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Delito de Opinião

Eram o conhecimento e a informação, estúpidos

Rui Rocha, 09.01.14

A memória de Sócrates sobre o jogo da reviravolta contra a Coreia provocou o regresso das redes sociais aos velhos tempos. De um lado, artilharia pesada, escrutínio ao pormenor, argumentos esticados e estocada satírica. Do outro, fogo de barragem e manobras de diversão. No fulgor da batalha, regista-se o testemunho de Fernando Moreira de Sá sobre o tema. Noutra encarnação, Moreira de Sá, especialista em comunicação cujos escritos raramente entendo (coisa que é naturalmente da minha total responsabilidade), dedicou-se de acordo com o próprio depoimento a criar perfis falsos no facebook, a intervir em programas radiofónicos para queimar adversários políticos e a outras variadíssimas campanhas negras. Desta vez, todavia, elabora sobre a melhor forma de combater a manipulação. Nada mais nada menos do que conhecimento e informação, revela-nos o mestre enquanto nós lhe agradecemos com voz trémula, embargada pela comoção da descoberta. Logo de seguida, Moreira de Sá levanta ligeiramente as vestes e, enquanto se prepara para caminhar sobre as águas com um portátil da Apple na mão (só não cofia a longa barba branca porque tanto quanto sei não a tem), afirma: 

Era tão simples saber que nesses anos os estudantes tinham aulas ao sábado. Era tão simples primeiro procurar a informação e só depois comentar. Mas não. A lógica nas redes sociais é primeiro atirar e perguntar depois. Como no velho oeste.

 

Entretanto, várias testemunhas garantem que, depois de publicar o post, Moreira de Sá acenou a familiares e amigos com a mão que mantinha livre e dirigiu-se a um mosteiro budista, dedicando-se agora a uma vida de recolhimento e oração. 

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