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Comparações

por Sérgio de Almeida Correia, em 19.11.13

Um empresário de "sucesso" da hotelaria deu uma conferência promovida pela Microsoft Portugal para uma plateia de cem directores de escolas. Não estive lá, e duvido que se estivesse em Portugal lá pudesse ir. Mas os jornais para alguma coisa servem e, graças a eles, e à Internet, já agora, fiquei a saber que o referido empresário considera que gerir uma escola ou uma universidade é praticamente o mesmo que gerir um hotel. E exemplifica: "Vocês também têm clientes, os alunos são os vossos hóspedes, e têm de tratar deles. São donos de casa como eu, servem refeições na cantina como eu sirvo no restaurante, têm de assegurar a limpeza, a segurança". E continuou referindo que "vocês são empresários como eu. Gerem uma empresa sem fins lucrativos". (DE, 18/11/2013)

Não sei se alguém saiu da conferência antes do final. Ou se todos manifestaram concordância com o sentido do que foi dito.

Descontando o "vocês", típico de alguns meios e fruto de modismos recorrentes, foi este tipo de discurso que conduziu Portugal ao patamar miserabilista em que se encontra. Esta mentalidade simplificadora de cariz económico, que equipara escolas a hotéis, é a mesma que, certamente, tem equiparado hospitais e urgências hospitalares a casas de massagens, onde o valor/hora e o custo por cama devem ser avaliados em minutos e facturados em consonância. Ou que transformou escritórios de advogados numa espécie de sociedades anónimas onde se "enchem chouriços" com taxímetro à vontade do freguês, ou que fez de agências funerárias uma espécie de sociedades de exploração de estabelecimentos nocturnos, com serviço a la carte, cafés e bolinhos, enquanto se recebem as individualidades que se vêm despedir do falecido.

Quer o referido empresário queira, quer não, ainda há algumas diferenças substanciais entre escolas e hotéis. Não consta que nos hotéis os hóspedes, ou "clientes", como ele diz, sejam ensinados a ler, a escrever, a pensar ou até a comer. Desconfio que os seus "clientes" já cheguem ensinados. E também desconfio que as empresas que o dito empresário gere não sejam "sem fins lucrativos". Caso esteja enganado, então seria aconselhável que ele as transformasse em escolas, de excelência, de preferência, e sem fins lucrativos. E, já agora, que desse depois a receita a uns quantos estabelecimentos de ensino privado cujos proprietários passaram a deslocar-se em viaturas de alta gama, exploram os escolas como se fossem hotéis e ainda se permitem queixarem-se da insuficiência dos subsídios que recebem à custa dos impostos que milhões pagam e que todos os anos são desviados das escolas públicas para os sustentar.

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21 comentários

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De Carlos Duarte a 19.11.2013 às 09:22

Caro Sérgio,

Começando pelo fim, em termos de financiamento tanto faz sem pública como privada. É (e deve ser) absolutamente irrelevante desde que as condições do serviço prestado seja igual (i.e. estamos a falar de escolas privadas que NÃO cobram propinas) e o valor pago "por aluno" mais um valor base (que deve existir) seja idêntico. O problema do cheque-ensino ou o novo regime do ensino privado está exactamente em não igualizar as situações: subsidia-se os privados mas permite-se que os mesmos se regulem por regras diferentes (nomeadamente em termos de acesso à escola e possibilidade de cobrar propinas).

Quanto à questão da escola ser um negócio, é-o (e tem de ser) em parte mas é igualmente um serviço Público "puro" (i.e. ao contrário da nossa definição errada de serviços públicos, como as repartições de finanças, que são na realidade serviços do Estado, a Escola é um serviço da Sociedade, logo verdadeiramente Público). E, novamente, isto aplica-se independentemente da posse (do "dono") do estabelecimento (Estado ou Privado). Como tal, os alunos mais que clientes, são igualmente utentes. Esta dualidade resulta em que, apesar dos alunos terem o direito a reivindicar melhores condições, instalações, corpo docente, etc. (que lhes é devido pela parte "clientelar") não têm o direito de intervir na administração do ethos da instituição, a transmissão de conhecimento. Daí, e a título exemplificativo, enquanto me parece adequado que os alunos tenham representação em órgãos de gestão "corrente" da Universidade, não deveriam ter assento em órgãos pedagógicos.

Como apontou, e concordo em absoluto, o problema do ensino universitário privado advém exactamente de ver os alunos como meros clientes. E como o que os clientes querem é o "canudo", as Universidades viram-se na obrigação de o fornecer, mantendo no entanto uma "patine" de cientificidade (igualmente desejável, mas apenas a ilusão, não a realidade). As públicas, por outro lado (e apesar das melhorias), têm o problema oposto: podem apenas ver os alunos como utentes e, dessa forma, tornar-se alheias a estes (i.e. a Universidade é para existir para lá dos alunos, mesmo sem alunos), desligando-se da própria Sociedade.

