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Mau Maria

por Teresa Ribeiro, em 26.11.13

Não é por acaso que o culto mariano tem um papel fulcral na liturgia católica. A tolerante Virgem Maria toda ela doçura e perdão sempre me pareceu a intermediária ideal numa religião que caminhou na História ao lado do poder temporal. Jesus, ao invés, é incómodo. Não por acaso há quem lhe chame, por provocação, "o primeiro comunista da História". Francisco, que os sectores mais conservadores da Igreja acusam de populismo, pauperismo e demagogia tem fundamentado os seus discursos reformistas na mensagem de Cristo que consta dos evangelhos. Mas para algumas criaturas de Deus invocar a cada passo a fonte doutrinária de uma religião que tem raiz revolucionária é inquietante. Da mensagem essencial habituaram-se a apreciar a música, não necessariamente a letra, pois que esta, na sua génese como agora, se destina a pôr em causa o status quo.

Estes estetas de alma conservadora, capazes de matar pelo direito à vida, odeiam quando o discurso papal resvala para a qualidade de vida.

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26 comentários

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De Carlos Duarte a 26.11.2013 às 16:49

Tenho de ler o documento na totalidade (em espanhol demora sempre mais um pouco), mas a parte referente ao dinheiro e ao mercado vai causar certamente muita indigestão a "liberais absolutistas" do mercado...
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De Teresa Ribeiro a 26.11.2013 às 22:15

Já andam por aí textos cheios de azia
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De Vento a 26.11.2013 às 21:37

Eu sempre pensei que o cristianismo, universalmente, estava a precisar de um líder que soubesse o que queria no que respeita à sua adesão a Jesus.

Na realidade a posição de Francisco já se tinha desenhado na tão desconhecida reunião de Aparecida com os bispos da América Latina e Caribe, que se realizou em 2007.

O Presidente da Comissão de Redacção do documento final de Aparecida, o então arcebispo de Buenos Aires, cardeal Bergoglio (hoje Papa Francisco), assina também a sentença:
"O que nos identifica não são as circunstâncias dramáticas da vida, nem os desafios da sociedade, e nem mesmo as actividades que devemos empreender, mas sim o Amor recebido do Pai, graças a Jesus Cristo, pela unção do Espírito Santo" (14).

Mas mais ainda, o ponto de partida da reunião de Aparecida não se centra na análise social (isto fica para uma intervenção diária - esta nota é minha), mas a fé de um povo constituído em grande maioria por pobres, FAZENDO USO DO MÉTODO "ver, julgar e agir", «com os olhos e os corações dos discípulos missionários».

"Este método (ver, julgar e agir) implica a contemplação de Deus com os olhos da fé, através da Sua palavra revelada e do contacto vivificante com os sacramentos, de forma que na vida quotidiana possamos ver a realidade que nos circunda à luz da Sua providência, jugá-la segundo JESUS CRISTO, Caminho, Verdade e Vida, e agir na Igreja (que se designou por Povo de Deus de acordo com o concílio Vaticano II - esta nota é minha), Corpo Místico de Cristo e sacramento Universal de Salvação para a difusão do Reino de Deus, QUE SE SEMEIA NESTA TERRA e dá fruto completo no CÉU" (19).

Pois bem, uma pequena nota agora sobre o Evangelho. Evangelho significa Boa Nova. Mas esta Boa Nova não é somente uma notícia. Como disse Bento XVI, e bem, esta notícia não é meramente "informativa", ela é "performativa".
Logo, acrescentando, «o Evangelho não é uma mera comunicação de realidades que se podem saber, mas uma comunicação que gera FACTOS e MUDA a VIDA».

De maneira que, Teresa, o Evangelho não é a raíz de uma religião revolucionária, como afirma, mas uma notícia "evolucionária" (permita o uso desta expressão) com condimentos marcantes para uma acção "performativa" que tem sempre de se iniciar naquele(a) que a transporta.

De maneira que a posição de quem a transporta procure testemunhar o que ELE realiza na sua própria vida e seja capaz de discernir que o estar em Igreja (Povo de Deus e Corpo Místico de Cristo) deva assentar sua actuação em três (3) pilares: O anúncio, a denúncia e o acolhimento.

