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A crise e as oportunidades

por João André, em 29.11.13

Um dos momentos mais interessantes de cada nova discussão com colegas - oriundos de outras unidades de negócio - ou com pessoas de outras empresas alemãs é quando chega o momento de dizer que sou português. Quase todos perguntam pela situação em Portugal, lamentam as dificuldades e desejam que passem depressa. Sentimentos genuínos, sem dúvida, tal como o são quando alguém falava sobre a fome no Biafra com um bife no/do lombo.

 

Aquilo que muitas vezes se me depara é outra coisa: acabam quase todos a perguntar se será então um bom local de recrutamento de pessoas, especialmente com formação técnica.

 

De uma penada vejo um certo tipo de mentalidade: uma cristã preocupação pelo sofrimento no mundo e um muito prático aproveitamento das oportunidades geradas. Pedro Passos Coelho tinha de facto razão: a crise e o desemprego são oportunidades. Para os outros países.


8 comentários

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De cristof a 29.11.2013 às 12:31

a eficiencia e opragmatismo são as duas faces que saltam quando eu visito a Alemanha. mesmo com a moeda tão cara e a concorrencia dos emergentes e do gaz de xisto nos EUA a Alemanha entra em incumprimento porque tem um defice; perdão excedente, excessivo. Muita narrativa mostra a nossa(portuguesa) criatividade virtual e retorica. em linguagem mais explicita . paleio
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De João André a 02.12.2013 às 09:44

Do ponto de vista deles é absolutamente normal, claro. Também eu já entrei em contacto com professores portugueses para ir tntando organizar uns trabalhos finais de mestrado na empresa onde estou. Ajudaria os estudantes e ajudaria a empresa caso eles sejam bons.

Aquilo que faço no post é lamentar que a situação esteja assim.
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De Fernando Sousa a 29.11.2013 às 13:52

Certeiro. Na mouche.
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De João André a 02.12.2013 às 09:45

Infelizmente Fernando, infelizmente.
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De Vento a 29.11.2013 às 21:50

Não me choca que isso aconteça, tendo em conta a situação. Só revela que os portugueses, em matéria de formação, estão a empenhar-se mais que os seus congeneres da UE.
O que me choca verdadeiramente é embandeirar-se em arco sobre a quebra de 0,1% da taxa de desemprego ocorrida em Outubro, face ao mês anterior e comparar-se essa quebra relativamente a período homólogo do ano passado e irem buscar uma data (a de 1999) para estabelecer comparações. Nos anos noventa também houve crise, foi quando a sociedade e a economia por si mesma se reestruturou e "reformou". Lembrem-se, por exemplo, da entrada das tecnológicas em Portugal e também a subsequente queda de outras, portuguesas, que estavam no mercado. A partir de 2002/2003 o mercado da construção dava sinais fortes de abrandamento, e a economia estava e "reformar-se" por ela mesma. O crash (bolha) de 2008 foi exactamentea a bolha que revelou que as unhas já não tinham verniz.
Já aqui disse que em todas as partes onde foram implementados programas do género a que nos vemos submetidos o resultado da contracção, e após ter-se semeado a miséria, que ainda dura, foi a verificação de algum crescimento (digamos melhor, concentração da riqueza).
Mas vamos aos valores do desemprego: Eu gostaria de saber quantos foram os que deixaram de receber subsídios e quantas inscrições no IEFP foram dadas baixa por falta de comparência dos mesmos? E quantos por estarem inscritos e deixarem de receber RSI deixaram as listas de desempregados?
Quando eu vir estes dados, para não falar de outros, divulgados acreditarei na retoma da economia.