A questão do lucro aqui, e para terminar, é irrelevante. Se uma escola privada, recebendo o mesmo dinheiro que uma pública para o mesmo número de alunos, apresentando os mesmo (ou melhores) resultados dá lucro, ainda bem e quem a gere está de parabéns. Se essa pessoa anda de Ferrari e passa férias em Cancun com o dinheiro que a escola lhe dá, pouco ou nada me interessa. Interessa-me mais, como contribuinte, que as escolas públicas lhe sigam o exemplo.
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De MJoão a 19.11.2013 às 20:50


Público ou privado não é irrelevante.
A educação é, felizmente por ora, um direito universal e por alguma razão o é.
A privatização do ensino que está em curso prefigura uma determinada organização que barra a ascensão social. Isso já pode ver-se prefigurado nos actuais problemas que se têm levantado na Grã-Bretanha por esse motivo.
Depois, a escola pública para ter qualidade necessita de massa crítica que saiba apontar as fragilidades, como em qualquer outro serviço e de dinheiro que está , agora, a ser desviado para os privados.
A ideia peregrina de que todos poderão frequentar o ensino privado é isso mesmo , PEREGRINA! Alguém está a ver alunos dos bairros a frequentar colégios ? Mesmo aqueles que ainda restam da classe média terão dinheiro para aqueles extras que há sempre ao fim do mês para pagar? Fardas? E serão benvindos entre as hostes frequentadoras? E sentir-se-ão bem naqueles espaços?
E o privado é mesmo, mesmo melhor ou exige muito mais trabalho em casa? Ou há disciplinas em que as notas já lá estão à partida? E os desvio entre notas de frequência e exames? E os inspectores durante os exames são visita frequente ou têm horário marcado? E já se inteirou de outros problemas de diminuição da qualidade de ensino devida à generalização dos privados , por exemplo, na Holanda ou Suécia ? E as multinacionais do ensino ?
E os exames são mesmo muito, muito bons? Atenção que , em doses equilibradas , eu não sou contra, mas tenho a certeza que não faltará muito para que esta fé reguladora dos exames nos vá trazer um sabor amargo a gente que só sabe responder padronizadamente a determinados problemas e nos falte pensamento divergente e criativo.
E por falar em direito de escolha,não terei eu direito a escolher uma escola pública para os meus filhos? E eles terão que se sujeitar à falta de aquecimento e à falta de carrinha particular de transporte , quando o colégio ao lado, pago com os meus impostos, tem?!
Convém não olhar apenas para a ponta do iceberg pois pode-se naufragar facilmente!







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De Carlos Duarte a 19.11.2013 às 21:30

Caro/a MJoão (Desculpe a ambiguidade),

Concordo que a educação é um DIREITO e que a educação pública é um DEVER do Estado (convém não confundir os dois), dentro de certas limitações (12 anos de "obrigatoriedade" é, francamente, um disparate).

Eu discordo do que chama "privatização em curso" exactamente porque a mesma não tem garantias de equidade ao não exigir que as escolas privadas financiadas se rejam pela mesmas regras (a nível de acesso e propinas) que as públicas. Mas, sendo as regras de acesso iguais (ou seja, o DIREITO de acesso igual) tanto me faz que o dever do Estado se cumpra por via directa (escolas públicas) ou indirecta (privados).

Quando refere "ascensão social" está, na realidade, a ter um deslize de pensamento que demonstra o que certos sectores sociais (a maioria da chamada "esquerda") não compreendem. A ideia de que todos podem ascender socialmente é falacioso pois, de duas uma, ou eliminamos a distinção de classes (sejam formais - largamente residuais - ou informais) - e os resultados nesse aspecto não têm sido brilhantes - ou admitimos que existirá sempre segmentação social e, se esta existe, é impossível que todos ascendam. Na realidade, o que se pode falar é de "mobilidade social" e esta deve pura e simplesmente depender de mérito. Dependendo de mérito, não é função da escola (ou qualquer outro serviço público) a sua promoção. A escola deve ser estritamente neutra no que não diz respeito à transmissão de conhecimentos aos seus alunos (i.e. para um professor, é indiferente se A ou B é de um bairro social ou da zona "chique" da cidade - o que interessa é o seu percurso de aprendizagem e os resultados das avaliações que dele fazem parte).

