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Algo de novo à esquerda

por André Couto, em 18.11.13

Há um novo Partido à esquerda, o Livre.

Não sei se o Rui Tavares tem envergadura política para conseguir ocupar o espaço que reclama, um espaço cada vez mais vazio, fruto de um percurso errático do PS e da indisfarçável inconsequência do BE. Sozinho não conseguirá, mas não me surpreenderia que figuras com mais peso se juntassem nesta cruzada, vislumbrando-se, já, José Sá Fernandes e Joana Amaral Dias. Basta ver que a papoila, símbolo do Partido Livre, é o mesmo do Manifesto Para uma Esquerda Livre, onde participaram insuspeitas figuras, como testemunham os registos. Ao tempo, assinei esse Manifesto, por concordar com as suas premissas, mas a criação de um partido não era uma delas.
A verdade é que há espaço para um CDS à esquerda. Um Partido que radicalize o discurso com parcimónia, que proponha alternativas viáveis, que aponte caminhos e, acima de tudo, que não assobie para o lado chegado o tempo de governar. Sim, "governar" não pode assustar a esquerda além PS. Chamar-lhe-ão uma muleta do PS, talvez, mas se for para o pôr em sentido, influenciar positivamente a sua governação e ajudar na viabilização de soluções, a democracia e a governabilidade País sairão a ganhar. É por isso que a resposta a esta pergunta do David Dinis deve ser afirmativa: é um passo atrás, fomentando a divisão, sim, mas para criar possibilidades de união no futuro.


21 comentários

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De Vasco a 18.11.2013 às 17:32

"...figuras com mais peso se juntassem nesta cruzada, vislumbrando-se, já, José Sá Fernandes e Joana Amaral Dias." - LOL
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De André Couto a 18.11.2013 às 21:36

Caro Vasco, José Sá Fernandes é Vereador da CML há muitos anos e Joana Amaral Dias foi Deputada à Assembleia da República. Podem questionar-se os seus perfis, pode gostar-se, ou não, da sua postura, mas não são irrelevantes no quadro político.
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De Vasco a 19.11.2013 às 00:22

Tirando o inusitado patrulhamento de costumes de Fernandes, não me recordo de nenhuma singularidade (ou relevância política particular) em nenhum deles.
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De André Couto a 19.11.2013 às 10:20

José Sá Fernandes, juntamente com António Costa, mudaram o rosto de Lisboa e devolveram-na às pessoas. É circular por aqui e verificar isso. Um abraço!
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De Vasco a 19.11.2013 às 11:39

Retribuo o abraço, mas não percebo o que " devolver a cidade às pessoas" possa querer dizer, se calhar é a luz verde para as pessoas e para os automóveis ao mesmo tempo no Saldanha, precisamente quando os transeuntes estão de costas para o tráfego.. :)
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De André Couto a 19.11.2013 às 15:22

Eu explico, Vasco! Refiro-me aos inúmeros quiosques plantados por toda a cidade, às zonas exclusivamente dedicadas a peões, como o Terreiro do Paço, à Ribeira das Naus, à conclusão das obras paradas em múltiplos miradouros, entre muitas outras coisas… Lisboa é hoje uma cidade para as pessoas e amiga das pessoas. É recuar 7 anos no tempo e comparar, saber avaliar o bom, e não pegar apenas no mau, que existirá sempre! Um abraço!
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De Vasco a 19.11.2013 às 16:34

Não partilho desse entusiasmo, lamento. Acho que actual gestão da câmara é manifestamente inútil e inexistente e todas essas melhorias que indica (2 ou 3) não eram projectos de Costa & Co. mas obras que se arrastavam há anos por incompetências sucessivas. Algum dia tinham de terminar, calhou agora que veio o dinheirito do Aeroporto. Das únicas boas ideias que apareceram durante a gestão de Costa (o Terreiro do Paço e trocar o piso dos passeios), a primeira não lhe pertence —pertencia antes a arquitectos e muitas sugestões ligadas à substituição dos ministérios por lojas, cafés e espaços culturais e artísticos são ideias que apareceram fora do Brainstorming vertiginoso do gestores municipais; quanto à segunda ideia —tão boa que duvido que seja mesmo do Costa—, vai ser um sururu dos diabos para convencer as pessoas de que a calçadinha não tem interesse nenhum e provavelmente vai andar nas Calendas até o neto do Costa chegar à Câmara porque isto normalmente é de 'família'. De resto, a cidade está tão tristonha e esburacada como estava nos anos 80. Minto, agora há mais mendigos a dormir nos jardins e já lá estavam antes da troika, se quiserem saber.
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De Reumático a 18.11.2013 às 17:52

