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Oportunismos desavergonhados

por Sérgio de Almeida Correia, em 03.01.14

"O ministro recordou que o Tribunal Constitucional deixou claro que não é inconstitucional reduzir as pensões em pagamento, destacando que medidas deste tipo têm de ocorrer em todo o sistema" - Rádio Renascença, 02/01/2014

 

Fazer apelo ao Tribunal Constitucional nas actuais circunstâncias para justificar a sua própria incapacidade de redução do défice pelo lado da despesa não é de espantar quando se comportam perante os pensionistas, os reformados e os funcionários públicos como verdadeiros gangsters. Como aqui escrevi, ao primeiro obstáculo malham neles. E ao segundo e ao terceiro também. Porque a esses já lhes tiraram a voz. Até podia não ser inconstitucional, mas antes disso já seria tremendamente imoral.

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10 comentários

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De monge silésio a 03.01.2014 às 09:54

1.- Perante o difícil, deita-se cá para fora umas "medidazinhas";

2.- É evidente que as pensões vão ter que baixar e não havendo plafondização das mesmas; tal evidência vem de dois factos: o demográfico (agora 1,8 trabalhador paga um pensionista, daqui a dez anos...) e o facto de não ser crível que o PIB cresça mais de 3% (base sob a qual as fórmulas de cálculo das pensões foram imaginadas).

3.- Perante pois o facto, a treta do Portas e da geração grisalha é como ...ontem: a promessa de uma pensão é isso mesmo "SE houver guito, SE houver crescimento, SE houver emprego, SE houver prazeres com resultados palpáveis a 9 meses...."

4.- O facto mais preocupante é a deslocalização da Política.
a) Já não se fala do Orçamento, nas medidas orçamentais, seja para a Cultura, seja para a Saúde, fala-se do "constitucional". Não vejo PS ou CDS, ou PCP , ou PSD a falarem DO Orçamento, vê-se a oposição a atirar a pedra por via do tribunal. Como na vida, perante as nossas incapacidades de resolver a realidade como devemos, vamos, em último caso, ao tribunal.
b) Esta incapacidade deriva da classe de gente que temos na política, uma grande maioria os sucessores dos anteriores, outrora nas jotas, hoje nos séniores. Claro que ainda ladeados por velhos barões que nada servem (porque nada serviram), (o que farão na vida civil??...a não ser como comentadores à quinta ou à terça). Formaram-se na trica, na parede-boa-do-cola-cartaz, na organização da festa-de-garagem-da-jota, no dar-isqueiro, ou caneta, em suma, pouco discutem a substância, e daí ausência de compromissos.
c) À trica, na sua extensão, chega-se à "raivazinha", ao sinalagmático responso emotivo. O TC por mínima maioria declarou inconstitucional, logo resposta na "mesma qualidade". O problema é que esta alternativa também pode ser inconstitucional...e "planos b" não podem ter risco de tal patologia.
d) Ausência de compromissos, porque não há substância. Que pensam PSD e PS da reforma autárquica? Reduzir para 70 câmaras? Ou para sedes de distrito? Que pensam PS e PSD sobre a gestão da água em Portugal? Que pensam PS e PSD sobre a energia? Que pensam PS e PSD sobre as PPPs? Alguém ouviu do PS uma alternativa ao chumbo do TC? Que pensam PS e PSD sobre a dívida das Empresas Públicas? Que pensam PSD e PS sobre o Como CUMPRIR o Tratado Orçamental que estipula 60% de dívida pública e défice zero daqui a um bom par de anos? Seremos sempre incumpridores? Que fazer?...nada fazem, nada pensam: vão para tribunal, isto é, incapazes de serem partidos políticos.
É cada vez mais ...hora!
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De Desvergonhas a 03.01.2014 às 09:57

Por mera curiosidade, o ministro (que nem me dei ao trabalho de identificar clicando no link) disse alguma mentira?
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De Sérgio de Almeida Correia a 03.01.2014 às 11:02

Não, não disse.

Também nunca ouvi Jorge Jesus dizer nas suas conferências de imprensa outra coisa que não a verdade.

O pior cego não é o que não vê, é o que não quer ver. Mas quem nos dera que o problema fosse só esse.
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De Pois, quem não quer ver... a 03.01.2014 às 12:36

http://www.tvi24.iol.pt/503/politica/silva-lopes-pensoes-cortes-nas-pensoes-tvi24/1506524-4072.html
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De rmg a 03.01.2014 às 16:40

Este comentário ao comentário com "futebóis" à mistura nem parece seu ...

Mas já agora (sou reformado e dos que estão a levar na tromba porque descontaram muito no privado ...) : estou de acordo consigo , o pior cego é o que não quer ver e parece-me que o meu caro está nesse grupo , o que lamento .

