Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




A prova do Crato II.

por Luís Menezes Leitão, em 02.12.13

 

Isto não tem nome. Depois de ter feito uma prova ridícula, a encher de vergonha qualquer Ministro de Educação que se preze, Nuno Crato faz um acordo com a UGT, onde exclui da prova no próprio dia do fim do prazo todos os docentes com mais de cinco anos de experiência. O acordo é uma vergonha, quer para o Governo, que recua em toda a linha, quer para a UGT, que aceita uma prova que é ridícula para quaisquer docentes, tenham eles cinco anos ou cinco dias de experiência. Tenho um palpite que, com este acordo, o Governo fez foi um grande favor à CGTP, que assiste ao abate de dois coelhos com uma só cajadada, manipulada pelos próprios: descredibilizaram-se simultaneamente o Ministério da Educação e a UGT, que bem podem limpar as mãos à parede depois deste acordo. De facto, isto só para rir. Ah, e não me venham dizer que é mais um episódio da longa marcha do Mao. Isto não é Mao, é péssimo. Crato não é o Grande Timoneiro. Na verdade, não passa de um tigre de papel.


11 comentários

Imagem de perfil

De Ana Vidal a 02.12.2013 às 20:39

A montanha pariu um (C)rato. Ridículo.
Sem imagem de perfil

De Carlos Duarte a 02.12.2013 às 21:12

Caro Luís,

Desculpe, mas discordo. Sim, o conteúdo da prova é ridículo, mas mais ridícula era a ideia de que professores com anos e anos de experiência deveriam "solicitar" acesso aos concursos de acesso ao ensino público. Se o ME, no seguimento disto, ganhar um pouco mais de senso e retirar os 20 euros para exame, dou-me por satisfeito na forma. Falta depois o conteúdo das provas que, como disse, é ridículo.

No fundo, e se me permite a tangente, a ideia não é má (uma prova de acesso) dada a multiplicidade de candidatos oriundos de uma diversidade de universidades e cursos, nem todos comparáveis ou compatíveis. É preciso não perder de vista que professor é quem dá ou deu aulas (i.e. tem experiência na leccionação), não quem acabou uma licenciatura "via ensino" ou outra qualquer. Esses são, apenas, licenciados.
Sem imagem de perfil

De Catarina a 03.12.2013 às 01:06

Então fique a saber que desde há muitos anos, mesmo muitos anos, só entram no ensino, professores profissionalizados ou seja: ninguém dá aulas sem estágio feito e só entra no ensino quem tem licenciatura via ensino, a qual inclui estágio.
Sem imagem de perfil

De Carlos Duarte a 03.12.2013 às 09:08

Cara Catarina,

Se reparar no meu comentário incluí o "via ensino" (que, e já agora, acho um disparate) pelo que implicitamente referia o estágio.

O que escrevi, mantenho: alguém com uma licenciatura (e um estágio) não é professor. É, quando muito, candidato a professor ou professor em formação. Acho perfeitamente legítimo que o ME (ou outro qualquer empregador) faça provas de acesso a candidatos (por outro lado, e repito, não concordo com as provas serem pagas ou com o conteúdo conhecido das mesmas) e, nesse sentido, uma linha de corte nos 5 anos de experiência também me parece adequado.
Sem imagem de perfil

De Catarina a 03.12.2013 às 18:30

Pela sua ordem de ideias, ninguém, mas ninguém que tira uma licenciatura com profissionalização, é um profissional para aquilo que se preparou, logo todos sem excepção, terão de fazer exames. Poupe-me e reflicta, é que pela sua lógica até hoje, todos nós corremos sérios riscos nas mãos de médicos, enfermeiros, terapeutas, engenheiros e outros......., pois todos eles estão nas mesmas circunstancias. Todo o profissional vai aprendendo ao longo da sua vida, é com a experiência que vamos evoluindo.
Sem imagem de perfil

De Carlos Duarte a 04.12.2013 às 08:44

Cara Catarina, eu sou engenheiro químico. E posso exercer a minha profissão porque sou reconhecido como tal pela minha Ordem profissional. Quando terminei o meu curso era (apenas) Licenciado em engenharia química. Para ser Engenheiro necessitei de cumprir vários requisitos:

- Ter tirado um curso acreditado pela Ordem (ou, em alternativa, efectuar um exame de acesso à profissão);

- Efectuar um estágio profissional, de um ano de duração, sobre a orientação de um membro efectivo (ou, em alternativa, apresentar currículo profissional com 3 anos de exercício em funções equivalentes à de engenheiro).

Se fosse advogado, precisa de fazer estágio e efectuar exame de acesso à Ordem. Médico, idem. Dentista, mesma coisa. Outras desconheço, mas admito situações similares (exame+estágio, com eventual dispensa de exame em caso do curso ser acreditado).

