materna é a base da aprendizagem, do conhecimento e da cultura de um povo. Não sei que graça teria o seu filho falar português «mal e porcamente», mas cheira-me que, se ele «dominasse perfeitamente matemáticas avançadas, física, inglês e informática», falaria correctamente a nossa língua. Faça isso antes que seja tarde, ou ele ainda acabará um dia a perorar durante duas horas no 'Prós e Contras' sem dizer nada.
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De Luís Lavoura a 16.06.2009 às 12:29

"se ele dominasse perfeitamente matemáticas avançadas, física, inglês e informática, falaria correctamente a nossa língua"

Talvez, mas o inverso não é certamente verdade. Isto é, um aluno pode ser muito bom a português e não perceber patavina de matemática, física nem informática. (De facto, há nas escolas portuguesas um grande número de alunos assim - que falam português deveras bem mas não compreendem conceitos elementares da matemática.) E isso, no mundo moderno, não serve para nada.

Por isso insisto que, mais importante do que a disciplina de português, são as disciplinas científicas. São elas que são a chave da competitividade do país.

De que servem, por exemplo, todos aqueles alunos egípcios ou sauditas que, sabendo perfeitamente a língua árabe - que é uma das mais faladas no mundo - e até sabendo recitar de cabo a rabo um espesso livro escrito nessa língua, não compreendem porém matemática ou física modernas? Não servem para nada - e é por isso que o mundo árabe permanece atrasado.

E de que serviria o ensino sul-coreano se os alunos saíssem dele com um conhecimento, essencialmente, da língua coreana mas sem profundos conhecimentos de informática e matemática? Não serviria para nada.

A língua materna pode ser a base da cultura, sem dúvida. Mas as pessoas não se alimentam de cultura, nem competem num mundo globalizado com base na cultura.
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De ariel a 16.06.2009 às 12:51

"A língua materna pode ser a base da cultura, sem dúvida. Mas as pessoas não se alimentam de cultura, nem competem num mundo globalizado com base na cultura."

Está redondamente enganado, permita-me que lhe diga. Deixo ao critério de cada um alimentar-se ou não de cultura.., mas os povos sem ela não são ninguém , é a base de todas as civilizações e como os povos são constituídos de pessoas....

É desesperante hoje em dia verificar como os jovens engenheiros escrevem mal e porcamente. Lido diariamente com eles, e é uma desgraça. Nem um relatório mesmo da sua especialidade, escrevem convenientemente.

Se o mundo árabe permanece atrasado", não será certamente por causa da língua...
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De João Carvalho a 16.06.2009 às 13:04

Tem toda a razão. Os sul-coreanos e os egípcios que falam correctamente as sua línguas não servem para nada, ao passo que o seu filho saber imenso de matemáticas avançadas e de física estará preparado para alcançar o Nobel da Literatura quando for escritor. Como é que não me lembrei disso antes? Basicamente, ainda me preocupo com a cultura, mas tenho de mudar de paradigma...
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De Leonor Barros a 16.06.2009 às 16:57

Sul-coreanos e egípcios? Esses inúteis? :-)

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