Preferia assim que tivesse respondido ao excelente comentário do 1º comentador , aí sim veríamos que ideias tem para resolver os problemas de fundo , a saber , evitar que os meus filhos quarentões (V. tem ?) e os meus netos adolescentes (V. tem ?) tenham que aguentar nos outros o que eles nunca irão ter.

Mas também é por estas e por outras que cada vez mais me limito a comentar por aqui as músicas , os livros e os filmes que o nosso Pedro Correia nos vai trazendo .
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De Sérgio de Almeida Correia a 04.01.2014 às 05:12

O caro leitor rmg ", como reformado que é, devia ter memória e recordar-se do que foi dito e prometido antes de Junho de 2011. E do que foi repetido até à exaustão pelo Presidente da República e pelo primeiro-ministro durante dois anos. A começar pelas promessas de cumprimento da Constituição. E de reler o que escreveu o ex-ministro Gaspar na hora da partida, e o que foi escrito pelo Constitucional em anteriores ocasiões…
E ter presente o acto de contrição de Catroga, e tudo o que disseram gente como Manuela Ferreira Leite ou Bagão Félix, que até são da área política de onde saiu este Governo.
O problema, caro leitor, é que todos estamos a pagar o preço da irresponsabilidade de quem prometeu o que não podia nem sabia como cumprir, de quem disse que estava preparado para governar e que tinha quadros à altura, de quem disse que ia proteger o estado social, que não ia cortar subsídios nem mexer nas pensões; de quem disse que não ia aumentar impostos mas sim reduzir a despesa e reformar o Estado, coisa que até agora não fez nem dá mostras de alguma vez vir a fazer, apesar de ter uma maioria confortável em São Bento e um Presidente da República que lhe apara todos os golpes.
As desculpas que agora são apresentadas, atirando as culpas para os outros, para o TC ou para a oposição, são próprio de quem nem sequer tem a coragem de assumir a responsabilidade pelo agravamento das consequências de um desastre que já vinha detrás mas muito em particular de 2009/2011 e para o qual eu próprio tive aqui e noutros locais oportunidade de alertar.
Quem tinha que apresentar soluções e resolver os problemas eram eles, pois é para isso que são pagos, em vez de se dedicarem durante dois anos a tratarem da vida e a fazerem remodelações que de cada vez que acontecem aumentam os encargos. Será que o leitor não deu por nada disso?
E não se tratou de misturar "futebóis" com política. Como sabe, salvaguardadas as devidas distâncias, não há qualquer diferença entre os resultados obtidos por este Governo em dois anos e pelos que Jorge Jesus obteve na última época. Em qualquer um dos casos, tanto Passos Coelho como Jorge Jesus consideram que fizeram um excelente trabalho, embora na minha perspectiva, e já agora, se me dá licença, na de muitos milhões, os resultados sejam sofríveis relativamente ao que foi pedido: um agravou o défice, falhou as metas a que se tinha comprometido em dois anos seguidos, aumentou o desemprego, aumentou impostos, deu cabo de milhares de empresas, tramou os reformados, espatifou o que restava do sistema educativo, promoveu a emigração e "encaixou" os amigos do partido, só não "encaixando" mais porque não pôde. O outro perdeu tudo o que tinha para ganhar, incluindo um campeonato a 3 jornadas do fim, com 5 pontos de avanço, e uma Taça de Portugal contra uma equipa de segunda linha e um décimo do orçamento. Tanto num caso como no outro estamos a falar de profissionais, bem pagos relativamente ao que ganha a maioria, a quem foram atribuídas tarefas específicas e metas. Foi-lhes dada liberdade de escolha das respectivas equipas e proporcionadas condições de estabilidade institucional, económica e financeira para poderem obter outros resultados do que aqueles que obtiveram. Tiveram o apoio dos portugueses, num caso, dos sócios e simpatizantes, no outro. E no fim o que apresentam? "Devemos estar orgulhosos dos resultados conseguidos", diz um. "Estivemos em todas as frentes e discutimos tudo até ao fim", diz o outro. E resultados? Zero.
Se o leitor não quiser perceber isto e preferir continuar a malhar nos "socialistas", engolindo as conferências de imprensa que lhe impingirem, está no seu direito. Mas depois não se queixe do futuro dos seus filhos e netos, futuro que eu, como bom e atempado pagador de impostos, também acautelo, apesar de ter sido mais um que contribuiu para engrossar os números da emigração em 2013. Contra a minha vontade, não obstante as minhas qualificações, ter os impostos e contribuições em dia, estar a meio de um doutoramento e em mais de duas décadas e meia de experiência profissional nunca ter dependido do Estado português.
E isto, quer queira quer não, dá-me liberdade suficiente e autoridade para exigir a prestação de contas a qualquer "coelho". Aqui, em qualquer lado e a quem quer que seja.
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De rmg a 04.01.2014 às 14:19


Muito agradeço a sua resposta até porque eu vou ficar definitivamente por aqui (vá lá que não disse irrevogávelmente !) .