Mas, no caso dos professores, nem sequer é isto que se passa! Se a Catarina quiser dar aulas no privado, o Estado não lhe exige exame. O que se passa aqui é pura e simplesmente um exame de acesso a um concurso de recrutamento. É um empregado (o ME) que requere que todos os candidatos a vagas de professores (portanto, funcionários do ME) façam um exame de selecção.

Voltando a mim, e quando andei pelo Reino Unido, cheguei a candidatar-me a uma posição na BP (petróleos). Fui chamado a uma entrevista de selecção à qual se seguem DOIS DIAS de exames escritos e trabalhos em equipa entre os candidatos. Na altura recusei porque tinha aparecido algo mais conveniente (fui à entrevista para agradecer o convite e recusar), pelo que não fiz o processo de selecção todo. Tenho amigos que fizeram, nessa e noutras grandes empresas. E nunca passou pela cabeça de ninguém queixar-se que eles não têm direito de avaliar.

Repito o que tenho escrito: acho muito mal os 20 euros para a realização da prova (acho imoral, aliás) e, até ao último recuo do ME, achava ridícula a prova ser universal, ignorando serviço já prestado. Pessoalmente, não concordo com o conteúdo da prova. Mas aceito em absoluto o direito do ME de efectuar a referida prova.
Sem imagem de perfil

De Catarina a 04.12.2013 às 19:33

Caro Carlos Duarte: Se não percebe todo o percurso de formação dum professor não fale porque erra. Conheço engenheiros que trabalham sem nunca terem feio qualquer exame para acederem ao mundo do trabalho. Quanto tempo tem um engenheiro de estágio? Um advogado quando tira a sua licenciatura não teve uma única experiência na barra do tribunal e se alguém lhe devia dar a preparação seria a faculdade e não a ordem. Quem são as ordens para avaliarem os conhecimentos de alguém? Colegas de profissão eleitos pelos próprios colegas.... Um professor que lecciona o primeiro ciclo passa toda a sua formação em estágio e tem uma disciplina fundamental que é pedagogia, os outros têm um ano intensivo de estágio, onde todos os dias são observados pelo professor da turma e uma vez por semana pelo professor da faculdade e estão a ser avaliados constantemente. Se o estado está a querer excluir-se desta formação, então tudo vai muito mal neste país. O ME tem de inspeccionar as entidades formadores porque são essas a quem compete formar o melhor possível os seus formandos. Tal como o senhor duvida da formação dos professores, também eu terei o direito de duvidar de todos os cursos e é muito mau quando vamos por esse caminho que é por onde eu não quero ir.
Imagem de perfil

De José Manuel Faria a 02.12.2013 às 22:42

Excelente post. A FNE/UGT suicidou-se e perderá milhares de sócios.
Sem imagem de perfil

De Ana Teresa a 03.12.2013 às 01:22

Este ministro é uma nódoa e a UGT, usou de mau carácter. Sem mais nem menos, a UGT faz uma negociata sobre exames, com o ministro e esquecem a outra central sindical CGTP. Isto, não são atitudes de pessoas de bem e é por estas e por outras que nos encontramos num estado de paralisia governamental e de corrupção à vista desarmada. Que integridade tem o senhor Crato, para avaliar os seus alunos, enquanto professor?
Imagem de perfil

De cristof a 03.12.2013 às 10:12

Sr.Dr. Cratocom esta prova facilitista e parece que ridicula entra pelo mesmo caminho que nos trouxe a tão maus resultados da escola publica. Comtemporizar de exigencia em exigencia ate se tornar uma imitação, e comisso o papel de Ministro que parecia bem apetrechado para desempenhar acaba numa mau negociador sindical. É uma pena pois parecia que desta iamos voltar a ter escola publica.
Sem imagem de perfil

De Romão a 05.12.2013 às 23:35

Concordo com a ideia de "avaliar os candidatos a professores" antes de o serem efectivamente.
Quando me licenciei em engenharia,já lá vão uns, tive de me inscrever na OE. Por sorte o meu curso era " creditado" e dispensei algumas formalidades. Lembro-me que havia rapaziada revoltada porque os cursos "não eram creditados pela OE" ou estavam em "processo de creditação" e tinham de fazer um exame de acesso á ordem (ou coisa parecida). Aquilo era complicado de perceber, pois as Universidades tinham de cumprir uma data de critérios para que a OE reconhecesse os cursos (não sei que critérios eram). Depois disso havia um estagio com um orientador engenheiro e inscrito na OE. A seguir lá vinha o direito a ser "engenheiro". Acho que hoje o processo é parecido.

Não me custa aceitar que os professores façam uma "coisa" semelhante no acesso á profissão, acho uma violência sujeitar profissionais com anos de experiência ao mesmo. Por isso considero uma boa ideia, mal executada pela inepcia do Sr. Ministro que teima em não-dar-uma-para-a-caixa.

Comentar post



O nosso livro



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.




Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D