É engraçado ter falado em Inglaterra porque vivi lá até recentemente, pelo que conheço razoavelmente a situação. Um dos (grandes) problemas do sistema de ensino inglês passou exactamente por uma tentativa - falhada e de que maneira - de "uniformizar" o ensino, ao abolir (de facto) as Grammar Schools. O ensino nivelou por baixo em vez de por cima (i.e. a teoria, de que falei noutros posts, que misturar alunos beneficia todos é errada - a nivelação por norma ocorre por baixo) e resultou numa corrida por parte de quem podia ao ensino privado, até então reservado a uma elite social (Upper and Upper-Middle Classes) que o fazia não tanto por qualquer "excelência de ensino", mas antes por um natural desejo de auto-preservação do status quo social. Já agora, e perdoe-me saltar para o final do seu comentário, TODOS os alunos usam uniforme, sejam as escolas públicas ou privadas, em Surrey ou em Gales).

Quando me pergunta se estou a ver alunos de bairros a frequentar colégios, muito sinceramente estou. Se se sentirão bem nesse ambiente? Não sei, se calhar não, mas fora questões de agressão - seja física, verbal ou psicológica - a escola não tem nada a ver com o aluno se "sentir bem" num meio ou não. Repare que em posso inverter o seu argumento: e um aluno, de uma família de classe média-alta, sentir-se-á bem numa escola maioritariamente frequentada por alunos oriundos de um bairro social? E aí, vê problemas? É que se é para ser igual e o critério é a "adaptação ao meio", então teremos que ser igual para todos e corremos o risco de nos metermos em "engenharias sociais" (o que é uma boa distribuição? 30% classe baixa, 50% classe média e 20% classe alta?) que mais que comprovadamente não têm resultado. No que diz respeito aos extras (as fardas já falei), a sua frequência pode perfeitamente ser subsidiada pelo Estado (da mesma forma que este actualmente subsidia refeições), desde que as actividades sejam oferecidas pela Escola e tenham algum valor pedagógico ou formacional.

Quanto às notas e eventuais falsificações de exames, eu sou da firme opinião que as provas nacionais que afectem o percurso escolar dos alunos sejam feitas FORA das suas escolas e com vigilantes que não são seus docentes. Seja público ou privado. A falsificação tanto pode ocorrer no público como no privado e, com a entrada dos rankings, a tentação é similar nos dois meios. Mesmo a questão da diferença entre resultados externos e internos tem-se vindo a diluir e, se for ver os resultados este ano, não existe diferença significativa no que diz respeito à origem dos alunos nem mesmo à posição no ranking.
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De Carlos Duarte a 19.11.2013 às 21:51

(continuação)

Quanto à situação na Holanda ou na Suécia, desconheço de todo mas quando se refere a um abaixamento da qualidade de ensino, está-se a referir a um abaixamento da média (ou, vá lá, mediana) de TODO o ensino, público mais privado, ou apenas do público? É que se o primeiro caso é preocupante, o segundo não me preocupa de todo - apenas indica que o ensino público nesses países carece de uma devida reforma.

Não sei se os exames são bons ou maus, mas têm uma enorme vantagem de serem neutros. Um exame analisa (bem ou mal) o grau de conhecimento de alguém sobre algo, não julga origens sociais. Sim, quem tem dinheiro para pagar explicações aos filhos ou para os acompanhar em casa terá, em média, melhores resultados. Mas qual é a solução? Proibir as explicações? Proibir os pais de auxiliarem os filhos? E se, normalizando tudo, ainda tivermos (porque teremos) alunos com melhores resultados que outros? "Normalizamos" também? Acabamos com as avaliações tout court?

Quanto ao "pensamento divergente e criativo", muito sinceramente é o que não falta por aí (olhe, apareceu um novo e LIVRE esta semana). O que me custa é a baixa qualidade da referida divergência e criatividade - e o pensamento divergente e criativo pode ser igualmente fomentado pelos exames ao evitar perguntas directas e favorecendo as interpretativas. Algum do pensamento mais criativo que fui obrigado a ter ocorreu em cadeiras de Engenharia das Reacções (Químicas) na faculdade, onde o regente da cadeira colocava por vezes uma questão de matéria do ano seguinte (ou de outras cadeiras de anos seguintes). Outro ocorreu graças a um excelente professor de filosofia que tive no 10 ou 11º ano, onde ver num teste anotado que se chegou a Popper (sem conhecer nada do autor) a partir de uma análise sobre um texto sobre epistemologia é muito, mas muito recompensador. Quer estimular os alunos a pensarem por si? Ensine-se a ler, a criticar, a interpretar. Mas alguém que for bom nisso, será igualmente bom em exames.