A avaliar pela idade média do pessoal que esteve no São Luiz, haverá sim um partido velho.
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De André Couto a 18.11.2013 às 21:38

Um Partido só de jovens não iria a lado nenhum, nem seria saudável. Não vejo mal no facto de os mais velhos transmitirem o testemunho aos mais novos e orientarem a sua acção. Vamos ver quem serão os rostos...
Obrigado pelo seu testemunho.
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De Luísa a 18.11.2013 às 18:14

"e, acima de tudo, que não assobie para o lado chegado o tempo de governar". Alguma vez a esquerda PCP ou BE tiveram hipótese de governar para assobiarem para o lado? Nunca, porque a mensagem que os comentadores e políticos transmitem é que eles são muito maus e personas não gratas, mas o mais caricato é que presentemente ninguém tem medo da esquerda da China e é tão boa que os negócios com eles proliferam. Não sou simpatizante nem do PCP nem do BE, mas penso que chegou a hora de dizer basta a PSD,CDS e PS é que até hoje foram eles que lá estiveram e levaram o país a este estado degradante. Que venha alguém sério que ponha ordem nesta desordem e que se dê oportunidade de outros mostrarem que vale aquilo que os outros dizem que não valem
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De André Couto a 18.11.2013 às 21:55

Cara Luísa, a esquerda já foi chamada várias vezes a governar, seja o País, sejam várias cidades, quase sempre com a mesma reposta. Este parece-me ser um facto demasiado recente para ser contestado. Quer que lhe relembre o discurso do "nós só aceitamos se o PCP também aceitar"?
Obrigado pelo seu testemunho.
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De Luísa a 19.11.2013 às 01:22

Caro André, quer queiramos ou não, as câmaras do PCP são as melhores do país. Isto é um facto indiscutível. Não tenho nada a ver com o PCP, nem BE, que fique claro, mas também sei que PSD, PS e CDS, nunca quis, nem quer, coligações com os referidos partidos, mas também eles esqueceram as suas bases, as quais estão destroçadas. Estou a pensar livremente sem pensar se é esquerda ou direita, mas se formos correctos, sabemos que é a pura realidade. Pergunto: se os partidos que nos têm governado nos levaram a este estado, estamos à espera de quê? Que continuem a fazer mais do mesmo? Provavelmente somos masoquistas, se não somos masoquistas venham eles, livrem-nos deste pesadelo que nunca mais acaba e nos levam à penúria.
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De André Couto a 19.11.2013 às 10:25

Luísa, não leve a mal uma pequena provocação que lhe vou fazer: os Partidos são feitos de pessoas, se faz esse diagnóstico, com o qual não me atrevo a discordar, é porque as boas pessoas deixaram de se preocupar com a acção política, ficando sentadas nos sofás. Todos são culpados, os que estão nos partidos e os que deixam as suas vidas nas mãos dos outros sem tentarem fazer diferente.
Obrigado pelo seu testemunho.
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De Luísa a 19.11.2013 às 17:18

Não me fez provocação nenhuma, antes pelo contrário. Claro que somos culpados, por isso mesmo, eu escrevi que provavelmente somos masoquistas.......
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De Fernando Sousa a 18.11.2013 às 18:32

Não nos espantemos portanto, André, que perante a possibilidade de uma impossibilidade de uma união futura, surja nesse futuro um outro partido unionista para concretizar o que os clássicos e mais o PL entretanto não conseguiram... Dito de outra maneira: será este o caminho? O eleitorado parece-me céptico. Abraço
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De André Couto a 18.11.2013 às 21:51

Compreendo a sua pergunta, Fernando Sousa. Não tenho a certeza que seja este o caminho, mas tenho a certeza que com os players do costume, BE e PCP, seria impossível qualquer acordo com o PS... No futuro será importante que a esquerda possa formar maiorias de governo e, estando o voto cada vez mais disperso, o PL pode ter um papel importante. Também eu estou céptico, mas simultaneamente curioso. Um abraço!
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De Carlos Moura a 24.04.2014 às 16:36