Posto isto, sem dúvida que o Evangelho nas mãos dos cristãos, em regra, perdeu a sua virilidade, porque «o reino de Deus é dos violentos», isto é, daqueles que são capazes de aplicar em si mesmo, contrariando suas tendências com o auxílio do Espírito, essa verdadeira Novidade (Boa Nova).

Por último, Teresa, vejo que continua perturbada com Maria, e esquece que o centro da Liturgia (a da Palavra e a Eucarística) é Jesus Cristo, a Palavra Revelada.
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De Teresa Ribeiro a 26.11.2013 às 22:13

Então uma religião monoteísta que irrompe num mundo pagão não é revolucionária?
Maria não me perturba, Vento. Penso só que tem, na iconografia católica, um protagonismo que carece de fundamentação bíblica.
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De Vento a 26.11.2013 às 22:36

Não, é errado o seu raciocínio. Não há revolução no modo que apresentou e no tempo em que a apresentou. O conceito de paganismo apresenta-se como total ausência de religião, e esta existia e sempre existiu em todas as comunidades em todos os tempos.
A questão prende-se com outras vertentes da Notícia, uma Notícia que, lembro-lhe, foi rejeitada numa comunidade monoteísta, os judeus.
Maria não é um ícone católico, é uma presença no cristianismo. O que poderá querer dizer é que a impoprtância que lhe vota é diferente da dos católicos e dos ortodoxos, mas isto não significa que a verdade seja sua.
Já aqui afirmei que Maria, no catolicismo e não só, é uma realidade que advém também dos evangelhos apócrifos (e não só do livro do apocalipse), e cimenta-se na história do catolicismo, também (não esquecer a importância que muitos islâmicos atribuem a Maria e até mesmo em peregrinações feitas por alguns), por eventos que não lhe são certamente estranhos. Como vê nem tudo o que se diz sobre a rejeição por parte do catolicismo no que respeita aos evangelhos apócrifos é verdadeiro.
E a Teresa misturou aí Liturgia com devoção. Desculpe este reparo, há matérias cujas palavras devem ser bem ponderadas dado a função pedagógica que se teve ter sobre as mesmas.
Uma coisa é a percepção do facto outra coisa é o facto em si.
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De Teresa Ribeiro a 26.11.2013 às 23:34

O conceito de paganismo aparece associado ao politeísmo, não à "total ausência de religião". Não confundi liturgia com devoção, Vento. Liturgia significa "celebração religiosa", expressão adequada para designar o culto mariano.
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De Vento a 26.11.2013 às 23:44

Teresa,
a palavra liturgia, do grego λειτουργία significa serviço ou trabalho público. E a liturgia, no catolicismo, divide-se em duas partes:
- a da Palavra
- e Eucarística.

O paganismo disse eu, está associado, comumente, a total ausência de religião e de crença, e é verdade que existem comunidades politeístas (não neguei nem pretendi negar este facto). Mas há também os animistas, e aqui não existe politeísmo.
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De Teresa Ribeiro a 27.11.2013 às 13:31

Caro Vento, lamento mas não é o recurso à raiz da palavra "liturgia" que vai desmentir o que acima afirmei. Liturgia - veja no dicionário - define-se como "celebração religiosa".
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De Vento a 27.11.2013 às 14:01

Mais uma vez está fora do contexto, Teresa,

porque na realidade a liturgia é um serviço: o serviço da palavra (divulgação) e o serviço da redenção e comunhão (eucaristia), Não exite em parte alguma uma liturgia Mariana.
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De Tovar a 27.11.2013 às 17:36

"O paganismo disse eu, está associado, comumente, a total ausência de religião e de crença"

Está totalmente errado. Nem doutrinariamente, nem "comumente", o que quer que seja que entenda por isso. Paganismo não é, nunca foi, total ausência de religião e de crença. Foi sempre assim que os cristão designaram os povos politeistas, os adoradores de idolos, ligados à natureza ou outros, pelo menos desde o Édito de Milão de 313.
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De Vento a 28.11.2013 às 16:13

É você que o diz:

"pelo menos desde o Édito de Milão de 313". Para a próxima pense antes de escrever.

Já agora:
https://pt.wiktionary.org/wiki/comumente

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De Vento a 28.11.2013 às 16:25

É também falso o que revela sobre o facto dos cristãos terem designado assim os povos politeístas. Revela que desconhece em absoluto a tradição judaica e toda a realidade bíblica que ocorre com Abraão, desde Ur na Caldeia, até ao encontro com Melquisedec. Mas não é por aí que pretendo ir.

