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O cheque-asinino

por João André, em 15.11.13

Alegrem-se almas liberais: as arengas liberais de José Manuel Fernandes estão agora perfeitamente disponíveis para quem as queira ler (com o limite de 20 vezes por mês). A mais recente é em relação à escola pública e aos cheques-ensino.

 

É divertido ler JMF hoje em dia. Deixou de vez a inteligência nalgum bengaleiro de uma conferência sobre o liberalismo e limita-se a arengar palermice atrás de palermice. Obviamente (para quem me leia) que não sou a favor dos cheques-ensino, mas até compreendo as razões de quem sabe argumentar em favor dessa solução. JMF não é uma dessas pessoas.

 

Em relação à sua "análise" dos rankings e do ataque à Parque Escolar, leia-se o Daniel Oliveira, que dissecou bem melhor o assunto do que eu o poderia fazer. Eu limito-me a apontar as falácias de JMF.

 

1. Os "maus resultados" da Escola Pública justificados por contextos socio-económicos. Antes de mais, refira-se que os "resultados", bons ou maus, que JMF refere são os dos rankings. Esse assunto despachei acima. Pessoalmente não acho os resultados da Escola Pública como maus. São bons. São mesmo óptimos. A Escola Pública oferece ensino à totalidade da população portuguesa (e não só a alguns). A Escola Pública anulou em relativamente poucos anos o analfabetismo do país. A Escola Pública continua a preparar os alunos para um ensino universitário que é de qualidade (o resto da Europa gosta imenso de ter portugueses). A Escola Pública tem maus alunos, porque inclui toda a gente. Ter maus alunos não equivale a ter "maus resultados". É apenas o resultado de políticas inclusivas.

 

2. Os maus alunos podem sê-lo porque o seriam sempre (nem toda a gente tem os genes certos para ser bom nos estudos tal como nem toda a gente nascerá com capacidade para ir aos Jogos Olímpicos). Os maus alunos também o podem ser porque nunca existiu um ambiente conducente aos estudos ou sequer à valorização dos mesmos. Neste segundo caso, a escola poderá substituir-se ao ambiente familiar (ou social), mas para tal não pode encafuar o aluno no meio de outros 35, onde as suas especificidades são ignoradas. Terá talvez de passar mais tempo sob acompanhamento. terá de ser incentivado. A escola necessita, em resumo, de mais meios para esse aluno. Meios que a escola privada nunca usará, mesmo que os tenha. Por definição, a escola privada quer o lucro. A escola pública quer ensinar.

 

3. Prestar contas. JMF diz que as escolas privadas têm que prestar contas aos pais e as públicas ao ministério. Ou seja, as privadas mostram resultados aos clientes e as públicas a uma entidade independente dos pais. As escolas privadas só precisam então de formar alunos para fazer exames e dar-lhes resultados bons ao longo do ano. A qualidade do ensino em si mesmo é pouco importante.

 

4. Liberdade de escolha: a maior falácia. Não existe, pura e simplesmente. Se amanhã se iniciasse um sistema de cheques-ensino para todos, as escolas privadas seriam inundadas por pedidos. Para manterem a qualidade não poderiam aumentar o número de alunos, ou seja, teriam de seleccionar. Fá-lo-iam por dois caminhos: ou aumentariam as propinas (e os pais com dinheiro continuariam a pagar a duplicar) ou passariam a escolher com base em critérios deles (notas, ambiente socio-económico, etc). Os outros iriam para a escola pública. Se as escolas privadas aumentassem até poderem abranger o completo universo de potenciais alunos, a qualidade iria por aí abaixo, porque passariam a receber maus alunos e maus professores e ainda acabariam pior que as públicas porque deixariam de gastar recursos a compensar os piores alunos.

 

Nada tenho contra escolas privadas. Entendo que devem existir. Os pais de alunos nessas escolas até poderiam receber algumas vantagens fiscais. Mas nem as escolas deveriam receber um tostão que fosse do Estado nem deveriam ser vistas como algo de diferente de qualquer outra empresa. São negócios, é assim que devem ser tratadas. Quando se fala do futuro do país, não se deve entregá-lo a um negócio, independentemente do que rankings artificiais nos digam.


42 comentários

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De Carlos Duarte a 15.11.2013 às 12:36

Caro João André,

Nim ao seu post.

Ao contrário de si, não sou daqueles contra o cheque-ensino. Sou sim contra o cheque-ensino sem que os critérios da sua aplicação sejam devidamente regulamentados. E por critérios de aplicação, entendam-se os critérios das escolas seleccionarem os seus alunos.

Para "abertura de hostilidades", sou contra a ideia da escola inclusiva absolutista. A escola deve ser cega em relação ao meu socioeconómico de origem dos alunos mas deve ter o olho muito aberto quanto às aptidões dos mesmos. Como tal, discordo em absoluto da ideia que as turmas devem ter alunos bons e alunos maus. As turmas (e, se calhar, as escolas) devem ser feitas de forma a permitir que cada qual tenha a oportunidade de dar o melhor de si. Assim, alunos com maiores facilidades de aprendizagem devem ser postos juntos e alunos com maiores dificuldade idem. É segregação e por aí fora? É sim senhor, mas a nossa vida (e a vida desses alunos) será sempre assim. O mundo real não anda com paninhos quentes.

