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Delito de Opinião

Ainda Nelson Mandela

Ana Vidal, 07.12.13

E volto a Nelson Mandela. Porque é importante lembrá-lo como ele foi, não como queremos ou nos convém que ele tivesse sido.


Há quem queira fazer de Mandela um santo impoluto, branqueando propositadamente o seu passado de combatente e caudilho na luta armada do ANC. Há quem queira, pelo contrário, apontar-lhe esse mesmo passado como uma mancha indelével no curriculum pessoal. É demasiadamente tentador e fácil usar uma figura emblemática desta dimensão para instrumentalizações, polémicas e barricadas partidárias, como aliás se tem visto, mas poucos parecem preocupados em fazer-lhe verdadeira justiça: é que a grande, a enorme, a incomensurável diferença que há entre Mandela e o comum dos mortais é justamente o facto de, tendo ele sido um homem entregue a uma causa até às suas últimas consequências, tendo ele sido um guerreiro, tendo sido injustiçado, perseguido, temido, tendo sido um preso político a quem a prisão roubou quase trinta dos melhores anos de vida, e tendo ele plena consciência da sua condição de líder nato, capaz de arrastar multidões para onde quisesse levá-las, mesmo assim teve a rara capacidade de renunciar ao ódio, dando um exemplo raríssimo de dignidade, coragem, sabedoria e qualidade humana. Tudo isto sem abdicar das suas convicções e do seu propósito de vida, porque não deixou de fazer a revolução que se impunha mas escolhendo a via pacífica, embora firme.


O que faz dele um ser especial é ter saído da prisão sem sinais de sede de vingança ou sede de poder, quando o contrário teria sido expectável e mais do que compreensível. A grande lição de Nelson Mandela é a da sublimação pessoal, uma elevação que está, afinal, ao alcance de todos nós.

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