Pagãos, na tradição judaica (na tradição judaica), eram considerados todos quanto não acreditavam no Deus de Israel (os sem Deus) e não seguiam as práticas de Israel. Razão pela qual a grande rivalidade entre samaritanos, que até acreditavam no Deus de Israel, e eram também judeus (ainda que num braço da tradição judaica fossem considerados judeus os nascidos de mulher judia mas não de pai judeu e mulher não judia), e judeus.
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De xico a 27.11.2013 às 09:16

Teresa Ribeiro,
O Papa Francisco, ao contrário do que se pretende fazer crer, não disse nenhuma novidade. Já Bento XVI tinha dito e redito o mesmo.
Pode ler no mesmo público, o que Bento XVI disse do capitalismo, do emprego e da qualidade de vida.
http://www.publico.pt/mundo/noticia/papa-denuncia-capitalismo-desregrado-como-uma-ameaca-a-paz-1579135
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De Teresa Ribeiro a 27.11.2013 às 13:21

Verdade, mas o Papa Francisco ao contrário do seu antecessor tem-se preocupado em passar das palavras aos actos, ainda que simbólicos e isso faz toda a diferença.
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De Ana Vidal a 27.11.2013 às 13:02

O Papa Francisco está a tornar-se demasiado incómodo, isso é evidente. Ainda bem, digo eu.

Quanto à figura de Maria e ao seu significado acho que ela não anula a força revolucionária da mensagem de Jesus, apenas a tempera com alguma serenidade, um ingrediente quase sempre essencial ao exercício da justiça.

Religiões monoteístas? Quais? Não me parece que exista alguma que seja verdadeiramente monoteísta. É da condição humana procurar interlocutores mais próximos que possam ser intermediários em relação a uma entidade abstracta, mais distante e muito mais abrangente. Os católicos também têm os seus "deuses menores", cada um especializado numa área muito concreta de intervenção: os santos. Em que é que isto difere do politeísmo propriamente dito, com deuses para as tempestades, as colheitas, as relações amorosas, a guerra, as viagens, etc? É tudo uma questão de nomenclatura, por muito que isto choque alguns.

(e pronto, caro Vento, aqui tem uma provocação para mais um longo e bem documentado comentário dos seus... :-)
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De Teresa Ribeiro a 27.11.2013 às 13:12

Eheheh! Mas que católica tão politicamente incorrecta me saíste tu, Ana. Gostei. As raízes pagãs do culto católico aos santos são evidentes (e nele incluo o culto mariano), mas poucos católicos o admitem.
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De Ana Vidal a 27.11.2013 às 13:52

Teresa, eu sinto-me quase sempre muito pouco católica. Sei que sou cristã, disso tenho a certeza. E também sei que este Papa está a devolver-me aos poucos a fé, não eu Deus - porque nunca a perdi por completo - mas na Igreja Católica como instituição.
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De Vento a 27.11.2013 às 14:17

Aninha,

fé vem da palavra fidelidade. E esta fidelidade consiste na certeza do fiél de que Deus é fiél ao compromisso, e que isso mesmo nos impele a superar o vazio deixando-nos preencher por essa realidade que nos habita.

Assim mesmo, a fé é indissociável da Esperança, que consiste na certeza de que mesmo percorrendo um caminho difícil alcançamos uma meta concreta.

Todavia o problema reside nesta formula: "In hihil ab nihilo quam cito recidimus", isto é, "No nada, do nada, quão cedo recaímos".
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De Ana Vidal a 27.11.2013 às 14:44

Tranquiliza-me sempre que me apresenta certezas sobre temas em que só tenho dúvidas. Acredite que não estou a ser irónica ao dizer isto, caro Vento, é mesmo o que sinto. Numa coisa estamos em absoluta sintonia: foi sempre a Esperança, de que nunca abdiquei nem abdico, a minha arma secreta contra o definitivo abandono da Fé.
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De Vento a 27.11.2013 às 15:20

Por favor, leia "in nihil" e não in hihil.

Minha amiga, a Esperança também consiste em acreditar nas realidads que não se vêem. Despojados das limitações dos sentidos, e orando sempre pelo auxílio, muita coisa é superada. E só se pode saber isto depois de percorrido o caminho.