Sempre gostei do modelo alemão, com hauptschulen, gymnasien e realschulen, e sinceramente acho que o futuro passaria por aí. No entanto, e como acontece com as universidades, o acesso deveria ser estritamente regulamentado pelo Estado (por concurso regional), sendo que escolas privadas concorreriam em pé de igualdade com as públicas. Seria, no entanto, concedidas às escolas privadas a possibilidade de reservar um número de vagas (20-30% do número total) com critérios de admissão diferenciados e, nesse casos, sem qualquer apoio estatal.
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De da Maia a 16.11.2013 às 00:54

Caro Carlos,

creio que aqui não estamos muito de acordo.
Parafraseando um anúncio, "eu sou do tempo em que" ninguém dava nada pelas escolas privadas, exceptuando uma meia dúzia de exemplos. Tipicamente quem ia para privadas, é porque não se safava na pública... como aconteceria aliás nas universidades.
O exemplo das universidades é ilustrativo, porque aí a grande capacidade da gestão privada parece que nunca chegou, e nem sequer a Católica é bom exemplo, pois tem um sucesso limitado a poucas áreas, onde o conhece-quem-conhece influi no emprego posterior.

O que mudou as coisas? Creio que foi o número de vagas em Medicina, e a inflação estúpida de notas... onde média de 18 ou 19 podia não garantir entrada. O pessoal ia para o estrangeiro fazer o curso, enfim...
Para esse efeito contava a nota do secundário, e apanhar um professor esquisito poderia lixar tudo, mesmo com um bom exame nacional. Havia muita gente no público em que não era a nota de exame nacional que baixava a média, mas sim a nota da escola.
Para além disso, como o João André assinala, havia uma especialização nos exames, o que favorecia esse objectivo exclusivo de entrar no curso da moda - a Medicina. Só que também se soube que os alunos passado esse treino do exame, chegavam às universidades públicas à espera do mesmo tratamento dirigido, e davam-se mal. Parece que muitíssimo mal, mesmo.

Essa foi a razão do boom privado, a que acresceu um despovoamento do público dos bons alunos, e uma certa deterioração por contágio. Foi muito rápido, em meia-dúzia de anos o movimento cresceu, e estabeleceu-se essa tendência.
Curiosamente, muita intelectualidade de esquerda foi responsável por migrar os filhos para o privado...

Onde creio que não estamos de acordo, é que percebendo o objectivo, não gosto da ideia de formar totós em laboratório. Essas turmas especiais criam essa mentalidade, formando-se uma bolha sem contacto com outras realidades. Uma certa sociedade pode ter interesse em formar "génios"-máquina, mas esse tipo de competências fazem-nas melhor as máquinas, é só uma questão de tempo. O outro tipo de genialidade precisa de ver mais, de estar solta, e não conduzida por capatazes de ensino. É claro que tudo isto depende do propósito de formação, mas é perigoso ter a sociedade anterior a condicionar demasiado as mentes da geração seguinte. Porque a tendência é que os mais velhos queiram condicionar o seu modelo aos mais novos, para se usarem deles nos seus fins.

Abraço,
da Maia
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De João André a 18.11.2013 às 09:04

«muita intelectualidade de esquerda foi responsável por migrar os filhos para o privado»

Tem toda a razão caro da Maia. E pior, defendendo com unhas e dentes o ensino público. Como escrevi, quem queira colocar os filhos no privado deve poder fazê-lo, mas deve haver coerência quando se fala em público sobre o assunto.
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De Carlos Duarte a 18.11.2013 às 09:38

Caro da Maia,

Não discordo dos seus 4 primeiros parágrafos e, sinceramente, pouco me interessa a distinção entre públicas e privadas (escolas são escolas), interessa-me sim o seu financiamento com acto público e as condições de acesso às mesmas.

Quanto ao último parâmetro, não me parece que se criem "escolas de totós" pela selecção dos alunos (e, se reparar, não falo tanto em escolas mas mais em turmas). O que considero manifestamente injusto é que alunos com potencialidades sejam mal-aproveitados porque têm o "azar" de calhar numa turma que, por ter alunos mais fracos ou com necessidades especiais, acaba por tem um ensino que se pauta por um natural "nivelamento por baixo". Da mesma forma, numa turma "avançada" (e isto vê-se em alguns privados de cariz religioso) alunos mais fracos acabam pressionados excessivamente (ou escondidos), o que em muitos casos só piora a situação.
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De da Maia a 18.11.2013 às 10:47

Caro Carlos,
eu também estava a falar de turmas. E do que me lembro, algumas escolas públicas faziam alguma selecção nesse sentido, hoje não sei. Mas de qualquer forma não era uma selecção assumida, nem estanque. E é claro que não se trata de nivelar por baixo, há alunos que precisam de outro acompanhamento, e assumidamente deve perceber-se isso.
É o nivelar por cima que eu acho que não deve ser dirigista. Ou seja, não deve procurar dar-se sempre orientação a quem tudo apreende facilmente... esses alunos devem por si mesmos orientar-se. Transmitir-lhes essa mensagem ajuda mais do que dar-lhes novas tarefas, porque não haverá sempre quem lhes diga o que têm que fazer e que opções tomar... a menos que queiramos uma geração seguinte conduzida cegamente pela anterior.
Abraço.
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De Carlos Duarte a 18.11.2013 às 12:06

Sim, fazia-se alguma selecção desse tipo mas, tanto quanto sei, o ME estava a cortar na prática e, por outro lado, pode chegar-se ao ponto de numa escola (pela distribuição dos alunos na mesma) as assimetrias serem excessivas (i.e. uma percentagem muito pequena de alunos estar ou muito acima ou muito abaixo da média).