Quanto a ter direito de escolher uma escola pública para os seus filhos, o problema é mesmo esse: neste momento não tem. Tente. Tente inscrever os seus filhos fora da sua zona geográfica. Não pode. Não consegue (sem recorrer às artimanhas do endereço falso para residência ou trabalho). Quem tem os filhos no privado tem essa vantagem? Com certeza. Estou de acordo que acabemos com ela - deixem os pais candidatar os filhos a uma selecção de escolas (dentro de limites da razoabilidade), com critérios OBJECTIVOS de selecção (sendo da opinião que as classificações escolares aferidas de forma neutra, como exames, tenham o maior peso).

Para finalizar, se acho bem que alunos vão para escolas no Inverno sem aquecimento ou tenham de fazer quilómetros e quilómetro a pé? Acho mal, muito mal. E se acho bem que os alunos das privadas tenham aquecimento central e carrinhas de transporte? Acho bem, e QUERO que os alunos da pública também tenham. Mas, o que me interessa comparar é uma situação específica: a escola privada é financiada pelo Estado? Se sim, nas mesmas condições e com as mesmas condicionantes que a Pública? Se não, deve ser (ou então cessa o financiamento). Se sim, então o problema está na escola pública que não sabe gerir convenientemente as suas verbas.
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De da Maia a 20.11.2013 às 03:34

De um modo geral, eu estaria de acordo com o Carlos, mas há uma razão de contas que me impede.
Não sei qual é a verba própria das escolas, mas do que sei não há dinheiro nenhum... se os Conselhos Directivos têm verba própria é mínima, para custos já programados. Julgo que nem há folga para pagar fotocópias - há professores que as custeiam do seu bolso.
Portanto, essa razão de verba zero, impede-me de ver desperdício nas Escolas Públicas... posso estar enganado. Assim, tenho dificuldade em concluir que haja mais eficácia numa Escola cuja principal despesa é o salário de professores, com outras em que a principal despesa são Ferraris, Bentleys, ou similares. O dinheiro para essas decorações tem que ser pago por alguém... e não me parece necessário ao ensino.

Onde pode haver desperdício é pelo número de docentes. Mas, como a recente reportagem da TVI mostrou, o Estado anda a pagar a escolas privadas tirando alunos às públicas. Por outro lado, isso parece contraditório com o discurso sindical do grande número de alunos por turma... se têm professores com horário zero, por que não fazem mais turmas, ou usam alguma mobilidade (não exagerada)?

Há assim, uma grande baralhação, e ao que sei todos os grandes gastos do Ministério são centralizados - nomeadamente os contratos da Parque Escolar.
Mais uma vez o centralismo - que beneficia os habituais grandes clientes.
Ou seja, não há vontade de transferir as verbas e deixar a gestão nos Conselhos Directivos das Escolas... é claro, com medo de que haja corrupção local - e assim temos a bela garantia que só haverá corrupção central.

Sobre os Exames nacionais, há várias notas a deixar:
1) Há uma avaliação que foi feita, correlacionando as médias de entrada do secundário com a performance no 1º ano da universidade. Não sei se foi feita em todas, mas vi um estudo desses. Concluía-se que os alunos vindos das privadas baixavam em média 4 valores relativamente aos do público (estou a falar de memória). Aliás isso nada me escandaliza, pois casos de alunos que entravam com média de 18 e que depois chumbavam a várias disciplinas conheci mesmo enquanto aluno. Aliás, as universidades públicas foram relaxando a exigência, pois antigamente não era estranho haver 80% de chumbos, e hoje em dia isso seria um escândalo.
2) Por que razão aparece apenas esse ranking não-oficial do Público, sabendo-se que os outros estudos existem e são mais significativos para o futuro do aluno?
3) No tempo em que os exames de acesso eram mais difíceis, e o Ministério não vivia de estatísticas, os alunos não tiravam facilmente altas notas.
Ao baixarem a fasquia, tornaram praticamente irrelevante o exame nacional... e deram peso à nota do secundário. Subitamente um aluno médio podia tirar 18 no exame nacional, e ficava quase a par do que tirava 20. Dependia mais da benevolência do professor do secundário, e no ensino público havia muito professor que simplesmente não dava 20.
4) Por que razão se insiste nos automatismos, que permitem "aprender a fazer exames nacionais"? Porque senão, talvez houvesse um descalabro de notas, o que não agradaria ao Ministro do "rigor e tangas"...

De resto, estou de acordo com tratar público e privado de forma semelhante... só que isso não acontece, por imposição do Ministério.
Depois, é esse mesmo Ministro que cortando a autonomia das Escolas, as critica como se fossem autónomas e tivessem possibilidade de ter verbas próprias ou de receber o mesmo financiamento que disponibiliza às privadas.