Não porque não tenha gostado dela e verificado que tem opiniões claras , francas e perfeitamente respeitáveis sobre a matéria mas porque V. escreveu coisas do tipo "Se o leitor não quiser perceber isto e preferir continuar a malhar nos "socialistas", engolindo as conferências de imprensa que lhe impingirem, está no seu direito" e "apesar de ter sido mais um que contribuiu para engrossar os números da emigração em 2013".

Portanto toda a razão que tem na argumentação (e tem muita) perde-a na falta de boa fé (no mínimo) com que trata um cidadão de que não sabe nada de nada.

É que por acaso toda a minha vida votei PS e continuarei a votar ( e digo toda a minha vida porque antes do 25 de Abril já votava ASP , o grupo liderado por Mário Soares que integrava a CEUD (e até tive alguns "dissabores") .
De resto não engulo conferências de imprensa , não vejo televisão há mais de 20 anos e a internet permite-me ler apenas as notícias que me interessam e essas não me interessam de todo (não sou tão estúpido como V. me faz).

Quanto ao engrossar os números da emigração posso-lhe dizer que 2 dos meus 3 filhos já os "engrossaram" e um deles , altamente qualificado , ainda os "engrossa" , ainda que talvez que não por muito tempo pois nem tudo são rosas como alguns emigrados nos querem fazer crer só porque a gente não está a ver a vida que levam .
Portanto , como pai , sei do que V. fala e até sei pelo lado que V. não sabe (o de pai , que ficou nesse período com um dos netos à sua guarda).

Eu nunca me queixo do futuro dos meus filhos e netos porque eu próprio fiquei pendurado por 2 vezes na vida (aos 43 e aos 55 anos) e tive que começar tudo do zero , já havia falências e dificuldades de emprego antes de 2008 .
Portanto se eu sobrevivi num mundo que ainda era muito "fechado" não vejo porque é que eles não o possam fazer num mundo muito mais "aberto" (aliàs os filhos já o fazem há muito tempo).
Trabalhei nos últimos 20 anos em 4 distritos diferentes , só vindo a casa ao fim de semana de 15 em 15 dias , não só não considero isso uma desgraça como acho que foi extremamente enriquecedor .

O que eu escrevi foi outra coisa mas V. quis fazer essa "festa" , está no seu direito como "dono da bola" , aproveitou para escrever o que não tinha posto no post e fez bem , poucos lêem os posts compridos .

Quanto à sua última frase parece-me uma declaração de intenções excelente mas não numa resposta ao meu pequeno comentário .
Eu só disse o que disse sobre filhos e netos e V. foi por aí adiante a "julgar-me" por essas 3 linhas , acho que abusou da sua capacidade de perspicácia .

Um bom ano para si , com muita saúde
Como até hoje (67 anos) nunca estive doente sei bem o que isso vale , o resto vem atrás

PS - Escusa de responder , eu mudo-me hoje daqui como comentador .

Só tenho que agradecer ao Pedro Correia a extrema educação com que sempre me tratou e que teve o seu feliz epílogo com o "bate-papo" (a expressão é dele) no post da canção da Françoise Hardy .


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De Sérgio de Almeida Correia a 04.01.2014 às 16:58

Caro leitor,
Deixe o irrevogavelmente para outros que nunca têm dúvidas e nunca se enganam. E definitiva é só a morte. Volte quando quiser. Esta casa é sua.
Bom Ano para si e para os seus.
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De Maria a 03.01.2014 às 13:39

Isto mostra que os nossos políticos não têm dignidade, moral, nem sapiência para o cargo que desempenham. Manuela Ferreira Leite ontem disse tudo. Falou pouco e certo. Rajoy, em campanha eleitoral prometeu não mexer nas reformas, pois segundo ele, seria imoral fazê-lo e cumpriu. Aqui, diz-se uma coisa e faz-se outra completamente oposta. Não precisamos de pessoas que só sabem cortar e nada mais, para fazer isto é escusado pagar-se brutos vencimentos quando qualquer um o faria por muito menos.
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De Manuel a 03.01.2014 às 13:55

Parece-me a única alternativa é renegociar com a troika.Também me parece que uma vez hipotecado o devedor deixa de ter poder de decisão.
Também me parece que uma renegociação pode abrir precedentes na zona euro, coisa que se pega de moda, pode mesmo vir a acabar com a Europa.
Então o que podemos fazer? - Nada, não vejo nada nem ninguém a apresentar melhores soluções e o governo tem de ir buscar dinheiro a algum lado.

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