Quanto aos alunos auto-orientarem-se, admito do 10º para a frente, antes disso é desadequado. Se um aluno tira constantemente Cincos e testes acima dos 80-90%, sem ter que se esforçar minimamente ou a Escola puxa por ele ou, quando as coisas no futuro se complicarem (seja no 10º ou na Universidade), ele vai estender-se ao comprido e depois será sempre mais difícil de recuperar. Porque o estudo (e o trabalho em geral) tem muito de hábitos que têm e devem ser incutidos cedo.
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De João André a 18.11.2013 às 22:27

Caros da Maia e Carlos Duarte, apenas gostaria de lhes agradecer pela discussão que estão a ter aqui. Cordial, com argumentos e agradável de seguir. Assim fossem todos os comentários.

Abraço a ambos
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De João André a 18.11.2013 às 09:02

Caro Carlos, obrigado pelo seu comentário (que discute de facto o meu post).

Eu não escrevi que as turmas devem ter alunos bons e maus. Escrevi que as escolas os devem ter. Ou melhor, que a escola não deve poder escolher os alunos que recebe. Isso não significa que não os possa integrar em turmas de forma a que alunos semelhantes estejam na mesma turma. Aí creio que estamos de acordo.

Em relação ao sistema alemão, gosto dele e defendê-lo-ia em Portugal, mas tenho uma crítica: é excessivamente rígido no que diz respeito ao movimento entre as diferentes escolas. Um aluno que seja razoável e que não entre no Gymnasium pode mais tarde demonstrar aptidões superiores (poderia estar pouco motivado, ter problemas pessoais, ser um "late bloomer", etc). Nesses casos torna-se difícil ir para o Gymnasium, o que lhe limita as possibilidades de entrar para uma universidade. Eu estou de acordo com o conceito das diferentes escolas, mas deveria haver maior possibilidade que aquela que existe na Alemanha (ou Holanda) para movimento entre os diferentes tipos de escola.
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De Carlos Duarte a 18.11.2013 às 09:52

Caro João André,

Concordo que as escolas não deve poder, por si, escolher os alunos (salvo alguns critérios que me parecem razoáveis, como a existência de irmãos já na mesma escola). O regime "ideal" será sempre o de concurso (como no Ensino Superior). Mesmo com o tal do cheque-ensino (e tenho dúvidas, como disse, em relação à sua aplicação prática e não tanto à ideia em si) os pais o que deviam era candidatar-se a "x" escolas, sendo que, após resultados do concurso, os filhos entrariam numa escola (de preferência a 1ª escolha, obviamente) INDEPENDENTEMENTE da mesma ser pública ou privada (neste caso, o "privado" seria o que existe com os contratos de associação).

Quanto ao regime alemão, aceito em absoluto o que aponta como falhas e que a mobilidade (nos DOIS sentidos) deveria ser maior, mas, mesmo com falhas, parece-me um sistema mais justo que o "geográfico" que actualmente temos.
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De l.rodrigues a 15.11.2013 às 12:53

"Quando se fala do futuro do país, não se deve entregá-lo a um negócio".

Curioso. O contrário basicamente resume o programa do governo.
Bom post.
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De Ahah a 17.11.2013 às 07:09

Seria bom lembrar os norte-americanos e os ingleses : Harvard, Yale, Cambridge ou Oxford.
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De João André a 18.11.2013 às 09:06

Não falo de universidades, falo das escolas do primeiro ao terceiro ciclo e do ensino secundário. Universidades são uma história diferente.
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De Luís Serpa a 15.11.2013 às 13:29

Caro João André,

Olhe que isto de chamar palermices àquilo que pensam os que não concordam connosco é sempre complicado e delicado. Eu, por exemplo acho aquilo que V. escreve muito mais palerma do que o que escreve JMF; e não menciono sequer o Daniel Oliveira, über-palerma, na minha modesta mas muito elaborada opinião.
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De da Maia a 16.11.2013 às 00:16

Só uma curiosidade. Se nada tinha a acrescentar a não ser uma opinião sem quaisquer argumentos, o que o fez escrever uma "palermice sobre palermices"?
Estaria o mundo suspenso à espera da sua opinião?
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De Luís Serpa a 17.11.2013 às 10:22

Caro João André, vamos por partes, pode ser?

a) Não sou grande polemista e tenho sempre presente uma frase que alguns dos meus autores favoritos atribuem a Bush filho, outros a um padre que havia numa aldeia da Beira Alta, muito conhecido pelos sermões curtos, e outros ainda a um americano qualquer chamado Lincoln, ou Ford, ou Chevrolet, ou assim.