Em suma, vêem-se sintomas claros de extorsão organizada - a pais e contribuintes, e tudo o resto parecem-me histórias da carochinha para iludir o pagode, lixar uns e beneficiar outros.

Abraços.
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De Anónimo a 20.11.2013 às 11:02

Caro da Maia,

De acordo. Se reparar eu não disse que uma escola privada consegue gerir-se com o mesmo dinheiro que uma pública (tenho, pessoalmente, as minhas dúvidas). Apenas digo que, tem termos de política de financiamento, o importante é o mesmo ser igual e, daí para a frente, tanto me dá Ferraris como candeeiros do Siza (obviamente se der para muitos Ferraris e Siza, é sinal que se está a financiar A MAIS).

O que existe agora (e se olharmos para a escandaleira do grupo GPS) é uma distorção das regras de jogo: o Estado, ao permitir que escolas privadas recebam mais dinheiro pela via de terem MENOS alunos por turma, permite esses lucros. Obviamente que o problema aqui é o modelo ao permitir liberdade total na formulação do número de alunos por turma (há outros factores: os salários docentes são mais baixos e a "progressão" não é igual).

Refere, e bem, o problema da competição inter-escolas mas aqui caímos (eventualmente) num problema: se quisermos melhorar os resultados escolares, deveremos (na minha opinião) fomentar a competição inter-escolas, dando aos alunos hipótese de se candidatarem a uma escola de preferência em vez de ficarem apenas naquela que lhes caiu na rifa. Ora, para existir competição tem de existir mais que uma escola. Se numa cidade de média ou grande dimensão isso é fácil, como proceder em meios mais pequenos? Sinceramente, não estudei a fundo o problema e, por isso, admito que não sei mas tanto a solução de "forçar" tudo para a mesma escola (eliminando a competição) como canibalizar recursos por via da privada "aberta ao lado" me parecem más soluções. Talvez passe por definir um número mínimo de escolas por região (mais escolas mas mais pequenas)...

Nos exames, completamente de acordo. Isto vai soar algo "duro" mas as notas dos alunos devem (como muita coisa) seguir uma distribuição que se aproxime da "normal". Assim, sendo o 10 o meio da escala deve corresponder ao valor mediano do aluno 50%... ou então começa-se a passar com 8 ou 6 ou outro qualquer mínimo e "desloca-se" um pouco o corte da curva para o lado. O que não tem lógica nem pode ser é ninguém chumbar.


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De MJoão a 20.11.2013 às 18:39


Quando referi à Holanda e à Suécia é precisamente a generalização da privatização que fez baixar a qualidade geral.

Quanto à Inglaterra, sabe então que a escola pública é de tão má qualidade que não se deseja a ninguém a sua frequência, nem leccionação e , por isso, muitos dos seus professores são estrangeiros . É isso que defende para Portugal? Naquele país até já há quem proponha que os filhos de ministros a passem a frequentar para dar sinais positivos sobre o sistema público de ensino e que, de momento, estão com um enorme berbicacho com a entrada de multinacionais do ensino cujo serviço é de péssima qualidade e pelos vistos há alguma dificuldade em se desenvencilharem deles.

E quanto à tão propalada liberdade de escolha , está aparecer-me bastante limitada , devo ter direito de frequentar o privado mas o público não é escolha , não é assim?
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De Carlos Duarte a 20.11.2013 às 21:37

Cara MJoão,

Em Inglaterra, depende. Tanto há escolas públicas muito boas (o que sobra das grammar são públicas) como muito más (a maioria comprehensives). O sistema (no geral) não é fantástico e, por atacado, posso-lhe dizer que as melhores são por norma "church schools" (i.e. associadas a uma confissão religiosa cristã, maioritariamente anglicanas - C of E - ou católicas) e as piores, de facto, comprehensives. É verdade que têm falta de professores mas tal deve-se ao salário oferecido ser baixa (em termos relativos, é baixo) e para certos sectores (ciências exactas ou aplicadas) pura e simplesmente não há "candidatos locais". Agora, a situação PIOROU não devido ao aparecimento das privadas (que sempre existiram e nem sequer são mais agora), mas antes pela péssima medida do Governo Tatcher de acabar com um sistema de ensino que era diferenciado (parecido com o alemão) e por todos os alunos juntos. Quanto às multinacionais de ensino, existem alguns problemas a nível dos colleges mas não das escolas do "ensino obrigatório" (para quem desconhece, os colleges são semelhantes ao nosso 11-12º ano e têm por fim dar uma formação "final", seja profissional seja para candidatura ao ensino superior) e esse problema existe porque, devido à confusão de termos (college é, em muitos países, equacionado com ensino superior e não um grau intermédio, como é o caso) que atrai muitos alunos estrangeiros, nomeadamente do subcontinente indiano (que são vergonhosamente burlados). Mas, e convém notar, essas "burlas" têm ZERO de impacto no sistema de educação "nativo".

