Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Sinal dos tempos

por Pedro Correia, em 08.01.14

Vejo os títulos da imprensa de hoje nos quiosques. Títulos? Não, título. A manchete é comum: "Millennium apoia as empresas portuguesas". Um título não informativo, mas publicitário. Muda apenas o grafismo, cuidadosamente adaptado a cada periódico. Por aqui se vê a extrema debilidade financeira da nossa imprensa: basta um banco -- qualquer banco -- lançar uma campanha publicitária para todos os diários generalistas lhe cederem o seu espaço mais nobre, que devia estar reservado a notícias e não a anúncios.

Acontecesse isto noutro tempo e não tardariam vozes de indignação a multiplicar-se contra este abastardamento da nobre função de informar. Mas a coisa já passa agora sem o mais leve sussurro crítico, o que é um inequívoco sinal dos tempos.

Compro um exemplar do i - o único diário generalista que ficou à margem desta campanha. É o único que tem, portanto, uma manchete noticiosa: "Portugal sem estratégia para tempestades marítimas". Aqui fica a minha singela homenagem, enquanto leitor, ao jornal que quebrou o monopólio do Millennium neste chuvoso dia do novo ano.


8 comentários

Sem imagem de perfil

De Vento a 08.01.2014 às 15:47

Aliás, Pedro, em Portugal vemos de tudo, menos estratégias para tempestades. Não fosse a alma deste povo, que há muito desligou-se de politiqueiros e de banqueiros armados em políticos, a definir com calor a estratégia para sua vida, sua família e seus amigos, Portugal seria um deserto.

Já ontem me tinha apercebico dessa nova propaganda, juntamente com a propaganda do desgoverno relativa a uma nova quebra da taxa de desemprego (todos muito entusiasmados com a falsidade objectiva que propagam), e não fosse eu saber que a economia que sustenta a miséria é, e muito bem, a paralela eu até diria que isto ia de mal a pior.

Sei também que as estratégias futuras, por definições de normas feitas em organismos externos, será, sem qualquer sucesso, a tentativa de caçar a massa que circula no paralelo. Mas eu também sei que este povo sabe, assim como os outros, o bolso onde deve ter a massa.
E muito contente fico com estes factos, porque, para além de ver que alguém arrebita a sua vida à revelia de quem lhes quer tirar a vida, os agiotas jamais verão a colheita do que têm semeado.
Viva Portugal, a economia paralela, a transversal... e não a irreal!
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 11.01.2014 às 01:16

Lamento muito que um banco - seja ele qual for - dite as manchetes (aliás, a mesma manchete) a quase todos os jornais.
Nunca tinha visto uma coisa destas, feita de maneira tão despudorada.
Sem imagem de perfil

De IsabelPS a 08.01.2014 às 16:36

Eu acho que se perdeu a noção do que é uma notícia. Quando vou no carro e ouço os noticiários da Antena Um (deve ser masoquismo meu), constato que a Maria de São José pensa que as notícias são as reacções de uma qualquer formação política, de preferência da oposição (o que inclui a CGTP) a qualquer medida do Governo a qual, por vezes, só tem direito a uma frase. Foi aliás, um alívio quando ela foi de férias de Natal e, nesse interregno, passei a saber também mais qualquer coisita do que se passa no resto do mundo.
Só posso fazer minhas as palavras do post a seguir a este: "Como é que a comunicação social chegou a este ponto? Degenerando, degenerando..."
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 11.01.2014 às 01:15

Não costumo ouvir rádio, excepto transmissões desportivas. Há muito que me fartei dos fóruns radiofónicos, todos iguais e todos incitando ao mais reles e desbragado populismo.
Mas conheço muito bem os jornais por dentro e continuo a lê-los todos. Tenho pena que a situação financeira de quase todos seja tão precária que não lhes permita enfrentar indignidades como esta: um banco decide impor-lhe a mesma capa, a mesma manchete, a mesma intromissão no mais nobre dos espaços. O da manchete, o da primeira página.
E - pior ainda - perante o silêncio de quase todos. Não escutei nem um sussurro daqueles que gostam de encher a boca com a palavra deontologia para efeitos de mero 'marketing' pessoal.
Imagem de perfil

De cristof a 08.01.2014 às 20:45

dada a importancia pública que atribuo a jornalismo deixo um blog que vale a pena espreitar pois foca atentados ao são jornalismo.:
jornalismoassim.blogspot.pt
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 11.01.2014 às 01:10

Conheço esse blogue. Tenho pena que seja um blogue feito sob anonimato.
Imagem de perfil

De Manuel a 08.01.2014 às 23:47

Mais parece que o assunto é folhetos publicitários. Se é, é fácil resolver: não se compra.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 11.01.2014 às 01:10

É o que muita gente tem feito. É o que muita gente continua a fazer, cada vez mais.

Comentar post



O nosso livro






Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D