A frase é: "Às vezes é melhor ficar calado deixando que os outros pensem que você é um idiota, do que abrir a boca e não deixar nenhuma dúvida";

b) Os seus argumentos contra o cheque ensino - o qual pessoalmente eu defendo sem conhecer muitos dos pormenores e devido, única e simplesmente 8ou talvez simplisticamente?), ao facto de achar que as pessoas devem poder escolher o ensino que pretendem para os seus filhos, como devem poder escolher tudo o que diz respeito às suas vidas e às das suas famílias - não são, na minha modesta opinião tão bons como os de JMF a favor. Ou seja, se você acha que os argumentos deles são palermas, onde estarão os seus?

c) de um ponto de vista de alguém que privilegia a liberdade os seus argumentos são confrangedores. No 1 V. "acha" que a escola pública é boa, "pessoalmente". Talvez. Acredito piamente que a opinião é sua. Mas deve haver por aí imensa gente que não pensa assim e não quer beneficiar da inclusividade da escola pública pelo que das duas uma: ou são todos palermas ou. Eu opto por esta.

No 2. V. fala do lucro, esse diabólico e desprezável elemento do nosso sistema económico, que tanto mal tem feito. Perdoar-me-á, mas já não há paciência. Ficou no bengaleiro, infelizmente não perto da inteligência porque nós, os liberais, somos dela completamente desprovidos. Falha do mercado, sem dúvida. Os sistemas onde não há lucro são notória e reconhecidamente melhores.

No 3. V. diz que prestar contas às famílias e preparar os alunos para os exames leva a que a qualidade do ensino seja secundarizada. Maldita seja a minha falta de inteligência! Preparar alunos para o exame leva a que a qualidade do ensino seja "pouco importante"? Seria decerto melhor não preparar os alunos para os exames? Credo, é isso que fazem nas escolas públicas? E V. admira-se de os pais preferirem as privadas?

Finalmente, no 4. - hesitei em qualificá-lo de o mais confrangedor, mas não o faço; os seus argumentos são bastante igualitários - V. acha que a liberdade de escolha é uma falácia porque se todos os pais escolhessem a escola pública a qualidade iria por aí abaixo.

Ou seja, para si a liberdade de escolha exclui qualquer mecanismo de regulação, implica que todas as escolas públicas são más e que todos os pais, tais carneiros cegos pelo cheiro da erva fresca do vizinho, abandonariam as escolas públicas.

Essa hipótese parece-me demasiado remota num plano prático; e indefensável num teórico.

As escolas não são boas por serem públicas ou privadas; há escola públicas muito boas, e privadas muito más. Trata-se apenas de deixar os pais decidir.

Coisa que muitos deles de resto já fazem, porque dão moradas falsas para porem os filhos nas escolas públicas que preferem.

Claro que sendo todos palermas, e tendo a sorte de ter um líder iluminado que nos diz o que fazer - e sabe tudo, mais do que todos nós juntos -, essa escolha é bastante facilitada.

Cordialmente,
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De João André a 18.11.2013 às 09:09

A frase é muito velha e já a vi atribuída desde Obama a Matusalém. Provavelmente saiu da boca de um qualquer desconhecido numa qualquer página da net.

O meu ponto principal: o cheque-ensino nao dá liberdade de escolha aos pais, apenas às escolas privadas. As escolas privadas nunca serão suficientes para cobrir toda a população estudantil, pelo que poderão pintar-se como sendo melhores e, por isso, cobrar mais. Os pais que colocarão os filhos no privado serão na mesma aqueles que tenham meios para isso. O cheque-ensino não mudaria nada.
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De Luís Serpa a 18.11.2013 às 09:16

Se não muda nada há poucas razões para o atacar (e para o defender também, de passagem seja dito). Porém a maioria dos pais que o viessem a aceitar acredita que isso mudaria alguma coisa na vida dos seus filhos; quem somos nós para os contradizer?
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De Luís Serpa a 17.11.2013 às 10:41

Tudo isto dito, há um ponto no qual estou parcialmente de acordo consigo e acho que merece ser discutido: "as escolas devem ser tratadas como negócios". Efectivamente o Estado não me subvenciona se eu quiser comprar um Ferrari - coisa que acho muito bem (não porque eu estragaria o Ferrari em menos de dois como V. defenderia, mas porque não tem de financiar negócios privados).

Por muito repelente que a ideia de que há negócios mais iguais do que outros seja a um liberal, eu penso que o cheque ensino tem mais vantagens do que desvantagens. Em segundo lugar, políticas - tudo o que contribua para diminuir o poder dos sindicatos nacionais é bom (note que digo sindicatos nacionais. Não sou de todo contra os sindicatos. Sou contra os sindicatos enquanto organizações políticas). Em primeiro, educativas: a liberdade de escolha vai acabar por subir o nível geral do ensino, tal como fez com os automóveis ocidentais - que são de longe melhores do que os dos países comunistas quando os havia -, as casas, a roupa, o pão, os óculos, os computadores, a literatura, o vinho, as embarcações de vela (e as de recreio em geral) e por aí adiante.