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De MJoão a 20.11.2013 às 19:30


A mim como contribuinte e cidadã interessa-me e muito saber como é aplicado o meu dinheiro , do mesmo modo quero saber qual o ambiente de trabalho e justeza do salário nos serviços que adquiro, do mesmo modo não compro determinados produtos por essa razão.

Está muito enganado, os alunos podem ser inscritos onde os seus encarregados de educação quiserem . Dantes, efectivamente, recorria-se a moradas fictícias sem grande necessidade pois era possível inscreverem-se na área do local de emprego dos pais e /ou ee e em qualquer outra escola, desde que houvesse vaga.

As fardas escolares , nos países que conheço, são subsidiadas. Ora por cá o subsídio não passa pelas mãos dos pais , vai directo para o colégio e é por turma e não por cabeça , pelo que estando as escolas públicas obrigadas a turmas de 26/30 alunos , tal não faz sentido.

Se conhecesse os programas em vigor e, sobretudo os que aí se avizinham , aperceber-se-ia que o objectivo não é fazer pensar mas apenas , desculpe-me o termo, "marrar". É que não sobra tempo para mais! Aliás é como se faz em muitos colégios "altamente recomendáveis" disciplinas com exame final horas e horas a fio de exercícios, exercícios e exercícios. Ás outras disciplinas nota está dada ( dada, dada mesmo). Muitos colégios, com menor tendência para fábrica de entrada na faculdade, entretanto, impõem médias para os alunos permanecerem entre os seus , falhado o objectivo saem. Ah , muitos não aceitam na matrícula do 10º ano alunos com medias inferiores a cinco ( já sei é a lei da oferta e da procura :) )!

Chegados à faculdade, no entanto, a "genialidade" passa, para grande espanto ( ou não) dos seus professores e parece que em termos de língua materna a "coisa" também não vai lá muito bem.

Muito haveria ainda a dizer e ainda sobre alunos com Necessidades Educativas Especiais que é todo um outro mundo, porque é dispendioso fica à margem.
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De Carlos Duarte a 20.11.2013 às 22:02

Quanto ao primeiro parágrafo, absolutamente de acordo e, se quiser, mais um motivo para permitir liberdade de escolha nas escolas.

No que diz respeito à inscrição, em termos teóricos sim, em termos práticos não (ver Art. 13º do Despacho 5048-B/2013, de 12 de Abril) uma vez que a proximidade geográfica (residência ou trabalho) é o principal critério de selecção dos alunos (prioritário a este, só mesmo necessidades especiais do aluno). Ou seja, a "liberalização" da escolha de escola pelos pais é absolutamente ficcional.

Dos uniformes, conheço o caso inglês e não há subsídios. São pagas pelos pais E definidas pela escola. Quanto à subsidiação ser por turma e não por cabeça - e como escrevi noutro comentário - é óbvio que é um mau (e injusto) sistema e é exactamente por essa via que "grupos de ensino" profissionais (como a GPS) consegue arrecadar lucros. O Estado deve pagar por cabeça (admitindo, no entanto, um pagamento base para amortecer variações de alunos inter-ano).

O "marranço" nunca fui e sou por norma contra (como método! Quem quiser marrar que marre). É verdade que muitos colégios se especializam nisso, mas também não vejo nenhum problema desde que os pais aceitem essas condições (pela mesma razão não tenho nada contra o mesmo ocorrer nas escolas públicas). A imposição de médias acho francamente muito bem e vai de acordo ao que defendo como modelo de ensino: um ensino estruturado, com diferentes tipos de escola de acordo com o mérito individual dos alunos. É verdade que isso ocorre nos privados mas só acho mal que não possa ocorrer nas públicas.




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De MJoão a 22.11.2013 às 10:15


Caro Carlos,

Ainda bem que concorda que foi péssima medida do Governo Tatcher , eu diria, neste caso como em muitos outros , nomeadamente nos transportes. É que o que se está a implementar em Portugal é, precisamente, um "thatcherismo" tardio.

Cumprimentos,

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De Sérgio de Almeida Correia a 20.11.2013 às 02:33

Nem mais, MJoão.
Há muitas maneiras de se olhar para um problema, mas para esse todas as soluções passam por aquilo que os portugueses pagam.
Essas perguntas têm e devem ser feitas sem que as respostas estejam já preparadas ou feridas à partida de um qualquer preconceito ideológico.
De outra forma não haverá seriedade num debate que continua por fazer e que é cada vez mais urgente.
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De Sérgio de Almeida Correia a 20.11.2013 às 02:27

Caro Carlos Duarte,

De acordo quanto ao essencial, embora o ponto decisivo não fosse uma defesa da escola pública. Mas espero em breve voltar ao tema.