Já agora:
http://expresso.sapo.pt/muitos-desempregados-recusam-recorrer-ao-rsi=f780755

http://economico.sapo.pt/noticias/portugal-regista-terceira-maior-queda-na-producao-industrial_177016.html

http://economico.sapo.pt/noticias/subsidio-de-desemprego-volta-a-sofrer-alteracoes_151606.html

http://economico.sapo.pt/noticias/numero-de-beneficiarios-do-rsi-caiu-11_162554.html

http://economico.sapo.pt/noticias/57-dos-desempregados-nao-recebem-subsidio_162559.html

http://economico.sapo.pt/noticias/mais-de-18-mil-beneficiarios-perderam-direito-ao-rsi_179269.html

Sobre este último link, eu gostaria de perguntar que tipo de contracto celebram e a resposta que o estado e as instituições que com o estado eventualmente colaborem dão no sentido de reinserirem os que supõe estar desinseridos. Que tipo de acompanhamento e o que verdadeiramente lhes apresentam e oferecem (cursos de formação?, de quê e quanto tempo de formação?, busca activa de emprego? quem lhes apresenta as soluções e ofertas de emprego?, e que critérios usam sobre os conhecimentos do "contratualizado" para seleccionar as ofertas de emprego a propôr?)?
Mais ainda, qual o valor que eventualmente o estado gastará, per capita de "reinseridos", com as instituições que supostamente os acompanhem, e quais as instituições? Quanto se gasta em cursos de formação e que tipo de formação recebem?
Comparativamente gostaria, se possível, que me dissessem quanto recebe em média um "reinserido" e quanto recebe(m) a(s) instituições por cada reinserido?
Só pretendo saber se o valor "facial" lhes tira a fome" e se o eventual dinheiro pago a instituições, que eventualmente não insiram por falta de condições gerais para o efeito, não deveria ser dado ao "reinserido" para eventuais pagamentos de alimentos, água, gás, aquecimento e etc. sem que tenham de ser obrigados a esmolar. Actualmente, qual o perfil de "reinseridos" (desempregados da classe média? trabalhadores independentes? empresários em nome individual? tipo de formação e nível de ensino?, outros...)?
Por último, qual o plano de saúde dentária que esses reinseridos recebem do estado?

Gostaria de saber que sectores estão a empregar para justificar essas ditas baixas e quantos efectivamente empregaram?
Qualquer contribuinte deseja saber isto. Quando me responderem a tudo isto eu deixarei de ser incrédulo.
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De João André a 02.12.2013 às 09:51

São todas elas boas perguntas caro Vento, também eu gostaria de as ver respondidos, mas bem podemos esperar sentados, que as respostas nunca chegarão (pelo menos de forma séria).

O que eu gostaria de ver era a discrepância entre os seguintes números de pessoas entre os 25 e os 50 anos de idade (para excluir a maior parte dos estudantes universitários e dos óbitos):
- resgistados nos sensos como vivendo em Portugal;
- registados nos cadernos eleitorais;
- registados como trabalhando ou desempregados.

Estou convencido que veríamos aqui algumas discrepâncias engraçadas.
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De Isabel a 30.11.2013 às 01:30

Nada melhor que uma crise, para enriquecer os oportunistas que se aproveitam da dita para explorar o próximo. É nestas alturas que se esmagam aqueles que mendigam um trabalho, um emprego, ou algo que lhes dê um pouco daquilo que sonharam um dia, mas que não foi além do sonho. Nada melhor que uma crise para encher os bolsos dos vazios de carácter e gananciosos. Estamos a construir uma sociedade podre, a excluir aqueles que não lhes interessam porque são rectos e sérios e a exportar aqueles que formámos, para os importadores utilizarem como uma mais valia. Estamos a construir que país? Uma China que antes eram uns papões e algo terrífico e agora são exemplo a seguir? É isto que queremos? Se é isto vamos de mal a pior!!!!!!...........
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De João André a 02.12.2013 às 09:47

Qualquer crise, seja de que tipo for, é uma oportunidade tremenda para os menos escrupulosos. Sempre assim foi, sempre assim será, é pura e simplesmente natureza humana.

Aquilo que é de lamentar é, de facto, que a isso se tenha chegado. Não digo no lado da criação da crise, mas da forma como com ela se vai lidando.

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