Os efeitos liberdade de escolha estão à vista; os negativos da sua ausência também.
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De João André a 18.11.2013 às 09:14

Caro Luís Serpa, as escolas não são negócios. As escolas privadas são negócios.

Se compara o ensino da população jovem de um qualquer país à venda de automóveis, então temos a discussão terminada. Se eu admito perfeitamente a entrada de privados na educação com vista ao negócio, não admito nunca tratar a educação (em geral, envolvendo toda a gente) como um negócio. É um direito, e como tal, tem que ser defendido sem olhar a lucros. Se se puder reduzir custos, aumentar qualidade e, em alguns casos, produzir lucros, tudo bem. Mas a primeira prioridade é garantir o direito. Se não concorda com isto, então nada temos para discutir.
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De Vasco a 15.11.2013 às 16:45

Eu sou contra a promiscuidade entre sector privado e público — sobretudo e precisamente porque é uma confusão de valores, é objecto de negociação partidária, de controlo político e todas as outras coisas fundamentais que fazem de Portugal um país republicanamente errado, profundamente errado, etc, etc. Mas, vejamos, em termos puramente teóricos o que distingue o Ensino de outros sectores com os quais ninguém se chateia com sub-contratações por privados como estradas, lixos, etc? Sem querer "coisificar" as criaturas, os alunos são também 'recursos' nacionais — aliás até é estranho que depois de cursos gratuitos, bolsas e o carcamandro — tudo à borla e à conta do zezinho — alunos diplomados possam ir para o estrangeiro trabalhar sem contra-partidas nenhumas para o Estado. Portanto por que razão há quem estrebuche tanto com a mistura entre o privado e o público na Educação mas permanece incólume ao abuso e aos contratos obscuros que são feitos (muitas vezes no seio dos partidos do "arco") noutras áreas em que o Estado —os governos— também tem interesses e põe em jogo recursos nacionais?
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De João André a 18.11.2013 às 09:20

Em relação à promiscuidade público/privado estamos de acordo.

Levanta um excelente ponto em relação aos outros serviços: porque razão tratar as escolas de forma diferente dos outros direitos (saneamento, transporte, etc)?

Pessoalmente creio que tem a ver com o facto de ser o principal investimento que um país pode fazer (opinião pessoal) e por se tratar de crianças (que, convenhamos, nos sensibilizam mais que o tratamento do lixo). Terá também a ver com a forma como avaliamos o sucesso do serviço. Com estradas ou saneamento básico, os objectivos são mais fáceis de definir que com escolas. Muito sinceramente não lhe sei dar uma resposta imediata (teria várias, mas nenhuma profundamente reflectida, pelo que prefiro não as dar). Talvez ainda aqui volte para tentar responder.
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De sc a 15.11.2013 às 21:58

"A Escola Pública anulou em relativamente poucos anos o analfabetismo do país."

Portugal tem uma taxa de analfabetismo enorme em termos europeus e de 1976 para cá não houve qualquer esforço para resolver a questão: somos o país mais analfabeto da Europa (o que se nota). E nem vale a pena atribuir culpas ao regime anteiror porque, só da Espanha - que teve Franco - nos separam, hoje, mais de 19 países nesta lista que nos devia inspirar uma enorme, imensa vergonha
http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_pa%C3%ADses_por_%C3%ADndice_de_alfabetiza%C3%A7%C3%A3o

No meio disto a que vem a "escola pública"? Parece tratar-se de uma questão mal traduzida de uma outra agenda política (França?) e sem muito cabimento num país onde os liceus eram frequentados por todos os estratos sociais e tinham uma elevadíssima qualidade de ensino. Em que capital europeia havia "nobelizáveis", como Vergílio Ferreira a dar aulas em escolas com propinas de quase inexistentes? No país mais estatista da Europa - ou do mundo - a que vem este afã da "escola pública" - uma expressão nunca usada e onde a escola oficial - sempre foi predominante?
Há graves problemas no ensino em Portugal, oriundos do nosso atraso em relação ao resto da Europa (e que bacocamente nos pusemos a esquecer), e que se está a perpetuar, v.g., com níveis muito elevados de abandono escolar. No meio disso a titularidade dos estabelecimentos de ensino é, ou devia ser, o menos.
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De João André a 18.11.2013 às 09:23

Vejo essa lista de forma muito simples: não houve esforço suficiente para alfabetizar a população mais velha, que era analfabeta em 1974 (muitos terão hoje ainda os seus 50 ou 60 anos). A populaçao abaixo dos 15 anos é considerada alfabetizada a 100% nos mesmos estudos. Isso para mim é um sucesso.