Pois, o problema é quando escolas privadas despedem professores alegando extinção do posto de trabalho e a seguir se contrata outro para fazer exactamente o mesmo, a prazo e por metade do preço do despedido, enquanto o dono da escola vai trocando de Porsche.
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De Carlos Duarte a 20.11.2013 às 08:45

Caro Sérgio,

Desculpe, percebi mal o intuito do seu post.

Quanto aos, e passo o simplismo, "Porsches", existem duas maneiras de olhar para o problema: entre a escola e o professor é um caso simples de Lei do Trabalho, portanto aplique-se a Lei. Entre a escola e os pais dos alunos, se estes últimos não gostam do modus operandi na gestão de pessoal por parte da escola tem o direito (para não dizer o dever) de reclamarem e, em última instância, retirarem os filhos do estabelecimento de ensino. Em qualquer um dos casos e em termos de definição de política educacional, é irrelevante o que o "dono" da escola faz com o dinheiro.
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De Sérgio de Almeida Correia a 20.11.2013 às 10:59

Caro Carlos,

Em termos práticos não é tão linear.
A aplicação da lei do trabalho é cada vez mais uma quimera, que sai cara e é morosa mesmo quando o trabalhador tem razão (normalmente a parte mais fraca, aquela à qual a morosidade e o custo mais pesam e a que nas actuais circunstâncias mais dificuldade teria em desenvencilhar-se do problema originado criado pelo desaparecimento do posto de trabalho).
Quanto aos pais dos alunos é evidente que essa pode ser uma solução. Mas, pergunto eu, resolve o problema? Não será essa uma solução drástica? E retiram-se as crianças logo ou espera-se pelo final do ano lectivo, continuando-se a pagar as mensalidades?
O que o "dono" da escola - ou qualquer outro profissional com especiais responsabilidades - faz com o dinheiro é mais relevante do que à primeira vista possa parecer numa perspectiva educacional e social. Em especial se parte desse sucesso só se tornou possível com a contribuição de fundos da comunidade. E penso numa sociedade minimamente decente e equilibrada.
Há questões que nunca serão solucionáveis de uma forma sã numa perspectiva exclusivamente jurídica ou dentro de uma lógica empresarial.

A vida não é assim tão simples. Não é só uma questão de números e de execução de contratos numa sociedade de mercado (como até a troika já percebeu).
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De Carlos Duarte a 20.11.2013 às 11:23

No que diz respeito à questão laboral, a experiência que tenho é a oposta à sua: os trabalhadores, em tribunal, são largamente favorecidos e se alguém se pode queixar de injustiça são, muitas vezes, as entidades patronais. No entanto, e como disse, esse aspecto é puramente direito do trabalho e tanto faz ser professor como cozinheiro da cantina ou empregado na secretaria.

Independentemente disso e em termos de avaliação da escola existem dois tipos: um puramente objectivo que resulta dos resultados dos exames (especialmente em termos de progressão e não tanto em resultados absolutos) e um subjectivo que depende dos pais. O Estado deve preocupar-se principalmente em servir de "avaliador independente" com bases objectivas e, em caso de incumprimento de uma escola (tanto nos objectivos "objectivos" como na classificação subjectiva) então agir, primeiro tendo em vista a recuperação da mesma e, em caso de falha continuada, no seu fecho / reformulação total.

Repare que estamos a falar de escolas com contrato com o Estado: os pais não pagam nada directamente. E, desse ponto, o dinheiro tanto é desperdiçado numa pública como numa privada.
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De da Maia a 19.11.2013 às 10:18

Note-se que entidades privadas "sem fins lucrativos" podem ser "lucrativas" e nada têm a ver com o usual espartanismo público. Com esse título esquece-se que gestores dessas entidades podem usar recursos privadamente, onde viaturas, viagens, despesas de representação, e uma miríade de coisas vai parar a uma fundação, instituição, etc... que pode não ter fins lucrativos, mas tem benefícios privados.

Não me parece errado constatar a "máquina de chouriços", e essa descoberta de La Palisse é uma trivialidade que enche livros de economia e gestão. Isso deu algum aspecto científico a essas disciplinas, e pode ser útil no sentido de optimizar recursos de forma abstracta.
O maior problema, como aponta no seu texto, é a ausência de modelação apropriada, e a falta de humildade para essas disciplinas assumirem isso. Não o fazem pois acham que se descredibilizariam.