A oração tem vários sentidos: petição e louvor (agradecimento, nas memórias, pelas graças concedidas). Um dia, lendo um guru dos ensinamentos cristãos, apercebi-me que a primeira coisa que devemos pedir na oração é algo tão simples quanto isto:

Senhor, sabendo agora o quanto entorpecidos nos encontramos na mente e no coração, por favor, mostra-me o meu pecado (errar o alvo), depois, dá-me a graça do arrependimento e, seguidamente, fortalece-me com o auxílio do Espírito para que não os volte a repetir.
Nesta pequena fórmula, Aninha, encontrará o sentido da afirmação: "A verdade vos libertará". Só que é necessário conhecê-la (à verdade) para que a libertação ocorra.
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De Ana Vidal a 27.11.2013 às 14:39

não "em" Deus, era o que queria dizer.
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De Vento a 27.11.2013 às 13:38

Caríssima Aninha,

não pode usar o conceito que atribui aos seus valores religiosos para o generalizar. Seria necessário rebuscar a memória para compreender o sentido e significado de santos e fiéis.

Contudo, permita-me citar-lhe uma vez mais Cipriano: "O que o homem é Cristo quis ser, para que o homem pudesse ser o que Cristo é" (in os homens não são deuses).
Para que não fiquemos por palavras recomendo que consulte o sermão da montanha, onde Jesus afirma: "Vos estis sal terrae...", "vós sois sal da terra e luz do mundo".

Eu sei, Aninha, que o problema coloca-se no seguinte dilema: Ou é o sal que não salga ou é a terra que não se deixa salgar. Por isto mesmo, Aninha, um santo douto e sensível quanto o foi o nosso António, para deixar a marca da fidelidade e santidade, pregou aos peixes, os únicos capazes de o entender.
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De Ana Vidal a 27.11.2013 às 14:36

Meu amigo ventoso, não é o conceito que atribuo aos meus valores religiosos que me faz generalizar, é o conhecimento (pouco, mas já algum) que fui adquirindo da natureza humana e das suas fragilidades. A identificação de Cristo com o homem comum (e vice-versa) não nos chega, parece-nos uma coisa longínqua dois mil anos depois de Ele ser uma presença palpável. Procurarmos intermediários mais humanos - e por isso mesmo, mais próximos de nós - é tão natural como compreensível. Se o que o que lhe parece mal é que eu lhes chame "deuses menores", eu admito que o não sejam formalmente na hierarquia da Igreja mas é essa a forma como os vemos na prática, ao usar cada um como intermediário para um fim específico e ao atribuir-lhes "departamentos". (uso todas estas aspas para não chocar mais ninguém)
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De Vento a 27.11.2013 às 15:02

Aninha,

é você que insiste na questão da igreja católica. Eu não estou aqui a defender uma instituição e a negar isso mesmo que a Aninha refere: "(...) é o conhecimento (pouco, mas já algum) que fui adquirindo da natureza humana e das suas fragilidades".
É a Aninha que reconhece as nossas, repito nossas (de todos nós) fragilidades. Se eu me entendo detentor dessas mesmas fragilidades como não as posso reconhecer nos outros? O problema é esse, é que estamos sempre a imputar ao(s) outro(s) a causa da nossa fragilidade, e, como crianças, entendemos que o(s) outro(s) deve(m) percorrer os nossos caminhos.
Tudo isto para dizer-lhe que o depósito da fé reside no íntimo de cada ser, e quando muito a responsabilidade primeira passa por alguém nos indicar que esse tesouro reside em cada um de nós, e, já crescidinhos, devemos estar dispostos, custe o que custar, com o auxílio do Espírito, a irmos em busca desse tesouro: dentro ou fora de uma qualquer instituição. Sabendo que as quedas estão aí para nos levantarmos e sacudirmos a poeira de nossas vestes para seguirmos o Caminho, com Seu auxílio.
E se depois deste trajecto percorrido entendermos que devemos estacionar numa instituição, então, que assim o façamos.
Eu não atribuo nenhuma, absolutamente nenhuma, importância à hierarquia da Igreja, porque a primeira hierarquia é a minha consciência. De outra forma entendo que a Igreja, através dos seus consagrados (mesmo os frágeis ou fragilizados), possuem um atributo próprio na administração dos sacramentos. Mas isto aceita quem quiser aceitar. Existem carismas em todas as instituições, mas só os entendo como verdadeiros desde que apontem para um caminho de Unidade e do Bem Supremo.

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