Em relação ao resto, peço-lhe que escreva menos exaltada/o. Não entendi minimamente o que quis dizer, excepto que aparentemente não concorda comigo.
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De Maria a 15.11.2013 às 22:53

Excelente texto João André. JMF fala do que não percebe, pois se percebesse não escreveria o que escreve. Quem quiser optar pelo ensino privado pague , foi o que eu fiz quando achei que deveria pôr os meus filhos no privado. Cabe ao estado proporcionar uma educação de qualidade a todos os portugueses e não pagarmos impostos para o ME dar cheques-ensino aos colégios. Na escola pública estão todos os alunos: pobres, ricos, inteligentes e menos inteligentes, rebeldes e dóceis cabem lá todos, de tal modo nunca se poderão fazer comparações e se se fazem não é correcto, nem sério. No ensino privado de qualidade nem todos lá cabem, são escolhidos e só entram se superarem os testes a que foram submetidos.
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De L. a 17.11.2013 às 07:15

No ensino privado também estão alunos de todas as proveniências. Sempre estiveram.
As diferenças existentes não são incomensuráveis e há métodos de comparação.
Todos deveríamos poder escolher a escola onde estudam os nossos filhos. Somos nós e não o estado quem sabe e quer o que é melhor para eles.
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De João André a 18.11.2013 às 09:25

Há casos que sim, aceitam alunos de estratos sociais mais baixos (habitualmente escolas da igreja). A maior parte das privadas não os tem porque esses estratos não podem pagar os custos.
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De João André a 18.11.2013 às 09:30

Exactamente Maria, se quisermos colocar os alunos no privado, deveremos estar preparados para pagar essa decisão. Como escrevi, nada tenho contra benefícios fiscais para esses pais, mas nunca deverão cobrir totalmente a decisão de sair do sistema que já lhes é oferecido.
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De Tiro ao Alvo a 16.11.2013 às 08:42

Não me convenceu, André. Pelo contrário, cheira-me que está a julgar em causa própria, a defender o seu bolso, ou coisa parecida.
O "cheque-ensino", que, a partir de um certo nível escolar, poderia não ser universal – as famílias abonadas podiam ser excluídas -, pode não fazer dos alunos maus, alunos bons, mas pode fazer dos alunos bons, oriundos de famílias pobres ou remediadas, alunos óptimos. Isto se os pais beneficiassem do "cheque-ensino" e pudessem optar por uma escola mais cotada. O resto é treta.
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De João André a 18.11.2013 às 09:35

Digo-lhe já que não estou a julgar em causa própria. Nada tenho a ver com o ensino em nível nenhum e não tenho filhos. Quando os tiver poderei até colocá-los numa escola privada porque, estando fora de Portugal, podrei querer que eles estudem numa escola internacional. Não é uma decisão feita, é ainda para estudar. Seja como for, se os colocar numa escola privada estou obviamente disposto a pagar por isso continuando a pagar a escola pública com os meus impostos.

O seu argumento é baseado na ideia que os alunos bons poderiam ir para a privada porque beneficiariam de receber o dinheiro para isso. Eu discordo porque vejo a coisa de forma simples: no dia em que o orçamento escolar de todas as famílias aumentar em X euros pr causa do cheque-ensino, também as propinas das escolas privadas aumentarão em x euros. É a oferta e procura e a base da inflacção. Quanto mais dinheiro existir no mercado, mais caras serão as coisas.
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De Tiro ao Alvo a 18.11.2013 às 20:03

André, a sua posição é uma posição de "fé". E contra isso é difícil arranjar argumentos.
Mas, pense um bocado e aceite que o cheque-ensino, a partir de um certo nível, poderia não ser universal - as famílias com mais recursos poderiam não ser contempladas. E que, se os actuais colégios privados subissem as propinas - argumento para o fraquito, diga-se -, os pais desses alunos, beneficiários do cheque-ensino, poderiam cobrir a diferença, que nunca poderia ser grande. Digo isto porque, das duas, uma: ou se parte do princípio de que o cheque-ensino seria de um valor razoável – próximo do valor que o Estado agora gasta por aluno, ou os colégios privados, com a introdução o cheque ensino, passariam a ser um negócio da china... e, então, surgiriam de imediato concorrentes a disputá-lo.
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De João André a 18.11.2013 às 22:39

Não vejo como pode considerar que o argumento é fraco: se os clientes têm mais dinheiro para pagar e o interesse se mantém, os preços aumentarão. Não seria de imediato (aumento de x com um cheque de x) mas aconteceria garantidamente.

Não lhe entendo a lógica de não ter um cheque-ensino universal. O princípio do cheque-ensino sempre foi o da sua universalidade. Se opta por o dar apenas a quem tem menos recursos (má escolha, especialmente sabendo nós as voltas que isso dá com as declarações de rendimentos), então qual a vantagem? Quem tivesse rendimentos muito altos não o receberia mas poderia continuar a pagar uma privada (e a ter a tal liberdade de escolha). Os de rendimentos médios não receberiam o cheque e não poderiam pagar a privada - ficavam na mesma. E os mais carenciados receberiam o cheque, candidatar-se-iam às privadas e, se as privadas não mudassem os preços, poderiam ter sorte em ser seleccionados. Não sei, nunca pensei nisso dessa forma. O conceito sempre me foi apresentado como universal, o qual - mesmo não concordando - sempre me pareceu ter mais lógica.

Fala do valor do cheque e toca num ponto importante: como avaliar o valor? Contabilizar as despesas anuais do ensino nesse ciclo e dividi-lo pelo número de estudantes? Outras formas? Como contabilizar aspectos como custos de manutenção dos equipamentos escolares (que não desaparecem por haver menos estudantes) ou despesas com água ou luz (que só se reduzem de forma significativa se a queda de estudantes também o for)? Tudo bem, é uma questão prática, mas fico a perguntar-me...