Ou seja, é fácil lidar quando os produtos não são pessoas. Quando se usa indiscriminadamente, tratam-se pessoas como outros produtos quaisquer. As comparações podem ser úteis, mas essa utilidade é limitada a um contexto, a um aspecto. Mostra ideias parciais mas não totais.

O mais fácil para modelação é embrutecer o processo, pretendendo à força que as pessoas sejam previsíveis. Estudando mecanizações, etc...
Dou um exemplo típico. Cada vez mais assistimos a "inquéritos de qualidade", porque é complicado modelar os gostos, e achou-se que uma "avaliação" colmataria a falha do modelo.
Há pouco tempo respondi a uma "inquisidora" - «olhe, até estava satisfeito com o serviço, mas fiquei muito desagradado pelo inquérito. Tem alguma bolinha para assinalar isso?»
- Não tinha. Não tem, porque não há avaliação dos avaliadores, remete-se à constatação posterior.

As pessoas escapam a modelação, como se conclui isso com a modelação dos mercados. Mas, insiste-se, aumentando constrangimentos, regras e leis, para evitar "fugas" ao previsível.

Tudo isto para depois acontecer o quê?
Como os zarolhos modelam só com um olho, acham que o outro é redundante, e optimizam para uma sociedade de zarolhos. Só quando lhes tocar a si, é que percebem que afinal não é boa ideia prescindirem do outro olhar.

Ou seja, por evolução natural, há uma quantidade de soluções que foi aparecendo não optimizada segundo os critérios XPTO, porque também incluía uma vivência humana complexa. Quando chegam os "senhores" da ciência XPTO a querer modelar apenas o XPTO, e tirando a componente humana própria da actividade, estão a ignorar essa vivência humana. Assim, ou robotizam as pessoas de acordo com o modelo XPTO (o caminho preferido do legislador), ou reconhecem que é melhor ficarem quietos e deixar que as pessoas se adaptem...
As pessoas não são burras, sabem que lá está um XPTO qualquer, não querem é passar a produtos robotizados só para que o XPTO bata certo.

Aplicado ao caso, há ideias da gestão de hotelaria, de hospitais, de escolas, que são comuns. Nada de especial nisso, e há analogias instrutivas, e os TED estão cheios de trivialidades dessas. O que é limitado, ou burro, é uma pretensão de "gestão universal", indistinta das diversas especificidades humanas.
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De Sérgio de Almeida Correia a 20.11.2013 às 02:49


A frase final do seu comentário resume quase tudo o que se procurou sublinhar. A pretensão de imposição de conceitos universais de gestão sem curar da realidade a que se destina é que me aflige. Tanto quanto me afligia a "unicidade sindical" ou uma "democracia" assente numa "ditadura do proletariado".
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De Vento a 19.11.2013 às 12:31

Creio que a questão substantiva do discurso do empresário reside no facto de, propositadamente certamente, querer usar o imaginário colectivo sobre a pessoa do empresário para moldar carácteres e transformar a realidade.

A visão da inacessibilidade à figura de empresário, pela intenção subjacente, torna-se assim comum e despoleta na audiência o conceito de empreendedorismo, que se aplica a qualquer função exercida.

Se em certa medida o conceito introduz esta dimensão, por outro lado a figura do empresário hoteleiro está muito bem escolhida para levar a efeito esta palestra a uma audiência ligada ao ensino.

Na realidade o ensino, tal como a vertente da oferta gastronómica, visa apresentar uma cultura de sabores. Para compreender isto, note-se que sabor deriva da palavra "sapere"; e quando eu afirmo que uma determinada refeição "soube-me" bem, ou "sabe-me" bem, eu transmito que aprendi e conheci os ingredientes e a textura que a mesma apresenta(va). Logo, eu fiquei mais rico com esta experiência, e esta riqueza torna-se, assim, distributiva, porque lucro partilhado.

Aqui chegados, se é certo que o conceito de empreendedorismo tem de assumir a sua dimensão real, em qualquer exercício de função, também é certo que é necessário começarmos a palestrar aos empresários sobre a função do lucro.
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De da Maia a 19.11.2013 às 18:51

... este sapo gosta desse sabor do sapere.
Sendo que logro e lucro têm a mesma raiz.
Abraço.
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De cristof a 19.11.2013 às 20:25

até a M.comete o erro de querer que um serralheiro bote discurso sobre literatura e com sucesso. Cada um deve ser bom no seu trabalho. O futebolista porque joga bem -mesmo falando mal pode ser o melhor e o escritor deve ser julgado pelo que escreve e não porque joga bem a bola.

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