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Resumo

por Sérgio de Almeida Correia, em 30.12.13

"Porque as grandes felicidades aqui são todas feitas de escapar à tragédia, uma e outra vez, até ninguém ser mais capaz de escapar à tragédia. Porque é isso que acontece. Com o tempo, a atrocidade abrevia tudo a toda a gente, e o que sobra é de uma tristeza para sempre. A tristeza para sempre é o que mais identifica esta comunidade. Ainda que a heroicidade não o mostre, não o permita aos olhos descuidados de quem vê apenas em passagem." - Valter Hugo Mãe, Adiar, Público, 29/12/2013.

 

Poucos se atrevem a ser tão claros. Por isso podia ser um resumo de Portugal em 2013.


4 comentários

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De lucklucky a 30.12.2013 às 11:01

2013 deve ter sido um dos 10 melhores anos para viver em Portugal em todos os mais de 800 anos de existência.

A falta de senso, espero que não seja propaganda, continua...
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De Manuel a 30.12.2013 às 12:42

Não há inocentes, nem a erva daninha, nem o homem do céu. A vida é o milagre que nos condena a esta existência. De pai a filho, ocupamos e desocupamos o vazio que criamos e destruímos. Como uma onda de luz que se propaga, a igreja chama-lhe Espírito Santo, a ciência chama-lhe energia, não sei, apenas sei que os vaidosos tentam-na prender e os loucos acompanhar. A verdade é que não somos essa luz, somos apenas a matéria que se alimenta dela. Passa por nós no presente depois pelos nossos filhos que já vão á nossa frente e assim sucessivamente, acredito que eternamente.
Por isso desejo apenas que todos amem bem os seus filhos, assim sempre todos podemos ambicionar uma vida melhor para os nossos netos.

Feliz ano novo a todos.
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De Miguel R a 30.12.2013 às 19:13

O país não se condensa nas políticas de um governo. Há tanta comunicação nos media e plataformas semelhantes sobre a tragédia social, sobre o caos, o definhar do país, etc. e etc. que, se a economia continuar a crescer, isso terá um efeito inverso sobre a opinião dos portugueses (pelo menos dos que votam). Passos Coelho e o governo surgirão como vitoriosos, coisa que não são, pelo menos não será por serem os mais hábeis dos hábeis. Adoro quando falam dos grandes heróis da história como Napoleão, César e outros que mais, quando vezes, sem conta, eles cometeram erros inacreditáveis, segundo a lógica de conduta, e, todavia, por diversas vezes triunfaram (e noutras nem tanto).
O que eu quero dizer é que há muitos factores a contribuir para aquilo que se pode designar de sucesso. A austeridade fez-se sentir, sim, bastante, mas fez-se sobretudo sobre a classe média e menos sobre os 25% mais pobres. É óbvio que um número de portugueses viverá situações dramáticas, mas muitos outros desenrascaram-se, construíram negócios, emigraram, mudaram de vida.
Resumir Portugal à palavra tristeza não é ser sério. Dificuldade soa bem melhor. Luta poderia ser outra das opções. Uma vida faz-se de estados de alma e não acredito, com excepção de tragédias pessoais, que eles possam ser permanentes. Valter Hugo Mãe vê nos olhos dos portugueses aquilo que ele quer ver, talvez o seu reflexo.
Não foi por encarar a vida com tristeza que hoje posso dizer que, em termos económicos, nunca vivi tão bem. Foi por acreditar no que ela é dura e boa, foi por acreditar no trabalho e na luta constante pelo que de melhor de nós temos para dar e receber. O meu pai criou-me a mim a ao meu irmão ganhando sempre pouco mais que o salário mínimo (sempre que podia fazia trabalhos extra), a minha mãe por motivos de doença nunca pode trabalhar.
Sabe que mais? São apoiantes de Passos Coelho, em primeiro lugar não foram directamente afectados e em segundo o seu discurso (a prática nem tanto) entronca naquilo em que eles acreditam: sacrifício, trabalho e não gastar acima das suas possibilidades. Não há nada de mais importante na vida de um Homem de que as suas crenças, assim é para eles, assim será para Valter Hugo Mãe, tal como para mim. Não acredito que o meu país seja uma tristeza e estou cá para lutar por algo diferente, sempre acreditei que só mudando as atitudes sobre os «pequenos nadas» o país mudaria e isso é mais importante que qualquer governo. Esse resumo não é meu e eu sou deste país.
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De Manuel a 31.12.2013 às 11:07

Numa plutocracia os heróis servem apenas o poder.
Valter Hugo Mãe, parece-me uma pessoa de pensamentos profundos, por isso, não me parece justo avalia-lo só por um paragrafo que pode estar descontextualizado.

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