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Convicção profunda

por Pedro Correia, em 01.12.13

 

«A pátria, em momentos difíceis, descobre-se que existe.»

Vergílio Ferreira, Conta Corrente, 2 (1º de Dezembro de 1978)

 

Voltaremos a celebrar o 1º de Dezembro (com nome de mês maiúsculo) como feriado nacional. Tal como o 5 de Outubro, aliás. Porque a identidade dos povos impõe a evocação cíclica de símbolos que se perpetuam através da rotação das gerações. E é feita de datas inapagáveis, que não se vergam ao sabor episódico das circunstâncias. E também porque as nações podem sofrer inúmeros dissabores, mas não mudam de pele.

 

Quadro: Aclamação de D. João IV, de Veloso Salgado


18 comentários

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De IsabelPS a 01.12.2013 às 09:54

A minha bête noire é o 1 de Novembro. Uma celebração antiquiquíssima, ainda anterior ao cristianismo. E basta estar atento e ouvir as pessoas: "fui à terra nos finados visitar a campa do meu falecido pai, etc, etc". Mas ninguém presta atenção.
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De Pedro Correia a 01.12.2013 às 10:11

Estou de acordo, Isabel. Mas tratando-se de um "dia santo", como o povo português o denomina há séculos, não compete ao Estado ser mais papista que o Papa após a Igreja Católica ter declarado expressamente não ver qualquer objecção à supressão deste feriado religioso. Supressão temporária, segundo o entendimento da Santa Sé.
Diferente é o próprio Governo - através do Ministério da Economia, o que constitui algo ainda mais extraordinário e lamentável - decretar o fim da celebração de feriados que celebram marcos da nossa identidade enquanto nação constituída em Estado. Como se uma data indissociável da soberania nacional, como é o 1º de Dezembro, fosse revogável por uma alínea do Código do Trabalho.
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De IsabelPS a 01.12.2013 às 11:02

Grunhos.
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De Pedro Correia a 01.12.2013 às 14:11

Como refiro no postal, Isabel, tenho uma profunda convicção de que estes feriados voltarão a ser repostos. O que me intriga - e não é só de agora, pois publiquei este mesmo texto aqui faz hoje um ano - é para que serviu isto. E com base em que "critérios de produtividade" (nunca divulgados) uma medida destas se tomou. De forma burocrática, como quem assina um ofício qualquer, pretende-se apagar a história e o que dela devemos celebrar.
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De Fernando Torres a 01.12.2013 às 10:52

Caro Pedro,
Dois factos distintos, duas datas distintas, mas tendo como elo de ligação o primeiro de Dezembro.
Se para o nosso país, o 1 de Dezembro de 1640, não é merecedor de feriado nacional, noutra escala, mas ainda dentro do mesmo país, numa Vila de Portugal, que se chama Pereira, 500 anos de Foral, também não merecem mais que uma pequena nota numa página de facebook:

https://www.facebook.com/jfviladepereira.eu?fref=ts

Quanto ao texto, no blogue abaixo, só peca por ser tão doce!

http://montesdecima.blogspot.pt/2013/12/foi-ha-precisamente-500-anos.html

Afinal há sentimos que se partilham à distância de um código de binário, que o novo século agilizou e de que maneira!
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De Pedro Correia a 01.12.2013 às 14:07

Obrigado pela partilha, caro Fernando. Se há coisa que aprecio é a diversificação de leituras. E um blogue deve servir também para isso: alargar-nos os horizontes. Nunca é de mais.
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De jo a 01.12.2013 às 11:42

Para um governo que diz que a soberania - está entregue a outros - e se compraz com isso, o 1º de Dezembro não faz muito sentido.
Qual é o dia da Troika?
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De Pedro Correia a 01.12.2013 às 14:03

Espero que o dia da troika seja 30 de Junho de 2014. O dia em que se vai embora - o mais tardar.
Que vá e não volte.
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De Vento a 01.12.2013 às 12:31

Pedro,

a noite passada foi cá uma amargura! Veja bem que dormia eu o sono dos anjinhos quando me aparece no quarto, voluptuosamente, a padeira de Aljubarrota.
Sentei-me na cama e, lavando a mão ao peito, digo:
Ai que susto, padeirinha!
Que quer de mim vosmicê!?
- estou aqui porque me sinto vazia e despojada.

Obeservei-a muito bem, vi que não trazia touca nem pá, e pensei para comigo que a rapariga estava aí para umas fornadas.
Pronto, lá me empenhei em meter a pá e tirar a pá, meter a pá e tirar a pá... para encaminhar de volta a alminha.
Qual não foi o meu espanto quando, concluindo eu o trabalho árduo, me pede para uma fornada extra.