Toca involuntariamente num aspecto interessante: se o negócio se tornasse da China (não se tornaria porque a partir de certa altura o ensino privado seria igual ou pior que o público e passaria a haver menos escolas), a lógica mandaria que se acabasse com o ensino público: seria tudo privado com cheque-ensino para todos. Pergunto apenas: que pensa dessa solução?
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De Tiro ao Alvo a 19.11.2013 às 18:21

André, parece-me que não vale a pena continuarmos esta conversa - eu não são professor e não tenho filhos em idade escolar, logo não falo deste assunto com o necessário conhecimento, relativamente à situação actual do ensino, em Portugal. O que desejava é que o ensino, garantido pelo Estado, fosse uma forma de dar igual oportunidade a todos, ricos ou pobres. E ninguém pode contestar que os resultados do ensino público, no nosso país, são desanimadores. Valendo os rankings o que valem, não há dúvida que os alunos, que frequentam o ensino em estabelecimentos privados, estão em vantagem, face aos outros que frequentam o ensino público. E, repare, não podem frequentar o ensino privado, os filhos das famílias pobres, o que me parece inaceitável. E alguns poderiam, se houvesse o cheque-ensino.
Sempre me custou a aceitar a teimosia dos nossos governantes da esquerda, de não confiarem nos pais das crianças para serem eles, com liberdade, a escolherem a melhor escola para os seus filhos. Para esses governantes, essa gente serve para votar, mas não serve para se responsabilizar pelos futuros dos seus próprios filhos. Um injusto anacronismo que, a meu ver, deveria acabar. E o mais breve possível.
Fique também a saber que achei de mau gosto e uma provocação desnecessária, o título que, sem razão, deu a este seu post – o cheque-asinino. Repito, a meu ver e sei que no ver de muito boa gente.
Concluindo, fique o André com a sua, que eu fico com a minha. E passe bem.
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De Maria Ana a 20.11.2013 às 17:26

Tem de se exigir é um ensino público de qualidade porque é desse que o Estado deve zelar. Quanto ao privado, quem quiser optar por ele está no seu direito, mas tem de pagar. Nem eu, nem nenhum contribuinte tem de pagar impostos para o ensino privado. Será que deixámos de pensar e escrevemos aquilo que nos convém e não aquilo que convém ao país?.......
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De cristof a 16.11.2013 às 11:31

A avaliação a todos os niveis junto com a transparencia será um dos pilares para erradicar a cultura corporativista enquistada e sanguessuga da sociedade portuguesa.
Os resultados desastrosos relativos entre escolas publico/privadas deviam se seriamente encaradas partir de quem conhece a realidade do dia das escolas e "vê" como as estruturas tomaram conta da conduçaõ e as moldaram aos interesses dos proprios. Tudo o resto que se lê de retorica esquerda/direita ou publico/privado é poeira incomadativa mas só fumaça.
E se se quizer fazer a experiencia é facil : escolhe-se uma publica qualquer, coloca-se o reitor que tinha no meu liceu, dá-se a autonomia e responsabilidade que tinha e em tres anos essa mesma escola passa para os primeiros lugares do tal ranking criminoso.
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De Vasco a 16.11.2013 às 20:16

O problema é que a escola pública não tem um ensino imparcial—veicula o regime, incluindo a cultura corporativista tão bem expressa pelos profs. Os conteúdos são manipulados (são escolhidos pelos pedagogos do Min.Ed) e não verdadeira discussão porque o 'correcto' é o politicamente correcto. Mais, a escola pública foi instrumentalizada oportunisticamente pelo Governo anterior, que tornou OBRIGATÓRIO o uso do novo acordo ortográfico muito antes de estar devidamente acordado e antes do prazo final, como seria aconselhável. Não, as criancinhas coitadinhas foram usadas como cobaias para implementar o acordo à má-fila sabendo eles perfeitamente que não tem instrumentos intelectuais para o recusar. Bando de fdps é o que essa gente é. O ideal seria o ensino privado não mendigar nada ao estado, nisso estamos de acordo—mas também não ser regulado por ele. Aí, sim, haveria oportunidade de constatar que é possível haver muito melhor ensino sem ser aquele que é padronizado pelo Estado. Mas como isto é um país de bardamerdas preguiçosos que andam todos de mão estendida e preocupadinhos com o número de dias de férias, olha, who f* cares.
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De L. a 17.11.2013 às 07:25

Não é em vão que estamos na cauda da Europa.
O acordo ortográfico foi imposto contra um parecer oficial da Direcção-Geral do Ensino Básico e Secundário. Não há conhecimento de qualquer parecer posterior que o contrarie, de modo que essa decisão ilegal e inconstitucional terá por base um capricho da ministra, muito próxima da maçonaria, que parece venerar o acordês, novo esperanto da tolice universal.
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De João André a 18.11.2013 às 09:39

Não escrevo seguindo o acordo ortográfico mas não por qualquer "decisão pessoal", simplesmente porque é assim que sempre escrevi. Se um dia começar a ler apenas e só livros e jornais com o acordo ortográfico, imagino que acabarei a segui-lo na forma como escrevo.