Tarde cheguei a este debate, talvez por não ter tempo e disponibilidade de uma temporada a esta parte e, dependa de almas caridosas para me fazerem chegar as novidades.
Confesso que acho deliciosos os argumentos e asserções do André Couto, especialmente quando diz que um entendimento seria impossível com PCP ou o BE.
Quanto ao último não posso, obviamente, falar, mas quanto ao PCP o André saberá tão bem como eu que o que impede um entendimento é a recusa da ideia em se trabalhar numa base programática comum e de esquerda a ser executada depois de eleições. É que Governos não se fazem em torno de quantos votos tivemos e quantos tiveste e quantos assentos temos somados. Fazem-se em torno de qual é o programa que vamos implementar e o que visa este programa. Daí a dificuldade, até porque o PS não parece querer demarcar-se das políticas que vem implementando enquanto Governo nas últimas três décadas e meia, e nas quais o PCP não se revê ou entende positivas para o nosso país e o nosso povo, como aliás parece evidente.
Se pôr o PS em sentido como o André diz é trazê-lo a uma política mais à esquerda, não é necessário nenhum outro partido, bastaria que essa fosse a vontade dos militantes do PS, que creio são ainda os detentores do poder dentro do partido.
Quanto a um partido para obter eleitorado para viabilizar as políticas levadas a cabo até hoje, sob uma retórica mais à esquerda, medrando no descontentamento do eleitorado nestas políticas e na desconfiança induzida e alimentada em relação ao PCP, seria, do meu ponto de vista trágico a dois níveis: Um quando as pessoas se sentissem enganadas e traídas nas suas expectativas; dois, numas próximas eleições quando este partido se esvaziasse, o PS perdesse eleitorado, a abstenção aumenta-se e os partidos à direita do PS ganhassem mais ainda com menos votos.
Pode dizer o André, bem como os demais leitores, que o PCP ganharia com isso. Mas ganharia exactamente o quê? Mais votos? Mais deputados? Mas de que serviria isso numa correlação de forças extremamente negativa, para o nosso povo? É que o poder não serve apenas para o deter, serve para cumprir um programa elaborado e sufragado pelo detentor da soberania de acordo com a Constituição de 1976.
Dito isto fica claro que não é ao PCP que cabe a recusa de Governar com PS, com BE ou outro partido de esquerda
(Que o seja em actos) mas na incapacidade de o PS se propor a elaborar à sua esquerda um programa que sirva a uma governação conjunta, que rompa com as práticas e políticas do seu passado recente, com ou sem listas comuns para legislativas.
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De cristof a 18.11.2013 às 21:22

começar qualquer alternativa ao panorama partidario com esquerda/direita consceitos que alem de já não quererem/atrairem ninguem com raciocinio de eleitor é prova de que querem ser um bloquinho para um dia virem a ser como os grandes; que como se verifica subiram até ali e nunca mais vão fazer nada que não seja uma copia reles dos que tentam dizer mal.Claro que a liberdade é excelente e vai com tempo fazer que a cortiça suba superficie e se possa conferir.
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De André Couto a 18.11.2013 às 21:47

Caro cristof, compreendo a sua dúvida. Acho, contra a maioria da doutrina actual, que o conceito de esquerda/direita nunca foi tão pertinente e importante como hoje. É a aparente falência desses conceitos, e destrinças, que faz com que o PSD possa actuar como o actual governo faz, ou o PS, um partido social democrata, possa deixar cair o Estado Social quase sem lutar, seja em Portugal seja na Europa. Vamos ver o que nos traz o tempo.
Obrigado pela sua opinião. Um abraço.
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De cristiana fernandes a 18.11.2013 às 21:24

Acho quase impossível que um partido que começa com "egos" assim possa ter alguma eficácia ( no sentido de bem comum) . São "egos, Senhor, São egos!".

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De André Couto a 18.11.2013 às 21:42

Compreendo o que quer dizer, cristiana fernandes. Acho que essa é uma dúvida pertinente, tal como será importante verificar se se mantém activo no pós-Europeias, seja qual for o resultado.

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