Não me contive e tive de dizer-lhe umas quantas:
Ó padeirinha, a menina anda muito neoliberal e viciada nestas coisas de lixar o povo. Você não respeita as horas de trabalho e descanso de um desgraçado! Vá-se daqui ou atiro-lhe com água benta para cima!

Pronto, e estou aqui eu em recuperação. É que estas padeiras que se apresentam como almas penadas só aí estão para nos...
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De Pedro Correia a 01.12.2013 às 14:06

Prova evidente, caro Vento, de que também para si o 1º de Dezembro deixou de ser feriado.
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De amendes a 01.12.2013 às 15:13

O Primeiro de Dezembro ( parte)


..."A invasão do duque de Alba no território português não foi somente um facto da política filipina nem uma erupção abrupta do militarismo castelhano.

Não, queridos compatriotas: nós não fomos dramaticamente surpreendidos pelo despotismo da força, como por tantas vezes vos tem sido encarecidamente declamado.

Nós fomos simplesmente vendidos pela imoralidade e pela miséria. Fomos comparados pela inteligência e pelo dinheiro!

Quereis saber quais eram as disposições patrióticas do País invadido pelos soldados do rei católico?
Ouvi!
A principiarmos pelo alto do trono, o amor à Pátria que animava o rei português era de tal modo exemplar a seus vassalos que, poucos dias depois da morte do cardeal, o embaixador de Espanha na corte de Lisboa escrevia ao soberano do seu país que mais algum tempo de vida teria levado o nosso mui alto e mui poderoso senhor a deixar definitivamente estipulada a contente de Filipe II a união da coroa com a de Castela. A infausta morte de D. Henrique implicou a politica espanhola no sentido de obrigar a comprar aquilo de que se lhe teria feito presente.

Enquanto ao Governo provisório que dirigiu os negócios públicos depois do falecimento do cardeal, esse era composto de cinco membros, quatro dos quais estavam vendidos a Castela. O ultimo comprado foi o arcebispo de Lisboa.."

ETC
Ramalho Ortigão
In Farpas
Seria elucidativo conhecer a verdadeira história da ocupação Castelhana.
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De Pedro Correia a 01.12.2013 às 16:10

Tem razão: conhecemos mal essa página da nossa história. E convém conhecê-la bem, para evitar a acumulação de erros cometidos nessa altura. Os tempos são outros, mas há coisas que nunca mudam.
Ramalho é um autor a reler. Sempre.
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De Ferrugem a 01.12.2013 às 21:58

Incomoda-me mais o fim do feriado do 1º de Dezembro que do 5 de Outubro (e nem sou monárquico). Mas também me parece que nem a uma data nem a outra se atribuia, antes dos fim dos feriados, a importância que hoje se diz.

Nas comemorações do 5 de Outrubro, então, só meia dúzia de gatos pingados ia até à Praça do Município. No meu caso, em 2007, por essa altura, apanhei das maiores enchentes que retenho na memória na ida até ao Algarve pela auto-estrada.
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De Ferrugem (adenda) a 01.12.2013 às 22:01

Não foi em 2007, mas sim em 2009.
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De Pedro Correia a 02.12.2013 às 22:03

A importância dos feriados não pode ser medida pela quantidade de pessoas que vão para a estrada ou para a praia ou ficam à lareira nesses dias.
As datas históricas de qualquer comunidade nacional fazem parte de um património histórico que nos foi legado pelas gerações precedentes. Temos o dever de transmiti-lo às gerações seguintes. Este património não pode ser desbaratado por questões de conjuntura, aliás nunca fundamentadas, ou pelo capricho de governantes de circunstância, sejam eles quem forem.
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De Ferrugem a 03.12.2013 às 08:46

Bem, se a generalidade das pessoas não lhes ligavam (sobretudo ao de 5 de Outubro), é porque não tinham lá grande importância, digo eu.
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De Ana Vidal a 02.12.2013 às 20:58

Voltaremos a comemorar este dia, tenho a certeza.
Mas revolta-me que se apague a História em nome de... nada, porque nada ganhámos com a supressão do feriado.
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De Pedro Correia a 02.12.2013 às 21:59

Em nome de nada, Ana. Dizes bem. Ainda por cima anunciando a decisão de suprimir feriados como o 5 de Outubro e o 1º de Dezembro que em 2012 e 2013 calhavam ao fim de semana, o que só reforça a estupidez das luminárias que pariram tal coisa.

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