Faz-me comichão, mas não tenho opinião. É-me mesmo indiferente. Vejo essa história como um não-assunto ao nível pessoal. Já do ponto de vista científico, da língua, aí não meto a colher: não percebo o suficiente para dar uma opinião minimamente razoável.
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De lucklucky a 17.11.2013 às 04:26

Um texto expectável... Para começar o que autor Esconde:

Primeiro esconde o Totalitarismo.
Não há Escola Publica em Portugal, existe é Escola Única
Não há Liberdade de Educação em Portugal enquanto um Ministério determinar o que todas as crianças devem aprender e como devem aprender. Não há escolas privadas- há quando muito escolas que seguem os ditames do Ministério em que a propriedade física mas não a intelectual é privada.. a liberdade intelectual na educação é proibida sob ameaça de armas do Estado.

Depois esconde o sacrifício das boas crianças ao altar do igualitarismo. O autor é um entre muitos que não tem pudor em que crianças sejam destruídas numa má escola para manter a Escola Publica. Todos devem lá estar mesmo os que destroem a Escola. Um depósito de crianças portanto em que o que se aprende é o menos importante.

O curioso é como apresenta outro álibi para a Escola Publica, usando uma frase que alguém da Direita diria sem problemas: as crianças não são iguais e não têm as mesmas capacidades.

Ora que surpresa! É essa uma das razões para haver escolas diferentes, programas diferentes, é essa uma das razões para a Liberdade, ser Diferente.

Se formos todos iguais a palavra Liberdade deixa de existir e ter significado.

O corolário é educar crianças de maneira diferente, mas isso é irrelevante para o autor que apresenta a circunstância como uma fatalidade.
O facto de crianças inteligentes serem obrigadas a andar à mesma velocidade que as menos inteligentes não lhe interessa - nem sequer estou a entrar em indisciplina e escolas onde é simplesmente impossível ensinar.
O facto de crianças inteligentes não podem desenvolver as suas capacidades não interessa. O que interessa é o igualitarismo.

E se quiséssemos uma prova que Socialismo agora como entidade dominante do Estado entrou na Fase Conservadora temos aqui um bom exemplo nessa frase fatalista.

A razão para o fatalismo é não abanar o barco e manter o Poder, a Esquerda não precisa de conquistar o que quer que seja. O poder da Escola Única e os professores a quem não é permitida nenhuma ideia como meros funcionários mandados da única ideologia permitida.

Nem vou perder muito tempo com mirabolante "óptima educação" em Portugal no dizer do autor. Se não bastam os resultados de Portugal como país, basta andar em reuniões na cidade mais rica do Pais: Lisboa com pessoas que estiveram na Universidade para perceber a falsidade de tal coisa, é frequente encontrar quem não saiba fazer sequer uma divisão sem ser na máquina de calcular ou escrever uma exposição com lógica.
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De João André a 18.11.2013 às 09:43

Caro lucky, depois de alguns comentários seus em que até fomos concordando, voltamos ao habitual.

Deixo-lhe, antes de mais, um aviso: quando voltar a implicar num comentário seu que eu sou um totalitarista apagarei o seu comentário. Prefiro que me insulte com vernáculo do que use esses termos.

Espanta-se que alguém de esquerda compreenda que nem todas as crianças são diferentes? Isso só pode decorrer da sua ignorância. Lysenko morreu há muito e nem toda a Esquerda o estudou. Isso basta-me para não me dar ao trabalho de discutir o assunto consigo. V. debita a sua cartilha sem se dar ao trabalho de compreender os argumentos ou diluir os seus preconceitos. Fique a pregar aos peixes, se eles tiverem paciência.
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De Vento a 17.11.2013 às 15:20

Quando um executivo governativo entende que a reforma do ensino passa por financiar um esquema privado de ensino, está visto que se concluiu que eles não renovam mas restauram.

Restauram o hábito de designar por empreendedor aquele ou aqueles que para garantirem ganhos na actividade necessitam do chapéu do estado;

Restauram o hábito de que o estado para controlar a actividade social, educativa, empresarial... necessita ter os pés nos dois lados, submetendo uns e outros através da dependência que pretendem gerar;

Por último, restauram a viciação e (re)implementação da mão estendida que é apanágio dos regimes que não sabem qual o regime que querem para além do beija-mão.

Nada tenho contra a actividade privada, se ela o for.
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De João André a 18.11.2013 às 09:46

«Nada tenho contra a actividade privada, se ela o for».

Estamos de acordo. E concordamos mesmo com muitos defensores do cheque-ensino. Só entendo que se o Estado passar a dar o dinheiro da educação aos pais para estes fazerem o que entendem, ou se demite das suas funções ou está a financiar o privado.

Isto além de o cheque-ensino nada oferecer em relação à liberdade de escolha, bem entendido.
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De Vento a 18.11.2013 às 12:41

Mas é claro, João, que o estado está a financiar uma actividade privada desmantelando uma outra que é sua responsabilidade. E está a financiar porque não tem um projecto de educação. O estado demite-se de pensar fazendo que outros também não pensem.

O que o estado devia fazer em relação às famílias que têm os filhos no privado era permitir a compensação em sede de IRS dos montantes com que contribuem para o ensino público + a parte corresponde à dedução dos encargos com material escolar e propinas.

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